Certo dia, (e já lá vão alguns dois anos), eu regressava a minha casa do trabalho. Mas ao entrar no pátio que dá acesso à minha habitação, dou de caras com algo inusitado. Já aqui disse que tenho como únicos vizinhos, um casal muito idoso, (pertencente à quinta idade), que é também muito escrupuloso e chatinho. Ora no chão do meu pátio, abundavam pequenos pedaços de papel de jornal amachucado. Coisa aliás, nunca antes ali vista. Por um momento, julguei que os velhotes tivessem enlouquecido e estivessem a jogar aos petardos durante toda a tarde. Depois, achei que podia ter sido o vento a arrastar para ali tais destroços. Mas para evitar mais dívidas e mal eu vi os idosos residentes, perguntei-lhes o porquê daquelas inusitadas presenças. Recebi a resposta mais inusitada pela qual eu jamais esperara ouvir. O homem sénior, e já algo periclitante, andara durante toda a tarde a colocar os referidos papeis entre a parede e uma lâmpada. E qual o motivo? Pois o homem pretendia impedir um casal de andorinhas de fazer ali a sua Casa Estival. Ora era o velho a pôr os papeis, e as andorinhas a tirarem-nos de lá. Abençoadas! E andaram naquilo toda a tarde. Ora eu fiquei possessa. Porque raio é que se podem impedir tão graciosas aves de morarem onde bem entenderem? Já bem basta a espécie humana ter que pagar a habitação, e devido à sua aquisição, empenhar-se aos bancos até à hora da morte. Já bem basta o ser humano estar preso a uma terra e a muitas obrigações! Deixemos pois, as aves fora desses constrangimentos. E ali pedi ao vizinho, que não se incomodasse mais com a presença das aves ali. é que as mesmas , e a partir daquele dia seriam minhas hóspedes. E mais lhe disse: "pois que ficasse descansado porque eu garantiria a limpeza das aves, conceptualizada através da limpeza das paredes e do chão". Eu seria pois a empregada doméstica daqueles animais. E para concluir eu disse-lhe: "que nos podíamo-nos considerar muito orgulhosos por sermos escolhidos por tão graciosos passarinhos". E na mesma hora, eu fui comprar um balde, uma esfregona, uma vassoura e uma pá. O sénior franziu o nariz, mas como eu não tenho qualquer receio de más caras, deu-se por vencido e executou meia volta e marchou. E acabaram assim os jornais amachucados no chão do meu pátio.
A partir daquele dia eu fiquei com mais uma belíssima história para contar. Sem constrangimentos, o casal de andorinhas fez o seu ninho em tempo record. Não chegou a um dia para a sua conclusão. E era um assombro ver as constantes idas e vindas dos dois. No bico traziam pedaços consistentes de barro molhado e de mais ervas e palhas. Com aprumo eles colocavam aqueles seus materiais de construção nos sítios mais indicados. Construíram uma casa fantástica. Depois de feita, foi a vez de descansarem um pouco. Passadas horas, a andorinha fêmea ali ficou, pressupostamente a pôr os ovos. Acreditem, mas eu cheguei a acordar para ver se a bichinha ainda ali permanecia. E permaneceu. Depois foi a vez de chocar os ovinhos. E com que paciência ela ali ficou. Às vezes lá vinha o marido trazer-lhe o almoço, consubstanciado em algum insecto morto e apetecível à ingestão, pois devia de conter muitas proteínas. Mas delicioso foi verificar que a descendência por fim lá nascera e estavam os três muito bem.
Depois foi vê-los crescer. E lá ficava eu a olhar embevecida para toda aquela maravilha! Os pais numa azafama, traziam aos filhos o que de melhor conseguiam arranjar. E os pingentes numa barulhada constante e sempre de bico aberto. Demonstrando uma vontade determinada em vencer. Foi supremo assistir a toda àquela movimentação à volta de minha casa. Chegaram a vir outras andorinhas, necessariamente das relações do casal original. Deviam de vir dar apoio moral, mas também traziam comida no bico. E lá iam colocá-la na boca dos petizes. A isto é que se pode chamar de solidariedade. Temos muito a aprender com os animais!
Passados algumas semanas, era ver três aves gordas (pareciam bem mais gordas que os seus próprios progenitores), fortemente apoiados no ninho. Esperavam pacientemente... a coragem para voar?
A tudo aquilo eu assisti deliciada. Eu tive que cumprir a minha parte. E naquele ano eu fui a sopeira daquela família errante. E quando chegava do trabalho, limpava a pouca sujidade que aqueles passarinhos produziam. Limpava o chão e deleitava-me a olhar para aquela maravilha.
Depois foi a vez dos mais novos saírem finalmente do ninho. Primeiro iam muito a medo. Depois faziam voltas imaginárias. Depois com mais confiança. Primeiro um, depois o outro. E no fim já os três já voavam. Nascer, eles haviam nascido no beiral de minha casa, mas agora partiam, iniciando a aventura que é a vida. Por fim, lá foram embora. Ainda cheguei a ver uma ou outra ave, pousada no varal da minha roupa. Gostava de imaginar que era um dos pequenos, que se vinha ali despedir de mim. Depois, veio a ausência e a saudade.
