Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Numa casa de fado pela primeira vez.


Quando eu fui pela primeira vez ouvir o fado ao vivo, não fui a uma daquelas casas cheias de predicados, de referências e de turistas. Conta-me quem sabe (e que já lá esteve), que muitas vezes não há grande respeito pela actuação do/a fadista. É mesmo muito comum, o cliente falar alto enquanto o ser cantante está ali, a tentar dar o seu melhor. Isto é necessariamente uma grande falta de respeito. Não. Eu fui a uma casa de fados bastante modesta, detentora de alguma e razoável iluminação. A comida era bastante aceitável, e os fadistas eram alguns. E claramente mostravam ter muito interesse em "ficar bem na fotografia". Mas nem sempre conseguiram alcançar esse objectivo no seu pleno.
Comigo estava um grupo razoável de comensais que gostavam de ouvir cantar o fado, contudo (e de uma maneira geral), não lhes agradou assim tanto o fado que eles ali ouviram. Mas como nós não tínhamos muito mais que fazer do que estar ali a assistir ao desempenho deles... Sejamos francos, não foram eles que ali nos chamaram. Nós é que quisemos ali ir. Era imperioso guardar assim algum respeito pelo trabalho ali realizado. Desta forma e quando os fadistas estavam a cantar, apagavam-se as luzes e nós ficávamos no mais absoluto silêncio a ouvi-los. Mas quando o fado acabava, ligavam-se novamente as luzes e nós aproveitávamos e punha-mos a conversa em dia. Aproveitávamos também, para petiscar mais alguma coisita, que nos permitisse "forrar o estômago". 
Na conversa nós aproveitávamos e entre nós fazíamos o papel de júri. Avaliávamos assim (e com muita propriedade), o desempenho dos vários fadistas. Eles não eram propriamente maus no seu todo, convenhamos. Contudo para nós, o melhor desempenho pertencia a uma mulher,  de ascendência africana que não só tinha uma boa projecção de voz como era ainda muito afinada. Mas a mesma cantou pouco. E rapidamente se foi embora. Restaram depois os cantores um pouco menos dotados.
Tive oportunidade de apreciar, que nestes ambientes, também existem muitos "cromos". Permanecem ali pessoas que fazem parte de um grupo especifico de gente com características muito curiosas. Por exemplo: estava lá um senhor, tipo "Zé da Viúva", de cabelo algo longo e muito escorrido, e das duas uma: ou tinha o cabelo muito oleoso, ou então abusava do uso da brilhantinha.
Havia lá uma senhora de idade tipo, senhora idosa que aprecia um belo copo de vinho. Era muito loira e também muito sorridente. Nas pálpebras tinha uma camada muito espessa de sombra azul escura. Quem a visse e de repente, acharia que a dita senhora havia sofrido de uma grave agressão. E levado com dois poderosos murros nos olhos. Essa senhora cantava com muita emoção e muito copiosamente. De xaile com grandes flores vermelhas, colocado pelas costas, ela por vezes trocava as silabas em algumas estrofes. Outras vezes  ela arrastava muito as silabas. Mas ela também  poderia muito bem sofrer... de dislexia.
Depois cantava lá um rapaz mais novo, mas de voz algo estridente. Tinha maneiras muito delicodoces e torcia muito os pulsos. Outras vezes abanava-se com um leque. Este jovem cantava com um pronúncia muita acentuada e típica, dos bairros históricos de Lisboa.
Havia também lá um senhor tipo "Marialva", com umas grandes patilhas. Este gracioso ser não tinha qualquer problema em arrastar "a asa" para cima de todos e de todas. Chegou mesmo a dar um beijo na testa (e um abracinho), à senhora loira do xaile. O rapaz novo também lhe estendeu os braços, mas o tipo Marialva... fugiu.
E os fados e os fadistas sucediam-se uns aos outros. Eram cinco cantores, cantava (e por ordem), cada um o seu fado. E depois voltava tudo à estaca zero, ou seja cantava outra vez o primeiro, que se não me engano, era o senhor do cabelo escorregadio.
No meio de tudo aquilo, vejo que o senhor que estava sentado à minha frente, parecia que me estava a tentar dizer alguma coisa, mas eu não conseguia perceber nada. Para me inteirar devidamente da sua mensagem, inclino-me um pouco para a frente e peço-lhe que por favor, repita aquilo que me estava a tentar dizer há pouco. O senhor então diz-me: "Ainda se chovesse!!!"
Eu fiquei algo apalermada. Perguntei-me no silêncio da minha inquietação interior, o que poderia levar alguém, num espaço daqueles a lembrar-se da chuva. Sei que os agricultores anseiam pela sua frequência e desejam-na muito nos meses mais indicados à produção. E quando não chove pedem ajuda à Senhora Ministra. Por breves instantes, acreditei que se calhar aquele senhor que estava à minha frente, tinha uma pequena horta, seca e a precisar de rega. Pensei também nele como alguém que pudesse ter gado, galinhas, patos ou perus. Sei que as nossas ideias por vezes seguem rumos, que nem mesmo nós entendemos.
