E lá continuámos nós com as “Amaricãnas”! Nós sempre a
rir. As senhoras sempre a fazer má cara. A dada altura nós achamos, que ambas deviam
de padecer (e muito), do mal da figadeira. Sempre a solicitarem à guia que
falasse em Inglês, somente em Inglês. Credo! Mas que terroristas!
Eu, mais as três amigas que ali me acompanharam,
levamos o passeio e todo o ambiente gerado… nas calmas. Mas lá para o fim já se
começava a sentir um certo desconforto. E fomos à Povoação, à Ribeira Grande, à
Lagoa das Sete Cidades… Fomos também comer o emblemático mas muito generoso
cozido! E depois da comezaina, nós rumámos imediatamente ao Parque Terra Nostra.
Naturalmente que serviria… p’ra “desmoer”. Só que essa caminhada foi mesmo muito
desconfortável, creiam! E tudo por causa da ingestão de todo aquele cozido! Foi
pelos trilhos entrecruzados da Natureza, que eu pensei que me tivesse
personalizado num enorme balão. Daqueles balões gigantes, que atingem a sua
capacidade máxima. Por minutos eu tive a expectativa de poder sair dali a voar
e de encontrar novas formas de planar por cima de vacas e verdes colinas. E depois
dessa emoção toda, quase que ia caindo num enorme tanque de água amarela.
Do projecto inicial, veio também a necessidade de se ir
às Furnas e de cheirar todo aquele enxofre. E foi efectivamente uma delícia
para o meu sentido do olfacto! Teve a capacidade de abrir tudo o que é… via
respiratória. Só que depois da experiência, eu nunca mais fiquei a cheirar da
mesma maneira. Fiquei impossibilitada para todo o sempre, de cheirar grandes
quantidades de dinheiro. Eu que até já estive em outros locais com bastante actividade
vulcânica, nas mais variadas zonas do mundo. Recordo por exemplo o Japão e a
Costa Rica. Contudo nunca cheirei de forma tão intensa, todo aquele enxofre. Se
calhar, e se o mesmo se empacotasse devidamente, até se poderia exportar para ser
vendido nas Smartshops. E quem sabe
se o efeito que daí resultasse, não fosse muito edificante para a Natureza
Humana. Conseguir provar-se por exemplo, que através do seu consumo continuado,
a pessoa começava a ver tudo aos paralelepípedos e a ficar com uma enorme
vontade de rir.
Lá eu pensei por algum tempo, naquelas pessoas que por ali moram. Vi mesmo algumas, ao pé das suas habitações. E foi com surpresa que verifiquei que as mesmas… ainda têm nariz. E até estavam sorridentes e bem-dispostas! Mas como é possível? Com aquele cheiro, todo o santo dia? E depois, também há lá uma bica, que deita uma água meio quente e que sabe também muito… a enxofre. Mas que coisa tão sensaborona! Contudo dizem que o seu consumo faz muito bem à saúde. Eu, por mim dispenso perfeitamente tal mezinha. Mas se calhar, até aquela água também poderia ser engarrafada e vendida nas Smartshops. É que estamos em crise profunda, meus amigos! Há que pensar em criar novas, revigorantes e inquestionáveis formas de subsistência.
Num outro dia, fomos comer a uma casa de traçado aristocrático. E que bem que ali também se comeu, Santo Deus! A senhora (que era a dona da casa), já estava habituada a receber tão diferenciadas visitas. E deu-nos a provar deliciosas iguarias, feitas por ela e por outra sua colaboradora. Mas eu fiquei espantada, foi ao ver tanta beleza e riqueza presente na decoração daquele lar. E não disfarcei minimamente toda essa minha admiração. Ora a senhora, ao ver-me tão abismada com a decoração da sua casa, levou-me ao seu quarto. Não, amigos! Não se tratava de nenhuma senhora lesbiana. E para que conste, eu também não sou. O que a senhora me quis mostrar para além de um colcha de croché, uns chinelos de quarto e um penico de loiça (firmemente preso com uma corrente de metal, a uma perna da cama), era a vista que ela tinha todos os dias, mal abria a janela. E à nossa frente estendia-se, um imenso mar de água profundamente azul e na sua mais absoluta tranquilidade. E que belas e proveitosas leituras não se fariam ali, tendo como cenário tal maravilha?