Diz a tradição, que as andorinhas sempre regressam, mas no ano passado não o fizeram. Poderão vir para o ano que vem e trazerem com eles, outros membros da família. Trazerem uma família mais alargada. Se assim for, eu irei ter muito mais trabalho com eles todos. Mas enquanto não voltam, eu velarei pela segurança e pela integridade da casa deles. Casa que foi feita pelos próprios com muita dedicação. Quando regressarem a mesma estará exactamente como eles a deixaram. E não é que um dia destes eu subi lá acima, para limpar a lâmpada dos meus prestimosos vizinhos e vejo que o interior do ninho é tão fofinho?! Mais parece todo feito em veludo. Aquela obra era impossível de ser concretizada por mãos humanas atabalhoadas.
Pensando bem, as andorinhas não são nada parvas. E devem de estar muito bem informadas. É que nem para elas este país será recomendável, para o ano da Graça que há-se vir!
Sugestão de leitura para esta semana: "Fala-me de África" de Carlos Vale Ferraz.
Este é para mim um espectáculo absolutamente lamentável, e profundamente desajustado a tudo aquilo que deveria de ser. E como me custa, Deus do Céu, observar em certos Domingos de Estio, famílias (mas que felizmente, são cada vez em menor número), com crianças pequenas à espera e ao Sol, para poderem entrar no Redondel e irem assistir àquele espectáculo tão bárbaro.
E pergunto: O que é que objectivamente se ganha em ir assistir "àquilo"? Ver luta? Ver sangue a escorrer pelo dorso do animal? Depois ver que aqueles homens comemoram uma vitória, pois tiveram a ousadia e a coragem de ter defrontado uma fera? Mas qual coragem? Coragem para mim é poder socorrer o seu semelhante quando ele necessita. Poder ajudar os mais carenciados. Preservar a natureza. Erguer a voz contra as injustiças. Amar sem fronteiras, mesmo muitas vezes! Gostar mesmo quando nem se é assim tão admirado de volta. Agora espetar animais? Ver sangue? Ver sofrimento? Cruzes!
Que coragem e mérito poderá haver em se enfrentar um animal, visivelmente deslocado, pois é a primeira vez que vê uma Praça e tanta gente a gritar? Estar confortavelmente em cima de um cavalo, que coitado, também não pediu para estar ali, e que muitas vezes também sofre muito, pois é espetado o corneado? Tal é no mínimo funesto e inconveniente.
Há quem diga que é um espectáculo que tem que ser continuado em nome da tradição. Mas qual tradição? Tradição era também, e no Coliseu de Roma, colocarem-se em conjunto os cristãos e os animais selvagens. E depois esperava-se para ver o que acontecia, com muito entusiasmo. Será que alguém está interessado em recuperar tal tradição? Sei lá, mas fazer o espectáculo por tópicos, tipo: "Feras defrontam, membros da população que têm dificuldades em se locomover". Ou então: "Animais selvagens irão conviver com alguns membros da comunidade dos Inspectores dos Impostos", ou "Um touro delirante e provido de toda a sua real cornadura, irá ser apresentado aos excelentíssimos membros da Troika! Não me parece que seja algo bom de recuperar. Bem...
Há depois quem fale que o espectáculo tem que continuar em nome da continuidade da espécie. Que é como quem diz, se não existirem as touradas, desaparecerá a espécie do touro destinado a esse efeito. Mas eu questiono-me: "Qual será a legitimidade de se criar uma espécie para se poder torturar à vontade? Tal formulação tem a tendência de me poder levar a outros domínios, que necessariamente iriam defrontar-se com a ética. A liberdade na criação, poderia fazer com que se pudessem gerar verdadeiros monstros, criados para um fim especifico e absolutamente lamentável. Poderiam criar-se escravos, cuja principal e única funcionalidade era servir o Ser Dominante. Ou então criarem-se seres, que teriam como única função, poderem-se retirar os seus órgãos, quando deles houvesse necessidade...
Há depois quem diga, que devido às descargas da adrenalina, o touro nada sente com as crueldades a que é sujeito. Mas eu pergunto: "Como é que sabem isso? Alguma vez alguém foi touro (rsrs) para poder responder a isso, com tanta propriedade?" Se calhar, e vendo bem as coisas, touros há muitos e lamentavelmente todos eles poderão ser sumariamente gozados e espezinhados. É imperioso pois, defende-los a todos, assim como às suas particulares idiossincrasias.
