Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

domingo, 31 de março de 2013

A Páscoa.


Sempre gostei da Páscoa. Actualmente até gosto bem mais da Páscoa que do Natal. E quais os motivos? Na Páscoa o tempo tem a obrigação de já estar primaveril. O que não corresponde minimamente à realidade neste ano especifico de 13. E para além disso, não há a necessidade de comprar prendas para ninguém. Mas isso é-me bastante mais antipático nos dias de hoje, do que nos tempos de outrora. Contudo eu confesso, os costumes próprios desta época eram e são-me muitíssimo simpáticos.
Recordo-me (com um sorriso rasgado no rosto), de Páscoas passadas. Páscoas que remontam aos meus anos mais verdes. Passadas no meio rural, onde quase nunca se podia contar com a presença de Papi, pois Papi trabalhava em regime de turnos. E invariavelmente, ele ficava na Grande Metrópole.
Recordo com saudade, as preparações levadas a cabo, para que os costumes da época não saíssem gorados. É que havia muito a fazer por essas alturas. Mas a parte mais importante do costume, era exactamente o aprumo das casas para a recepção do pároco. As casas eram minuciosamente limpas e decoradas. Muito mais do que em outras alturas. Só porque o padre lá ia. Sempre achei que (e atendendo às circunstâncias), o padre era dotado de um olhar de longo alcance, que o faria detectar a presença da mais pequena sujidade, ou do mais insignificante... pó cósmico. É que eu achava que ele era diferente de nós. Ele falava directamente com Deus. Tinha muito mais conhecimentos e era capaz de ser por isso, muito mais abonado do que nós, simples mortais. 
Só que o padre não podia entrar em nossas casas como se fosse qualquer um, ah pois não! Ele tinha que contar sempre, com um tapete de flores que pisaria com prazer, enfiado nos seus sapatinhos sacerdotais. Dizia-se que era a maneira do padre saber se era ou não bem recebido nas casas. Casa que não tivesse tal revestimento à entrada, era capaz de ser casa de ateus ou de gente demoníaca. Ou então era casa de quem gostava mais de ver as flores muito vivas e no campo, do que a serem espezinhadas. Sem apelo nem agravo. Espezinhadas por pés sacros e santificados, é verdade. Mas espezinhadas!
Mas nem a Mãe, nem a Avó estavam enquadradas nessa categoria de gente meliante e transgressora. Não senhores! Pelo que bem perto do dia do Páscoa, nós íamos ao monte ou ao Lajão, buscar as ervas mais verdes e viçosas. Das quais não podiam faltar os pequenos malmequeres e os vaidosos lírios. Os lírios que foram sempre designados pela Mãe, de cucos. Nunca ouvi mais ninguém referir-se a eles dessa maneira. Além disso os jarros, ou os vulgares copos-de-leite, levavam por aquela altura, um grande desbaste no jardim.
Mas para o revestimento mais primário, que era aquele que servia de suporte, a erva escolhida era invariavelmente... o junco. Essa é uma erva, que se acredita ser capaz de sinalizar a presença de água, no subsolo. É uma erva muito comprida e fina. E que quando se corta, se se não tiver cuidado, fere facilmente as mãos. Havia pois de ter o máximo das precauções. Pelo que não era tarefa indicada, para as mãos inexperientes das crianças.
Depois de apanhado e transportado, o junco era colocado e espalhado à entrada da porta. Todo ele muito bem compostinho. Por cima eram colocadas as flores. E naquele processo eu vi por algumas vezes, ameaças de ocorrência... de tombos. É que o tal do junco em contacto um com a outro, e ao ser pisado, é bastante escorregadio. Pelo que eu sempre achei muito suspeita toda aquela solução. É que vendo bem as coisas, se o padre não tivesse cuidado, se houvesse alguma humidade, o seu trambolhão poderia mesmo ser efectivo. É claro que sendo ainda muito pequena, ninguém queria saber muito, sobre as minhas conjecturas ou preocupações. E se o padre caísse? E depois...? Se calhar não seria o primeiro. Vendo bem as coisas, quem sabe se esta não seria uma boa forma, dos leigos se vingarem do seu pastor? Quem sabe se por ainda estarem sentidos, devido ao facto de terem sido vitimas de alguma penitência exagerada. Ou então por estarem revoltados com um sermão considerado menos feliz? Onde ele só falasse em política? Ou aconselhasse a direcção a ser tomada num processo eleitoral qualquer?
Contudo não me recordo de alguma vez ter acontecido alguma queda do padre naquelas circunstâncias. Nem naquela nem em outras. Os padres devem de estar (e por inerência), bastante salvaguardados.
Da mesma maneira, eu também não me lembro, da visita pascal se ter dado alguma vez... no próprio dia da Páscoa. O padre à nossa casa, ia sempre com alguns dias de atraso. É que ele tinha muitas casas a visitar. Que eram bem mais próximas à da sua residência. À nossa casa e à dos nossos vizinhos, ele vinha sempre durante a semana a seguir ao dia da Páscoa. Quando as flores que ele pisaria, até já se encontravam... meias murchas. Mas os bolos secos e o vinho fino, ainda permaneciam bem arrumados em cima da mesa.
Era nessa altura que o padre se esforçava em nos oferecer uma... singela amêndoa. Nada mais do que uma simples e singela amêndoa. E na minha cabeça de menina ingénua e pouco conhecedora das coisas da vida, formulava-se sempre uma questão: Porque é que o padre era tão pouco generoso, tendo em atenção todo o trabalho que ele havia provocado? Devido à ocorrência de tal dúvida (e por algumas vezes) eu senti um certo ensejo em recusar a sua "singular"  dádiva. E será que com todas aquelas visitas, o padre tinha oportunidade de lavar convenientemente... as mãos? Só que longe de mim, fazer tal ofensa ao senhor prior! A Avó e a Mãe podiam até passar mal, com a demonstração daquela minha tão grande mal-criação. Ainda mais, eu chegava mesmo a acreditar, que se protagonizasse tal acção, eu corria o sério risco de fazer o pecado maior de todos. Justamente aquele pecado que não poderia nunca conhecer... o perdão.
Mas era exactamente no dia da Páscoa, e só nesse dia, que nós éramos visitados pela prima da Mãe e pelo seu quinto ou sexto marido. Sim, a prima da Mãe era uma mulher liberal. Que se não gostava, mudava facilmente de companhia, claro está! Contudo tal realidade,  era considerada como um comportamento muito ousado. Que ali nunca fora visto. Pelo menos naquela minha aldeia. E ainda mais quando só se estava a vivenciar... a década de setenta do século passado. Mas cada um de nós fingia quanto podia.
E como aquele inusitado casal, ia sempre carregado de mantimentos! Nunca se combinava previamente tal visita. Mas nós sabíamos sempre que à data prevista, eles lá acabavam por aparecer. Só não traziam era o vinho, pois contavam sempre com o vinho da casa. E como se gostava de vinho! Nunca os vi a dizer qualquer disparate, mas de uma vez ou outra, houve alguém... que vomitou.
A nós crianças pequenas, davam-nos invariavelmente um pacote de amêndoas. Um pacote inteiro de amêndoas e para cada um de nós! E se as amêndoas faltassem, o marido da prima ia sempre comprar mais. Recordo ainda o esforço que fazíamos para que aquelas amêndoas durassem o mais possível. E deixávamos sempre para o final, as amêndoas cor-de-rosa e as amarelas. Relembro ainda o dia, em que o pequeno J. mentiu descaradamente, dizendo que ainda não havia recebido o ambicionado pacote. Devido a tal ousadia, e nesse ano, aquele moinante, teve direito a duas doses inteiras daquela tão apreciada guloseima.
Mas tudo mudou. Nós crescemos. Agora a Páscoa dos dias de hoje é bem diferente da vivenciada noutros tempos, lá isso é verdade! Tem muito mais chuva e muito menos visitas pascais. Às vezes até já nem dá assim, tanta vontade de rir. Mas o importante mesmo, é continuar a resistir. Mesmo tendo como cenário, estes tempos hostis, que ameaçam permanecer ad eternum entre nós. E da dificuldade... nós faremos a força.
Sugestão de leitura para esta semana: "Dentro do Segredo: uma viagem à Coreia do Norte" de José Luís Peixoto.


Uma Boa Páscoa para todos. E... DIVIRTAMSEMAZÉ!

sexta-feira, 22 de março de 2013

Quem anda cego de amores, não sabe se é noite ou dia…


Esta coisa do amor é bastante complexa. E chega a ser algo bastante incompreensível, mesmo. Como surge? Quando nasce? Senti-lo por uma pessoa e não por outra? Senti-lo pela pessoa mais inadequada do mundo? E achar-se que era justamente com essa pessoa, que se seria muito feliz! E para todo o sempre! Quando e… (se a coisa se realizasse), havia de ser o bom e o bonito! O que vale é que passado algum tempo… a coisa lá acaba por passar. E siga a fila!...
E a demonstração dos afectos tem acontecido ao longo de toda a História da humanidade. E é por isso mesmo… que nos é possível… ter História. Nos tempos recuados da Pré-História, que é justamente todo o período anterior ao aparecimento da escrita, a coisa devia de ser mais ou menos informal. E a prática foi exposta inclusivamente nas paredes, em pinturas rupestres de elevado sentido estético e explicativo. Não será mesmo nada de estranhar, que a coisa se fizesse sem o necessário (aos nossos olhos), acordo de uma das partes. E é com facilidade que eu imagino o seguinte:
A mulher andava atarefada na gruta. Empurrava para a rua os restos da última refeição: destroços de ossos e partes das vísceras de animais (das que a família não apreciava muito), com uma vassoura. Vassoura que fora conseguida através do corte de um imponente ramo de árvore. Em cima da pele, a dama teria somente uma outra pele (mas de animal irracional), que se seguraria em si, apenas devido à execução de alguns nós e costuras muitíssimo rudimentares. O uso daquela vestimenta desafiaria a todo o momento a própria Lei da Gravidade. E a mulher primitiva, lá ia andando naquela sua lida. Abanicando suavemente o seu traseiro, ora para um lado, ora para o outro. Quando se baixava, deixava mesmo a descoberto… grande parte das suas vergonhas (que era como a minha tia se referia à parte externa do aparelho reprodutor feminino). E quando o homem chegava da caça, arrastando atrás de si um animal de médio porte, é que a coisa se poderia dar. Não será de todo displicente, imaginar o homem a pegar à força a mulher e a executar o acto sexual ali na gruta. Ou mesmo fora dela, quando a mulher viesse de realizar uma outra azáfama qualquer. Fosse ela apanhar a salsa ou a hortelã… O abuso poderia também dar-se com um vizinho, que também, corria o risco de ficar com o seu apontador pessoal… em riste, mal avistasse a sua vizinha jeitosa. E a função dar-se-ia mesmo, ao som de um enigmático uga-uga, corresponsável pela vinda (ou não), de um rebento, sensivelmente nove meses após tais ocorrências.
Muitos anos passados, e vêm a época da descoberta e da difusão da escrita. A possibilidade de se comunicar à distância (com o transporte do suporte da escrita) aumentaria sensivelmente. É também muito mais fácil, transmitir o conhecimento da altura para épocas vindouras. Surgiriam as chamadas sociedades Pré-Clássicas onde o amor aconteceria também com alguma naturalidade. É que fora sempre necessário garantir a perpectuação da espécie. Pelo que, Sumérios, Assírios e Egípcios, foram-se amando entre si, para contentamento de todos. Ou pelo menos para alegria de todos aqueles… que tinham mais sorte.
Advém a Época Clássica. Com os gregos e mais as suas prédicas filosóficas. Surgiria assim também uma nova definição de amor. Que estaria de acordo com aquilo que o amor para eles significava. Assiste-se à assumpção de uma sociedade, onde a vida pública era garantida pelas acções efectuadas maioritariamente pelos seres que pertenciam ao sexo masculino. Aparece a ideia de “amor” agregada de alguma maneira, à ideia de transmissão de conhecimento e de sabedoria. O acto em si, para além de proporcionar prazer (desejavelmente), fazia com que os seres se ligassem através de laços à partida pouco compreensíveis aos nossos olhos de seres viventes do século XXI. Onde o homem velho, que tinha sabedoria deixada pela experiência de vida e aquisição de conhecimentos, se alicerçava ao jovem, que sem ter ainda grande sabedoria, pois ainda não havia tido muito tempo para tal, tinha a beleza da juventude. Ou seja, aquela ligação era completada pelas faltas de um em relação ao outro. E a inversa também era verdadeira. Só que assim não nasciam meninos, não é?
Aí mulher era tida somente, como o “receptáculo” capaz de gerar a vida. E geraria assim (ou não), um jovem que poderia fazer as delícias de um homem mais velho, ou mesmo idoso. De um sábio por definição. A noção de pedofilia acabaria por não ter aqui grande oportunidade. Já que a “coisa corrente” era tida como normal. Bem…
Vêm os Romanos e mais os seus bordéis. A mulher (e a das classes dominantes) era tida como a que pode disfrutar, tal qual o homem do prazer do sexo. Estaria contudo e ainda, num patamar bem inferior ao do homem. E como em todos os tempos, existiram também muitos homens e mulheres, que apreciavam muito a companhia e a acção de outras… pessoas do mesmo género que o seu…
Advém o Cristianismo. Surge a noção de que se deve de amar o outro como a si mesmo, e a Deus sobre todas as coisas. A monogamia surge também como acto preferencial. E o lema: “crescei e multiplicai-vos”, acaba por transformar-se num verdadeiro… mantra. E quanto a manifestações amorosas? Bem, tudo indica que atendendo às circunstâncias, as mesmas deviam de ser praticadas... com um certo decoro. A par de tudo isso, vão-se mudando outros paradigmas, de acordo com os movimentos da conversão à Nova Lei.
Depois surgiria o amor cortês. Adviria a Idade Medieval, e a vida fora das cidades. Criaram-se novos e diversos aglomerados populacionais. Assim como foram construídas, alguns dos grandes edifícios religiosos, tais como conventos e catedrais. Paralelamente a isso, aconteceram e continuariam a acontecer, os casamentos por conveniência. E a poesia trovadoresca surgiu, e deu algum colorido, à própria noção de amor. Pelo percurso, ficaram conceitos apenas aproximados, ao amor tido como natural na contemporaneidade. E para todo o sempre, perduram os versos do homem que cantou à humanidade, todo o amor que sentiu por determinada mulher. Que na grande maioria das vezes, até lhe era inacessível. E quem é que não gosta (e só uma vez por outra), de ouvir relatar um amor contrariado e impossível?
Por outro lado surgiram relatados os afectos vividos pelas mulheres. Só que era sempre o homem que versejava, claro está. Mas nesta circunstância, fazia-o como se se tratasse de facto de uma mulher. Nessas Cantigas de Amigo, falava-se dos sentimentos delas. Sentires que eram por definição, sofridos, recônditos e quase inconfessáveis…
E o amor? Acontecia de facto? Na grande maioria das vezes, ele não deveria de passar do papel. Já que outras pessoas, (mais concretamente os seus familiares mais crescidos), haviam previamente determinado um qualquer casamento ideal para o seu descendente. Casamento profícuo onde se enleava na perfeição, a junção de riquezas abundantes e/ou situações de poder.
Vêm o Renascimento, e a recuperação de muitas das premissas do que havia caracterizado a Época Clássica. Vem depois a época do Iluminismo, com o homem a exceder-se a ele próprio. O excesso e o grandioso foram ali temas bastante apreciados. Surgiram as cortes do Rei Sol, a imponência e todo o glamour… de Versailles, a Maria Antonieta, o luxo, o vício e os disfrutes correspondentes…
Seguir-se-ia o século XIX e o Romantismo. Vem a ideia de que o amor é correlacionado a algo periclitante e capaz de tirar o sono e a energia a quem dele pudesse padecer. Amar significava… sofrer. Só quem sofresse, demonstrando profundíssimas feridas no corpo e… na alma, é que amava verdadeiramente. E morria-se… de amor! O cenário aconselhado era o das sombras e da negritude. Que num jogo encoberto, trouxera para a ribalta o amor sofrido, contrariado e impossível. E se assim não fosse… já não tinha qualquer graça, definição ou oportunidade. Naturalismo, Realismo... Hellas!…
Depois veio o século XX com todas as suas numerosíssimas invenções tecnológicas. A vida gradualmente tornar-se-ia mais confortável, para um número crescente da população. Se bem que também foi nesta centúria, que se deram as guerras mais terríficas e globalizantes. Que vitimaram tantos milhões…
Foi o século em que a comunicação se tornou muitíssimo mais eficaz. E os mais variados conceitos espalharam-se assim… como o vento. E com eles, deu-se também a ampla difusão de termos e formas de amar, através das novas formas de se comunicar. Os meios de comunicação trouxeram, para além do facto de aproximarem realidades muito distantes entre si, a de terem demonstrado que o que é vivido num espaço no que concerne a afectos, é capaz de ser semelhante ao que acontece numa outra latitude diametralmente oposta. E se não é idêntica, poderá muito bem passar a ser. Pois acaba por “trazer à baila” a difusão de novas realidades que poderão eventualmente… ser levadas em linha de conta. E até à prática…
Mas vendo bem as coisas, no fundo, parece-me que os que nada tiveram de seu, se calhar e em todas as épocas, foram os que puderam ter mais liberdade para amar. Muitas vezes nem tiveram a possibilidade de firmar institucionalmente, a sua ligação no efectivo contrato. E uma vez que eles eram “assim tão pobrezinhos”, juntavam qualquer trapinho roto que tivessem, àquele/a que também reunisse, essa mesma [sua] condição.
Pois, o tema amor foi algo que atravessou transversalmente toda a vida do homem na terra. Terá necessariamente variantes de acordo com o tempo que se vive. Mas a relação homem/mulher é velha, perdura e aconselha-se até muito… que tenha futuro. Só desta maneira é que se podem reunir condições para se evoluir. E o progresso (ou até mesmo o retrocesso actual), tornar-se efectivo. Tendo como base… o truca-truca.
Pois vem todo este arrazoado de lugares comuns (porventura pouco interessante e quiçá até maçadores), a propósito de algo que eu testemunhei já há alguns anos atrás. O passeio dava-se na Ilha de São Miguel, Açores. Fora-nos necessário, calcorrear os inúmeros e lindíssimos lagos e lagoas que por ali abundam. Fora-nos imperioso, observar… todas as flores, plantas e leguminosas. E muitas vacas, nós conhecemos, meus miguinhos! Fora-nos fundamental, ir conhecer as plantações dos ananases e mais as suas latas fumegantes. Fora-nos obrigatório, passear pela produção do chá, dias após uma estação televisiva lusitana, ter lá ido gravar cenas para uma telenovela qualquer... E não poderíamos nunca regressar ao Continente, sem ter conhecido Vila Franca do Campo, Povoação e a Ribeira Grande. E cantar aos gritos o: “Ponha aqui o seu pezinho”, para visível horror de alguns dos seus habitantes muito ciosos das suas tradições. E a visita às Furnas e ao Parque Terra Nostra também fez parte do conjunto do pacote, ah pois foi! E as Bibliotecas Públicas que também foram visitadas! E as igrejas, senhores!… Tiveram que ser vistas por dentro e por fora, e na sua grande maioria!
Nesses locais de culto, para além entrarmos, nós tivemos (porque tivemos mesmo, vai-se lá saber porquê?), a necessidade de passear pelas suas traseiras. Nada mais adequado para quem pretende conhecer uma terra, efectivamente. Conhecer a parte de trás das igrejas… Pois… se calhar (e quando eramos novos), devemos de ter apanhado muito sol na moleirinha, foi o que foi! E o consumo dos granizados Fá, meus amigos! Esses, também não deveriam de ser… lá muito saudáveis.
Pois fora justamente numa certa e determinada igreja, que eu tomo a dianteira e dirijo-me para esse tal local traseiro, só levemente mais obscurecido. E no processo eu sinto que uma mão amiga me retém, na intenção de impedir o meu tão gracioso… caminhar. Que depois me avisa, de que eu não devo de ir para ali, porque estaria lá um casal… a namorar.
E, eu penso: “Mas que pudica é que está a M., Santo Deus!” É que eu tenho a ideia, de que o que eu mais vi na minha vida, foram pessoas aos beijinhos e aos apalpões pelas ruas e pracetas deste mundo. E… abençoados! Pelo que muito determinada, eu lá prossegui.
Bem… o que eu ali vi permanecerá para sempre na minha mente. No local que eu reservo para as coisas mais inusitadas. De entre todas aquelas coisas inusitadas que me foram dadas a observar na vida. Pois ali eu vi um jovem deitado no chão. O seu traseiro desnudado, estava erguido ao vento e sacolejar-se muito ritmadamente. Era mesmo muito níveo e exuberante. Tal qual uma imensa vela branca de uma qualquer canoa. Por debaixo dele, estava uma jovem que muito gemia, coitada! Não sei de devido ao acto em si, se devido a alguma pedra da calçada, que entretanto se lhe havia incrustado nas suas carnes traseiras. E ali estavam os dois naquilo, na maior das calmas. Com pessoas a passar que aparentemente não estranhavam nada daquela ocorrência… Logo atrás deles, estava construído um prédio mediano, cheio de enormes e envidraçadas janelas. Pelo que boquiaberta, eu pensei: “Mas que belo espectáculo, se está a dar aqui! Sim senhores! E passível de ser visualizado nas suas mais diversas perspectivas…”
Os moradores daquele prédio tiveram assim direito a uma peça teatral gratuita. Se calhar até já nem seria a primeira vez! Os passeantes também. E eu fiquei com mais uma belíssima história para contar. Só que fiquei também convencida, que por mais que o tempo passe, ainda não devemos de estar assim tão afastados, dos tempos… do uga-uga.
Sugestão de leitura para esta semana: “Os Prazeres do Amor - História de D. Catarina de Bragança” de Jean Plaidy.
DIVIRTAMSEMAZÉ!