Só que depois de apreciar aquela beleza toda, eu fiquei a pensar: mas porque raio, é que o penico estava aprisionado? Teria a senhora algum receio, de que lhe furtassem tal preciosidade? É que o acessório estava mais ou menos como as bicicletas, quando ficam arrumadas junto às estações de comboios. Só não reparei é se tinha cadeado.
Ou por outro lado, será que ela temia, que quando ocorressem os terramotos, o penico pudesse voar, janela fora e ir afundar-se para todo o sempre, naquele imenso mar? Eu confesso, destemida como sou, ali fui uma cobardolas. É que fiquei sem qualquer coragem para lhe perguntar.
Mas antes de termos ido para a casa da aristocracia, vivemos uma linda aventura. Nós, como éramos poucos passeávamos numa Toyota Hiace, disponibilizada para pequenos grupos de turistas. Era a nossa simpática guia, quem conduzia o carro nipónico. E ela conduzia bem, há que reconhecer. Não tivemos assim nenhum susto digno de nota. Contudo enquanto ela estacionava ao pé da casa dos deliciosos petiscos, nós saímos para ver as vistas, mas ficámos logo ali ao pé. E depois a guia foi ter connosco. Só que de repente ao olhamos para a Toyota, verificámos que a mesma se estava a deslocar graciosamente. E dentro dela… já não estava ninguém. Ora usando dos nossos melhores reflexos de “gaijas” trintonas, nós corremos em direcção à viatura e conseguimos assim, impedir-lhe a descida com sucesso.
Verificou-se que a guia, coitada, havia-se esquecido de accionar o travão de mão. E havia estacionado num ligeiro declive. Mas para além de excelentes reflexos, nós tivemos foi muita sorte. É que se assim não fosse, quando eu estivesse a ver as vistas da casa senhorial (no quarto da gentil senhora), veria não só um mar profundamente azul, como ainda uma carrinha impoluta a submergir velozmente nas profundezas do Oceano. E retirei dali… uma bela história para contar.
Num outro dia e como nos ficava a faltar, ver algumas das lagoas açorianas, nós decidimos alugar um táxi durante um dia inteiro. O taxista que nos coube em sorte ainda era jovem. Não deveria de ter muito mais de trinta anos. Aí, eu ia somente com as minhas três amigas. Só que nenhuma das maganas demonstrou qualquer interesse em ocupar o lugar da frente. De ir ali ao lado de tão simpático senhor. Só que alguém tinha que o fazer, não é verdade? Não podíamos ir todas as quatro, sentadas no banco de trás. E quem é que então, ocupou o lugar da frente, perguntam vocês, amáveis leitores? Pois foi justamente… esta vossa modesta cronista de ocasião e de feitio. E lá fomos então os cinco, todos contentes.
Como podem imaginar, ali a conversa foi uma constante. E quase que nos tornamos amigos íntimos. O moço falou-nos que jamais havia saído da Ilha. Nem sequer havia visitado a Ilha de Santa Maria que é a mais próxima e bastante visível em alguns dias. Ali nascera, estudara, tirara a sua carta de condução, casara e tivera os seus filhos. Residia na povoação de Rabo de Peixe. E ele também nos informou, que em Rabo de Peixe vive gente boa. Não é só gente pouco recomendável. Foram as palavras que o homem proferiu. Eu juro! Mas eu tenho a assinalar que, apesar de não termos ido a Rabo de Peixe (pois tal visita não fazia parte do aprofundado e muito estudado programa de festas), penso que deve de ser uma terra igual a todas as outras no que concerne à sua população. Existirão pessoas de muito boa índole, naturalmente. E pessoas perversas que deveriam de levar (e de vezes a tempos), uns “tautaus no tutu”. Ora nesse aspecto, e mesmo em outros, será uma povoação em nada diferenciada de outras tantas terras lusitanas.
