Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

sexta-feira, 2 de março de 2012

Forças policiais lusitanas.


Há muita gente a dizer mal das forças policiais, mas eu pessoalmente não tenho qualquer razão de queixa das suas actuações para comigo. Para que conste, eu sou uma rapariga bem comportada. Cumpro as regras da boa vizinhança, não conduzo alcoolizada, também não estaciono a minha viatura em locais proibidos. E nem mesmo atendo o telemóvel quando conduzo, mesmo que seja o Santo Padre a ligar-me. Protagonizei dois incidentes, felizmente pouco graves e tive sempre a meu lado, polícias que teceram comentários simpáticos  de compreensão pela minha situação, afirmando mesmo que: "acidentes acontecem. Só não acontece àquele que não conduz". Pois é.
Mas de uma vez, encontrei parte de um distintivo (de um agente policial) na calçada da rua. Como pessoa responsável que sou, fui à esquadra mais próxima entregar aquele achado. Responde-me o senhor polícia que lá estava de serviço (pareceu-me ser aquele que mandava nos outros): "Muito obrigado, minha senhora pelos seus cuidados. Mas eu sempre quero ver quem foi o artista que perdeu isto!" O artista? pensei. Mas então os senhores agentes da autoridade chama-se uns aos outros de "artistas"? Não se nomeiam de cabos e de senhores agentes? E serão "artistas" de quê? Pus-me a pensar. Mas pensar é perigoso. É que eu às vezes tenho muito medo daquilo que penso.
Tenho a dizer que das minhas relações mais próximas, tenho uma muito  prestável e competente colaboradora que adora fardas. Eu já lhe perguntei o porquê daquilo, mas a resposta que dela consegui, eu considerei muito omissa. Um dia destes, fui dar com ela, muito afogueada e com falta de ar. Eu perante aquilo fiquei muito preocupada e perguntei-lhe se ela era asmática. Ela muito aflita, abanou vigorosamente a cabeça, dizendo-me que não. Depois pensei que ela era capaz de estar com os sintomas da menopausa. Aqueles que aparecem assim de repente e em que as pessoas ficam assim muito congestionadas... Mas, ela ainda é um bocadito nova demais para isso, convenhamos.
Quando finalmente ela recuperou e começou a respirar melhor e com mais tranquilidade, comunicou-me que aquele seu comportamento, se devera ao facto de ter avistado lá ao longe, dois polícias distintos e garbosos. Vira-os à distância de uns duzentos metros, porém fora o que bastara. Os políciais vinham fazer a sua ronda habitual. Garantir assim a segurança da comunidade. 
A minha amiga não tem culpa nenhuma de ter "aqueles arrepios". Aquilo é-lhe involuntário. Ela gosta tanto de fardas, que nem os bombeiros voluntários lhe escapam. E adora ver o príncipe herdeiro espanhol, com aqueles trajes de gala. Credo! Eu tenho a dizer que aquele fascínio por fardas é-me algo incompreensível. Porque é que se há-de gostar de fardas por si só? Se se avaliar a conduta, a simpatia e a carinha laroca de um fardado é uma coisa. Agora gostar de alguém só porque o mesmo enverga uma farda? Será que para a minha amiga e colaboradora Pulquéria, os homens ficam mais bonitos, quando mais hirtos e mais apertados? Será que a farda lhes dá um ar mais respeitável e irresistível? Não sei e ela também não me explica. Mas se formos a ver, verificamos que muitas vezes os bombeiros costumam andar com a  mangueira na mão. E pela mesma ordem de valores, todos os senhores polícias possuem o seu cacetete. Esta bem poderá ser a explicação. Ela é que é bem capaz de não ter coragem para assumir.
Há uns anos e por alturas do Natal eu vi-me na obrigação de ir buscar uma encomenda aos arrabaldes da cidade de Coimbra. Ia toda contente e a uma velocidade aconselhável no meu pequeno Rover 111 (entretanto falecido). De repente e sem que nada o faça prever, rebenta-se um pneu. Felizmente, foi um pneu detrás, porque e segundo me disseram, se fosse um pneu da frente o acidente poderia ter tomado outras proporções. Ou não. Perante aquela situação e um bocado enervada, eu visto aquele magnífico colete de cor-de-laranja e ligo para a companhia de seguros. Na altura em que eu tirei a carta, aprendi que na auto-estrada e quando se tem um incidente, como foi o caso, o condutor deve de permanecer dentro da viatura e esperar pela ajuda. Contudo e em idênticas circunstâncias àquela minha eu já vi carradas de gente fora do carro, pelo que, resolvi sair também. 