sábado, 16 de março de 2013

Ainda está por nascer, quem ovelhas há-de entender…



Ser uma infiltrada numa viagem realizada por pessoas eminentemente religiosas é algo muito considerável e digno de nota. E é experiência que fica para toda a vida.
Maria era uma moçoila que estava quase a despedir-se… da casa dos vinte. Que a dada altura resolveu aproveitar e ir numa viagem de gente muitíssimo crente no Divino. E foi assim que ela se propôs a ir conhecer… a Polónia.
Maria não era propriamente uma religiosa de carreira, mas respeitava quem era, claro está. E ali naquele lugar e na companhia daquelas pessoas tão virtuosas, ela tinha a necessidade de os considerar ainda mais.
O problema da viagem não era nenhum. O que era para ser visitado, já estava previamente definido. Só que aquela massa associativa tinha necessidade de ir todos os dias, aos treinos. Pelo que (e todos os dias, mesmo), era celebrada uma santa missinha, rezada em alternância, pelos 30 párocos que arregimentavam aquele mui simpático rebanho bem comportado.
Mas a Maria decidira que na hora da celebração da missa, ela ia aproveitar para calcorrear o lugar que havia à volta do espaço de culto. Mas sem dar muito nas vistas, como é óbvio. Entrar na igreja? Ela entrava, mas à hora do primeiro cântico, quando já estavam todos muito emocionados e a dar o melhor se si, ela discretamente saia. É claro que para isso, ela não podia ir muito lá para a frente. Ficava nos bancos de trás, e quando se davam os primeiros trinados… zás!
Conseguiu-o com sucesso e sem estrilho, a maior parte das vezes. Houve inclusivamente uma ocasião em que um seu querido amigo que a acompanhava (e que partilhava os mesmos propósitos dela), se atrasou no processo e ficou retido na igreja. Teve assim que participar na reza. É que se encerraram as portas para que houvesse maior empenhamento de todos. E não houvesse a entrada de seres perturbadores.
Noutra altura, Maria deslocalizou-se para a sala do lado. Sala onde decorria um baptizado dos religiosos ortodoxos. E assim, ela decidiu assistir, com todos os participantes a sorrirem para ela, devido à sua presença tão inusitada ali. É evidente que ninguém a havia convidado… E foi desta maneira, que Maria viu uma bebé completamente nua, a ser mergulhada totalmente numa enorme pia de água sacra. Ela que nunca havia presenciado a tal… E admirou-se ainda mais, com a extrema passividade não só dos pais da criança como da dita, que saiu do processo sem grande estranheza nem berrarias, atendendo às circunstâncias.
Quem viajava também naquele grupo foi a D. Clementina. Septuagenária da cepa e muito amiga da sobrinha, que era uma quadragenária simpática que também seguia naquela comitiva. E a D. Clementina andava sempre agarrada à familiar, pois alegava ter cataratas que lhe retiravam grande parte da sua visão. E por mais que uma vez, ouviu-se a D. Clementina suplicar: “Dá-me o teu braço, oh minha querida sobrinha! Pois eu como vejo tão mal, receio cair ou chocar com alguém!…” E a boa da sobrinha lá dava o seu bracinho (ainda suficientemente firme), à idosa.
Pelo que o processo lá ia decorrendo sem maiores percalços.
Quanto à Maria? Bem ela estava sempre a sorrir. Andava sempre muitíssimo bem-disposta. É que avaliando bem a situação ela até “estava no céu”. Empreendia desta maneira, a tarefa que mais gostava de realizar na vida. A de viajar. É certo que arregimentada a um grupo. Contudo e à sua maneira, lá ia desbravando aquilo que para si pertencia ao mundo do fantástico e do desconhecido.
Mas no fim da visita e já no autocarro que transportava tão singelo agrupamento, Maria ouviu a boa da D. Clementina a dirigir-se à sobrinha:
“Olha, sabes uma coisa? Quem nunca assiste à missa, é a moça forte… Sim, aquela que anda sempre vestida de preto…
E digam lá que milagres não acontecem?
Sugestão de leitura para esta semana: “O Melhor das Comédias da Vida Privada” de Luís Fernando Veríssimo.



