A Sra. D. Rita Maria da Purificação e
Sousa, nem sempre foi assim considerada. Quando era meia leca de gente, todos (mas todos
mesmo), a tratavam por Ritinha. E nessa altura também tinha um desejo muito grande: queria muito ser mana
de alguém.
Cansada ela já estava com o facto de
ser a única criança lá de casa. Era o motivo constante e ímpar das preocupações
paternas. E depois, uma coisa era brincar com os poucos, mas bons brinquedos que tinha
e imaginar um mundo perfeito. Absolutamente alternativo. Outra coisa bem diferente
seria poder contar com a companhia de um outro ser humano. Sangue do seu sangue. Para poder executar em parceria toda uma série de reinações e brincadeiras.
Mas como é que se conseguiria
arranjar uma mana? Questionava-se de forma bem assídua a Ritinha. Ela já ouvira falar
de uma cegonha ou duas, que traziam os bebés de Paris. Só que ela não se lembrava de ter
visto nenhuma. Pelo menos a executar tais funções. Recordava-se de ver uma num ninho,
quando certo dia ela fora passear com os pais para a Lezíria. Mas a cegonha não levava
bebé nenhum. Quando muito ela ela estaria a tratar dos seus próprios bebés.
E num dia, farta de tanto esperar, e no meio de uma
conversa, pedindo previamente licença para falar, a Ritinha tomou-se de coragem e
perguntou:
“Oh mãe, será que é assim muito custoso,
vocês arranjarem-me uma mana? E como é que é?”
A mãe engasgou-se levemente com a
garfada do arroz de pato. E depois olhou aflita para o marido que também ficou
levemente desconfortável. E passados poucos segundos a mãe decidiu dizer:
“Olha filha, trata-se de uma
operação muito complexa e exigente. A mãe poderá engravidar se me for colocada por cima das pernas, umas calças do senhor teu pai. E isto será melhor quando eu tiver
deitada. Preferencialmente a dormir.” E depois ficaram os dois adultos para ali a
cismar, ou fazerem-se a tal. Aparentemente o assunto parecia estar ali encerrado e a lição
aprendida.
“Ora”, pensou Ritinha. “Se é assim, pois nada mais
fácil de conseguir”. E se era assim mesmo, a coisa já não passaria daquela noite”.
Com o jantar comido e o banho
tomado, todos os três se deveriam de dirigir para os respectivos leitos. Só que
a Ritinha tinha uma tarefa muito importante para executar. Pelo que, deitada a mãe, foi-lhe
colocado em cima, a totalidade das calças do marido. As de ir à missa, as da
semana, as de ir à pesca… E não faltaram mesmo as do fato de treino, que o pai
de Rita usava para andar na horta. Não havia que enganar.
E quando Ritinha contava já dez
anos, conheceu finalmente a irmãzinha, que seria a alegria dos seus dias.
Sugestão de leitura para esta
semana: “Tudo o que temos cá dentro” de Daniel Sampaio.
DIVIRTAMSEMAZÉ!
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