Acácio Lopes nasceu bem disposto. E para cumprir tal destino o melhor mesmo é, soltar alegres e sonoras gargalhadas. E é melhor não contrariar a vontade e até morrer. Se formos contra os nossos princípios pode dar-se o caso de termos que cá vir outra vez, mas na condição de... sorumbaticos!... Ai credo!
Por tudo isso, Acácio fez rir toda uma panóplia de amigos e conhecidos. E agora tudo indica que as suas gargalhadas continuam, mas agora num plano superior e de acesso dificultado.
Lopes veio ao mundo numa pequena aldeia situada bem no centro do país. De famílias pobres, o nosso herói de hoje nunca aprendeu a ler. Contudo tinha a experiência da vida o que já não é nada pouco. Ainda em solteiro, o Lopes fez uma linda aposta com os seus numerosos amigos. Apostou uma grande almoçarada em como conseguia vir todo nu e de bicicleta, de uma pequena cidade até à sua aldeia natal. Faria desta feita e desnudado o total de vinte e sete quilómetros. No dia aprazado para tão distinta prova, o Acácio Lopes apresentou-se com a sua melhor fatiota, contudo e ao aproximar-se o toque da partida, o jovem despiu-se todo e pôs-se a pedalar furiosamente na sua pasteleira de duas rodas. De inicio, ele estranhou um bocado a aragem que teimava em subir por ele acima. Depois veio mesmo algum vento que teimava em chocar com ele e lhe arrepiar a totalidade da sua pilosidade. Pilosidade essa agora totalmente exposta às condições atmosféricas. Mas depois e com a continuação da função, o Lopes até achou graça àquilo tudo e pôs-se alegremente a cantar em alta voz (e sem microfone), a sua cantiga preferida. Começou assim a cantar a "Pestotira".
Mas quando estava já quase a terminar aquela invulgar prova, apercebe-se que o seu grande amigo António vem ao seu encontro. Vem também de bicicleta e a grande velocidade. Lopes estranhou ali aquela presença, pois tudo indicava que António e os outros amigos conhecedores daquela aposta estariam todos reunidos no local da chegada. Com o aproximar do outro, Lopes fica algo preocupado com a facies do amigo. Ao que parecia a coisa era séria. António quase sem forças, diz ao Lopes que este tinha que arrepiar caminho. É que se continuasse por aquele trilho combinado iria encontrar-se com um grupo de policiais que (e atendendo às circunstâncias), lhe iriam fazer a vida negra. Esta situação decorreu em plenos anos 30, o que significa dizer que decorreu... em pleno "reinado" do senhor de Santa Comba.
Ao ouvir a advertência do amigo, o Acácio Lopes pensou e achou que a situação era séria, claro está. Porém também não era dramática. Nem poderia ser motivo suficiente para ele desistir e perder assim uma "almoçarada" que ele tanto desejava ganhar. Desistir logo agora, quando estava quase, quase a cumprir o combinado. Pelo que pensou, e resolveu continuar. Mas agora por um trilho alternativo. Não era a estrada principal, mas ia ter ao mesmo sítio que a outra. Ao local da meta. Por aquele caminho, Acácio teria hipótese de se aperceber com alguma distância se os policias ali o esperavam ou não. E depois se eles lá estivessem, sempre poderia fazer um compasso de espera. Ficaria recolhidinho no meio de densa folhagem. Pelo que, e muito corajosamente ele continuou a prova, só que agora por um caminho estreito, muito cheio de pedras e de buracos.
À chegada, o Acácio, foi recebido em ombros, porém com alguma descrição, não fosse dar-se o caso dos polícias estarem por ali perto e aperceberem-se de tal folgazedo. E era urgente o Acácio vestir-se. É que vestidinho, ninguém teria nada a apontar-lhe não é? Ficar assim muito decente e com um olhar terno e inocente. O olhar típico daquelas pessoas que não fazem mal a ninguém. Que nunca partem um prato.
Depois foi rumar à festarola e gargalhar até se perder o fôlego. O Acácio ficou contente. Superou mais um objectivo. Ganhou naturalmente a aposta. É certo que não havia vindo pelo caminho combinado, mas... desta maneira os policias não o haviam apanhado. É que seria muito dificil (mesmo para o Acácio Lopes), explicar às autoridades o porquê de estar nu e em cima de uma bicicleta. E depois ter que explicar e mostrar a vermelhidão (quase em carne viva), das sua formosas nádegas. Vermelhidão essa conseguida à custa de tanto pedalar. De tanto se roçar no selim. E de saltar em cima de tanto buraco, de tanta pedra...