E o passeio lá prosseguia na paz do Senhor. E uma lagoa era sempre mais bela que a precedente. E que flores lindas nós vimos! E aquele verde tão generoso e a perder de vista!
Só que o taxista tinha um gosto muito especial. Gostava muito da música do Tony Carreira. E ao que parecia, ele só deveria de ter aquele CD. E então o que é que se passou, perguntam bem? Pois nós ouvimos todas aquelas músicas tonyanas, onde abundam sentimentos, palavras amiguinhas, caricias auditivas… mas também algumas dores de corno, pelo menos umas oito vezes. Sem exagero. Eu por mim, quase que decorei algumas das estrofes. Estrofes de músicas que eu nunca havia escutado com muita atenção. O senhor de vez em quando, também cantava as melodias, mas num tom baixinho. E aqui, eu quase que posso jurar, que por um momento ouvi a minha amiga M. a trautear também (e com o senhor), as seguintes pérolas linguísticas: “Depois de ti, mais nada. Nem Sol, nem madrugada. Sem ti, não há amor. A vida não tem cor”. Adivinhando-se assim, que quer um quer outro, estariam a viver um período não muito satisfatório das suas respectivas vidas amorosas. Estavam mesmo muito pouco satisfeitos, com aquilo que a vida lhes estava a proporcionar. Mais parecia a manifestação pura, das suas "desgraceiras" afectivas. Mas por momentos, eu questionei-me: Será que a cantoria daqueles dois, não era um qualquer código secreto que os estivesse a aproximar? E também a informar-nos, sobre um sentimento bonito, que começava a germinar e a envolver… aqueles dois corações “viajadeiros” de ocasião? É que tal ocorrência, não convinha mesmo nada que acontecesse. Haveria muito mais gente implicada e a sofrer com o processo.
Uma vez que a música se repetia, eu também senti um certo impulso para começar ali a cantar. E quase que estive para trautear: “Eras tu, a metade de mim, eras tu”. Mas ainda bem que não o fiz. É que naquela altura, mais ninguém estava a cantar. Seria só eu, pelo que a vergonha seria muito maior. Além do mais, tais palavras poderiam incomodar o condutor. Está bem que ele já me tinha dito… que era casado. Mas ele poderia entender que eu estava p’ra ali, a “estender o meu anzol”. Teria que dizer (e para salvaguardar-me um pouco, de qualquer má interpretação que surgisse), que a poética presente na melodiosa canção, executada por tão célebre e adorado cantor (mesmo nos Açores), está colocada no pretérito. Pelo que se eu cantasse, eu deveria de estar a recordar alguém do meu passado. E não seria ali, devido a um conhecimento tão recente, que eu poderia ficar com tanta mossa, ressentimento e também muita... saudade. Mas nunca fiando. O homem poderia ficar confundido. Depois poderia revoltar-se. Podia parar o carro e expulsar-me da viatura, alegando estar a ser vitima de um abusado assédio sexual. E depois as dengosas das minhas amigas (as tais que ocupavam o banco de trás), ficariam com uma linda história para contar. Poderia dar-se o caso de ainda hoje, eu andar por lá a rumar, junto com os Peregrinos do Divino Espirito Santo. Não me interpretem mal, mas eu considero, que foi uma sorte… não ter começado p’rá ali a cantar!
Mas foi já no fim da viagem, que o magano do taxista me perguntou a idade. Ele não quis saber de todo, se tal inquirição (pouco segura e recomendável), ofenderia uma dama tão visivelmente… balzaquiana. Mas de muito bons sentimentos, é bom que se diga. Mas eu confesso, não costumo fugir à questão. E ali, também não o fiz. E respondi-lhe a mais absoluta verdade: “Tenho trinta e sete anos”. E mais, comuniquei-lhe que acabara de perfazer tal idade, naquela sua Ilha. O taxista então respondeu-me: “Mas olhe, ainda está muito bem!” Uff, menos mal! Pensei. Só que depois, e ao olhar para mim com mais atenção, o tirano corrigiu: “Bem… está mais ou menos”.
