No passado, e sabemos isso através de relatos de pessoas mais velhas, o baile tinha uma importância muito grande, particularmente nos meios rurais. Servia como acontecimento aglutinador de grande parte da comunidade. Sabe-se actualmente que tal exercício é muito benéfico para a saúde física e mental... Há quem afirme, há quem acredite que no baile se abana a genitália.
Os factos que aqui vou contar hoje, ocorreram num passado já remoto, na primeira parte do século XX e foram-me contados por um simpático tio que já não faz parte do mundo dos vivos. E foi assim...
Numa pequena aldeia da região centro do país, ultimavam-se os preparativos de um baile, que se queria inesquecível. João era um amigo de meu tio, jovem dinâmico, bem divertido e para que conste muito bom dançarino... Antes de o baile começar havia muitos rituais a fazer: o banho tomado (coisa relativamente rara de acontecer à altura), roupa escolhida, bem... aqui seria mais a roupa vestida em dias santos e Domingos... João tudo isso fez. Para além disso, colocou em si uma dose muito generosa de perfume. Depois de realizados todos esses preparativos, João foi para o baile.
Já no recinto João gostou do que viu, a música estava a contento de todos, as moças eram jeitosas e simpáticas e o nosso herói foi escolher a que para ele era considerada a mais bonita. A moça aceitou sem rodeios e juntos os dois, foram bailar...
Diga-se que aquele baile fora muito concorrido, pelo que as reviravoltas da dança muitas vezes não podiam ser completas, pois caia-se no risco de se colidir com outros corpos dançarinos, pelo que tinha que haver alguma contenção de movimentos, mas João dançava, dançava, apertando o corpo roliço da parceira mais para si...
Porém no meio da dança e da elementar confusão, houve um acontecimento que fez a diferença, e que marcou para sempre aquele dia... No meio de toda aquela emoção, de todos aqueles movimentos concertados, andava Francisco outro jovem dinâmico, atrevido e dançarino. Quis o azar contudo que Francisco fosse acometido de uma ligeira dor de barriga, que lhe provocou uma odorífica flatulência. Não foi ouvida por ninguém porque a música não deixou... Mas o cheiro permaneceu ali durante algum tempo. A jovem que dançava com João, fora uma das primeiras a detectar aquele cheiro pelo que, chegando-se mais ao seu par segredou-lhe ao ouvido: "Mas que cheiro!" João ficou felicíssimo, afinal a moça tinha notado os cuidados que ele havia tido com a sua higiene e de sorriso rasgado, batendo com a mão no peito declarou: "É cá do rapaz!"
A propósito desta temática lembro o título do livro de Haruki Murakami: "Dança, Dança, Dança". Divirtam-se e Boas Leituras!!!

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