Ser uma infiltrada numa viagem realizada
por pessoas eminentemente religiosas é algo muito considerável e digno de nota.
E é experiência que fica para toda a vida.
Maria era uma moçoila que estava
quase a despedir-se… da casa dos vinte. Que a dada altura resolveu aproveitar e
ir numa viagem de gente muitíssimo crente no Divino. E foi assim que ela se
propôs a ir conhecer… a Polónia.
Maria não era propriamente uma religiosa
de carreira, mas respeitava quem era, claro está. E ali naquele lugar e na
companhia daquelas pessoas tão virtuosas, ela tinha a necessidade de os
considerar ainda mais.
O problema da viagem não era
nenhum. O que era para ser visitado, já estava previamente definido. Só que
aquela massa associativa tinha necessidade de ir todos os dias, aos treinos.
Pelo que (e todos os dias, mesmo), era celebrada uma santa missinha, rezada em
alternância, pelos 30 párocos que arregimentavam aquele mui simpático rebanho bem
comportado.
Mas a Maria decidira que na hora
da celebração da missa, ela ia aproveitar para calcorrear o lugar que havia à
volta do espaço de culto. Mas sem dar muito nas vistas, como é óbvio. Entrar na
igreja? Ela entrava, mas à hora do primeiro cântico, quando já estavam todos
muito emocionados e a dar o melhor se si, ela discretamente saia. É claro que
para isso, ela não podia ir muito lá para a frente. Ficava nos bancos de trás,
e quando se davam os primeiros trinados… zás!
Conseguiu-o com sucesso e sem
estrilho, a maior parte das vezes. Houve inclusivamente uma ocasião em que um
seu querido amigo que a acompanhava (e que partilhava os mesmos propósitos dela), se
atrasou no processo e ficou retido na igreja. Teve assim que participar na
reza. É que se encerraram as portas para que houvesse maior empenhamento de todos.
E não houvesse a entrada de seres perturbadores.
Noutra altura, Maria
deslocalizou-se para a sala do lado. Sala onde decorria um baptizado dos
religiosos ortodoxos. E assim, ela decidiu assistir, com todos os participantes a sorrirem para ela,
devido à sua presença tão inusitada ali. É evidente que ninguém a havia convidado…
E foi desta maneira, que Maria viu uma bebé completamente nua, a ser mergulhada
totalmente numa enorme pia de água sacra. Ela que nunca havia presenciado a tal…
E admirou-se ainda mais, com a extrema passividade não só dos pais da criança
como da dita, que saiu do processo sem grande estranheza nem berrarias,
atendendo às circunstâncias.
Quem viajava também naquele grupo
foi a D. Clementina. Septuagenária da cepa e muito amiga da sobrinha, que era
uma quadragenária simpática que também seguia naquela comitiva. E a D. Clementina
andava sempre agarrada à familiar, pois alegava ter cataratas que lhe retiravam
grande parte da sua visão. E por mais que uma vez, ouviu-se a D. Clementina
suplicar: “Dá-me o teu braço, oh minha querida sobrinha! Pois eu como vejo tão
mal, receio cair ou chocar com alguém!…” E a boa da sobrinha lá dava o seu
bracinho (ainda suficientemente firme), à idosa.
Pelo que o processo lá ia
decorrendo sem maiores percalços.
Quanto à Maria? Bem ela estava
sempre a sorrir. Andava sempre muitíssimo bem-disposta. É que avaliando bem a
situação ela até “estava no céu”. Empreendia desta maneira, a tarefa que mais
gostava de realizar na vida. A de viajar. É certo que arregimentada a um grupo.
Contudo e à sua maneira, lá ia desbravando aquilo que para si pertencia ao
mundo do fantástico e do desconhecido.
Mas no fim da visita e já no
autocarro que transportava tão singelo agrupamento, Maria ouviu a boa da D.
Clementina a dirigir-se à sobrinha:
“Olha, sabes uma coisa? Quem
nunca assiste à missa, é a moça forte… Sim, aquela que anda sempre vestida de
preto…
E digam lá que milagres não
acontecem?
Sugestão de leitura para esta
semana: “O Melhor das Comédias da Vida
Privada” de Luís Fernando Veríssimo.
Nota 1: Afinal não havia mesmo
mistério nenhum. O cardeal Ratzinger resignou, porque já estava velho e
cansado. Pois está claro! E foi desta vez que o clero decidiu mesmo... apostar na
juventude!
Nota 2: E quantas reviravoltas,
não deu já o Marquês, lá no Pombal das Almas? Quando foi informado, de que é um
Jesuíta que se encontra agora, no comando das operações? Nada que ele não
temesse e combatesse enquanto foi vivo. É que desta vez o jesuíta… está mesmo
posicionado na pole position.
DIVIRTAMSEMAZÉ!

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