Nota 1: Afinal não havia mesmo mistério nenhum. O cardeal Ratzinger resignou, porque já estava velho e cansado. Pois está claro! E foi desta vez que o clero decidiu mesmo... apostar na juventude!
Nota 2: E quantas reviravoltas, não deu já o Marquês, lá no Pombal das Almas? Quando foi informado, de que é um Jesuíta que se encontra agora, no comando das operações? Nada que ele não temesse e combatesse enquanto foi vivo. É que desta vez o jesuíta… está mesmo posicionado na pole position.
DIVIRTAMSEMAZÉ!

domingo, 10 de março de 2013

Viajar à Beija-Flor.



O número total dos membros daquela irmandade é incerto. Umas vezes são cem, outras vezes são oitenta, setenta... Naquele tempo iam viajar somente seis. Cinco da irmandade. E com elas seguia uma outra passível de entrar, mas seguramente ainda muito afastada das regras daquele circulo fechado.
Quando se entrava para aquele grupo, fazia-se uma jura com gotas do próprio sangue. E eram três as premissas, que tinham que ser escrupulosamente garantidas.
1ª Premissa: Viajar o mais economicamente possível. O importante é poupar. Essa é uma ideia que precede a entrada da própria troika no país. O hotel a escolher teria que ser o mais baratinho possível. Se tiver uma estrelinha de três pontas? Pois... já é um exagero.
O repasto nesses locais terá que ser bastante frugal, o que contribui imenso para o prossecução do regime de dieta. As empregadas que aí serviam o Pequeno-Almoço, vinham trajadas como a Ivette e a Maria da saudosa Série: Allô Allô. Com aquele aventalinho diminuto e tudo! E quanto à variedade de alimentos ali dispensada? Pois adivinharam. Era uma variedade muito monocromática. O leite e o café? Eram servidos a conta-gotas. E o pão? Bem, esse já era de dias passados. Mas muito fresquinho devido à conservação na arca congeladora. O seu interior ainda vinha em pedra, o que dava manifestamente para se jogar... basebol com ele...
E para finalizar, uma peça de fruta. Invariavelmente uma pequenita pêra. E pronto! Dizem os membros daquela irmandade: Mas que sorte que tivemos! Que hotel tão simpático! E que comida tão agradável! Pensa a aspirante:
"Mas que bela bosta!"
Já para não falar do facto, de se alugar um táxi que as levasse ao hotel desde o Aeroporto, fosse possibilidade passível de ser considerada para dementes. Ou para pessoas que gostam muito de gastar dinheiro "à parva". É que é muito mais bonito (e económico), transportar as malas, por quilómetros e quilómetros. Além de fazer bem à saúde, dá para ir mostrando aos naturais, os modelitos puídos que cada vez mais, estão na moda em Portugal.
E as refeições? São muito boas e recomendáveis, quando são servidas no MacDonalds. Ou então na loja das sandes. Ora essa! E parar numa esplanada? Bem, isso é para aqueles milionários que gostam muito de dar nas vistas.
2ª Premissa: Rapidez de movimentos. Melhor. Muita rapidez de movimentos mesmo! É proibido mesmo estar parado. O lema é: andar, andar e andar. Chegado ao pé dos monumentos turísticos? Tirar retratos, muitos retratos. Depois? Direita, volver e... continuar a andar, andar e a andar...
Num museu é absolutamente proibido, permanecer mais que 10 minutos, pois ainda existem 3250 museus para... ir visitar. E as igrejas? Pois não escapará nenhuma mesmo. Nem mesmo quando por lá estiver uma missa qualquer a decorrer. E no meio da oração, o crente instalado, tem a oportunidade de ver a imagem da sua devoção, a brilhar muitíssimo com as cosntantes luzes dos flashes fotográficos. Até poderá parecer, ao mesmo, que está ali a assistir... a uma aparição divina qualquer.
3ª Premissa: As prioridades são estabelecidas com toda a dedicação ainda no país de origem. E qual é o livro de cabeceira nessas alturas? Pois são 25 guias de turismo. E depois, qual imponderável, qual carapuça! É absolutamente necessário fazer  tudo "according to plan", tal qual o cumprimento de um qualquer ritual religioso. Para as irmandades de que hoje aqui falo, não poderá haver lugar nem para a aventura nem para o inusitado. Isso poderia mesmo perigar todo o sucesso (que se espera), daquele empreendimento. E depois, o que é que se ia dizer aos amigos que ficaram em... Portugal?
Vendo bem as coisas, esta também é uma forma engraçada de se viajar! Nada contra mesmo! Até poderá ser passível, para a realização de um elaborado estudo académico. Mas esta forma de passear, não é aconselhável para toda a gente! Ah pois não! É somente recomendável, para aquele que tiver nas melhores condições físicas. Pois adivinha-se que lá mais para o final da mesma, o caloiro desprevenido, já estará mais cansado, do que se tivesse corrido a maratona. Será uma pessoa completamente diferente, daquela que era quando se iniciou naquela verdadeira aventura... E não será de estranhar, que se encontre muito desejoso para regressar à suave rotina que o espera... no seu país de origem.
Sugestão de leitura para esta semana: "Tão Veloz Como o Desejo" de Laura Esquivel.


DIVIRTAMSEMAZÉ!

sexta-feira, 1 de março de 2013

Nunca falta rei que nos governe, nem Papa que nos excomungue.



