Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

sábado, 24 de setembro de 2011

A dança e o poder da sedução.


Quando eu era mais nova, ouvia contar, que uma idosa oriunda e moradora de um meio rural, afirmava a todos a sua concordância relativamente à frequência do baile. Dizia-o particularmente às raparigas mais novas. E dizia ela: "Vão lá vão, minhas filhas, pois não é no baile que se emprenha, mas e lá que se entranha!" Quem sou eu para duvidar sobre o que aquela velha senhora dizia, pois avaliando a sua numerosa prole... Ela certamente que também começou a "entranhar" no baile...
Mas o fenómeno do baile é algo muito actual e presente na sociedade...
Um dia destes, ia eu a passear em Lisboa na companhia de uma grande amiga. E numa rua bem central da capital, ouvimos música de baile num som muito alto... Virei-me para a A. e perguntei-lhe: "Mas o que é isto?" Ela encolheu os ombros. Mas como eu sou uma "piquena" muito curiosa, abeirei-me da entrada do edifício de onde provinha aquele som... À porta estava um simpático senhor, que ao ver-me tão interessada me deu autorização para lá entrar... Fiquei tão contente! Lá em cima decorria um frequentadíssimo baile, composto maioritariamente por gente sénior... Fiquei ali a observar... Havia cadeiras e eu sentei-me numa delas.
Aquilo é que era, gente muito bem vestida, perfumada, os cavalheiros de fato completo, bem penteados, ou então de careca bem luzidia. Era um encanto... E eu ali.
Ao meu lado estava uma senhora muito elegante, já com os seus setenta e tal anos. Essa senhora estava também ela, muito bem vestida e era bonita e muito alta. Eu confesso não sei dançar, mas fora autorizada a entrar pelo que ali fiquei... E observei toda a cena:
Aquela senhora negava a dança a quase todos aqueles que a abordavam com o intuito de dançar. Eu fiquei a pensar: "Porque é que será? Se eu para aqui viesse com vontade de dançar (e se soubesse), naturalmente desejava que me convidassem"... Aquela senhora era efectivamente a mais requisitada e... recusava-se a todos e olhem que até havia lá senhores bem garbosos, mas ela... continuava e fazia-se difícil. Pensei: "Deve de haver uma lógica nisto tudo, eu é que ainda não me dei conta da mesma.
Depois e passado algum tempo de tentativas, lá foi dançar com um elegante senhor, eu concluí: "Ah! Este deve de ser aquele que ela gosta mais, e quem sabe é ele o causador de tanta elegância e tanto cuidado na sua/dela "vestimenta de baile". E lá continuaram eles a rodopiar, naquela belíssima sala...
Acabada a dança, a senhora veio para o lugar que ocupava perto de mim e ante o meu olhar e o meu sorriso incrédulo, "a disfarçar" (se é possível!!!), "entabelou" conversa comigo... Eu "totó assumida", sempre lhe perguntei, porque é que ela recusava dançar com tantos cavalheiros: Então ela respondeu-me com um doce sotaque brasileiro: "Sabe, eu não posso dançar com grande parte destes homens, é que se o fizesse, eles ficariam com as suas cabeças "enfiadas"...  nos meus seios". Ah pois era!!! Era essa a razão, pois eles eram na sua grande maioria mais pequenos do que ela. Fez-se luz na minha cabecinha já com algumas falhas...
Mas depois pensei, esse era um problema mais da senhora que dos seus "pretendentes à dança", pois os cavalheiros avaliaram também eles essa situação e naturalmente acharam, que a dança seria para eles muito proveitosa, que compensaria em larga escala os seus desejos masculinos. 
Este assunto faz-me lembrar e recomendar a leitura do livro: "Senhora Dona do Baile", de Zélia Gattai. Divirtam-se muito e... BOAS LEITURAS!


sábado, 17 de setembro de 2011

O doce prazer da viagem.