Mas relativamente à temática das touradas, eu hoje venho aqui recordar um acontecimento que há uns anos me divertiu muito. Quase que me levou às lágrimas de tanto que eu ri. Eu fui assistir a um "Encontro com o (excelente) escritor" Mário Cláudio. E eu, que já gostava muito dele como escritor, comecei a admirá-lo ainda muito mais como ser humano na sua globalidade. Tudo porque o mesmo teve a coragem de colocar o "dedo na ferida", no seio de um concelho muito ligado à tradição taurina. E ele falou em algo, que eu jamais havia equacionado. E vejam bem: alguém já reparou na "roupicha" que os maganos dos toureiros envergam, quando estão na lide? São roupinhas algo estranhas, cheias de lantejolas, bordados, com muitos folhos e em profusão... depois aquelas calcinhas tão justinhas... Mais parecem umas leggs? E já para não falar nos chapelinhos deles! Com tudo aquilo, quererão os toureiros esconder alguma coisa? Com a exibição de todos aqueles figurinos? Eu não sei, mas apercebendo-me de mim enquanto leiga na matéria, e absolutamente incapaz de assistir a um segundo que seja daquele bárbaro espectáculo, não conseguiria colocar as coisas nos termos que o celebre escritor colocou. Mas ele teve a capacidade de (indirectamente) me abrir os olhos a toda àquela realidade.
Contudo e pensando melhor eu só seria capaz de ir assistir um bocado "àquilo", se se mudassem todos os paradigmas. Ou seja: Ao invés de se colocarem cavalos e ferros, ser só um desses toureiros, (ou até mesmo um grupo deles) a defrontar directamente um touro bravo. Seria só, touro e homem. O homem até poderia ir com as suas queridas... leggs, que lhe deixariam mostrar toda a sua masculinidade. Contudo ali não teria entrada: qualquer cavalo, ferro, espadas ou pampilho. Seria só, animal e ser humano, taco a taco. E eu veria ali entrar um imponente touro saído há minutos da Lezíria. E isso sim é que seria coragem. Mas eu tenho cá uma desconfiança de que o intrépido homem toureiro, no fim fugiria. É que ele não quereria de maneira nenhuma, romper as suas muito estimadas leggs e desmanchar todos aqueles imensos folhos e bordados.
Sugestão de leitura para esta semana: "Cavalos em Fuga" de Yukio Mishima.
Gosto de animais e as osgas
(que também fazem parte dessa categoria), também são motivo da minha admiração.
Mas e inexplicavelmente, rara é a pessoa que gosta de osgas. Regra geral, e
quando alguém avista uma dessas lindas bichinhas, a primeira reacção que
tem é quer matá-las. Mas que mal é que as osgas fazem, senhores? Diz o senso
comum, (que é muito pouco credível, pelo menos neste tema), que uma osga cozida
pode matar uma multidão de gente insultante e interventiva. Era mesmo a minha
avó que me contava, que certa vez, uma infeliz avó de um militar, ofereceu ao seu neto, um
chazinho. E à oferta, o moço da farda garrida, não se fez rogado. Ora no referido chá
havia sido previamente cozida (e sem que a velhota desse conta), uma "real" osga. Rezava então a
tradição que o moço nunca mais marchou nem fez continência. E foi permanecer
para todo o sempre, no chão sagrado do cemitério local. Ao ouvir aquilo e
repetidamente, eu ainda me dava ao trabalho de perguntar, se a minha vovó,
havia conhecido aquela gente? Se havia mesmo... ido ao funeral? “Pois que não” respondia-me por sua vez, a minha avozinha, que depois, logo
concluía: “Mas nunca fiando”. E lá se punha ela (e mais uma vez), de vassoura em riste. É muitas vezes, à conta da divulgação de teorias nada fundamentadas, que se vão sacrificando… inocentes criaturas.
Ora eu nunca vi tal teoria
escrita em lado nenhum. Bem, se calhar a minha pesquisa não foi lá muito
apurada. Contudo não me parece razoável, andar-se p'rá aí, a fazer chá de tudo e
mais alguma coisa. E a osga? Terá necessariamente a sua utilidade. E não me parece que seja para servir de aromatizante a uma qualquer bebida.
Sou pois, uma fiel amiga das
osgas. Mas também não me fazem lá muita impressão, as baratas e os ratos. Não
necessariamente na minha casa, está claro. Mas muito eu aprecio observar uma qualquer
ratazana a fazer o seu caminho pedonal, na via que serve para esse efeito e que
liga a minha terra à povoação vizinha. E as pessoas quando as vêm, como reagem?
Pois dão com cada salto! Mas os exercícios também têm muito a beneficiar, se se
saltar convictamente. Só não gosto mesmo nada, é de melgas e de moscas. Isso não. Às
moscas eu (e com muita paciência) ainda abro as janelas e expulso-as de casa. Mas às
melgas não. Perdoe-me lá, mas se eu encontrar alguma a ferroar-me… eu mato-a. E sem
qualquer problema de consciência. Eu acho mesmo que as melgas são um produto da
criação do próprio Demo.
Mas com as osgas não. Não é
nada disso. Gera-se mesmo entre nós um certo carinho. Tenho famílias delas a viver pacificamente no meu jardim de
brincos-de-princesa. E como elas são felizes lá. Todos os meus vizinhos estão
proibidos de as matar. E quando eu saio à noite e ao regressar a casa, lá estão
elas à minha espera, com as suas patitas firmemente fixadas no vidro da porta. E as
bichas estão assim à minha conta. Coitadinhas! Também existe uma família de
osgas a viver no meu gabinete profissional. E como eu gosto de as ver, com as
patinhas na parede, a olharem-me nos olhos, enquanto eu me distraio um pouco da classificação e
catalogação de livros e de analíticos! E mais, nenhum dos meus colaboradores
têm permissão de matar "umazinha" que seja. Elas que ali vivem, e que
pacientemente se vão alimentando das pragas que fariam perder, toda a minha
colecção de plantas. E acabam mesmo é a comer as melgas e as moscas.
Se olharem bem para uma
osga, não poderão deixar de reparar no seu olhar. Que é um olhar inteligente,
intrigante e reflexivo. E por favor, não me venham dizer que isso é mentira,
pois eu duvido que algum de vós tenha alguma vez reparado em tão carinhoso olhar.
Para um belíssimo olhar de uma doce osga. Eu sei do que estou a falar, pois conheço
muitas. Conheço também as suas filhas e as suas netas. E nenhuma, mas nenhuma
mesmo, jamais teve a deselegância de se atirar a mim. Podendo, as mesmas até fogem
de nós. Mas, e as mesmas ao avaliarem que eu não lhes faço mal nenhum, até se
tornam muito minhas amigas.
A prova cabal desta minha
irrefutável conclusão passou-se num certo dia de Domingo de Agosto deste mesmo
ano. No instável porém presente mês de Agosto. Estava eu calmamente a degustar
o meu pequeno-almoço. Sentados em outras duas cadeiras estava Júlio César e Marco
António, que são a minha dupla de gatos endiabrados. E na parede mais próxima,
permanecia pacata mas muito feliz, uma gorda osgazinha. Ninguém lhe fez mal,
ela também não fez mal a ninguém. E de que serviria matar-se tão útil bichana?
Sugestão de leitura para
esta semana: “Um lugar ao Sol” de Érico Veríssimo.
E protejam sempre a Natureza. É ela que nos sustenta e
que nos vai dando ainda… alguma garantia. Mas parece que ela agora anda revoltada, não é? É que infelizmente, nós já lhe demos muitas razões para isso. DIVIRTAMSEMAZÉ!
Maria Ivete nasceu em Marco de Canavezes no início da
década de 40 do século passado. Sua vida foi algo semelhante à vida da Diva do
século XX, que nascera também naquela cidade. Só que Ivete nunca se habituou a
transportar chapéus de fruta à cabeça. Pois para tal, ela não tinha espaço.
Ivete teve uma vida muito complicada. Seus pais morreram
quando ela era ainda muito nova. Foi (e em consequência disso) criada por uma sua
tia, que era pouco maternal, mas de sentido prático e caridoso à sua maneira. E
Ivete teve a ventura de descobrir desde muito cedo, que a vida não era nada
fácil, pelo menos para algumas pessoas. Foi quando Ivete atingiu a maioridade e
sem ter noivo ou pessoa que a ajudasse financeiramente, que ela foi aconselhada
a rumar a Terras de Vera Cruz. Aqueles tempos eram difíceis. E se hoje também o
são, pelo menos hoje e regra geral, as pessoas têm competências (conseguidas
através do estudo), que lhe permitem adaptar-se razoavelmente às novas
realidades, presentes fora dos limites deste país pequeno e rectangular. Mas naquele
tempo Ivete tivera a possibilidade de estudar somente até à terceira classe.
E Ivete resolveu aceitar a sugestão. E conseguiu
através de muito trabalho, reunir a quantia necessária em dinheiro para ir para
o Brasil. Ao chegar lá, ela conheceu um senhor que era cerca de vinte anos mais
velho do que ela. Malaquias, era assim que aquele pagodeiro se chamava.
Malaquias tinha também as suas origens em Portugal, mais concretamente da
cidade de Lisboa. E tal como Ivete, ele decidira rumar a Ocidente, quando
reparou que para além de não ter grandes capacidades de crescimento na Lusa
Pátria, queria viver a vida e conhecer novas realidades e pessoas. E como Malaquias
tinha a “lábia toda”!
A vida havia sido generosa para com Malaquias. Não que
ele tivesse juntado uma enorme fortuna, ou tivesse essa ambição a curto prazo. Não!
