Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

sábado, 16 de março de 2013

Ainda está por nascer, quem ovelhas há-de entender…



Ser uma infiltrada numa viagem realizada por pessoas eminentemente religiosas é algo muito considerável e digno de nota. E é experiência que fica para toda a vida.
Maria era uma moçoila que estava quase a despedir-se… da casa dos vinte. Que a dada altura resolveu aproveitar e ir numa viagem de gente muitíssimo crente no Divino. E foi assim que ela se propôs a ir conhecer… a Polónia.
Maria não era propriamente uma religiosa de carreira, mas respeitava quem era, claro está. E ali naquele lugar e na companhia daquelas pessoas tão virtuosas, ela tinha a necessidade de os considerar ainda mais.
O problema da viagem não era nenhum. O que era para ser visitado, já estava previamente definido. Só que aquela massa associativa tinha necessidade de ir todos os dias, aos treinos. Pelo que (e todos os dias, mesmo), era celebrada uma santa missinha, rezada em alternância, pelos 30 párocos que arregimentavam aquele mui simpático rebanho bem comportado.
Mas a Maria decidira que na hora da celebração da missa, ela ia aproveitar para calcorrear o lugar que havia à volta do espaço de culto. Mas sem dar muito nas vistas, como é óbvio. Entrar na igreja? Ela entrava, mas à hora do primeiro cântico, quando já estavam todos muito emocionados e a dar o melhor se si, ela discretamente saia. É claro que para isso, ela não podia ir muito lá para a frente. Ficava nos bancos de trás, e quando se davam os primeiros trinados… zás!
Conseguiu-o com sucesso e sem estrilho, a maior parte das vezes. Houve inclusivamente uma ocasião em que um seu querido amigo que a acompanhava (e que partilhava os mesmos propósitos dela), se atrasou no processo e ficou retido na igreja. Teve assim que participar na reza. É que se encerraram as portas para que houvesse maior empenhamento de todos. E não houvesse a entrada de seres perturbadores.
Noutra altura, Maria deslocalizou-se para a sala do lado. Sala onde decorria um baptizado dos religiosos ortodoxos. E assim, ela decidiu assistir, com todos os participantes a sorrirem para ela, devido à sua presença tão inusitada ali. É evidente que ninguém a havia convidado… E foi desta maneira, que Maria viu uma bebé completamente nua, a ser mergulhada totalmente numa enorme pia de água sacra. Ela que nunca havia presenciado a tal… E admirou-se ainda mais, com a extrema passividade não só dos pais da criança como da dita, que saiu do processo sem grande estranheza nem berrarias, atendendo às circunstâncias.
Quem viajava também naquele grupo foi a D. Clementina. Septuagenária da cepa e muito amiga da sobrinha, que era uma quadragenária simpática que também seguia naquela comitiva. E a D. Clementina andava sempre agarrada à familiar, pois alegava ter cataratas que lhe retiravam grande parte da sua visão. E por mais que uma vez, ouviu-se a D. Clementina suplicar: “Dá-me o teu braço, oh minha querida sobrinha! Pois eu como vejo tão mal, receio cair ou chocar com alguém!…” E a boa da sobrinha lá dava o seu bracinho (ainda suficientemente firme), à idosa.
Pelo que o processo lá ia decorrendo sem maiores percalços.
Quanto à Maria? Bem ela estava sempre a sorrir. Andava sempre muitíssimo bem-disposta. É que avaliando bem a situação ela até “estava no céu”. Empreendia desta maneira, a tarefa que mais gostava de realizar na vida. A de viajar. É certo que arregimentada a um grupo. Contudo e à sua maneira, lá ia desbravando aquilo que para si pertencia ao mundo do fantástico e do desconhecido.
Mas no fim da visita e já no autocarro que transportava tão singelo agrupamento, Maria ouviu a boa da D. Clementina a dirigir-se à sobrinha:
“Olha, sabes uma coisa? Quem nunca assiste à missa, é a moça forte… Sim, aquela que anda sempre vestida de preto…
E digam lá que milagres não acontecem?
Sugestão de leitura para esta semana: “O Melhor das Comédias da Vida Privada” de Luís Fernando Veríssimo.



Nota 1: Afinal não havia mesmo mistério nenhum. O cardeal Ratzinger resignou, porque já estava velho e cansado. Pois está claro! E foi desta vez que o clero decidiu mesmo... apostar na juventude!
Nota 2: E quantas reviravoltas, não deu já o Marquês, lá no Pombal das Almas? Quando foi informado, de que é um Jesuíta que se encontra agora, no comando das operações? Nada que ele não temesse e combatesse enquanto foi vivo. É que desta vez o jesuíta… está mesmo posicionado na pole position.
DIVIRTAMSEMAZÉ!

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