Mas, eu não sou pessoa de ficar na dúvida. Aquele senhor quis-me transmitir uma mensagem. Achou-me capaz de dividir com ele alguma informação mais útil. Compartilhar comigo um qualquer desabafo. Quem sabe se com aquilo ele não tivesse a testar-me, pensando que eu tivesse conhecimentos acrescidos sobre as condições climatéricas, que iriam ocorrer nos tempos mais próximos. Achar-me-ia ele com cara de meteorologista? Estaria ele a confundir-me com alguém que fosse desse ramo? Alguém que ele tivesse visto na televisão, por exemplo. Mas as minhas dúvidas tinham que ser dissipadas, era urgente.
Pelo que me inclinei mais um pouco para a frente (e pela segunda vez e num tempo muito curto), e perguntei-lhe o porquê daquela sua afirmação. Até poderia ser, que eu o conseguisse ajudar de alguma maneira.
O homem ouviu-me, esboçou um solene sorriso e acrescentou: "É que se chovesse, pelo menos nós ouvíamos o seu barulho." Brilhante!
Recordo com alegria que o senhor que estava ao meu lado (e que tem a grande ventura de ser o meu progenitor), riu tanto, tanto com aquilo que quase que se urinou todo. Confessou-me ele, algum tempo mais tarde.
Sugestão de leitura para esta semana: "Fado Alexandrino" de António Lobo Antunes.
DIVIRTAMSEMAZÉ, e votos de boas e muito proveitosas leituras.



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Um "Serviço de Referência".


As nossas queridas Bibliotecas! Há que dizer que são lugares mágicos, cheias de conhecimento e de "boas vibrações". São por isso e por definição, locais agradáveis de se permanecer, pelo menos é o que me acontece na grande maioria das Bibliotecas que eu frequento e visito. E as pessoas que ali trabalham também são parte muito importante do processo de sedução que a Biblioteca deverá  ter, perante quem a procura.
Adérito era um senhor com sessenta e tal anos que trabalhava numa Biblioteca Pública. Tinha uma cultura geral invejável, muito acima da média. Se calhar e por isso, os responsáveis daquela muito interessante Biblioteca, acharam que o melhor lugar para Adérito estar, era a dar apoio aos leitores que se dirigissem e permanecessem... na Sala de Adultos. E tudo poderia correr na mais perfeita harmonia e profissionalismo, não fora dar-se um muito relevante facto: é que o Adérito não era o homem mais simpático do mundo, muito antes pelo contrário. Ele sendo a pessoa que era (com um excelente nível cultural, como aqui já foi referenciado), só gostava de atender todo aquele que se lhe dirigisse com questões (diria no mínimo) inteligentes.
Adérito tinha grandes conhecimentos na área da Literatura com especial ênfase para a Poesia e para o Teatro. A sua preferência ia também para a História e para a Arte em Geral. Assim como também gostava (e sabia muito) de Filosofia. Quem fosse à Biblioteca onde o Adérito trabalhava e lhe colocasse uma questão dentro dessas áreas específicas, mas que  a fizesse provida de sentido, o Adérito tudo fazia para procurar uma válida e inquestionável resposta. Procurava soluções à referida inquirição com todo o esmero de que era capaz. Chegava a falar inclusivamente, da sua própria experiência enquanto leitor e de como era ávido de obter sempre novos conhecimentos.
Contudo o seu semblante mudava radicalmente se a pergunta que lhe fosse dirigida, correspondesse a uma área que não fosse do seu total agrado. Recordo que ele não tinha paciência nenhuma para os leitores de Paulo Coelho, Danielle Steel, Margarida Rebelo Pinto ou Nora Roberts. E se por um acaso, alguém lhe perguntasse por um qualquer titulo desses autores, ele fazia a sua cara de fastio número 57, levantava dolentemente o braço e apontava na direcção das referidas monografias. E depois, dizia: "Estão p'ra ali. Se quiser mesmo esses livros, tem que os ir procurar. É que a minha consciência não me permite que eu contribua para a continuidade da sua ignorância e para o seu declínio, enquanto leitor."
E o leitor, embasbacado com a resposta, encolhia os ombros e dirigia-se para o local onde os livros deveriam de estar "estacionados". Mas esses livros nunca pagavam muito "parqueamento", pois estavam sempre a sair. É que os mesmos tinham sempre muitos leitores, para desgosto do nosso herói de hoje ou seja, para desgosto do Adérito.
Alguns leitores não ficavam nada contentes com as respostas que obtinham, pelo que se punham a reclamar do seu mau feitio. Mas não o faziam à frente dele, pois tinham-lhe um certo respeito e também algum receio. É que se o confrontassem, corriam o risco de poder ouvir na boca daquele profissional, alguma critica muito fundamentada, não só dirigida ao tipo das suas leituras, como também ao nível dos seus interesses. 
