Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O amor é louco, não façam pouco, dessa loucura...




A bibliotecária gostava de se passear pelo meio dos livros. Gostar de livros é incontestável. Seus amigos dilectos. Contudo ela também gostava muito de apreciar o “seu” meio envolvente, ou seja observar também todos aqueles que se interessam pelos livros, dos que se interessam pelos estudos, daqueles todos que têm mesmo que estudar. E os livros ali estavam. Irrepreensíveis.
Não que temessem mãos que os agarrassem, olhos que os devorassem, braços que os transportassem para outras paragens, olhos e mentes que os devorassem nos ambientes mais excitantes. As Bibliotecas Públicas têm a sacra capacidade de fornecer a passagem e o passaporte para viagens a outros mundos. E isto sem se ter que se pagar nada. Porque é que tanta gente ainda não sabe disso?
Naquele dia a Bibliotecária também por ali se passeava. Ficou feliz de ver que Vânia, a técnica mais tímida, mas também pouco receptiva ao outro, a fornecer o seu “bom serviço de referência”. É que Vânia andava muito ocupada entre estantes à procura de algo. Abria dicionário, lia três ou quatro frases, fechava-os quase logo de seguida, quando verificava que não tinham o que procurava. E depois ia em busca e procurava numa enciclopédia. A Bibliotecária gostava de ver que, a Internet nem sempre é a mais procurada. Procura-se informação nos livros, pois que diabo! E era isso mesmo aquilo que Vânia estava a fazer.
Atrás dela ia um sexagenário. Que falava com determinação, mas baixinho e gesticulava indefinidamente. O caso estava a ser tratado. E com competência. Não era pois necessária a intervenção da Bibliotecária. E a procura para lá continuou.
Passados alguns largos minutos, o leitor que necessitava de informação, o mesmo que até à pouco acompanhava a Vânia, aproximou-se da recepção. Não desistia, dos seus intentos. Ele era lá homem de desistir? Pois que não.
A Bibliotecária também por ali estava. E o homem tentou ali mais uma vez a sua sorte. E começou:
“Boa tarde, meninas! Pois eu estou aqui à procura de uma informação muito importante para mim.”
“Pois faça favor de dizer”, disse a Bibliotecária cheia de vontade de poder ajudar.
“A menina saberá dizer-me o que significa o nome Vanessa?”, disse sorridente o homem.
A Bibliotecária pensou um pouco. Nos nomes das pessoas que conhecia. Das personagens dos livros. Dos actores das telenovelas… e nada. Vanessa conhecia de facto uma ou duas. Que eram boas pessoas. Agora saber o que significavam, tendo em linha de conta somente a sua graça? E dizia o homem:
“Pois existem nomes, que eu sei que derivam dos nomes de deuses. Outros inspirados em santos. De vidas sagradas e de virtudes incontestadas. Agora Vanessa…?”
E continuou: “É que saiba a senhora que eu estou muito apaixonado. E o nome da minha diva é precisamente… Vanessa. Ela é caixa num dos hipermercados do senhor Belmiro. E eu gostava tanto, mas tanto, de lhe fazer um poema! Transmitir-lhe todo o meu amor. Quem sabe se ela…”
A bibliotecária sorriu. Queria ajudar, era sempre essa a sua intenção. Contudo ali ela ainda quereria ajudar mais. Mas agora só tinha um remédio. E confessou: “pois que não sabia efectivamente, o que queria dizer tal nome. Prometia era ir procurar. O leitor que fizesse a fineza de esperar um pouco mais... Ou melhor, que procurasse ele também um pouco mais, que depois, mal um ou outro encontrasse matéria fiável, logo comunicaria feliz à outra das partes”.
O apaixonado virou costas convencido. Foi procurar. E a Bibliotecária deu a mão à palmatória. E procurou na Internet aquilo que lhe fora solicitado. 2 000 000 páginas, foram só as que lhe apareceram sobre tal assunto. E escolheu uma daquelas que lhe pareceu “mais séria e fiável” Exposta que estava num dos primeiros registos aparecidos. Escolheu a matéria. Imprimiu o que quis. E resoluta lá foi à procura daquele que tanto amava a Vanessa.
O sexagenário ao ver o seu pedido satisfeito, sorriu-lhe por todos os poros. Agora só faltava mesmo, era por pés ao caminho e iniciar a sua poesia. Tão, mas tão sentida! Agora só dependia mesmo dele. E agradeceu satisfeito.
Passados uns tempos a Bibliotecária contava com uma bonita Estrelícia no seu gabinete. Ofertada por alguém que “se sentira tão, mas tão agradecido...” Mas e os versos? Bem, os versos só podem ter ido direitinhos para aquela que inspirara tanto, mas tanto, amor.
Sugestão de leitura para esta semana: “A Culpa é das Estrelas” de John Green.



DIVIRTAMSEMAZÉ!