Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

sábado, 17 de setembro de 2011

O doce prazer da viagem.


Como é recompensador viajar! Há e sempre haverá os doidinhos pelas viagens. E incluo-me entre as pessoas que têm o quadro clínico e patológico do viajante mais grave. Pena é não ter a medicação em dia... E a culpa é do papão da CRISE. Ocorre-me a este propósito dizer de se o pior se cumprir e se entrarmos efectivamente na bancarrota, de que servirá ter uns trocados no banco? E nessa altura hei-de-me inquirir: de que valeu não viajar no ano de 2011... Mas enfim...
Vou enumerar então os sintomas desta minha (grave, acho eu!) patologia: Para mim, a viagem começa no dia em que me decido a fazê-la, depois de tempos "infinitos" a tentar convencer amigos e familiares (coisa mais rara de me acontecer) a acompanharem-me. A propósito disto, já me têm dito que é igualmente muito compensador viajar sozinha, conheço inclusivamente uma rapariga que foi sozinha e sem conhecer ninguém, durante um mês para a Austrália e adorou. Mas eu ainda não tive essa coragem.
Depois de me ter decidido e de ter convencido as pessoas que me acompanharão, eu começo a contar os dias que faltam para a viagem, e faço-o literalmente e dia a dia, conto-os na minha agenda pessoal. E aí o sonho do que virá começa a ganhar contornos definidos. Mas o tempo de espera é muitisimoooooooo lento. Mas no fim, lá acaba por chegar o radioso dia da abalada... É somente no dia antes, que decorrerá a feitura da minha mala. Tenho a dizer que essa realidade é aquela que me preocupa menos, pois sou um bocado desprendida dos bens materiais, levando somente o estritamente necessário. Devido a essa situação já me esqueci de um pente, já me esqueci da pasta de dentes e também já me esqueci dos chinelos, estes últimos tão úteis a que não se apanhe o funesto do "pé de atleta" (que é um nome muito estranho para uma doença). Só nunca me esqueci mesmo do dia em que a "coisa" ocorre. No dia aprazado, vem o transporte que me levará ao aeroporto (Para mim, viagem que se preze tem que ser feita de avião, lol). Quando o carro é de familiares e amigos, lá lhes vou e uma vez mais "chagando" a cabeça com a perspectiva do que aí virá... diga-se que os mesmos já estão sobejamente habituados. Mas se é um táxi, o taxista tem que saber de toda a história, que é  como quem diz, revelar-lhe como surgiu a oportunidade de eu ir para aquele sitio, as minhas perspectivas etc etc. Pergunto também ao profissional se ele já viajou sem ter que andar com o volante na mão e para onde é que ele foi. A conversa é de tal ordem, que é mesmo comum o taxista se oferecer para me ir buscar ao aeroporto no meu regresso, coisa que diga-se em abono da verdade, raramente acontece. Mas o meu entusiasmo é tanto que passadas algumas semanas, os senhores taxistas ainda me reconhecem na rua.
Depois vem o aeroporto: Meu Deus, como eu adoro aeroportos. São lugares tão convidativos! Naquele local, acorre gente tão diferente, tão dinâmica, tão simpática: pois, eu tenho tido sorte! Que encanto natural tem a senhora do check in: sempre tão sorridente com os bilhetes na mão, a pedir-nos o passaporte quando é caso disso. Que graciosa que ela é, quando coloca a banda autocolante na nossa bagagem de porão. E depois a desejar-nos uma Boa Viagem!!! Meu Deus, como me soa tão bem aquele seu desejo. Saio dali ainda mais radiante, só com a minha malinha de mão! Deixando lá a outra grande que "Deus é pai e não Padrasto", se vai encontrar comigo outra vez no aeroporto de destino.
Depois vem o bendito controle, e que bem que eles nos controlam. Eu regra geral apito sempre, acreditem que não faço de propósito, mas aquele apito soa-me como música para os meus ouvidos, pois é sinal de que mais uma vez, eu estou ali. Apito porque regra geral envergo um gancho, os óculos de pitosga que por si são magnéticos, mas ali ficam ainda mais devido ao meu próprio magnetismo típico das viagens. Depois para mim, vem uma senhora e que bem que ela me apalpa, não deixando nada por apalpar, ou deixa? Ali não pode haver "poucas vergonhas". Mas eu acho que está na altura de se mudarem ali um pouco os paradigmas. Então os homens, querendo podem casar com outros homens, e as mulheres com as suas noivas? Porque é que raio ali, o passageiro não pode escolher por quem é que quer ser apalpado? Haver por exemplo ali alguém que me dissesse: "Está bem que a senhora é suspeita  pois está a apitar. Por isso pode escolher entre aqueles cinco policiais." E eu optaria, ou pelo senhor dos olhos azuis, ou pelo que tivesse os peitorais mais definidos. Assim podíamos ter ali um momento de maior convívio, apostando claramente na lógica de que, cliente satisfeito será cliente que rapidamente voltará "àquelas lides".
Depois de apalpada e considerada insuspeita, vou para a Sala de Espera, e que bem que se está naquelas acolhedoras "salinhas"! Por aquela altura há sempre alguém que resolve ingerir uma última refeição antes do voo, eu não! Prefiro guardar-me para a espectacular experiência que me aguarda com a deliciosa refeição que nos é dada no avião. Eu sou uma pessoa remediada somente, pelo que só consigo viajar em Turística. Nessa altura e já no avião coloca-se para mim um verdadeiro desafio: Será que eu consigo não atingir a cabeça do cavalheiro que está sentado ao meu lado, com a folha de alface ou com o queijo creme? Será que eu não vou atirar com metade do talher de plástico, para cima da senhora que viaja na correnteza de bancos colocada atrás da minha? Ali fico estática de prazer, radiosa pois aguarda-me mais uma (espera-se) gloriosa aventura...
A propósito de tal temática, recomendo a leitura do livro intitulado "Aeroporto" de Arthur Hailey... Divirtam-se e Boas Viagens, mais que não seja por causa do raio da crise, através da leitura de bons livros...


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