Depois Adérito fazia meditações profundas, sentado à sua secretária e necessariamente na presença do público. Às vezes chegava mesmo a ressonar. E também numa vez ou outra, alguém lhe viu um fio de baba a escorrer pelas suas possantes barbas. Corria o boato que as tais das "meditações profundas" eram devidas à medicação que ele tomava para as suas alergias, mas (e nisso também), ninguém tinha a coragem de lhe fazer qualquer pergunta. 
Estávamos ainda no tempo do início do acesso generalizado da Internet. De uma forma geral, toda a gente se mostrava muito atraída pela sua importância crescente e pela funcionalidade desta aglutinadora rede de conhecimento. Configurada que era (e é), na maior Rede de Base de Dados a nível planetário (sem concorrentes). Mas o Adérito andava em bolandas. É que ele não percebia muito disso. E pior... não mostrava muito interesse em perceber muito mais sobre aquele assunto específico. Para ele o conhecimento (pelo menos para o conhecimento que ele mantinha e queria continuar a cultivar), encontrava-se escrito, e bem escrito nos livros. E por muitas vezes ele se questionava: "Mas quem é que poderia assegurar, que o que estava contido na Internet, era absolutamente digno de nota e totalmente fidedigno?" Adérito mantinha sobre esse assunto sérias dúvidas. 
Como é do conhecimento geral, as Bibliotecas Públicas tiveram um papel muito importante na implementação e uso democratizado dessas novas (à altura) tecnologias. Recordo que no início, o acesso à Internet ainda era pago, com preços simbólicos. Mas passado muito pouco tempo,  o seu acesso passou a ser totalmente gratuito. E o Adérito lá ia ouvindo as pessoas. Era com muita pena que ele verificava de que as pessoas, já não mostravam assim muito interesse em ler livros. Queriam apenas aceder à Internet e retirarem daí toda a informação que pretendiam adquirir. Os trabalhos escolares, por exemplo, eram conseguidos totalmente com a consulta da Internet. Palavras como o copy/past começavam a ganhar, um preocupante sentido. E como tudo isso enervava o Adérito!...
Naquela altura as pessoas tinham dúvidas, tinham muitas dúvidas e por tudo e por nada, lá o iam "chatear". Mas ele já não estava pelos ajustes. As perguntas tinham a ver com o hardware, com o software mais adequado a instalar, link's, emails, formas de se rentabilizar uma impressão, etc etc. Para algumas questões muito básicas o Adérito ainda conseguia responder, porém quando a coisa se tornava muito complexa, ele desistia e recorria aos serviços de um simpático jovem, amante de informática e de outros quejandos. 
Mas uma vez aconteceu algo que marcou toda a diferença, e ainda hoje é lembrado por todos aqueles que na altura também ali trabalhavam. Certo dia, fora àquela biblioteca, uma senhora de meia idade. A senhora queria e teve oportunidade de aceder à Internet. Porém tinha dúvidas, tinha mesmo muitas dúvidas. E o Adérito lá a ia ouvindo, absolutamente enfastiado com "tais miudezas". E a senhora continuava a perguntar. E o Adérito ouvia muito mais... do que aquilo que falava. E a mulher inquiria, inquiria... No fim e já em absoluto desespero de causa o Adérito respondeu-lhe: "Olhe, a senhora se quer usar os computadores que aqui estão, tem que trazer consigo conhecimentos prévios, que lhe permitam aceder aos mesmos, sem estar para aqui com tantas perguntas."
A mulher ouviu-o, mas a sua cara "tingiu-se" com todas as cores do arco-íris. "Até onde é que poderia chegar a petulância?" pensou ela. E, absolutamente revoltada ela quase que lhe gritou, afirmando que: "as Bibliotecas tinham que servir para ajudar as pessoas a usar devidamente os computadores". E continuou dizendo a implicada senhora: "e os funcionários tinham que ter conhecimentos acrescidos dentro da área da informática, para poderem auxiliar quem à Biblioteca fosse, com o objectivo de usar os computadores... da Biblioteca". Agora foi a vez de Adérito responder. E muito indignado o fez: "Era só o que me faltava ouvir! Isso não, nunca". E mais disse aquele sapiente homem do passado. "Se isso assim fosse, nós estávamos obrigados a outras coisas. É que a Biblioteca tem aqui livros. Tem mesmo muitos livros. E asseguro-lhe de que aqui, ninguém ensina ninguém... a ler."
Com esta resposta o Adérito para além de ter enervado muito uma senhora utente, deu-nos a todos a deliciosa possibilidade de ficarmos... com uma história para contar.
Sugestão de leitura para esta semana: "A Casa das Perguntas" de Fernando Campos.
DIVIRTAMSEMAZÉ e votos de boas e gratificantes leituras.


E não é que eu já estive no outro lado da rua da Biblioteca de Alexandria e não entrei no seu interior? Sim, esse é um dos desgostos que me acompanha. Em primeiro lugar porque toda a gente que me acompanhava na altura, preferiu ficar a comprar coisas, no outro lado da via. E depois, acredite-se ou não, eu não consegui atravessar a estrada sozinha. É que o transito do Egipto é algo que eu nunca havia presenciado. Sem qualquer regras, aquilo é absolutamente caótico. "Sem rei nem roque". Aquilo sim, é que é uma perfeita anarquia.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Viajar com a terceira idade.


Sim, eu tenho tido oportunidade de viajar com os mais velhos, e tenho-me também divertido muito com eles. Ainda estou um bocadito longe de pertencer à chamada Terceira Idade, mas uma coisa é certa, a vida passa muito rápido, pelo que, e quase sem dar conta eu lá chegarei (ou melhor, se eu tiver a sorte de lá chegar um dia). 
Quando eu era muito nova, eu tive felicidade de passar muitas das minhas férias escolares, num meio rural, onde abundava a presença de gente sénior. Estávamos longe dos tempos em que os mais velhos e na sua grande maioria são encafuados em Lares de Terceira Idade. Lares impessoais e pouco recomendáveis, pois muitos deles são verdadeiros "depósitos de velhos". No meu tempo de criança, o convívio entre mais velhos e mais novos era diário e creio que muito gratificante para todos. Tenho para mim que foi um grande privilégio tê-los conhecido e ter tido a oportunidade de com eles privar.  E como eu aprendi com as suas deliciosas conversas... É que vendo bem as coisas, eles foram as testemunhas vivas de um tempo que eu não vivi.
Da mesma maneira e passados alguns anos, dei em viajar com pessoas bem mais velhas do que eu. Não me refiro às viagens que tenho feito pela Europa, onde regra geral viajo com amigos da minha idade. Mas e como estes não mostram qualquer interesse em sair deste Velho Continente... 
Com os mais velhos eu vou a passeios com destino a paragens mais exóticas. Vou com aquelas pessoas, que têm a sorte de usufruir de boas reformas. São pessoas que já têm os filhos criados e os netos na Universidade. E como têm reais possibilidades, eles aproveitam para conhecer um pouco melhor este Planeta, ainda algo Azul (mas a desbotar). E eu também vou. É certo que conto todos os cêntimos que consigo amealhar, como funcionária pública dedicada mas muito contente porque adora a sua profissão. Mas não é fácil (e ainda mais sem subsídios). Contudo e parafraseando o velho ditado popular: "Vale mais um gosto que três vinténs". Pelo que eu poupo todo meu dinheirinho e quando posso, lá vou eu nas ditas viagens. 
Numa ocasião eu fui ao Japão nessas condições. Lá aguardava-me uma grande amiga que sendo casada com um japonês (de quem tem uma linda filha), vive naquele país do Sol Nascente. Ora tanto a minha amiga, como a sua encantadora família, foram encontrar-se comigo e tiveram a amabilidade de jantar comigo durante todos os dias em que eu estive em Tóquio. E ali ela viu grande parte dos meus companheiros de viagem (os tais dos seniores) e com uma voz muito sumida e entre dentes ela perguntou-me: "Mas como é que tu te infiltraste aqui?"
Mas houve uma altura que marcou toda a diferença pelo inusitado da situação. Quando eu há uns anos fui ao Perú, eu viajei também e na companhia de gente idosa. Ficava algumas vezes a comer na mesa que era ocupada por dois casais de octogenários, porém bem enxutos. André que teria sensivelmente 88 anos viajara com Rosalina, que era sua esposa há sessenta Primaveras. André era um cavalheiro algo sorumbático, pois não se ria com muita facilidade. Porém, com o continuar da conversa, ele ia cedendo e ia rindo qualquer coisa. Depois, um bocadinho mais. Como ele era pessoa que não devia de estar nada habituada a rir, ele ria silenciosamente, ou seja, abria a boca e mostrava os dentes (creio que o que mostrava... era a dentadura), contudo ele "gargalhava" sem emitir qualquer som. O casal amigo que lá estava também, ao olhar para André e ao vê-lo naquela situação, dizia um para o outro: "Olha para o André? Ele está a rir-se!" Pela conversa percebi, que essa era uma situação de tal forma  rara de ser admirada, que era vista pelos assistentes da cena, com muita perplexidade. E diria mesmo, com alguma preocupação.
Mas quando chegámos às elevadas altitudes de 4000 metros, era conveniente adequarmo-nos às novas condições. Não é fácil aguentar tanta altitude de repente. É conveniente ir subindo gradual e progressivamente a fim de que o corpo de vá habituando à rarefacção do oxigénio. É muito conveniente sermos cuidadosos para não virmos a sofrer do "Mal da Montanha". E é também imperioso tomarmos mate de coca, que no fundo nada mais é que uma efusão de folhas de coca. E mais informo, ao beber-se aquilo ninguém fica delirante, mas consta que a sua toma é altamente recomendável, para todo aquele que se propõe a subir a elevadas altitudes. Ora estava eu e o meu amigo Renato (que tem sensivelmente a mesma idade que eu), a degustarmos o tal de mate de coca, quando o pimpão do André se abeira de mim, e sorrateiramente, (tal qual e da mesma forma como se riu) me diz: "Ah! Tivesse eu menos trinta anos e você não me escapava!" Eu sorri, mas o meu sorriso durou muito pouco tempo. É que mesmo ao meu lado e a "bufar fogo",  estava a desconfiada e ciumenta Rosalina que num rompante me disse: "Mas para que é que se está a meter com o meu André, que tem idade para ser... seu avô?" 
