Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Quando o dinheiro fala, a verdade cala.



É absolutamente de lamentar, a existência da corrupção por parte de todos, (mesmo de todos sem excepção), a que a ela se verguem. Não poderá haver divisa que compre a nossa cumplicidade em algo que se considera… estar errado. E sobretudo que compre ou determine o nosso silêncio (atendendo às circunstâncias) de verdadeiras mercenárias/os empedernidas/os. Acredito que nada de bom decorrerá no nosso país, nem no mundo, se continuarmos a tolerar os actos condenatórios, cúmplices e corruptos, por parte dos nossos políticos. E a dizer, por exemplo, que os mesmos poderiam ser realizados por nós, se nós por lá também andássemos. E que quem é que nunca ouviu ou disse mesmo a frase: “Se eu lá estivesse? Pois faria a mesma coisa”.
Ora com tal postura, perdemos imediatamente a razão. E podemos ser considerados cúmplices da corrupção que vai acontecendo. A corrupção é assim facilitada, porque é entendida. Nós ainda não sabemos o futuro, nem aonde ainda iremos cair. Temos só uma vaga ideia. Mas não se configura que a coisa vá melhorar grandemente a breve trecho. A corrupção deverá assim continuar. E depois a corrupção pode ser estendida às mais diversas escalas de valor, realizada por membros de todas as classes ou grupos sociais. Mas não pode haver desculpas para ninguém.
Já passaram alguns anos, desde a minha visita ao Egipto. E como eu adorei lá ter estado! Trata-se efectivamente de um país interessantíssimo. Recheado de História por todos os cantos. E que belos gatos eu também lá vi!
Mas foi em Abu Simbel, quando eu, pacatamente me encontrava a visualizar os seus impressionantes monumentos, que se deu, o que era para mim absolutamente… impensável. Pois andava eu por ali, compenetrada e segura, mas não na verdura, porque a terra estava seca, quando a dada altura, eu verifiquei que um elemento das forças policiais, reparava em mim. Mas reparava mesmo em mim. E com muita determinação. Eu era mais nova, claro está. Mas a sua atenção não se deveria à minha exuberância física. Nem à minha estonteante beleza. E muito menos à minha capacidade intelectual superior, e muito acima da média geral. Que é muito visível, até aos olhos dos gatos. Sim, vocês bem podem lá ir ver no meu perfil: a modéstia é algo que não me assiste. Nem nunca assistiu. E não era assim, porque se a minha enorme beleza fosse o isco, o homem teria no mínimo, um ar simpático e amistoso. O que não era definitivamente o caso. E depois, o homem não desviava mesmo o olhar. Como já referi, o seu ar não era nada cativante, muito antes pelo contrário. O homem tinha a sua fácies muito fechada. E o seu olhar era sobranceiro e algo furioso. E estava assim ele, a olhar para mim. Quase com um ar ameaçador. Oh Deus do Céu!
E perante as circunstâncias aqui reveladas, o mais espectável, seria eu sair dali “bem de fininho”, e procurar outros olhares bem mais simpáticos. Mas não foi nada assim, amiguinhos. O que eu fiz foi pôr-me também a olhar para o homem, e directamente. Ora pois, somos ou não somos todos iguais? E então naqueles sítios!? Olhar directamente, que é coisa que muito me têm avisado para não fazer, quando eu visito outros países. Mas eu tenho-me recusado a aceitar tais recomendações. Que de alguma maneira até têm razão de ser. É que há tantos costumes. Há tantas formas diferentes de se comunicar. Os gestos que têm entendimentos diversos nos diferentes locais do globo. Alguns com significados diametralmente opostos aos que são do nosso conhecimento.
Pois, eu fiquei também ali a olhar para o policial. Mas, e decorrido algum tempo, e como a coisa não atava, nem desatava, eu aproximei-me um pouco mais do homem, e sempre sorrindo quis, (porque quis), tirar uma fotografia com ele. É que o raio das máquinas retrateiras, estão sempre ali tão presentes, e a quererem ser sempre manipuladas! Às vezes nem eu mesmo lhes resisto. E… foi assim que mais uma fotografia nasceu.
Contrariamente a tudo o que eu pudesse esperar, atendendo às circunstâncias, o homem acedeu à minha pretensão. E pôs-se ele ali também ao meu lado, mas sempre com aquele seu ar sobranceiro, só que já não estava era a olhar para mim. Olhava era para uma máquina fotográfica muito imponente, transportada (e com muita dificuldade) por uma pessoa amiga.