E não havia maneira de ninguém vir. Bem, era chegada a altura de tirar para fora os apetrechos que permitem a mudança do pneu e fazer-me à vida. Mas eu que não encontrava uma chave... A coisa estava a complicar-se. Passados alguns momentos, aparece um carro da polícia e eu pensei: "Mas o que é que estes querem agora? Será que vêm ralhar comigo por eu estar fora do carro"? Não senhora. Conheci naquele dia dois polícias muito solícitos e algo divertidos. Um com cerca de trinta e poucos anos e um outro um pouco mais velho (teria 55 anos). Os dois ainda me tentaram ajudar a mudar o pneu (foram ver as suas próprias ferramentas), mas eu achei que os mesmos ainda tinham menos jeito do que eu para aquela tarefa. Além do mais, não deveria de ser muito aconselhável ver dois polícias fardados a mudar o pneu de um acidentado. Eu  não sei, mas acho que não. Concluí assim que tinha mesmo era que esperar pela ajuda especializada. O que aconteceu. E os senhores polícias decidiram ficar ali a fazer-me companhia.
Foi muito engraçado. Os dois encostados ao carro da patrulha, e eu encostada ao meu carro agora coxo da pata detrás. O mais novo, começou por falar-me dos perigos de se andar sozinha e à noite, numa cidade como aquela em que eu habito. Perguntou-me se era prática corrente... eu sair à noite. Sim, disse eu. Eu saio quando calha. Mas nem sempre consigo companhia para chegar aos sítios onde estão os meus amigos, pois a crise é profunda e está presente em variadíssimos sectores da vida da comunidade. O polícia sorriu.
Mas o mais velho ainda era mais castiço. Ele que se assumiu como um grande critico da sociedade actual. Achava que no passado é que se vivia bem, com muito mais respeito e com muito mais segurança. Agora os tempos estavam completamente de "pernas para o ar". Falou-me de uma série de coisas que ele achava, absolutamente condenáveis e entre elas estava o facto de ver muitas mulheres em bares e discotecas de perna traçada e a fumar. Eu não tenho nada contra as mulheres que vão a bares e discotecas e que fumam. Eu mesma faço isso tudo. Só que ali achei conveniente não contrariar o senhor polícia. 
Depois falou-me do que achava sobre a entrada das mulheres para as forças policiais... Bem, com tudo aquilo eu fiquei algo confundida. É que ele estava-me a dizer mal de pessoas que pertencem ao meu género, com muita convicção. Mas ele não me estava a criticar a mim, pelo menos foi o que me pareceu. Ele criticava as mulheres, todas as mulheres que gostam de se divertir, mas será que ele e por alguns momentos pensou que eu fosse... um homem? Acho estranho pois eu tenho um ar muito feminino. Temos que ver que ele era um polícia um tanto ou quanto retrógrado, porém... muito comunicativo. 
Por fim lá veio a ajuda especializada. O pneu foi mudado com sucesso por alguém que sabia muito da matéria. Era altura de me despedir daqueles meus agora três amigos (dois polícias e um mecânico) e seguir marcha para a Cidade dos Doutores. E foi já em pleno andamento, que passou por mim um carro da polícia ocupado pelos meus agora conhecidos senhores polícias. O mais novo ia a conduzir enquanto que o mais velho de megafone na boca, desejou-me aos gritos uma boa viagem. Aconselhou-me a proceder com rigor, as boas práticas da condução, ajudando desta forma à manutenção da desejável prevenção rodoviária. Só faltou mesmo dizer-me... para nunca me pendurar num daqueles bancos muito altos dos bares. E jamais usar roupa preta justa e consequentemente... muito reveladora. Própria das pecadoras. Mas e, eu concluo: "As boas raparigas vão para o céu, enquanto que as más vão para todo o lado".
Sugestão de leitura para esta semana: "Até onde se pode ir" de David Lodge.
DIVIRTAMSEMAZÉ!!!

E digam lá que a minha "encomenda" de Coimbra não é linda? Chama-se Lucrécia Bórgia.



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