Eu confesso, não havia dirigido qualquer palavra ao senhor, e foi o que respondi à sua sacrossanta esposa. Mas ela não acreditou. E desde ali ela ficou a odiar-me. E acreditem: ela nem sequer quis ser minha amiga no Facebook.
Já em Machu Picchu conheci uma senhora encantadora. Ela era uma vigorosa e muito corajosa norte-americana. Teria oitenta e tal anos e era do Connecticut. A senhora almoçou na nossa mesa e como ela sorria para nós! Depois e num claríssimo inglês, muito superior ao meu sofrível entendimento, ela contou-nos um pouco da sua história recente. E ria muito enquanto discursava. Informou-nos a mim e a uma amiga (da minha idade que na altura me acompanhava), que viajava sempre sozinha. A sua família estava sempre muito preocupada com ela, mas ela não queria saber disso para nada. A vida era dela. Ela já era maior e vacinada havia já muitos anos, pelo que fazia aquilo que bem entendia. E se o gosto dela era viajar, a família não tinha outro remédio senão aceitar e dar graças a Deus pela genica daquela muito simpática "avozinha". Viajaria até ter recursos e condições. E bem poderia ser, até à última e decisiva viagem que a levaria deste mundo. A ela e a todos nós porque nisso... há democracia.
Por ser tão velhinha e andar sempre só, ela chamava obrigatoriamente à atenção. Por isso ela também não se preocupava demasiadamente com nada. É que toda a gente ao vê-la assim tão idosa e tão simpática, sentia-se impelida a ajudá-la de forma a  facilitar-lhe a vida. E mais nos disse, aquela doce anciã, ela nem sequer sabia onde é que ia dormir naquela noite. Mas também não estava muito preocupada, pois tudo se havia de arranjar. Como era costume, pois ela contava sempre com muito auxílio. E contou também com a minha eterna e infinita admiração. E digam lá que não existem vidas abençoadas?
Sugestão de leitura para esta semana (mais uma sugestão light): "A Matilha dos Herdeiros" de Gaby Hauptmann
DIVIRTAMSEMAZÉ! E votos de boas leituras. Light's ou não, o importante é ler.


E como eu gosto de ver neste vídeo a senhora mais baixinha? Faz-me tanto lembrar a minha avó materna!!!

sábado, 12 de maio de 2012

Velha infância.


Ao chegarmos a uma determinada etapa da nossa vida começamos a fazer balanços e a pensar no que passou. Com alguma contenção começamos a imaginar sobre o que é que ainda há-de vir. Isto se tivermos oportunidade de ainda vir a viver muito mais.
O meu pensamento de hoje vai para a época sagrada da nossa infância. Para os "Verdes Anos". Hoje é comummente aceite por nós, de que não existiram tempos melhores. Quanto éramos crianças, já ouvíamos isso da boca daqueles que (como nós actualmente), já se encontravam numa etapa diria, média da vida. Assim considera-se que a infância/juventude é justamente a melhor fase da vida.
Na altura este facto custava-nos um pouco a acreditar mas, e depois com a vivência... É certo que é bom ter o controle (ou pensar que se tem), sobre a totalidade dos nossos actos. Ter a capacidade de se subsistir sem ter que contar com um qualquer financiamento paternal ou estatal. Pelo menos no que concerne à parte monetária. Pois no que toca aos afectos somos sempre devedores em alguma coisa. E também é muito conveniente (e no que toca a afectividade), sermos credores. Precisamos sempre de assumir novas dívidas. Assim como ceder a novos e indiscutíveis créditos. E neste campo é muito provável que jamais regularizemos efectivamente a nossa condição. O mais normal é ficarmos devedores e credores até à hora da morte. Se calhar, corremos o risco de jamais pagarmos nem sermos amplamente ressarcidos do total daquilo que recebemos e daquilo que financiámos.
Hoje o meu pensamento vai para um interessante jogo que se fazia nos tempos idos da infância. O Bate-Pé. E quem é que ao nascer nos já longínquos anos setenta e até mesmo nos anos oitenta, não jogou a este interessante jogo? Um jogo que tinha a função de nos preparar para a vida.
O jogo, e para quem não sabe, consistia no seguinte: de um lado ficavam as meninas e do outro os meninos. Formavam-se assim duas filas paralelas de crianças e/ou adolescentes separadas pelo sexo a que pertenciam. O objectivo final da coisa era trocar-se beijos, muitos beijos. Mas em todo aquele processo não havia só lugar para beijos. Havia também lugar para outros tipos de cumprimentos como os já fora de moda apertos-de-mão. E às vezes havia mesmo lugar à ocorrência de recusas ao solene cumprimento.