Maldita sinceridade que surge nos momentos mais inadequados. Mas porque é que as pessoas falam a verdade? Porque é que não imitam os políticos, nas alturas imediatamente anteriores à realização de actos eleitorais? Terão as pessoas medo que o nariz lhes cresça? Até poderá muito bem acontecer, que lhes cresçam… outras coisas. Coisas que geralmente até fazem muita falta. Há que arriscar, caramba!
Mas a resposta a todas estas questões, ficará para umas outras núpcias.
Sugestão de leitura para esta semana: “Primaveras Românticas” de Antero de Quental.
DIVIRTAMSEMAZÉ!
Lá eu pensei por algum tempo, naquelas pessoas que por ali moram. Vi mesmo algumas, ao pé das suas habitações. E foi com surpresa que verifiquei que as mesmas… ainda têm nariz. E até estavam sorridentes e bem-dispostas! Mas como é possível? Com aquele cheiro, todo o santo dia? E depois, também há lá uma bica, que deita uma água meio quente e que sabe também muito… a enxofre. Mas que coisa tão sensaborona! Contudo dizem que o seu consumo faz muito bem à saúde. Eu, por mim dispenso perfeitamente tal mezinha. Mas se calhar, até aquela água também poderia ser engarrafada e vendida nas Smartshops. É que estamos em crise profunda, meus amigos! Há que pensar em criar novas, revigorantes e inquestionáveis formas de subsistência.
Num outro dia, fomos comer a uma casa de traçado aristocrático. E que bem que ali também se comeu, Santo Deus! A senhora (que era a dona da casa), já estava habituada a receber tão diferenciadas visitas. E deu-nos a provar deliciosas iguarias, feitas por ela e por outra sua colaboradora. Mas eu fiquei espantada, foi ao ver tanta beleza e riqueza presente na decoração daquele lar. E não disfarcei minimamente toda essa minha admiração. Ora a senhora, ao ver-me tão abismada com a decoração da sua casa, levou-me ao seu quarto. Não, amigos! Não se tratava de nenhuma senhora lesbiana. E para que conste, eu também não sou. O que a senhora me quis mostrar para além de um colcha de croché, uns chinelos de quarto e um penico de loiça (firmemente preso com uma corrente de metal, a uma perna da cama), era a vista que ela tinha todos os dias, mal abria a janela. E à nossa frente estendia-se, um imenso mar de água profundamente azul e na sua mais absoluta tranquilidade. E que belas e proveitosas leituras não se fariam ali, tendo como cenário tal maravilha?
Só que depois de apreciar aquela beleza toda, eu fiquei a pensar: mas porque raio, é que o penico estava aprisionado? Teria a senhora algum receio, de que lhe furtassem tal preciosidade? É que o acessório estava mais ou menos como as bicicletas, quando ficam arrumadas junto às estações de comboios. Só não reparei é se tinha cadeado.
Ou por outro lado, será que ela temia, que quando ocorressem os terramotos, o penico pudesse voar, janela fora e ir afundar-se para todo o sempre, naquele imenso mar? Eu confesso, destemida como sou, ali fui uma cobardolas. É que fiquei sem qualquer coragem para lhe perguntar.
Mas antes de termos ido para a casa da aristocracia, vivemos uma linda aventura. Nós, como éramos poucos passeávamos numa Toyota Hiace, disponibilizada para pequenos grupos de turistas. Era a nossa simpática guia, quem conduzia o carro nipónico. E ela conduzia bem, há que reconhecer. Não tivemos assim nenhum susto digno de nota. Contudo enquanto ela estacionava ao pé da casa dos deliciosos petiscos, nós saímos para ver as vistas, mas ficámos logo ali ao pé. E depois a guia foi ter connosco. Só que de repente ao olhamos para a Toyota, verificámos que a mesma se estava a deslocar graciosamente. E dentro dela… já não estava ninguém. Ora usando dos nossos melhores reflexos de “gaijas” trintonas, nós corremos em direcção à viatura e conseguimos assim, impedir-lhe a descida com sucesso.