Quando vemos e saudamos os nossos amigos e conhecidos, regra geral ficamos todos muito contentes. E ao despedirmo-nos dizemos invariavelmente: “Olhem divirtam-se, (no meu caso eu digo sempre: DIVIRTAMSEMAZÉ), tenham muita saúdinha e algum dinheiro para os gastos”… E como a grande maioria de nós não pôde contar com uma herança choruda que permitiria viver à larga “sem bulir”, temos que trabalhar para ganhar o nosso pãozinho de cada dia. Poucos contudo serão aqueles que ainda fazem profissionalmente aquilo de que muito gostam. Mas eu confesso: insiro-me perfeitamente no seio desta minoria. Porém os tempos são de crise, é um facto. Pelo que nos é fundamental manter o emprego, a fim de podermos continuar a pagar as nossas contas e a sermos felizes. E a divertirmonosmaze! É que a vida está difícil para todos. Ou melhor: está difícil… para quase todos.
Menos para o Cardeal Ratzinger. Bem, Cardeal era ele, mas há coisa de sete ou oito anos, ele foi promovido à categoria profissional de… Papa. E todos sabemos o difícil que é actualmente… progredir na carreira. Logo agora que as progressões estão todas congeladas. Mas para ele, não foi! Ele foi uma gloriosa excepção. E eu, que no início, não simpatizava nada com ele nem com a sua figura. Era um alemão (nada contra, oh Sra. Merkle!), mas de sorriso cínico e de olhos muito juntos… Foi aliás uma amiga minha, quem primeiro me alertou: “Olha”, disse-me ela, “ o Papa não deve de ser pessoa de confiança, vê como ele tem os olhos, quase quase um em cima do outro?” E de facto… Mas “terá a bota a ver com a perdigota”? O que é que determinado posicionamento dos olhos, poderá condicionar a boa conduta de uma pessoa?
Mas com o tempo, eu fui mudando um pouco a minha opinião. E fiquei completamente derretida pelo Senhor Papa e ex-Cardeal, quando foi divulgado publicamente… que o mesmo adorava gatos! É que amigos! Há uma coisa de que eu tenho a certeza, tenho inclusivamente um teoria assinada e firmada em cartório: quem gosta de gatos, não pode ser totalmente má pessoa.
Bem, mas em consequência de ele ter sido promovido, ele ascendeu à carreira de chefe religioso supremo. Ou seja, representante e embaixador do Divino na Terra. Sem espinhas. Pelo que (e de forma unânime) ele foi considerado o representante de Deus na terra. Pelo menos assim foi, para a grande comunidade Católica Apostólica e Romana.
Contudo e como muito bem sabemos, a entrevista para o preenchimento daquele lugar, não é feita da forma habitual. Para escolher um Papa é necessário reunir um conjunto de pares, que fechados dentro de um grande salão, escolhem assim o sucessor de Pedro. E serenamente (pelo menos é assim que eu penso), eles aguardam a vinda do Espirito Santo que tem como função a de os inspirar na escolha. Contudo eu desconfio que mesmo antes da descida do Espirito Santo, os cardeais já devem de ter lá as suas preferências. Depois… e bem conversadinho com o Espirito Santo, a coisa lá se acabará por fazer sem maiores percalços.
Naquele processo, eles devem de juntar-se todos à volta de uma grande fogueira. E enquanto ainda não tiveram oportunidade para chegar a alguma conclusão, eles põe a arder numa enorme lareira, muita madeira molhada e folhas verdes. E depois ficam todos com os olhinhos muito lacrimejantes e vermelhos, devido não só ao fumo que ali se faz, como também devido à grande emoção que para eles deve de ser, estarem ali fechadinhos e todos juntos… naquela divisória. A dúvida é negra, senhores!
Depois e com o passar do tempo, quando já se abriram as urnas e se contaram os votos (e já chegaram a conclusões efectivas quanto ao futuro), põe a queimar madeira seca e perfumada. O que faz com que o fumo daí resultante seja muito branco e confiável. E parte daquele fumo vai sair exuberantemente por uma elegante chaminé. No lado de fora, estará uma multidão de pessoas ou tolhidas pelo frio, ou cheias de calor, que rejubilam de tão contentes que ficaram, por vislumbrarem finalmente… aquela fumarada.
Ora pelo exposto, e conforme se verifica, nesta assinatura de contrato, acredita-se que a parte divina também tome assento. E com Essa, e como a minha querida tia há uns anos me relembrava e atemorizava: “com Essa não se brinca!” Só que ao que parece, o Ratzinger não teve medo nenhum disso. E… sem que nada o fizesse prever, ele demitiu-se do cargo. Mas sejamos francos, esta demissão é unilateral, é que não se crê que as duas partes do contrato… estejam efectivamente de mútuo acordo. Mas como é que o Ratzinger não tem medo? “Ele que já está velho”- é a explicação corrente! Mas não o estava já, aquando da altura da promoção? E por essa altura, ele próprio, pôs-se ali a jeito e aceitou. Mas eu pergunto: e em tais circunstâncias poder-se-á recusar tal honra? Não sei, mas atendendo as características do processo, estou em crer que não.
Agora ele sai do cargo totalmente enervado e pouco seguro. E a considerar-se incapaz de continuar a desempenhar a função. Mas porquê? Será que ele não teme a reacção divina? Será que ele só tem medo do lobby gay, como se vincula em tantos órgãos de informação? Jesus! Até parece que esses rapazes, metem mais medo, do que a possibilidade de um dia se poder ir bater com a alma nas chamas do inferno? Ou então, a de se ir estagiar no poleiro/limbo do Purgatório? Que sendo uma situação transitória, não deve deixar de ser algo bastante desagradável. Bem… eu no lugar deles gostaria mesmo, era de entrar pela Porta Grande. E receber um grande abraço e as boas-vindas do próprio São Pedro. Mas eles (e ao que parece)… não! É um mistério!… Bem, mas “quem está no Convento é que sabe o que lá vai dentro”.
E se objectivamente é isso que acontece: o que raio é que os gays estão a fazer no Vaticano? E se sim, como é que eles lá podem residir assim tão permanentemente? Eles que nem casar se podem pela igreja. E que são considerados como seres dementes e viciosos por grande parte dos que acreditam de que há vida para além do Arco-Íris? Estarão os gays a rebelarem-se e a infiltrarem-se nos espaços mais reservados, secretos e sagrados? Onde o “pecado” nem sequer deveria ser imaginado? Eles, assim como todos os seus amiguinhos?
De concreto, eu nada sei. Só sei que uma vez fui ao Vaticano, vi o seu riquíssimo Museu… E à entrada, um guarda Suíço sem apelo nem agravo, atirou para o lixo com a minha garrafa de água. E remexeu-me a minha mala toda… Logo a mim, que tenho um ar tão respeitador e confiável… E heterossexual!
Agora os gays? Em que é que eles podem meter medo ao papa? Este que já é tão velho e merecedor de todo o respeito? Se eu fosse a ele (e se eventualmente fossem os gays o motivo da minha tão grande revolta) eu não mostraria nunca parte fraca. E quando avistasse por lá um gay qualquer, dava-lhe um berro com toda a violência de que fosse capaz. Aconselhava-o a ter juízo e a sair dali para fora, o mais rapidamente possível. Que fosse para a Babilónia remexer as ancas. Mas não, o papa teve foi MEDINHO, foi o que foi. E decidiu assim descer da cruz. E logo a meio do seu contrato de trabalho.
E agora? Quem é que lhe vai assinar a carta de demissão? E o que é que ele vai entregar na Segurança Social? Eu não deveria de ter opinião formada sobre esse assunto, pois sou uma agnóstica metediça em assuntos que me ultrapassam inteiramente… Contudo vejamos o seguinte: Não será o cargo de Papa por definição, um cargo vitalício? Sem termo? Como os Bilhetes de Identidade dos nossos queridos idosos? E quanto ao antecessor deste papa? O tal que nascera em Cracóvia? Que andou na função papal até à última, coitado? É que se calhar, já por essa altura, por lá andavam os gays e outros tantos, que gostam muito de dançar ao som da música dos… Village People. 