Como é recompensador viajar! Há e sempre haverá os doidinhos pelas viagens. E incluo-me entre as pessoas que têm o quadro clínico e patológico do viajante mais grave. Pena é não ter a medicação em dia... E a culpa é do papão da CRISE. Ocorre-me a este propósito dizer de se o pior se cumprir e se entrarmos efectivamente na bancarrota, de que servirá ter uns trocados no banco? E nessa altura hei-de-me inquirir: de que valeu não viajar no ano de 2011... Mas enfim...
Vou enumerar então os sintomas desta minha (grave, acho eu!) patologia: Para mim, a viagem começa no dia em que me decido a fazê-la, depois de tempos "infinitos" a tentar convencer amigos e familiares (coisa mais rara de me acontecer) a acompanharem-me. A propósito disto, já me têm dito que é igualmente muito compensador viajar sozinha, conheço inclusivamente uma rapariga que foi sozinha e sem conhecer ninguém, durante um mês para a Austrália e adorou. Mas eu ainda não tive essa coragem.
Depois de me ter decidido e de ter convencido as pessoas que me acompanharão, eu começo a contar os dias que faltam para a viagem, e faço-o literalmente e dia a dia, conto-os na minha agenda pessoal. E aí o sonho do que virá começa a ganhar contornos definidos. Mas o tempo de espera é muitisimoooooooo lento. Mas no fim, lá acaba por chegar o radioso dia da abalada... É somente no dia antes, que decorrerá a feitura da minha mala. Tenho a dizer que essa realidade é aquela que me preocupa menos, pois sou um bocado desprendida dos bens materiais, levando somente o estritamente necessário. Devido a essa situação já me esqueci de um pente, já me esqueci da pasta de dentes e também já me esqueci dos chinelos, estes últimos tão úteis a que não se apanhe o funesto do "pé de atleta" (que é um nome muito estranho para uma doença). Só nunca me esqueci mesmo do dia em que a "coisa" ocorre. No dia aprazado, vem o transporte que me levará ao aeroporto (Para mim, viagem que se preze tem que ser feita de avião, lol). Quando o carro é de familiares e amigos, lá lhes vou e uma vez mais "chagando" a cabeça com a perspectiva do que aí virá... diga-se que os mesmos já estão sobejamente habituados. Mas se é um táxi, o taxista tem que saber de toda a história, que é  como quem diz, revelar-lhe como surgiu a oportunidade de eu ir para aquele sitio, as minhas perspectivas etc etc. Pergunto também ao profissional se ele já viajou sem ter que andar com o volante na mão e para onde é que ele foi. A conversa é de tal ordem, que é mesmo comum o taxista se oferecer para me ir buscar ao aeroporto no meu regresso, coisa que diga-se em abono da verdade, raramente acontece. Mas o meu entusiasmo é tanto que passadas algumas semanas, os senhores taxistas ainda me reconhecem na rua.
Depois vem o aeroporto: Meu Deus, como eu adoro aeroportos. São lugares tão convidativos! Naquele local, acorre gente tão diferente, tão dinâmica, tão simpática: pois, eu tenho tido sorte! Que encanto natural tem a senhora do check in: sempre tão sorridente com os bilhetes na mão, a pedir-nos o passaporte quando é caso disso. Que graciosa que ela é, quando coloca a banda autocolante na nossa bagagem de porão. E depois a desejar-nos uma Boa Viagem!!! Meu Deus, como me soa tão bem aquele seu desejo. Saio dali ainda mais radiante, só com a minha malinha de mão! Deixando lá a outra grande que "Deus é pai e não Padrasto", se vai encontrar comigo outra vez no aeroporto de destino.
Depois vem o bendito controle, e que bem que eles nos controlam. Eu regra geral apito sempre, acreditem que não faço de propósito, mas aquele apito soa-me como música para os meus ouvidos, pois é sinal de que mais uma vez, eu estou ali. Apito porque regra geral envergo um gancho, os óculos de pitosga que por si são magnéticos, mas ali ficam ainda mais devido ao meu próprio magnetismo típico das viagens. Depois para mim, vem uma senhora e que bem que ela me apalpa, não deixando nada por apalpar, ou deixa? Ali não pode haver "poucas vergonhas". Mas eu acho que está na altura de se mudarem ali um pouco os paradigmas. Então os homens, querendo podem casar com outros homens, e as mulheres com as suas noivas? Porque é que raio ali, o passageiro não pode escolher por quem é que quer ser apalpado? Haver por exemplo ali alguém que me dissesse: "Está bem que a senhora é suspeita  pois está a apitar. Por isso pode escolher entre aqueles cinco policiais." E eu optaria, ou pelo senhor dos olhos azuis, ou pelo que tivesse os peitorais mais definidos. Assim podíamos ter ali um momento de maior convívio, apostando claramente na lógica de que, cliente satisfeito será cliente que rapidamente voltará "àquelas lides".
Depois de apalpada e considerada insuspeita, vou para a Sala de Espera, e que bem que se está naquelas acolhedoras "salinhas"! Por aquela altura há sempre alguém que resolve ingerir uma última refeição antes do voo, eu não! Prefiro guardar-me para a espectacular experiência que me aguarda com a deliciosa refeição que nos é dada no avião. Eu sou uma pessoa remediada somente, pelo que só consigo viajar em Turística. Nessa altura e já no avião coloca-se para mim um verdadeiro desafio: Será que eu consigo não atingir a cabeça do cavalheiro que está sentado ao meu lado, com a folha de alface ou com o queijo creme? Será que eu não vou atirar com metade do talher de plástico, para cima da senhora que viaja na correnteza de bancos colocada atrás da minha? Ali fico estática de prazer, radiosa pois aguarda-me mais uma (espera-se) gloriosa aventura...
A propósito de tal temática, recomendo a leitura do livro intitulado "Aeroporto" de Arthur Hailey... Divirtam-se e Boas Viagens, mais que não seja por causa do raio da crise, através da leitura de bons livros...


sábado, 10 de setembro de 2011

Um baile na aldeia, em tempos idos.