O intrépido jogador, fosse menino ou menina, quando chegava a sua vez, dirigia-se à pessoa por quem nutria alguma simpatia (convinha, não era?). Depois batia palmas. Uma palma batida, queria dizer que estava a solicitar ao seu interlocutor, um aperto-de-mão. Se fossem duas palmas, era um beijo na testa (eu acho que este é sempre o cumprimento mais adequado para se ter entre sogras/os e noras/genros). Se fossem três palmas, ocorreria um muito conveniente beijo no rosto. Quando se batessem quatro palmas, era a vez de um vulgar beijo na boca, mas só de lábios. As cinco palmas era o êxtase, ou seja, envolvia um ardente e complexo beijo, que até incluía "escalope".
Para que os cumprimentos se dessem, a pessoa a quem o serviço fora solicitado, tinha que aceitar. Era imperioso. Mas tudo poderia cair por terra, se do outro lado e, furiosamente... se batesse com o pé no chão. Aí não havia nada a fazer. O batedor de pé, nada dizia, mas a sua facies  parecia estar a dizer que: "Ah querias beijos não era? Pois vai ter com outro/a que tos dê!"
Porém, desde cedo que a vida nos ensina que o êxito pertence a quem ousa. A quem não têm assim muito medo de perder. A quem não pensa muito no insucesso. Resumindo, a glória mais facilmente vai para... quem é mais corajoso. Em todo aquele processo, convinha ter alguma prudência, mas... uma coisa era certa: as cachopas que eram mais belas, eram também, as mais ousadas. E não é que aquelas maganas tinham sempre direito aos abraços e aos beijos mais demorados?
A Carina tinha uns belos caracóis loiros e uns expressivos olhos azuis. Tinha ainda um belo e perfurador par de mamas. E estava em todas, com os rapazes mais belos e apetecíveis do pedaço. Ela própria se queixava de que naquele jogo, teriam que existir regras básicas. (Porém eu positivamente não me recordo de que no mesmo tenha havido alguma vez, lugar para um qualquer árbitro ou juiz. Alguém que controlasse toda aquela dinâmica). Pelo que abrindo muito aqueles espantosos olhos azuis e sacudindo firmemente o peito para a frente, a Carina insurgia-se contra o facto, de que alguns dos seus beijoqueiros amigos serem muito abusadores. É que os rapazes atreviam-se a fazer verdadeiros "ralis" nos dentes dela. Era ela que assim o dizia. E isso, claro está, era absolutamente contrário a tudo o  que estava estabelecido. Sempre gostaria de saber onde é que as regras do jogo do Bate-Pé estão escritas? E onde é que as mesmas estão devidamente assinadas e firmadas pelas entidades mais competentes?
O João e a Vanessa sendo de aparência um pouco menos vistosa, preferiam fazer-se passar por palhacitos. Ou seja, uma vez que duvidavam que conseguissem obter os afectos que as suas mãos escaldavam por solicitar, preferiam fazer piadas e deixar assim passar a sua vez. Por vezes gesticulavam, fingindo que estavam a filmar toda aquela situação.
O Hugo, que usava óculos e tinha um bocadito de peso a mais, via-se muitas vezes limitado a apertar mãos. Em calorosos e sofríveis "Passou-Bens". Às vezes lá ficava com a cara corada de vergonha, ante a recusa do "beijo de alma", por parte de uma das moças mais jeitosas. Mas pelo menos ele tentava a sua sorte. Isso era de louvar. Às vezes a bela da Carina tinha acessos de solidariedade (aprendera isso na catequese. Dar aos mais desprovidos), pelo que,  e muito de vez em quando, lá condescendia e beijava com o corpo e com a alma, os que eram mais feiotes. E estava convencida que essa sua actuação... agradaria a Jesus.
Rui era de todos o mais belo. Tinha o corpo muito desenvolvido para a sua idade. Tinha uns belíssimos olhos castanho-esverdeados, uma pele morena e uns dentes que projectavam brancura e brilho por todos os lados.
No que dizia respeito às raparigas, acho que poucas seriam as que não desejavam o beijo e o afecto do Rui. Contudo poucas eram também, as que tinham a coragem de se dirigirem a ele e de lhe fazerem uma "serenata" de cinco palmas. No máximo batiam três e ficavam regaladas. É que ele também não era muito adepto a recusar-se. A bater com os pés. O Rui tinha um bom coração. Mas depois, sempre havia a corajosa Carina, a tal loira e peituda rapariga. E também a Anabela, que tendo o seu peito muito parecido com o do seu pai, era suficientemente activa e filantropa, para se atrever (e conseguir coisas), de que ninguém acreditava. Se calhar o que agradava, era mesmo a sua figura andrógena. Vá-se lá saber.
Depois havia a Matilde, que não era nem feia nem bonita. Não era nem muito gorda, nem muito magra. E também tinha muito receio em dar um passo maior que as suas pernas. Pernas que eram ainda tortas e escanzeladas mas que com o tempo prometiam adquirir novas e vigorosas formas. A Matilde era adepta das três palmas. Ficava-se pelo respeitoso beijo no rosto. Era no fundo o beijo mais confiável. E era difícil para todos os efeitos,  recusar-se um beijo de rosto (mas isso ainda chegava a acontecer. É que há sempre gente perversa desde a mais tenra idade). Matilde era muito amiga da Carina, a quem respeitava e admirava. Mas jamais lhe passara pela cabeça, vir um dia a competir com ela. Também, sabia que nisso, ela não teria a  mínima hipótese.