A frase: “olha o passarinho”, teve ali oportunidade. Eu sorri. Mas o policia não. E tudo fazia crer que o nosso fugidio e muito pouco prazeroso relacionamento, havia cessado naquele instante. Mas nada mais errado, meus amigos. Eu afastei-me lentamente, sempre a sorrir para ele, numa tentativa vã de o reconciliar com a vida. Só que o homem (sempre de ar revoltado) desatou ali aos gritos, utilizando uma linguagem que eu não conseguia perceber de maneira nenhuma. Depois, e ante a minha aparente apatia começa por gritar. “Tip, tip…” E mais “Tip, tip, tip, tip e tip”. No que me recordou à altura, o barulho que faziam, as antigas máquinas de escrever.
Pois era uma gorjeta. O que o magano queria, era mesmo uma gorjeta. Eu, mas no meu lusitano linguajar, lá lhe comuniquei, a minha total indignação perante aquela inusitadíssima situação. Que era uma coisa, muito contra os meus princípios, etc, etc. Só que o entendimento entre as duas partes foi absolutamente… nulo. Aquilo mais parecia o linguajar das duas pessoas, que chegaram primeiro ao cimo da Torre de Babel. Eu a tentar comunicar com muita determinação. Ele a fazer-me muitos gestos, dizendo-me que queria dinheiro. É que convenhamos, eu estava muito longe de pensar, que dar uma moeda a um polícia fosse uma coisa bem vista. Ou necessária. Pelo menos naquele tempo, onde os ordenados na lusa pátria eram mais ou menos condignos. E recebíamos os subsídios a que tínhamos direito. E na hora devida. Mas, e como é que seria a situação ali naquele país árabe? Eu fui ao Egipto, em data bem anterior ao deflagrar da célebre Primavera Árabe. Num ambiente considerado pacificado.
Mas se ele queria uma gorjeta, ou melhor se ele exigia mesmo uma gorjeta e… enquanto carregava no seu corpinho, uma enorme metralhadora… Bem, eu tinha razões para temer. Nunca confiando. Pelo que, quezilenta e revoltada, eu lá abri a minha pequenita carteira, (que nunca teve muito dinheiro), e tirei de lá uma moeda. Tirei a primeira moeda que me veio à mão. E era uma moeda de vinte cêntimos. Não era o suficiente, claro está, mas se o policial juntasse aquela às outras, que outras pessoas lhe haveriam de dar… Pessoas, que eventualmente também abrissem os seus cordões à bolsa, ao fim do dia…
Foi ai que coisa piorou mesmo. É que o homem olhou fixamente para mim, depois olhou muito compenetradamente… para a moeda… Depois olhou outra vez para mim. E as suas bochechas ficaram mesmo da cor das papoilas saltitantes. Tal qual como se o homem tivesse feito uso, de um poderoso blush. Depois disso, ele dá em aumentar o tom dos seus gritos, e de uma forma mesmo muito ameaçadora. Ele, (que como já disse), carregava consigo a tal arma. Se calhar até tinha duas. Estando com certeza, uma… mais escondidinha. Eu é que não sabia disso. E ainda bem para mim.
Só sei, que sai dali sem dizer mais nada. E muito, mas muito, rapidamente. Ele, evidentemente não me perseguiu. Também era só o que me faltava. Mas continuou com o seu vociferar. E a agitar vigorosamente um braço no ar. Desconfio que me deve de ter rogado duas ou três pragas. E também deve de ter colocado em causa, toda a dignidade e o bom nome, da senhora minha mãe.
E foi assim que decorreu o meu único contacto com a pérfida corrupção. Pelo menos que eu me lembre. Mas eu tenho boa memória.
Refiro que para todo o sempre, eu fiquei com uma dúvida existencial muito grande. Quanto dinheiro é que eu tinha que dar, para satisfazer amplamente aquele elemento das forças policiais? Afinal o que eu estava a pagar era um serviço e não sabia. Só podia ser. E depois, será que havia por ali alguma tabulação de preços? Livre de impostos? Existirão por exemplo, policias que façam a sua pose, mas requeiram um preço mais baixo? E que apareçam somente em perfil. Ou que avaliem por exemplo, a devida proporção do custo/benefício.
Eu, é que não sabia nada disso. É que ninguém me havia informado. Pelo que lhe cedi, a quantia que me pareceu “justa” atendendo à circunstância. E a minha intenção jamais fora a de ofender o elemento das forças de segurança. Afinal, e para que é que ele esteve sempre ali a olhar para mim? E com tanta determinação, senhores? A minha intenção sempre foi a melhor. Só que o homem não entendeu assim. E… levou toda aquela minha elementar actuação, muito a peito.
Para concluir, registo que na minha cabeça ficou também (e para sempre) uma certeza: jamais tornarei a tirar fotografias com um polícia. Nem que o mesmo me assedie muito, para que tal aconteça. Pois como facilmente adivinham, é coisa que me está permanentemente a acontecer. :-D
Sugestão de leitura para esta semana: “O Carteirista que Fugiu a Tempo” de Francisco Moita Flores.
DIVIRTAMSEMAZÉ!