O que Malaquias gostava era de aproveitar o que a vida lhe proporcionava. E se
ele não tinha grandes ambições, também não tinha muito espaço para ter… muitas
decepções. E já com quarenta e tal anos, ele continuava a ser um belo exemplar
de homem. Seco de carnadura mas não de sentimentos, ele conseguia mesmo, ser a
alegria de todas as suas vizinhas, fossem elas novas ou velhas, casadas ou
solteiras, bonitas ou feias. Ele de facto era o tal. E com muita regularidade, lá
ia ele a gingar pelas colinas abaixo. Sempre com um sorriso na boca assim como
uma palavrinha sedutora p’ró mulherio. Muitas vezes ele ia jogar ao jogo do
bicho. Umas vezes ganhava, outras vezes, não. Mas dava-se ao direito de
aconselhar os colegas, a fazerem jogadas precisas daquelas que dão dinheiro,
alegando que no momento ele estava a ser aconselhado por uma entidade divina da
sua predileção. Que variava entre o S. Judas Tadeu e o Oxumarê.
E Ivete não ficou nada indiferente ao charme do
“gajo”. Ela que também era graciosa à sua maneira. Não era, era nada seca de
carnes. Mas cedo descobriu que o Malaquias gostava de sopesar com as suas mãos
cuidadas, carnes generosas e ainda bem firmes. Pelo que passadas algumas
semanas, os dois resolveram fazer vida em comum. Só que Ivete nunca tivera a intenção
de deixar descendência. Primeiro porque havia tido uma infância bem difícil. Depois
porque também não tinha um sentido maternal lá muito apurado. E por último, mesmo que
tivesse esse sentido apurado pela maternidade, as condições de vida que eles
conseguiam ter, não eram muito favoráveis para que se educassem
convenientemente as crianças que seriam da responsabilidade deles. Foi devido a esse facto, que ela recorreu muitas vezes às chamadas “fazedoras de anjo”. É que o
Malaquias era danado. Não lhe dava assim muitas folgas…. Além disso, o uso do
contraceptivo não era assim tão divulgado. E os métodos que existiam para além
de caros eram bastante falíveis. E assim… os anjinhos lá iam, subindo progressivamente
para o céu. Mas fora isso, tudo decorria dentro da normalidade.
Mas foi num dia de grande intempérie, que a vida quis
pôr à prova a generosidade de Ivete. Lá fora chovia a cântaros. A casa de
Ivete, se bem que modesta estava assente em estruturas consideradas seguras e
fora feita com materiais de média qualidade. Coisa que não acontecia com
algumas das casas das suas vizinhas. E no meio daquela tempestade diluviana,
Ivete sentiu que lhe batiam à porta. E sem demora ela foi abrir. É que na sua
casa modesta e limpa, havia sempre espaço para mais alguém. Menos para os anjinhos. E ali, quem quer que
fosse que estivesse a bater à porta (e atendendo às
circunstâncias), deveria de estar mesmo muito aflito.
Aberta a porta, Ivete verificou que do lado de fora e absolutamente encharcada estava a
sua vizinha Rita. A mulher tivera a sorte de escapar à derrocada de que fora
vitima a sua própria casa. E Rita vivia sozinha lá no seu barraco. Mas corria o
boato de que ela tinha um arranjinho com o Manoel do Açude. Vá-se lá saber.
Pelo menos se assim fosse, ela deveria de ter algum desconto na conta da carne.
Agora era claro, a mulher estava aflita com toda aquela situação. Ver-se assim
na rua, sem a protecção de um tecto... Ivete recebeu-a vestindo somente uma
camisa de dormir (daquelas que chegavam aos pés e que tapavam o colo todo),
tipo túnica. Mas ao contrário da vizinha, estava bem seca e quentinha. E Ivete
convida a vizinha a entrar para a sua habitação sem mais delongas. Tudo
indicava que elas ali ficariam em segurança. E o Malaquias (sem que se soubesse
muito bem como), continuava a dormir na paz dos anjos. Sem demoras, Ivete fez
despir a vizinha das roupas encharcadas, ajudou-a a enxugar-se muito bem com
uma toalha que cheirava a alfazema. A Rita a tudo agradecia e ia esfregando vigorosamente o corpo, conseguindo estabelecer uma temperatura confortável. E
depois disso, Ivete foi buscar uma outra sua camisa de dormir, para que a vizinha
vestisse e ali pudesse dormir e acalmar os nervos.
Depois de tudo isto acontecer, a chuva acalmou. E as
duas foram dormir. A Ivete foi para a cama onde o seu Malaquias estava a dormir. E
a vizinha ficou a dormir na sala, em cima de uma enxerga, embrulhada em dois ou
três cobertores.
Só que passadas algumas horas, Ivete acorda com enorme vontade
de verter águas. Mas… estende o braço e descobre que estava sozinha na cama.
Naturalmente que o marido sentira também necessidade de esvaziar a bexiga. Nada
que não tivesse acontecido anteriormente, dezenas de vezes. Só que quando Ivete
passa pala sala, vê que a vizinha dormia a bom dormir e não estava sozinha. Ao seu
lado, Ivete conseguiu vislumbrar a cabecinha arguta e ainda bela do seu marido.
E muito abraçadinhos, eles ali permaneciam.
Mas vamos lá ver uma coisa: tal sucedido era compreensível.
E que a coitada da vizinha deveria de continuar a estar com muito frio. E nada
como o contacto físico e directo, com um exercitado e mui bondoso corpo humano.