É de crer que sim, não é? E mais. É de acreditar que a maioria dos que por lá devem andar presentemente, já deve de ter uma provecta idade. E antes assim, não é? Já bastaram os acontecimentos que exigiram as desculpas, que o ainda actual “Papa Emérito” foi obrigado a solicitar à comunidade global. Devido a comportamentos tenebrosos e muito condenáveis, por parte de alguns dos membros do clero, que injuriam em absoluto até à 1000ª casa da dignidade humana.
Mas o Papa temeu o confronto, foi o que pareceu. Mas o Papa não poderá ser temerário. E depois quando comunicou a sua decisão de renunciar ao cargo papal? Não terá ele que dar três meses à casa, à semelhança do que acontece nas outras profissões? Só que o Ratzinger teve que ser diferente, não teve? E cedeu somente um mês. E depois disso, vai todo lampeiro para um Castelo na companhia do seu irmão. Mas o que eles para lá vão fazer? Levará o Papa aqueles sapatinhos vermelhos que lhe ficam tão bem? Já me garantiram que não. Os sapatinhos vermelhos são exclusivos do modelito do Papa Principal e no Activo. E será o tal Castelo totalmente interdito à entrada de gays? Assim terá que ser, pois caso contrário (e em caso de intrusão de algum daqueles moços ali), o Ratzinger, poderá mesmo vir a sofrer de um faniquito qualquer.
Mas leve-se em conta o seguinte: objectivamente não devem de ter sido os gays, os causadores de tal renúncia. E não deverá haver razão especial para temê-los. Não senhores! É que a orientação sexual de cada um, só diz respeito ao próprio. O que eu suspeito (assim como muito mais gente) é que o que mais deve de ter determinado todo este processo de demissão, devem de ter sido as actividades daqueles “rapazes”, que gostam muito de bisbilhotar em “seara alheia”! E que têm uma ambição desmedida pelo poder terreno… Pela posse de dinheirinho e outras riquezas. Os que se usam da sua pertença grande aproximação à Figura Divina, para conseguirem obter (na terra) o poder ilimitado! Aqueles que são muito admiradores das actividades bancárias, usura e de outros quejandos. E que se for preciso, matam qualquer um que lhes possa fazer frente às suas ambições. E tudo isto num terreno e num domínio pretensamente sacrossanto… Credo!
Mas, e o que é que estas situações têm a ver com a mensagem de Jesus Cristo? Com todos os seus ensinamentos e premissas? E não sei, mas desconfio que se Ele cá voltasse, teria a mesma reacção que teve da outra vez. Quando foi ao templo e deu de caras com os vendilhões.
AI BALHAMEDEUS!
Sugestão de Leitura para esta semana: “S. Francisco de Assis” de Jacques Le Goff.


Nota: E Papa Emérito deverá querer dizer o mesmo que: Papa no Desemprego!
DIVIRTAMSEMAZÉ!