Verificou-se que a guia, coitada, havia-se esquecido de accionar o travão de mão. E havia estacionado num ligeiro declive. Mas para além de excelentes reflexos, nós tivemos foi muita sorte. É que se assim não fosse, quando eu estivesse a ver as vistas da casa senhorial (no quarto da gentil senhora), veria não só um mar profundamente azul, como ainda uma carrinha impoluta a submergir velozmente nas profundezas do Oceano. E retirei dali… uma bela história para contar.
Num outro dia e como nos ficava a faltar, ver algumas das lagoas açorianas, nós decidimos alugar um táxi durante um dia inteiro. O taxista que nos coube em sorte ainda era jovem. Não deveria de ter muito mais de trinta anos. Aí, eu ia somente com as minhas três amigas. Só que nenhuma das maganas demonstrou qualquer interesse em ocupar o lugar da frente. De ir ali ao lado de tão simpático senhor. Só que alguém tinha que o fazer, não é verdade? Não podíamos ir todas as quatro, sentadas no banco de trás. E quem é que então, ocupou o lugar da frente, perguntam vocês, amáveis leitores? Pois foi justamente… esta vossa modesta cronista de ocasião e de feitio. E lá fomos então os cinco, todos contentes.
Como podem imaginar, ali a conversa foi uma constante. E quase que nos tornamos amigos íntimos. O moço falou-nos que jamais havia saído da Ilha. Nem sequer havia visitado a Ilha de Santa Maria que é a mais próxima e bastante visível em alguns dias. Ali nascera, estudara, tirara a sua carta de condução, casara e tivera os seus filhos. Residia na povoação de Rabo de Peixe. E ele também nos informou, que em Rabo de Peixe vive gente boa. Não é só gente pouco recomendável. Foram as palavras que o homem proferiu. Eu juro! Mas eu tenho a assinalar que, apesar de não termos ido a Rabo de Peixe (pois tal visita não fazia parte do aprofundado e muito estudado programa de festas), penso que deve de ser uma terra igual a todas as outras no que concerne à sua população. Existirão pessoas de muito boa índole, naturalmente. E pessoas perversas que deveriam de levar (e de vezes a tempos), uns “tautaus no tutu”. Ora nesse aspecto, e mesmo em outros, será uma povoação em nada diferenciada de outras tantas terras lusitanas.
E o passeio lá prosseguia na paz do Senhor. E uma lagoa era sempre mais bela que a precedente. E que flores lindas nós vimos! E aquele verde tão generoso e a perder de vista!
Só que o taxista tinha um gosto muito especial. Gostava muito da música do Tony Carreira. E ao que parecia, ele só deveria de ter aquele CD. E então o que é que se passou, perguntam bem? Pois nós ouvimos todas aquelas músicas tonyanas, onde abundam sentimentos, palavras amiguinhas, caricias auditivas… mas também algumas dores de corno, pelo menos umas oito vezes. Sem exagero. Eu por mim, quase que decorei algumas das estrofes. Estrofes de músicas que eu nunca havia escutado com muita atenção. O senhor de vez em quando, também cantava as melodias, mas num tom baixinho. E aqui, eu quase que posso jurar, que por um momento ouvi a minha amiga M. a trautear também (e com o senhor), as seguintes pérolas linguísticas: “Depois de ti, mais nada. Nem Sol, nem madrugada. Sem ti, não há amor. A vida não tem cor”. Adivinhando-se assim, que quer um quer outro, estariam a viver um período não muito satisfatório das suas respectivas vidas amorosas. Estavam mesmo muito pouco satisfeitos, com aquilo que a vida lhes estava a proporcionar. Mais parecia a manifestação pura, das suas "desgraceiras" afectivas. Mas por momentos, eu questionei-me: Será que a cantoria daqueles dois, não era um qualquer código secreto que os estivesse a aproximar? E também a informar-nos, sobre um sentimento bonito, que começava a germinar e a envolver… aqueles dois corações “viajadeiros” de ocasião? É que tal ocorrência, não convinha mesmo nada que acontecesse. Haveria muito mais gente implicada e a sofrer com o processo.