É que vendo bem as coisas, tudo indicava que os policias não o poderiam ajudar de forma alguma. Não se perspectivava que os mesmos andassem munidos de um qualquer creme hidratante. Ou mesmo de um vulgar pó de talco. Não!!!
É que vendo bem as coisas, tudo indicava que os policias não o poderiam ajudar de forma alguma. Não se perspectivava que os mesmos andassem munidos de um qualquer creme hidratante. Ou mesmo de um vulgar pó de talco. Não!!!
O certo é que Acácio Lopes ficou para sempre com uma linda história para contar. E foi com um "andar novo" que ele acabou por ir ao almoço que se deu em sua honra. E aí naturalmente não faltaram muitos motivos para rir. De alguma maneira eu tenho em Acácio Lopes a figuração de um meu mentor espiritual. Um entre tantos.
Com o passar do tempo, Acácio conheceu o amor, casou e teve uma numerosa prole. Cedo contudo descobriu que o seu país natal não lhe garantia as condições necessárias para sobreviver com dignidade, nem a ele nem à sua numerosa família. Pelo que decidiu ir a salto para França. Não sei se levou uma mala de cartão ou se levou uma vulgar saca de serapilheira. Já na terra dos gauleses, ele trabalhou com muito afinco e dedicação. Contudo passado pouco tempo, quis a sorte e o destino que ele viesse a sofrer de um acidente laboral que lhe partiu uma perna. Teve por isso que ser hospitalizado. Muitas pessoas nas suas condições desesperavam e amaldiçoavam a sua sorte. Mas Acácio não procedeu assim. Em vez disso aproveitou (e muito bem), toda aquela situação. É certo que no início, ele estava imobilizado numa cama. Mas por lá não faltavam mulheres (médicas, enfermeiras, doentes e visitas de doentes). Pelo que, e sem ter grande conhecimento da língua francesa o Acácio comunicou como sabia com toda a gente que lhe podia (ou queria) dar atenção, especialmente se a pessoa pertencesse ao sexo feminino.
Acácio Lopes era um homem muito alto. Era forte. Tinha um riso permanente e contagiante. Tinha também uma palavra amiga e cativante. Com o decorrer do tempo e da permanência naquele hospital o Acácio começou a locomover-se com mais facilidade. E investiu ainda mais no conhecimento de outras mulheres que estavam ali a curar-se das suas mazelas. E foi tão bem sucedido enquanto engatatão, que arrasou por completo o coração de uma francesa vistosa. Uma mulher que também por ali estava e tal como ele também se encontrava a recuperar do seu estado de saúde. Acácio Lopes fazia gala em contar esta passagem que literalmente me deliciava. Eu achava que aquele era efectivamente o momento alto. O momento do clímax daquela narrativa.
O facto é que o Acácio Lopes recuperou mais cedo que a sua "amada francesa". E quando foi à hora da despedida... ele contava a sorrir: "Bem, fizemos aquilo que era esperado em tais situações, ou seja, abraçámo-nos, beijámo-nos e jurámos amor eterno." Lindo não é? "Depois" e continuava Lopes, "Soltámo-nos e seguiu cada um o seu caminho", ou seja, a francesa ficou no hospital, enquanto que o Acácio cambaleante lá saiu dali para fora. Já na rua, Acácio olha uma vez mais para a janela onde pressupostamente ainda estaria a sua recém apaixonada. E não é que ela estava lá mesmo? Pois estava. E muito emocionada. Agitava vigorosamente, não um lencinho, como aqueles que se usam em Fátima na Procissão do Adeus, mas... sim uma grande fronha de almofada, enquanto gritava: "Lopez, mon Lopez! Mon cher Lopez!".
O momento ali vivido, deve de ter sido muito emocionante. Acredito que algumas pessoas (mesmo as que lá trabalhavam), ao ouvirem aquela agonia, tivessem parado o que estavam a fazer, e discretamente tivessem a necessidade de enxugar uma lágrima mais persistente. Ou então uma lágrima mais caudalosa. Por outro lado, o tamanho grande da peça da roupa de cama, seria proporcional ao tamanho do afecto que ali nasceu. Sentimento assim com alguma volúpia à mistura, não é? É que essas coisas fazem parte da vida. E depois haviam-se conhecido quando envergavam sexy's e muito reveladoras camisas de dormir. É um bocado como quem junta um molho de palha a um objecto incandescente. E depois o Acácio Lopes bem podia ter sido cognominado de... O Irresistível.
O facto é que o Acácio Lopes recuperou mais cedo que a sua "amada francesa". E quando foi à hora da despedida... ele contava a sorrir: "Bem, fizemos aquilo que era esperado em tais situações, ou seja, abraçámo-nos, beijámo-nos e jurámos amor eterno." Lindo não é? "Depois" e continuava Lopes, "Soltámo-nos e seguiu cada um o seu caminho", ou seja, a francesa ficou no hospital, enquanto que o Acácio cambaleante lá saiu dali para fora. Já na rua, Acácio olha uma vez mais para a janela onde pressupostamente ainda estaria a sua recém apaixonada. E não é que ela estava lá mesmo? Pois estava. E muito emocionada. Agitava vigorosamente, não um lencinho, como aqueles que se usam em Fátima na Procissão do Adeus, mas... sim uma grande fronha de almofada, enquanto gritava: "Lopez, mon Lopez! Mon cher Lopez!".
O momento ali vivido, deve de ter sido muito emocionante. Acredito que algumas pessoas (mesmo as que lá trabalhavam), ao ouvirem aquela agonia, tivessem parado o que estavam a fazer, e discretamente tivessem a necessidade de enxugar uma lágrima mais persistente. Ou então uma lágrima mais caudalosa. Por outro lado, o tamanho grande da peça da roupa de cama, seria proporcional ao tamanho do afecto que ali nasceu. Sentimento assim com alguma volúpia à mistura, não é? É que essas coisas fazem parte da vida. E depois haviam-se conhecido quando envergavam sexy's e muito reveladoras camisas de dormir. É um bocado como quem junta um molho de palha a um objecto incandescente. E depois o Acácio Lopes bem podia ter sido cognominado de... O Irresistível.
Já velhote ele foi a uma Festa dos Tabuleiros, que como se sabe, se realiza de quatro em quatro anos. Acácio estava regaladamente sentado naquele jardim da Roda de Madeira. Apreciava a vida e perguntava a outra senhora de idade que passava por ele se ela... era coxa há muito tempo. Mas de repente e sem que nada o fizesse prever, aproximou-se dele um grupo de senhoras de oitenta anos (raparigas do tempo dele). Todas aquelas moças de outrora, frequentavam um Lar de Dia. Vinham da capital da República. Naquele grupo vinha a Maria Clementina que era uma recém e muito jeitosa viúva. Para alegrar à festa vinham todas elas a manear as ancas e os ombros e a cantar a "Pestotira". A tal canção que o Acácio tanto cantara no seu tempo de juventude. Acácio olha para Clementina, esta olha para Acácio. Reconhece nele o seu amigo de infância. Estava muito mais velho é certo, mas os traços faciais ainda estavam lá todos. Assim como o seu olhar matreiro. Clementina fica algo ruborizada, afinal fora apanhada a cantar e a manear as ancas (e os ombros). E a cantar... a "Pestotira". É que o seu marido havia desencarnado havia tão pouco tempo. E... tal situação (o facto de ela ir ali a cantar a e manear as ancas e os ombros), ainda era muito mal vista no meio rural. O que é que os outros não iriam dizer? Bem, mas agora não havia jeito a dar. A melhor forma de proceder era... assumir-se. E foi assim que aqueles dois amigos do passado, se aproximaram, se beijaram (na cara obviamente), e deram um abracinho casto. E... muito felizes, eles trocaram doces palavras de reconhecimento, fazendo em simultâneo festinhas na cara um do outro. Como é bela a amizade!
Mas no fim o Acácio Lopes lá acabou por "rematar e fazer golo" com mais uma "preciosa pérola" da sua autoria. Já que em jeito de conclusão ele comunica à amiga que: "Ai Clementina, Clementina, ainda és mal empregada em dormir sozinha!"
Mas no fim o Acácio Lopes lá acabou por "rematar e fazer golo" com mais uma "preciosa pérola" da sua autoria. Já que em jeito de conclusão ele comunica à amiga que: "Ai Clementina, Clementina, ainda és mal empregada em dormir sozinha!"
Sugestão de leitura para hoje: "Os Homens Bronzeados são Bonitos" de Frank Ronan.
DIVIRTAMSEMAZÉ!!!