Além do mais, não se poderia atribuir qualquer culpa ao Malaquias. Estava-se
bem a ver que ele se havia… confundido. É que na deambulação nocturna, ele havia
tacteado a camisa de dormir de Ivete. E havia-lhe reconhecido a natureza do
têxtil assim como as rendas em perfusão. E também não lhe fora indiferente… o
delicadeza do bordado. É claro que depois, e naturalmente… ele deitou-se. É que
não tinha mesmo razão nenhuma para desconfiar que aquela mulher que ali estava,
não era efectivamente a sua compagnon de
route.
Sugestão de leitura para esta semana: “Dona Flor e os Seus Dois Maridos” de Jorge Amado. Se bem que aqui a relação
é inversa à que foi concebida pelo magnífico escritor. Escritor que se fosse
vivo, completaria este ano o seu centenário.
DIVIRTAMSEMAZÉ!
E acredite-se: o mundo ainda não está totalmente louco. Parabéns Barack Obama!
E lá continuámos nós com as “Amaricãnas”! Nós sempre a
rir. As senhoras sempre a fazer má cara. A dada altura nós achamos, que ambas deviam
de padecer (e muito), do mal da figadeira. Sempre a solicitarem à guia que
falasse em Inglês, somente em Inglês. Credo! Mas que terroristas!
Eu, mais as três amigas que ali me acompanharam,
levamos o passeio e todo o ambiente gerado… nas calmas. Mas lá para o fim já se
começava a sentir um certo desconforto. E fomos à Povoação, à Ribeira Grande, à
Lagoa das Sete Cidades… Fomos também comer o emblemático mas muito generoso
cozido! E depois da comezaina, nós rumámos imediatamente ao Parque Terra Nostra.
Naturalmente que serviria… p’ra “desmoer”. Só que essa caminhada foi mesmo muito
desconfortável, creiam! E tudo por causa da ingestão de todo aquele cozido! Foi
pelos trilhos entrecruzados da Natureza, que eu pensei que me tivesse
personalizado num enorme balão. Daqueles balões gigantes, que atingem a sua
capacidade máxima. Por minutos eu tive a expectativa de poder sair dali a voar
e de encontrar novas formas de planar por cima de vacas e verdes colinas. E depois
dessa emoção toda, quase que ia caindo num enorme tanque de água amarela.
Do projecto inicial, veio também a necessidade de se ir
às Furnas e de cheirar todo aquele enxofre. E foi efectivamente uma delícia
para o meu sentido do olfacto! Teve a capacidade de abrir tudo o que é… via
respiratória. Só que depois da experiência, eu nunca mais fiquei a cheirar da
mesma maneira. Fiquei impossibilitada para todo o sempre, de cheirar grandes
quantidades de dinheiro. Eu que até já estive em outros locais com bastante actividade
vulcânica, nas mais variadas zonas do mundo. Recordo por exemplo o Japão e a
Costa Rica. Contudo nunca cheirei de forma tão intensa, todo aquele enxofre. Se
calhar, e se o mesmo se empacotasse devidamente, até se poderia exportar para ser
vendido nas Smartshops. E quem sabe
se o efeito que daí resultasse, não fosse muito edificante para a Natureza
Humana. Conseguir provar-se por exemplo, que através do seu consumo continuado,
a pessoa começava a ver tudo aos paralelepípedos e a ficar com uma enorme
vontade de rir. Lá eu pensei por algum tempo, naquelas pessoas que por
ali moram. Vi mesmo algumas, ao pé das suas habitações. E foi com surpresa que
verifiquei que as mesmas… ainda têm nariz. E até estavam sorridentes e
bem-dispostas! Mas como é possível? Com aquele cheiro, todo o santo dia? E
depois, também há lá uma bica, que deita uma água meio quente e que sabe também
muito… a enxofre. Mas que coisa tão sensaborona! Contudo dizem que o seu
consumo faz muito bem à saúde. Eu, por mim dispenso perfeitamente tal mezinha.
