Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

As minhas amigas osgas.



Gosto de animais e as osgas (que também fazem parte dessa categoria), também são motivo da minha admiração. Mas e inexplicavelmente, rara é a pessoa que gosta de osgas. Regra geral, e quando alguém avista uma dessas lindas bichinhas, a primeira reacção que tem é quer matá-las. Mas que mal é que as osgas fazem, senhores? Diz o senso comum, (que é muito pouco credível, pelo menos neste tema), que uma osga cozida pode matar uma multidão de gente insultante e interventiva. Era mesmo a minha avó que me contava, que certa vez, uma infeliz avó de um militar, ofereceu ao seu neto, um chazinho. E à oferta, o moço da farda garrida, não se fez rogado. Ora no referido chá havia sido previamente cozida (e sem que a velhota desse conta), uma "real" osga. Rezava então a tradição que o moço nunca mais marchou nem fez continência. E foi permanecer para todo o sempre, no chão sagrado do cemitério local. Ao ouvir aquilo e repetidamente, eu ainda me dava ao trabalho de perguntar, se a minha vovó, havia conhecido aquela gente? Se havia mesmo... ido ao funeral? “Pois que não” respondia-me por sua vez, a minha avozinha, que depois, logo concluía: “Mas nunca fiando”. E lá se punha ela (e mais uma vez), de vassoura em riste. É muitas vezes, à conta da divulgação de teorias nada fundamentadas, que se vão sacrificando… inocentes criaturas.
Ora eu nunca vi tal teoria escrita em lado nenhum. Bem, se calhar a minha pesquisa não foi lá muito apurada. Contudo não me parece razoável, andar-se p'rá aí, a fazer chá de tudo e mais alguma coisa. E a osga? Terá necessariamente a sua utilidade. E não me parece que seja para servir de aromatizante a uma qualquer bebida.
Sou pois, uma fiel amiga das osgas. Mas também não me fazem lá muita impressão, as baratas e os ratos. Não necessariamente na minha casa, está claro. Mas muito eu aprecio observar uma qualquer ratazana a fazer o seu caminho pedonal, na via que serve para esse efeito e que liga a minha terra à povoação vizinha. E as pessoas quando as vêm, como reagem? Pois dão com cada salto! Mas os exercícios também têm muito a beneficiar, se se saltar convictamente. Só não gosto mesmo nada, é de melgas e de moscas. Isso não. Às moscas eu (e com muita paciência) ainda abro as janelas e expulso-as de casa. Mas às melgas não. Perdoe-me lá, mas se eu encontrar alguma a ferroar-me… eu mato-a. E sem qualquer problema de consciência. Eu acho mesmo que as melgas são um produto da criação do próprio Demo.
Mas com as osgas não. Não é nada disso. Gera-se mesmo entre nós um certo carinho. Tenho famílias delas a viver pacificamente no meu jardim de brincos-de-princesa. E como elas são felizes lá. Todos os meus vizinhos estão proibidos de as matar. E quando eu saio à noite e ao regressar a casa, lá estão elas à minha espera, com as suas patitas firmemente fixadas no vidro da porta. E as bichas estão assim à minha conta. Coitadinhas!
Também existe uma família de osgas a viver no meu gabinete profissional. E como eu gosto de as ver, com as patinhas na parede, a olharem-me nos olhos, enquanto eu me distraio um pouco da classificação e catalogação de livros e de analíticos! E mais, nenhum dos meus colaboradores têm permissão de matar "umazinha" que seja. Elas que ali vivem, e que pacientemente se vão alimentando das pragas que fariam perder, toda a minha colecção de plantas. E acabam mesmo é a comer as melgas e as moscas.
Se olharem bem para uma osga, não poderão deixar de reparar no seu olhar. Que é um olhar inteligente, intrigante e reflexivo. E por favor, não me venham dizer que isso é mentira, pois eu duvido que algum de vós tenha alguma vez reparado em tão carinhoso olhar. Para um belíssimo olhar de uma doce osga. Eu sei do que estou a falar, pois conheço muitas. Conheço também as suas filhas e as suas netas. E nenhuma, mas nenhuma mesmo, jamais teve a deselegância de se atirar a mim. Podendo, as mesmas até fogem de nós. Mas, e as mesmas ao avaliarem que eu não lhes faço mal nenhum, até se tornam muito minhas amigas.
A prova cabal desta minha irrefutável conclusão passou-se num certo dia de Domingo de Agosto deste mesmo ano. No instável porém presente mês de Agosto. Estava eu calmamente a degustar o meu pequeno-almoço. Sentados em outras duas cadeiras estava Júlio César e Marco António, que são a minha dupla de gatos endiabrados. E na parede mais próxima, permanecia pacata mas muito feliz, uma gorda osgazinha. Ninguém lhe fez mal, ela também não fez mal a ninguém. E de que serviria matar-se tão útil bichana?
Sugestão de leitura para esta semana: “Um lugar ao Sol” de Érico Veríssimo.


E protejam sempre a Natureza. É ela que nos sustenta e que nos vai dando ainda… alguma garantia. Mas parece que ela agora anda revoltada, não é? É que infelizmente, nós já lhe demos muitas razões para isso.
DIVIRTAMSEMAZÉ!


Sem comentários: