Quando vemos e saudamos os nossos
amigos e conhecidos, regra geral ficamos todos muito contentes. E ao despedirmo-nos dizemos invariavelmente: “Olhem divirtam-se, (no meu caso eu
digo sempre: DIVIRTAMSEMAZÉ), tenham muita saúdinha e algum dinheiro para os gastos”…
E como a grande maioria de nós não pôde contar com uma herança choruda que
permitiria viver à larga “sem bulir”, temos que trabalhar para ganhar o nosso pãozinho
de cada dia. Poucos contudo serão aqueles que ainda fazem profissionalmente
aquilo de que muito gostam. Mas eu confesso: insiro-me perfeitamente no seio desta
minoria. Porém os tempos são de crise, é um facto. Pelo que nos é fundamental
manter o emprego, a fim de podermos continuar a pagar as nossas contas e a sermos
felizes. E a divertirmonosmaze! É que
a vida está difícil para todos. Ou melhor: está difícil… para quase todos.
Menos para o Cardeal Ratzinger. Bem,
Cardeal era ele, mas há coisa de sete ou oito anos, ele foi promovido à
categoria profissional de… Papa. E todos sabemos o difícil que é actualmente… progredir
na carreira. Logo agora que as progressões estão todas congeladas. Mas para ele,
não foi! Ele foi uma gloriosa excepção. E eu, que no início, não simpatizava
nada com ele nem com a sua figura. Era um alemão (nada contra, oh Sra. Merkle!),
mas de sorriso cínico e de olhos muito juntos… Foi aliás uma amiga minha, quem
primeiro me alertou: “Olha”, disse-me ela, “ o Papa não deve de ser pessoa de
confiança, vê como ele tem os olhos, quase quase um em cima do outro?” E de
facto… Mas “terá a bota a ver com a perdigota”? O que é que determinado
posicionamento dos olhos, poderá condicionar a boa conduta de uma pessoa?
Mas com o tempo, eu fui mudando
um pouco a minha opinião. E fiquei completamente derretida pelo Senhor Papa e
ex-Cardeal, quando foi divulgado publicamente… que o mesmo adorava gatos! É que
amigos! Há uma coisa de que eu tenho a certeza, tenho inclusivamente um teoria
assinada e firmada em cartório: quem gosta de gatos, não pode ser totalmente má
pessoa.
Bem, mas em consequência de ele ter
sido promovido, ele ascendeu à carreira de chefe religioso supremo. Ou seja, representante
e embaixador do Divino na Terra. Sem espinhas. Pelo que (e de forma unânime)
ele foi considerado o representante de Deus na terra. Pelo menos assim foi, para
a grande comunidade Católica Apostólica e Romana.
Contudo e como muito bem sabemos,
a entrevista para o preenchimento daquele lugar, não é feita da forma habitual.
Para escolher um Papa é necessário reunir um conjunto de pares, que fechados
dentro de um grande salão, escolhem assim o sucessor de Pedro. E serenamente
(pelo menos é assim que eu penso), eles aguardam a vinda do Espirito Santo que
tem como função a de os inspirar na escolha. Contudo eu desconfio que mesmo
antes da descida do Espirito Santo, os cardeais já devem de ter lá as suas
preferências. Depois… e bem conversadinho com o Espirito Santo, a coisa lá se acabará
por fazer sem maiores percalços.
Naquele processo, eles devem de juntar-se
todos à volta de uma grande fogueira. E enquanto ainda não tiveram oportunidade
para chegar a alguma conclusão, eles põe a arder numa enorme lareira, muita madeira
molhada e folhas verdes. E depois ficam todos com os olhinhos muito
lacrimejantes e vermelhos, devido não só ao fumo que ali se faz, como também
devido à grande emoção que para eles deve de ser, estarem ali fechadinhos e
todos juntos… naquela divisória. A dúvida é negra, senhores!
Depois e com o passar do tempo, quando
já se abriram as urnas e se contaram os votos (e já chegaram a conclusões
efectivas quanto ao futuro), põe a queimar madeira seca e perfumada. O que faz
com que o fumo daí resultante seja muito branco e confiável. E parte daquele
fumo vai sair exuberantemente por uma elegante chaminé. No lado de fora, estará
uma multidão de pessoas ou tolhidas pelo frio, ou cheias de calor, que rejubilam
de tão contentes que ficaram, por vislumbrarem finalmente… aquela fumarada.
Ora pelo exposto, e conforme se
verifica, nesta assinatura de contrato, acredita-se que a parte divina também tome
assento. E com Essa, e como a minha querida tia há uns anos me relembrava e
atemorizava: “com Essa não se brinca!” Só que ao que parece, o Ratzinger não
teve medo nenhum disso. E… sem que nada o fizesse prever, ele demitiu-se do
cargo. Mas sejamos francos, esta demissão é unilateral, é que não se crê que as
duas partes do contrato… estejam efectivamente de mútuo acordo. Mas como é que
o Ratzinger não tem medo? “Ele que já está velho”- é a explicação corrente! Mas
não o estava já, aquando da altura da promoção? E por essa altura, ele próprio,
pôs-se ali a jeito e aceitou. Mas eu pergunto: e em tais circunstâncias poder-se-á
recusar tal honra? Não sei, mas atendendo as características do processo, estou
em crer que não.