As coisas estavam acertadas assim. As regras estavam claramente estabelecidas e aceites por todos. Não se perspectivava a ocorrência de uma qualquer discussão. E a Matilde lá ia a jogo, e batia as três palmas do costume. E dirigia-se ao Afonso, ao João, e às vezes até ao Hugo Caixa de Óculos. Muito de vez em quando, ela lá se arriscava... e conseguia beijar a pele morena do rosto do Rui. Mas...
Um dia Carina, que era a tal "boazona", intrépida e desejável rapariga decidiu intervir. Já aqui disse que ela era por vezes muito solidária com os mais carenciados, pelo que em certo dia ela disse à Matilde: "Mas tu não passas disso? Tanto beijo da cara, Credo! Já está na altura de arriscares um pouco mais!"
Era só o que faltava! A Matilde ficou mais corada do que as camisolas do Glorioso. Pelo menos como as camisolas do antigamente (já que agora eles têm umas camisinhas cor-de-rosa!). Mas, era a Carina que estava a falar e era urgente ouvi-la. Afinal era a Carina que ganhava todos os campeonatos locais. Ela e o Rui.
E... passado pouco tempo, vem a Carina com o Rui, (que era a tal beleza da Praceta), agarrado pelo braço. Coloca o Rui à frente da Matilde e ordena-lhe: "Vamos lá! Não és mulher nem és nada se não bateres aqui e agora, cinco palmas. Estás a ouvir. CINCO palmas!!!" 
Matilde ficou sem saber o que dizer. Todo o seu corpo tremia. No fundo ela sempre desejara aquilo. E não é que o Rui continuava ali? Não dissera nada em contrário? Tudo indicava que ele estava de acordo com as clausulas daquele empreendimento. E estava disposto a assinar um contrato que envolvia (através de uma elaboradíssima troca de sinais), a aprendizagem de se beijar e profundamente a boca do outro. No caso concreto, a boca da Matilde. E esta sem dar conta, pôs as mãos a jeito, para começar o doce aplauso das cinco palmas.
Mas depois pensou melhor. E como a Matilde era muito adepta do "Desporto do Pensamento"! Era exactamente esse, o seu jogo favorito. Pelo que... decidiu  bater somente uma palma. Depois disso, ela agarrou a mão de Rui e ficou com a mesma e por momentos, entre as suas mãos.  Acariciou-lhe assim a mão, num tocante e delicado aperto da mesma. Depois, olhou-o nos olhos. E viu-lhe aquele sorriso radioso. Sim. Para ela isso bastava-lhe. E ali, ela decidira guardar os seus beijos, para alguém com quem ela não tivesse que fazer qualquer negócio. Até poderia ser com o Rui, quem lhe dera! Mas numa outra altura, sem palmas e preferencialmente... sem testemunhas.
Não consta que ela alguma vez, se tenha arrependido daquela sua decisão.
Sugestão de leitura para esta semana:"Pára-quedas e Beijos" de Erica Jong.
DIVIRTAMSEMAZÉ!!! e... Boas Leituras.

 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Muito interessante mesmo.



É isso mesmo. Não vale a pena ter-se em grande conta. Ser-se arrogante é perder tempo e razão. Valemos o que valemos. Nada mais. E... DIVIRTAMSEMAZÉ!!!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Amigo é o braço e o aço.


No que concerne às viagens tenho a dizer que: certo dia, enquanto ia no avião, para fazer uma enorme viagem de doze horas na companhia de uma grande amiga, a caminho do Japão, conhecemos um senhor muito sui generis. No primeiro avião que tomamos, e que fazia escala em Munique eu ia no lugar situado à janela. Tenho aqui que confessar que: já tenho viajado alguma coisa, contudo e por mais que o tempo passe, o que eu gosto de ir à janela! Eu sei que a janela é minúscula. Sei que a paisagem é repetitiva mas... eu gosto de ir ali a ver as nuvens. Por vezes, gosto de olhar cá para baixo e ter a visualização de pequenos aglomerados residenciais em minúsculos pontos. Ou então de minúsculas luzes, quando se viaja à noite. Gosto de imaginar toda a vida fervilhante que acontece cá em baixo, enquanto eu junto às nuvens observo sobranceiramente todo o horizonte. Também gosto de olhar o rastro de outros aviões. Gosto de pensar nas pessoas que ali viajam e que vão para destinos necessariamente diferentes do meu. De imaginar por exemplo, qual é que é a verdadeira motivação das pessoas? O que é que as leva a viajar? Será que procuram no estrangeiro melhores condições de vida, daquelas que conseguem no seu país de origem? Ou vão finalmente às suas terras natais para verem familiares e amigos? Pessoas queridas que já não vêm há muito tempo? Será que vão por lazer? Ou será que vão passear só pelo simples prazer de encontrarem realidades diferentes das suas?