No passado, e sabemos isso através de relatos de pessoas mais velhas, o baile tinha uma importância muito grande, particularmente nos meios rurais. Servia como acontecimento aglutinador de grande parte da comunidade. Sabe-se actualmente que tal exercício é muito benéfico para a saúde física e mental... Há quem afirme, há quem acredite que no baile se abana a genitália.
Os factos que aqui vou contar hoje, ocorreram num passado já remoto, na primeira parte do século XX e foram-me contados por um simpático tio que já não faz parte do mundo dos vivos. E foi assim...
Numa pequena aldeia da região centro do país, ultimavam-se os preparativos de um baile, que se queria inesquecível. João era um amigo de meu tio, jovem dinâmico, bem divertido e para que conste muito bom dançarino... Antes de o baile começar  havia muitos rituais a fazer: o banho tomado (coisa relativamente rara de acontecer à altura), roupa escolhida, bem... aqui seria mais a roupa vestida em dias santos e Domingos... João tudo isso fez. Para além disso, colocou em si uma dose muito generosa de perfume. Depois de realizados todos esses preparativos, João foi para o baile.
Já no recinto João gostou do que viu, a música estava a contento de todos, as moças eram jeitosas e simpáticas e o nosso herói foi escolher a que para ele era considerada a mais bonita. A moça aceitou sem rodeios e juntos os dois, foram bailar...
Diga-se que aquele baile fora muito concorrido, pelo que as reviravoltas da dança muitas vezes não podiam ser completas, pois caia-se no risco de se colidir com outros corpos dançarinos, pelo que tinha que haver alguma contenção de movimentos, mas João dançava, dançava, apertando o corpo roliço da parceira mais para si...
Porém no meio da dança e da elementar confusão, houve um acontecimento que fez a diferença, e que marcou para sempre aquele dia... No meio de toda aquela emoção, de todos aqueles movimentos concertados, andava Francisco outro jovem dinâmico, atrevido e dançarino. Quis o azar contudo que Francisco fosse acometido de uma ligeira dor de barriga, que lhe provocou uma odorífica flatulência. Não foi ouvida por ninguém porque a música não deixou... Mas o cheiro permaneceu ali durante algum tempo. A jovem que dançava com João, fora uma das primeiras a detectar aquele cheiro pelo que, chegando-se mais ao seu par segredou-lhe ao ouvido: "Mas que cheiro!" João ficou felicíssimo, afinal a moça tinha notado os cuidados que ele havia tido com a sua higiene e de sorriso rasgado, batendo com a mão no peito declarou: "É cá do rapaz!"
A propósito desta temática lembro o título do livro de Haruki Murakami: "Dança, Dança, Dança". Divirtam-se e Boas Leituras!!!



sábado, 3 de setembro de 2011

Rir e alcançar o Nirvana.

  


Já muito foi dito sobre os benefícios do riso, eu considero-me uma das maiores adeptas deste tipo de terapia. É certo que descontrai, aproxima amigos e outras pessoas passíveis de se tornarem também elas amigas. Há inclusivamente quem afirme, que rir é uma forma de desenvolver a inteligência... Mas esta teoria é uma pouco duvidosa, se levarmos em consideração o ditado popular: "Muito riso, pouco siso"... Mas também já alguém me comunicou que muito juízo pode provocar "doenças graves"...
Eu confesso adoro rir, e tenho muito prazer em ouvir uma gloriosa gargalhada. Riso franco de quem quer partilhar um bom momento, uma boa história. Riso esse que é naturalmente diferente daquele riso cínico, próprio do que acha muita graça à humilhação do outro...
Há também quem acredite que se consegue ascender ao Nirvana através do riso, se bem que para isso também são aconselhadas algumas práticas de meditação... bem, o tema daria necessariamente para muitos "debates".
Conheço, porque me contaram, o caso de um indivíduo que morreu a rir. Estava na rua  rodeado de amigos. Contavam uns aos outros  as suas "aventuras", e após ouvir uma boa piada, o sujeito riu tanto, mas tanto, tanto que acabou por morrer... Não se me afigura haver maneira mais gloriosa de morrer, rodeado dos amigos e a rir. O homem estava longe dos elementos mais funestos que marcam negativamente a vida de qualquer um, como é o caso da morte ocorrida nos hospitais, rodeados de sofrimento por todos os lados... Quer se queira quer não, aquele homem ascendeu a um qualquer Nirvana, e ainda não consta de que de lá tenha regressado.
No meu pensamento fica uma ideia: aquele homem teve uma morte abençoada, e se se acreditar na celebre teoria causa/efeito, (teoria que à primeira vista me parece pouco credível atendendo aquilo que todos temos vivido nos últimos tempos), aquele homem teve de facto uma vida/morte que pode muito bem ter valido a pena...
A propósito desta temática relembro o titulo do livro: "O Livro do Riso e do Esquecimento" de Milan Kundera...


Excelentes vidas, com numerosas gargalhadas...