Agora ele sai do cargo totalmente
enervado e pouco seguro. E a considerar-se incapaz de continuar a desempenhar a
função. Mas porquê? Será que ele não teme a reacção divina? Será que ele só tem
medo do lobby gay, como se vincula em tantos órgãos de informação? Jesus! Até
parece que esses rapazes, metem mais medo, do que a possibilidade de um dia se poder
ir bater com a alma nas chamas do inferno? Ou então, a de se ir estagiar no
poleiro/limbo do Purgatório? Que sendo uma situação transitória, não deve deixar
de ser algo bastante desagradável. Bem… eu no lugar deles gostaria mesmo, era de
entrar pela Porta Grande. E receber um grande abraço e as boas-vindas do
próprio São Pedro. Mas eles (e ao que parece)… não! É um mistério!… Bem, mas “quem
está no Convento é que sabe o que lá vai dentro”.
E se objectivamente é isso que
acontece: o que raio é que os gays estão a fazer no Vaticano? E se sim, como é
que eles lá podem residir assim tão permanentemente? Eles que nem casar se podem
pela igreja. E que são considerados como seres dementes e viciosos por grande
parte dos que acreditam de que há vida para além do Arco-Íris? Estarão os gays
a rebelarem-se e a infiltrarem-se nos espaços mais reservados, secretos e sagrados?
Onde o “pecado” nem sequer deveria ser imaginado? Eles, assim como todos os
seus amiguinhos?
De concreto, eu nada sei. Só sei
que uma vez fui ao Vaticano, vi o seu riquíssimo Museu… E à entrada, um guarda Suíço
sem apelo nem agravo, atirou para o lixo com a minha garrafa de água. E remexeu-me
a minha mala toda… Logo a mim, que tenho um ar tão respeitador e confiável… E heterossexual!
Agora os gays? Em que é que eles
podem meter medo ao papa? Este que já é tão velho e merecedor de todo o
respeito? Se eu fosse a ele (e se eventualmente fossem os gays o motivo da
minha tão grande revolta) eu não mostraria nunca parte fraca. E quando avistasse
por lá um gay qualquer, dava-lhe um berro com toda a violência de que fosse
capaz. Aconselhava-o a ter juízo e a sair dali para fora, o mais rapidamente possível.
Que fosse para a Babilónia remexer as ancas. Mas não, o papa teve foi MEDINHO,
foi o que foi. E decidiu assim descer da cruz. E logo a meio do seu contrato de
trabalho.
E agora? Quem é que lhe vai assinar a carta de demissão? E o que é que
ele vai entregar na Segurança Social? Eu não deveria de ter opinião formada
sobre esse assunto, pois sou uma agnóstica metediça em assuntos que me
ultrapassam inteiramente… Contudo vejamos o seguinte: Não será o cargo de Papa por
definição, um cargo vitalício? Sem termo? Como os Bilhetes de Identidade dos nossos
queridos idosos? E quanto ao antecessor deste papa? O tal que nascera em
Cracóvia? Que andou na função papal até à última, coitado? É que se calhar, já por
essa altura, por lá andavam os gays e outros tantos, que gostam muito de dançar
ao som da música dos… Village People.
É de crer que sim, não é? E mais.
É de acreditar que a maioria dos que por lá devem andar presentemente, já deve
de ter uma provecta idade. E antes assim, não é? Já bastaram os acontecimentos
que exigiram as desculpas, que o ainda actual “Papa Emérito” foi obrigado a
solicitar à comunidade global. Devido a comportamentos tenebrosos e muito
condenáveis, por parte de alguns dos membros do clero, que injuriam em absoluto
até à 1000ª casa da dignidade humana.
Mas o Papa temeu o confronto, foi
o que pareceu. Mas o Papa não poderá ser temerário. E depois quando comunicou a
sua decisão de renunciar ao cargo papal? Não terá ele que dar três meses à casa,
à semelhança do que acontece nas outras profissões? Só que o Ratzinger teve que
ser diferente, não teve? E cedeu somente um mês. E depois disso, vai todo
lampeiro para um Castelo na companhia do seu irmão. Mas o que eles para lá vão fazer?
Levará o Papa aqueles sapatinhos vermelhos que lhe ficam tão bem? Já me garantiram
que não. Os sapatinhos vermelhos são exclusivos do modelito do Papa Principal e
no Activo. E será o tal Castelo totalmente interdito à entrada de gays? Assim
terá que ser, pois caso contrário (e em caso de intrusão de algum daqueles
moços ali), o Ratzinger, poderá mesmo vir a sofrer de um faniquito qualquer.
Mas leve-se em conta o seguinte: objectivamente
não devem de ter sido os gays, os causadores de tal renúncia. E não deverá
haver razão especial para temê-los. Não senhores! É que a orientação sexual de
cada um, só diz respeito ao próprio. O que eu suspeito (assim como muito mais
gente) é que o que mais deve de ter determinado todo este processo de demissão,
devem de ter sido as actividades daqueles “rapazes”, que gostam muito de
bisbilhotar em “seara alheia”! E que têm uma ambição desmedida pelo poder
terreno… Pela posse de dinheirinho e outras riquezas. Os que se usam da sua
pertença grande aproximação à Figura Divina, para conseguirem obter (na terra)
o poder ilimitado! Aqueles que são muito admiradores das actividades bancárias, usura e de outros quejandos. E que se for preciso, matam qualquer um que lhes possa
fazer frente às suas ambições. E tudo isto num terreno e num domínio
pretensamente sacrossanto… Credo!
Mas, e o que é que estas
situações têm a ver com a mensagem de Jesus Cristo? Com todos os seus
ensinamentos e premissas? E não sei, mas desconfio que se Ele cá voltasse,
teria a mesma reacção que teve da outra vez. Quando foi ao templo e deu de
caras com os vendilhões.
AI BALHAMEDEUS!Sugestão de Leitura para esta semana: “S. Francisco de Assis” de Jacques Le Goff.
DIVIRTAMSEMAZÉ!

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