Ora então, nessa grande viagem eu ia assim no lugar situado à janela do avião. Ao meu lado ia a minha cara amiga. E do outro lado ia um senhor cinquentão, algo anafado e que comercializava aço. Com o continuar da conversa, aquele senhor explicou-nos que o aço, poderia ser usado nas mais variadas formas. E nos mais distintos objectos. E a titulo de exemplo, ele explicou-nos que o aço é muitas vezes utilizado em próteses dentárias. Conversa puxa conversa e o senhor lá nos vai informando (como se nós ainda não tivéssemos dado conta), do estado calamitoso do nosso pequenito Portugal. E mais fez aquele mui informado senhor: aconselhou-nos a que nos divertíssemos enquanto nos fosse possível. Íamos estar fora daqui, sensivelmente quinze dias.  Mas aquele senhor prognosticou-nos o pior dos cenários. Tal qual como um competente visionário. Assegurou-nos ali que,  quando nós regressássemos à Lusitânia Pátria iríamos encontrá-la completamente diferente. Nada seria como antes. Eu pensei (e eu sei que por vezes é muito perigoso eu pensar), que o país ia piorar porque nós as duas; que somos amigas desde sempre, iríamos estar ausentes de cá. É que era aquele homem que estava a dizê-lo. E ele parecia estar muito bem informado. Disse-nos assim, que quando nós regressássemos iríamos encontrar tudo num caos. Eu não quero aqui parecer pretensiosa, mas depois disto o que é que vocês pensavam? Mais parecia que éramos nós as duas que garantíamos o equilíbrio deste país. E como nos íamos embora... Por causa disso e durante breves instantes eu fiquei como que um peso na consciência, temi o pior. Contudo acalmei-me, respirei lenta e pausadamente e o meu mau-estar passou-me logo, como que por milagre. Pois o que eu queria mesmo era "entupir-me" de sushi e sushimi.
E a conversa lá foi seguindo o seu curso. Os benefícios do aço foram ali muito evidenciados. É que com o aço podia-se fazer mesmo muita coisa. E ali ele dispôs-se a aceitar todas as nossas sugestões. Eu aqui tenho que confessar uma coisa. É urgente. É que eu sou uma moça muito inocente. Apesar de ter sido criada num meio rural, onde eu ajudava os vizinhos a levarem os animais para o seu/deles acasalamento, eu não tenho maldade. Pelo que sou muito benemérita e nada maldosa. Por alguns momentos pus-me a referenciar possíveis utilizações para o aço. Pensei em pernas e braços por exemplo. Ou então partes de um osso. Que são coisas que fazem muita falta. Pelo que em voz baixa, segredei à minha amiga que o senhor bem podia variar no uso do aço.  É certo que os dentes (mesmo postiços), fazem muito jeito, mas há tanta coisa que também faz falta, não é? A minha amiga ouviu e sem que eu me apercebesse porquê, ela desatou ali a rir. Fê-lo contudo o mais silenciosamente que pode. Só que não foi muito bem sucedida em todo aquele processo. E não é que o magano homem deu conta daquela risota?
Como quem não quer a coisa e visivelmente afectado, o homem dá em perguntar sobre qual a motivação que levara à supra citada gargalhada quase silenciosa. A minha amiga ao invés de ter dito um simples: "Que não era nada!". Vai de informar o homem. Como se aquele homem fosse um padre que ali estivesse a confessar. Refere-se ao facto de eu lhe ter dito que: o aço poderia ser utilizado para objectos que fazem muita falta. Sem espinhas! Ela colocou-se assim em pose de provocadora. E veja-se a vergonha que aquela minha  inconveniente amiga ali me fez passar. Eu estava a falar só com ela. Por que raio é que ela tinha que ser tão comunicativa e disponível para com aquele homem? Ainda mais um homem que nós havíamos acabado de conhecer.
Depois dessa informação o homem riu-se muito, mas depois... ele ficou a pensar. Pelo que passados  breves instantes ele disse-nos que, de facto poderia pensar em outros objectos, como os tais que fazem muita falta. Tinham era que ser... suficientemente flexíveis. Para não aleijarem. Pareceu-me muito esquisita toda aquela  conversa. Mesmo para alguém que como eu, é muito inocente.
Sugestão de leitura: (desta vez um livro bem light), mas originário da terra da Senhora Merkle. "Mulher Procura Homem Impotente para Relacionamento Sério" de Gaby Hauptmann.
DIVIRTAMSEMAZÉ!!!


As coisas estão difíceis, nós sabemos. Mas deveríamos de receber os Senhores da Troika a cantar vigorosamente toda esta ária do Karl Orff (em Carmina Burana). E só nos calaríamos quando os víssemos a regressar pelo mesmo caminho. Em direcção às suas casinhas. Lá é que eles estavam bem.
E depois de uma viagem a Viena de Áustria informam-me que todo aquele meu sonho de ir aos Estados Unidos já não tem razão de ser. Rais'parta. 
E alguém me pode informar sobre o significado do provérbio brasileiro, que serve de titulo a este Post?