Mas se calhar, até aquela água também poderia ser engarrafada e vendida nas Smartshops. É que estamos em crise
profunda, meus amigos! Há que pensar em criar novas, revigorantes e
inquestionáveis formas de subsistência. Num outro dia, fomos comer a uma casa de traçado
aristocrático. E que bem que ali também se comeu, Santo Deus! A senhora (que
era a dona da casa), já estava habituada a receber tão diferenciadas visitas. E
deu-nos a provar deliciosas iguarias, feitas por ela e por outra sua
colaboradora. Mas eu fiquei espantada, foi ao ver tanta beleza e riqueza
presente na decoração daquele lar. E não disfarcei minimamente toda essa minha
admiração. Ora a senhora, ao ver-me tão abismada com a decoração da sua casa,
levou-me ao seu quarto. Não, amigos! Não se tratava de nenhuma senhora
lesbiana. E para que conste, eu também não sou. O que a senhora me quis mostrar
para além de um colcha de croché, uns chinelos de quarto e um penico de loiça (firmemente
preso com uma corrente de metal, a uma perna da cama), era a vista que ela
tinha todos os dias, mal abria a janela. E à nossa frente estendia-se, um
imenso mar de água profundamente azul e na sua mais absoluta tranquilidade. E
que belas e proveitosas leituras não se fariam ali, tendo como cenário tal
maravilha? Só que depois de apreciar aquela beleza toda, eu
fiquei a pensar: mas porque raio, é que o penico estava aprisionado? Teria a
senhora algum receio, de que lhe furtassem tal preciosidade? É que o acessório
estava mais ou menos como as bicicletas, quando ficam arrumadas junto às
estações de comboios. Só não reparei é se tinha cadeado. Ou por outro lado, será que ela temia, que quando
ocorressem os terramotos, o penico pudesse voar, janela fora e ir afundar-se
para todo o sempre, naquele imenso mar? Eu confesso, destemida como sou, ali fui
uma cobardolas. É que fiquei sem qualquer coragem para lhe perguntar. Mas antes de termos ido para a casa da aristocracia,
vivemos uma linda aventura. Nós, como éramos poucos passeávamos numa Toyota Hiace,
disponibilizada para pequenos grupos de turistas. Era a nossa simpática guia,
quem conduzia o carro nipónico. E ela conduzia bem, há que reconhecer. Não
tivemos assim nenhum susto digno de nota. Contudo enquanto ela estacionava ao
pé da casa dos deliciosos petiscos, nós saímos para ver as vistas, mas ficámos
logo ali ao pé. E depois a guia foi ter connosco. Só que de repente ao olhamos
para a Toyota, verificámos que a mesma se estava a deslocar graciosamente. E dentro dela… já não
estava ninguém. Ora usando dos nossos melhores reflexos de “gaijas” trintonas,
nós corremos em direcção à viatura e conseguimos assim, impedir-lhe a descida
com sucesso. Verificou-se que a guia, coitada, havia-se
esquecido de accionar o travão de mão. E havia estacionado num ligeiro declive. Mas
para além de excelentes reflexos, nós tivemos foi muita sorte. É que se assim
não fosse, quando eu estivesse a ver as vistas da casa senhorial (no quarto da
gentil senhora), veria não só um mar profundamente azul, como ainda uma carrinha
impoluta a submergir velozmente nas profundezas do Oceano. E retirei dali… uma
bela história para contar. Num outro dia e como nos ficava a faltar, ver algumas
das lagoas açorianas, nós decidimos alugar um táxi durante um dia inteiro. O
taxista que nos coube em sorte ainda era jovem. Não deveria de ter muito mais
de trinta anos. Aí, eu ia somente com as minhas três amigas. Só que nenhuma das
maganas demonstrou qualquer interesse em ocupar o lugar da frente. De ir ali ao
lado de tão simpático senhor. Só que alguém tinha que o fazer, não é verdade?
Não podíamos ir todas as quatro, sentadas no banco de trás. E quem é que então,
ocupou o lugar da frente, perguntam vocês, amáveis leitores? Pois foi justamente…
esta vossa modesta cronista de ocasião e de feitio. E lá fomos então os cinco,
todos contentes. Como podem imaginar, ali a conversa foi uma constante.
E quase que nos tornamos amigos íntimos. O moço falou-nos que jamais havia
saído da Ilha. Nem sequer havia visitado a Ilha de Santa Maria que é a mais próxima
e bastante visível em alguns dias. Ali nascera, estudara, tirara a sua carta de
condução, casara e tivera os seus filhos. Residia na povoação de Rabo de Peixe.
E ele também nos informou, que em Rabo de Peixe vive gente boa. Não é só gente
pouco recomendável. Foram as palavras que o homem proferiu. Eu juro! Mas eu
tenho a assinalar que, apesar de não termos ido a Rabo de Peixe (pois tal
visita não fazia parte do aprofundado e muito estudado programa de festas),
penso que deve de ser uma terra igual a todas as outras no que concerne à sua
população. Existirão pessoas de muito boa índole, naturalmente. E pessoas
perversas que deveriam de levar (e de vezes a tempos), uns “tautaus no tutu”.
Ora nesse aspecto, e mesmo em outros, será uma povoação em nada diferenciada de
outras tantas terras lusitanas. E o passeio lá prosseguia na paz do Senhor. E uma
lagoa era sempre mais bela que a precedente. E que flores lindas nós vimos! E aquele
verde tão generoso e a perder de vista! Só que o taxista tinha um gosto muito especial.
Gostava muito da música do Tony Carreira. E ao que parecia, ele só deveria de
ter aquele CD. E então o que é que se passou, perguntam bem? Pois nós ouvimos
todas aquelas músicas tonyanas, onde
abundam sentimentos, palavras amiguinhas, caricias auditivas… mas também
algumas dores de corno, pelo menos umas oito vezes. Sem exagero. Eu por mim, quase que
decorei algumas das estrofes. Estrofes de músicas que eu nunca havia escutado com muita atenção.
O senhor de vez em quando, também cantava as melodias, mas num tom baixinho. E aqui,
eu quase que posso jurar, que por um momento ouvi a minha amiga M. a trautear também
(e com o senhor), as seguintes pérolas linguísticas: “Depois de ti, mais nada.
Nem Sol, nem madrugada. Sem ti, não há amor. A vida não tem cor”.
Adivinhando-se assim, que quer um quer outro, estariam a viver um período não muito
satisfatório das suas respectivas vidas amorosas. Estavam mesmo muito pouco satisfeitos,
com aquilo que a vida lhes estava a proporcionar. Mais parecia a manifestação pura,
das suas "desgraceiras" afectivas. Mas por momentos, eu questionei-me: Será que a
cantoria daqueles dois, não era um qualquer código secreto que os estivesse a
aproximar? E também a informar-nos, sobre um sentimento bonito, que começava a
germinar e a envolver… aqueles dois corações “viajadeiros” de ocasião? É que tal
ocorrência, não convinha mesmo nada que acontecesse. Haveria muito mais gente
implicada e a sofrer com o processo. Uma vez que a música se repetia, eu também senti um certo
impulso para começar ali a cantar. E quase que estive para trautear: “Eras tu,
a metade de mim, eras tu”. Mas ainda bem que não o fiz. É que naquela altura,
mais ninguém estava a cantar. Seria só eu, pelo que a vergonha seria muito maior.
Além do mais, tais palavras poderiam incomodar o condutor. Está bem que ele já
me tinha dito… que era casado. Mas ele poderia entender que eu estava p’ra ali,
a “estender o meu anzol”. Teria que dizer (e para salvaguardar-me um pouco, de
qualquer má interpretação que surgisse), que a poética presente na melodiosa canção,
executada por tão célebre e adorado cantor (mesmo nos Açores), está colocada no
pretérito. Pelo que se eu cantasse, eu deveria de estar a recordar alguém do
meu passado. E não seria ali, devido a um conhecimento tão recente, que eu poderia
ficar com tanta mossa, ressentimento e também muita... saudade. Mas nunca fiando. O
homem poderia ficar confundido. Depois poderia revoltar-se. Podia parar o carro
e expulsar-me da viatura, alegando estar a ser vitima de um abusado assédio
sexual. E depois as dengosas das minhas amigas (as tais que ocupavam o banco de
trás), ficariam com uma linda história para contar. Poderia dar-se o caso de ainda
hoje, eu andar por lá a rumar, junto com os Peregrinos do Divino Espirito Santo.
Não me interpretem mal, mas eu considero, que foi uma sorte… não ter começado
p’rá ali a cantar! Mas foi já no fim da viagem, que o magano do taxista me
perguntou a idade. Ele não quis saber de todo, se tal inquirição (pouco segura
e recomendável), ofenderia uma dama tão visivelmente… balzaquiana. Mas de muito
bons sentimentos, é bom que se diga. Mas eu confesso, não costumo fugir à
questão. E ali, também não o fiz. E respondi-lhe a mais absoluta verdade:
“Tenho trinta e sete anos”. E mais, comuniquei-lhe que acabara de perfazer tal
idade, naquela sua Ilha. O taxista então respondeu-me: “Mas olhe, ainda está
muito bem!” Uff, menos mal! Pensei. Só que depois, e ao olhar para mim com mais
atenção, o tirano corrigiu: “Bem… está mais ou menos”. Maldita sinceridade que surge nos momentos mais
inadequados. Mas porque é que as pessoas falam a verdade? Porque é que não
imitam os políticos, nas alturas imediatamente anteriores à realização de actos
eleitorais? Terão as pessoas medo que o nariz lhes cresça? Até poderá muito bem
acontecer, que lhes cresçam… outras coisas. Coisas que geralmente até fazem
muita falta. Há que arriscar, caramba! Mas a resposta a todas estas questões, ficará para
umas outras núpcias. Sugestão de leitura para esta semana: “Primaveras Românticas” de Antero de Quental. DIVIRTAMSEMAZÉ!
Uma nota muito importante: Em relação às pequenas da imagem acima postada, coitadinhas!
Ficaram assim, com aquele aspecto (visivelmente muito mais envelhecidas e
estranhamente muito parecidas umas com as outras), desde a altura em que,
descobriram que o seu IRS passaria para o 3º escalão. Tal como os trabalhadores que ainda pertencem à
classe média, que como muito bem sabemos está em vias de extinção. Perspectiva-se que os poucos
membros que restarem da classe média portuguesa, sejam colocados e mantidos numa reserva
ecológica, que vai ser criada para esse efeito. Mas estas moças, não irão para lá,
definitivamente. Elas são muito pobrezinhas! Andam sempre com muito pouca
roupinha! E devido a toda a miséria que se avizinha, o mais natural será
mesmo desaparecerem, mais duas ou três.