Uma vez que a música se repetia, eu também senti um certo impulso para começar ali a cantar. E quase que estive para trautear: “Eras tu, a metade de mim, eras tu”. Mas ainda bem que não o fiz. É que naquela altura, mais ninguém estava a cantar. Seria só eu, pelo que a vergonha seria muito maior. Além do mais, tais palavras poderiam incomodar o condutor. Está bem que ele já me tinha dito… que era casado. Mas ele poderia entender que eu estava p’ra ali, a “estender o meu anzol”. Teria que dizer (e para salvaguardar-me um pouco, de qualquer má interpretação que surgisse), que a poética presente na melodiosa canção, executada por tão célebre e adorado cantor (mesmo nos Açores), está colocada no pretérito. Pelo que se eu cantasse, eu deveria de estar a recordar alguém do meu passado. E não seria ali, devido a um conhecimento tão recente, que eu poderia ficar com tanta mossa, ressentimento e também muita... saudade. Mas nunca fiando. O homem poderia ficar confundido. Depois poderia revoltar-se. Podia parar o carro e expulsar-me da viatura, alegando estar a ser vitima de um abusado assédio sexual. E depois as dengosas das minhas amigas (as tais que ocupavam o banco de trás), ficariam com uma linda história para contar. Poderia dar-se o caso de ainda hoje, eu andar por lá a rumar, junto com os Peregrinos do Divino Espirito Santo. Não me interpretem mal, mas eu considero, que foi uma sorte… não ter começado p’rá ali a cantar!
Mas foi já no fim da viagem, que o magano do taxista me perguntou a idade. Ele não quis saber de todo, se tal inquirição (pouco segura e recomendável), ofenderia uma dama tão visivelmente… balzaquiana. Mas de muito bons sentimentos, é bom que se diga. Mas eu confesso, não costumo fugir à questão. E ali, também não o fiz. E respondi-lhe a mais absoluta verdade: “Tenho trinta e sete anos”. E mais, comuniquei-lhe que acabara de perfazer tal idade, naquela sua Ilha. O taxista então respondeu-me: “Mas olhe, ainda está muito bem!” Uff, menos mal! Pensei. Só que depois, e ao olhar para mim com mais atenção, o tirano corrigiu: “Bem… está mais ou menos”.
Maldita sinceridade que surge nos momentos mais inadequados. Mas porque é que as pessoas falam a verdade? Porque é que não imitam os políticos, nas alturas imediatamente anteriores à realização de actos eleitorais? Terão as pessoas medo que o nariz lhes cresça? Até poderá muito bem acontecer, que lhes cresçam… outras coisas. Coisas que geralmente até fazem muita falta. Há que arriscar, caramba!
Mas a resposta a todas estas questões, ficará para umas outras núpcias.
Sugestão de leitura para esta semana: “Primaveras Românticas” de Antero de Quental.
DIVIRTAMSEMAZÉ!
Uma nota muito importante: Em relação às pequenas da imagem acima postada, coitadinhas!
Ficaram assim, com aquele aspecto (visivelmente muito mais envelhecidas e
estranhamente muito parecidas umas com as outras), desde a altura em que,
descobriram que o seu IRS passaria para o 3º escalão. Tal como os trabalhadores que ainda pertencem à
classe média, que como muito bem sabemos está em vias de extinção. Perspectiva-se que os poucos
membros que restarem da classe média portuguesa, sejam colocados e mantidos numa reserva
ecológica, que vai ser criada para esse efeito. Mas estas moças, não irão para lá,
definitivamente. Elas são muito pobrezinhas! Andam sempre com muito pouca
roupinha! E devido a toda a miséria que se avizinha, o mais natural será
mesmo desaparecerem, mais duas ou três.
DIVIRTAMSEMAZÉ!!!
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