sábado, 22 de junho de 2013

E se morrer uma andorinha? Pois... mas não acaba a Primavera.



Depois de uma existência que se sonhou ser sempre agradável, doce e muito divertida, virá sempre o inevitável: o desaparecimento físico. E quantas vezes sem qualquer aviso prévio. É prudente pois divertimo-nos o máximo e viver cada dia como se fosse o último. Um dia, iremos acertar na mouche.
Quem sobrevive fica com trabalhos redobrados. E irá conjugar todos os seus esforços para homenagear quem partiu. E que depois ficará lá por cima, e avidamente à espera. É nesse sentido que por cá se sepultam os corpos. Muitos deles, anteriormente tão vaidosos e bem cuidados. Ou então… levam-se a "assar".
Pois o “assado” e a meu ver, é o processo preferível. É mais barato, seguro e higiénico. E facilita a vida de quem por cá fica. Depois só se tem que ir espalhar as cinzas ao mar, jardim ou ficar com elas em casa, dentro de um jarro. A ex-pessoa ocupará assim muito pouco espaço. Além de que fica ali, sempre muito sossegadita.
Mas e em relação aos cemitérios? Já se contabilizou o desperdício que é, ver centenas e centenas de metros quadrados, ocupados por tumbas e jazigos magnificentes e muitos espaçosos? Os mortos não precisam de casa, só os vivos. E siga para bingo.
Mas nem toda a gente pensa assim. E este assunto em particular, incomoda mesmo muita gente. Tenho uma amiga, a Maria que se recusa sub-liminarmente a falar comigo sobre tais temáticas. E particularmente sobre os fornos crematórios, que para ela devem de ser, a entrada mais directa para o submundo dos infernos. Não que ela me tenha comunicado essa sua teoria alguma vez. Eu é que assim concluí. É que ela sendo ainda nova, já determinou a todos os seus parentes e amigos, que depois de morta, terá que ser sepultada. E mais diz ela. Tem que ir mesmo toda completinha. Não lhe poderá faltar mesmo nada. Nem o seu cinto de ligas e roupas coleantes, nem a sua lingerie sexy. É evidente que também não estará disponível para doar qualquer um, dos seus órgãos. Ah pois é! Ora a minha amiga, está convicta de que todos esses detalhes, lhe poderão ainda, vir a fazer muita falta. Mas, e a fazer falta para quê? E não saberá ela, que as condições “atmosféricas” lá em baixo, não são lá muito propícias à conservação de tudo o que é físico? Amigos, exige-se aqui um pequeno intervalo, para uma curta meditação… Um, dois, três… OMMMMMMMMM! Bem… talvez já chegue. É que já devemos estar todos, um pouco mais recompostos, não é verdade?
A Maria deve de ser daquelas pessoas, que não se deve de incomodar nada, de um dia ir assistir ao "desenterramento" de um defunto. Quando se passam os tais cinco ou seis anos da praxe, após o desencarnar. É quando o coveiro, mais todos os seus assistentes, obtém uma linda e muito inspiradora imagem. Onde eles têm que determinar, se os restos mortais, estão ou não estão capazes de viajar para outro lado. E… se estiverem para isso capacitados, eles não precisam de passaporte. É que são levados com pompa, para uma gavetinha. Onde também se colocam uns naperons muito cool e mais umas fotografias. E flores, só que em plástico. E o que os coveiros devem de fazer, em termos de quebra-cabeças com os ossos que encontram? Ou até mesmo jogos didácticos. Se calhar o desenvolvimento dessa actividade, é mesmo aconselhada por todo o corpo clínico. Para evitar por exemplo, o desenvolvimento da danada da doença do Alzeimer. E quando os coveiros reconhecem finalmente, a tíbia postiça e luxuosa, do senhor Manuel? E o seu olho de vidro? A festa que não deve de ser? E a família, ali toda reunida e a assistir a tudo. Presumivelmente até já muito emocionada? Já para não falar no momento, em que as dentaduras vão aparecendo? A espreitar, muito sorridentes lá por baixo?
Mas eu conheço alguém que vive paredes meias, com um cemitério, que inclui no seu património, um forno crematório. E que bela vizinhança este meu amigo tem! Um dia destes fui dar com ele a ter uma importantíssima dúvida existencial. Diria mesmo: uma das mais importantes dúvidas existenciais de toda a sua vida. É que o mesmo já se vinha a sentir há algum tempo, muito confundido. Eu diria mesmo: muito traumatizado. Pois digo-vos eu que o moço, já não consegue distinguir devidamente, se os aromas que ele de vez em quando vai sentindo, são provenientes do forno crematório seu vizinho, ou se de uma fábrica de bolos, situada um bocado lá mais para a frente? E convenhamos. É tramado viver com este tipo de dúvidas.
Quanto a mim tenho a dizer, que é mais feliz, pelo menos tem disso mais obrigação, aquele que está consciente da sua natural e absolutamente previsível finitude. E vive embalado na certeza de que a vida, apesar de finita, ainda poderá ter muita coisa para lhe oferecer. Ou se calhar até já não. Mas esta dúvida surge aqui, como algo reconfortante. Que não nos mata a esperança, muito antes pelo contrário, alimenta-a. Ainda bem que não dispomos ainda, daqueles aparelhos, que permitirão um dia visualizar todo o nosso futuro. E a 3 D.
E depois, quando o pano da nossa existência se fechar? Pois que fiquem por cá os outros. Que façam também eles a sua parte. E que se divirtam muito, pois a inevitabilidade da morte, (da sua morte), também para eles um dia irá chegar.
Mas voltando um pouco, ao assunto inicial. E quanto ao processo da assadura, o que transforma os nossos corpinhos já disfuncionais em cinzas? Pois… Apesar de fúnebre, eu reconheço que a cremação é algo capaz de inspirar em mim, uma certa imagem romântica. É que depois de sermos bem torricados, as cinzas que de nós restarem, não pesarão mais que três ou quatro quilos. Penso que descontando já o peso das cinzas, que resultam da madeira que nos serviu de suporte. Ou de tabuleiro. Ora esse peso (três ou quatro quilos) não deve de andar muito longe do peso, que todos nós tivemos, no dia em que nascemos. E de uma data à outra data das pesagens, existiu somente um intervalo, onde tentamos com todas as nossas forças encontrar a felicidade. E a busca e a concretização de tal, deve ser sempre o nosso principal objectivo. Decorreu assim, e durante esse tempo, toda a nossa singular actuação. Depois disso, o que virá…
Só que nada destas minhas conjecturas satisfazem, e de forma efectiva, o meu amigo N. O tal que vive ao pé do forno. Já que ele fica sempre p’rá ali a debater-se: “E este cheiro? Do que será? Será proveniente da D. Evangelina? Que era aquela velhota gaiteira, que teve uma vida cheia de aventuras? Ou será de uma tarte de maçã?”
E a dúvida dele é pertinente e absolutamente justificada. Já para não falar de que são cada vez mais numerosas, as pessoas que sofrem de diabetes. E a confusão daí decorrente, irá na certa prevalecer. Ou até mesmo aumentar. Disso eu não tenho a menor dúvida. Resistirá pelo menos, até ao momento da sua própria finitude. Ou então, até ao dia em que ele decida mudar de casa, alegando incompatibilidades várias com a realidade local.
Sugestão de leitura para esta semana: “A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água” de Jorge Amado.
DIVIRTAMSEMAZÉ!


Nota: As senhoras que estão na fotografia acima postada, já se encontravam todas mortas. No século XIX, dez ou quinze anos após a surgimento e a difusão da fotografia, havia o hábito de fotografar pessoas mortas, como se elas ainda estivessem vivas. Não por morbidez ou particular sentimento fúnebre, mas antes como uma homenagem, já que ao fotografá-las e integrá-las muitas vezes junto daqueles que ainda estavam vivos, fazia-se com que por uma última vez, se pudesse representar um todo. Como parte integrante e indivisível. E em ambiente familiar.
No caso concreto e acima postado, todas elas já se encontravam mortas. Haviam perecido devido à ocorrência de um acidente. E se se verificar bem, uma delas até se encontra de costas voltadas para o fotógrafo. Essa circunstância é devida ao facto, da mesma ter ficado com a cara muito desfigurada. Mas refira-se ainda, que o fotografo também tinha, o seu apurado sentido de humor. É que uma das defuntas, (a segunda a contar da esquerda), até foi fotografada… de cigarro na boca.
Mas olhem, e uma vez que a morte é certa... DIVIRTAMSEMAZÉ!

sábado, 15 de junho de 2013

E que os santinhos, nos acudam!



No dia de Santo António,
Recebi um manjerico.
Regado pelo Gaspar,
Mas metido num penico.

Pois, cada vez que eu vejo o gajo,
Dá-me cá uma aflição.
O que ele nos tem roubado!
Ministro sem coração.

São impostos e mais impostos,
Menos feriados e capital.
Saia mazé do governo,
Que é alvitre descomunal.

‘Inda por cima é do Benfica,
É homúnculo lampião.
Emigre mazé e rápido,
Deixe p’ra nós algum pão.

Vá, que não deixa saudades,
Nem ninguém o recrimina.
Leve também seus colegas,
E vão viver com a Merquelina.

É que apesar dos apesares
Façam também um banzé.
Mas, deem o vosso melhor,
E DIVIRTAMSEMAZÉ!

Hoje decidi associar-me ao espirito da época. “Poemei” sem grandes preocupações com a métrica, nem as mais que evidentes faltas dos “finos recortes estilísticos”. Pois foi. Reconhecidamente… eu tenho ainda que ir muitas vezes aos treinos. E participar ainda em muitos jogos florais. Usando por exemplo o pseudónimo de Maria Espoliada.
Contudo pensei também em imitar o Senhor S. que é um senhor já com 89 anos. Ou mais concretamente 36.157 dias, como ele a sorrir tanto gosta de referenciar. Ora este senhor, faz questão de me visitar, todas as Quintas-Feiras lá no meu estaminé. E leva-me sempre poesia. A sua poesia. A que ele faz tão laboriosa e afincadamente durante os seus tempos livres. Que são muito poucos. É que pode parecer impossível, mas o senhor S. tem uma vida social muito activa.
E foi exactamente numa das suas últimas inspirações, que ele dedicou toda a sua atenção, aos seus vizinhos de cima. Pelo que utilizando toda uma lírica muitíssimo apurada, (temos que ver que ele anda por cá há muito mais tempo que eu), deu-me a conhecer dois senhores muito delicados, que vivem pacata e amorosamente um com o outro. E amam-se mesmo! Pois… que viva o amor!
Esses senhores, e se quiserem (é mesmo dada essa sugestão, através da leitura da poesia do senhor S.), podem ir consorciar-se a França. Mas, e eu pergunto: Para quê darem-se a tanto trabalho e despesa, se já o podem fazer em Portugal? E até já há alguns anos.
E convenhamos: por cá e por causa disso, até nem se deu o alarido, como o que tem ocorrido lá pelas terra dos gauleses. Mas… e não será o mesmo despropositado? Afinal o que é que as pessoas têm a ver com o que se passa em camas alheias? E sobre os contratos alheios realizados e a realizar?
E depois, em que é que nos pode incomodar a felicidade alheia? Nada. Muito antes pelo contrário. Deve-nos… é dar alento. E a… “acarditar” num futuro melhor. Mas ao senhor S. a situação continua a fazer-lhe um bocado de confusão.
Lamentável mesmo é só quando os grupos viram lobbies. Com um elevadíssimo grau de corporativismo. E com possibilidades ilimitadas de dominar toda uma situação em seu/deles proveito. É que até o Santo Papa Francisco (claramente o meu favorito), se queixa desse domínio. Coitadinho. Cruzes, canhoto!
Mas, e em relação ao ministro, ao tal que me inspirou a minha muito sofrível poesia? E que só foi referenciado no início deste post? Pois… basta de falar dele. De lhe dar muita atenção. Credo! É que é mesmo muito assustador, pensar-se na sua permanência, assim como a de todos os seus pares, à frente da liderança deste país. Tenhamos pois medo. Tenhamos mesmo muito medo, todos aqueles que como eu, ainda por cá se encontram. E que até tinham muito gosto, em por cá permanecer.
Mas eu até digo mais. Eu que até já estou a sofrer de uma certa… azia. E a padecer do tal receio incontrolado, do qual até nem estou a ver... nenhuma maneira de superar. Deixem-me mesmo é ir, verificar se eu ainda tenho… a carteira. Sim, ainda para ali está. Mas está é cheia… de cotão.
Sugestão de leitura para esta semana: “Sermão de Santo António aos Peixes” do Padre António Vieira.

 

E DIVIRTAMSEMAZÉ! Pode parecer paradoxal, mas não é. É que nós somos grandes e vamos certamente superar mais esta dificuldade. Também esta, que mais parece ser… a mãe de todas as dificuldades. Só não pode ser, é com “esta gente”.
Divirtam-se pois, com quem quer que vocês escolham. Ou então, e se preferirem… divirtam-se mesmo sozinhos!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Há, mas são verdes!



O que é que acontece, que faz de nós, admiradores de determinado Clube de Futebol? E francamente, o que é que se ganha com isso?
No meu caso, tudo começou quando o meu pai encontrou, um cromo de um antigo jogador do Sporting. Há já muitos anos atrás. Depois, ele olhou para o leão, já um bocado a desbotar-se, mas em pose agressiva e disse: “Este vai ser e para sempre, o clube de futebol da minha adoração.”
E eu (sem saber muito bem porquê) segui-lhe o rasto no que concerne a preferências clubísticas. E nasceu assim, uma curta tradição. Acresce dizer que, se o meu pai tivesse encontrado o retrato do Eusébio, mostrando os seus peitorais, se calhar eu hoje, posicionar-me-ia na classe dos lampiões. Mas, e registado que fica aqui o começo, eu acabaria por antipatizar de alguma maneira, com o clube vermelho e mais a sua águia. Não é que os odeie, muito longe disso. Os meus melhores amigos até são benfiquistas. Contudo, posiciono-me mais para o lado dos leões. E do estádio dos azulejos sanitários.
E quanto a simpatias clubisticas? Diz-se que é mais fácil mudar de partido politico ou mesmo de religião, do que de clube. Que é algo que ao assumir-se, nos acompanha (e para sempre), até à hora da morte.
Só que se eu pensar bem, até nem ligo lá grande coisa ao futebol. É certo que lhe conheço as regras básicas e vejo uma ou outra partida. Contudo o que eu aprecio mesmo, é assistir às intermináveis conversas sobre o jogo. Com todos aqueles senhores, doutores ou não, que se põe para ali a falar até à exaustão de um passe mal dado, ou da má decisão de um qualquer árbitro. E depois disso, eles vêm quinhentas e trinta e duas vezes, a repetição de um só lance. De seguida, eles falam das polémicas, como se a sua própria vida dependesse disso. Tenho a dizer que (e por causa disso), eu senti profundamente, a morte do Pôncio Monteiro. Eu que até nem alinho pelos portistas, mas que sinto por eles, também alguma simpatia. É que comprovadamente, o meu coração é bastante abrangente. E depois, era delicioso, assistir àquele senhor Pôncio ali a falar? E usar aquele seu modo tão particular de dialogar. Através de uma forma tão irónica e inteligente. Tenho a dizer que para mim, aquele programa televisivo onde ele participava, (e depois do seu lamentável desaparecimento), perdeu 75% da graça. E deixou mesmo de poder contar com a minha assistência. Consta até, que os responsáveis do programa ainda hoje lamentam esta minha tão radical decisão. E o que eles perderam com a minha desistência, Santo Deus? Nem os mesmos querem pensar!
Gosto então mais de ver comentários sobre o jogo, do que o jogo propriamente dito. Poderei assim ser considerada de adepta? Se calhar até não. Além do mais, ser sportinguista é ter uma triste sina. É sofrer, sofrer e… tornar a sofrer. Este ano ficámos em sétimo lugar. Parece que foi a classificação pior de todas. Mas, e nos anos transactos? Pois a coisa não foi muito melhor. E estamos em jejum desde o ano da capicua. Ou seja, desde 2002. E se a capicua for o alento, a repetição da glória só será conseguida lá para o ano de 2112. Parece-me que já por cá não estaremos… E que para longe vá o agouro!
Mas, e se falarmos do outro lado da Segunda Circular? E do azar com que os mesmos este ano foram acometidos? E aqueles meus amigos benfiquistas? O que eles choraram de tristeza? E depois o "meu queridíssimo” Jorge Jesus?… A ser ali tão empurrado, coitadinho?
Mas avaliando bem as coisas, eu acredito que mesmo que se o meu pai na sua já tão longínqua juventude, tivesse encontrado uma águia em pessoa e pedir boleia, eu parece-me que jamais poderia, alinhar pelo lado dos rubros. É que eu confesso, sempre achei muito estranhas, algumas das características daquele clube encarnado.
Por exemplo: Eu gosto muito de os ver, com a mão alapada no peito, a cantar (sem nunca se enganarem na letra), aquele celebre hino do Benfica. Hino esse, que de tão repetido que foi e ainda é, já se pode considerar do conhecimento geral e integral, de todos nós. Sejamos nós benfiquistas ou não. Contudo sempre achei curioso (e também sempre me deu muita vontade de rir), quando eles chegam àquela parte das “Papoilas Saltitantes”. Não acham que aquilo é um bocado esquisito? Estão para ali eles a cantar, a plenos pulmões, e de uma forma tão viril… mas uma letra um bocadito pró “rabicha”? Sim, compararem um exímio e destemido jogador de lances gloriosos a uma papoila…? É que.. já viram bem o que é uma papoila? Ainda se fosse uma alcachofra vermelha, ou mesmo uma árvore de jacarandá? Agora uma papoila? E ainda mais… saltitante? Sinceramente, o que é que isso vos leva a pensar? Eu lamento muito, mas no meu caso, esse pensamento é-me absolutamente involuntário. Além do mais, uma papoila desfaz-se logo. A papoila não consegue ter resistência nenhuma. E depois é sempre muito vaidosa. Pelo menos para mim, que levo sempre em linha de conta, uns versos que me ensinaram quando eu era ainda muito criança. E que rezavam assim:

“Estava a papoila, dizendo ao trigo:
-Como eu sou linda, oh meu amigo!
Mas nisto passa um lavrador,
E com a foice, corta a flor.
Filhos: é bom ter formusura
Mas ser vaidoso, não trás ventura.”

É óbvio que não vou entrar em grandes detalhes, pois a comparação é muito forçada e pode não dignificar a massa associativa benfiquista. Pelo menos à massa a que pertencem as pessoas de que eu gosto muito e a quem desejo as maiores felicidades. Mas vejam lá uma coisa: é que lá está (e mais uma vez), a papoila. Que detém em si, características muito pouco recomendáveis. E sempre com uma grande vulnerabilidade. Pois acaba por estar ali, à mão de semear, de todos lavradores, sejam eles do Chelsea, do Estoril ou mesmo do Guimarães. 


Mas meus queridos amigos benfiquistas, se o hino não vos faz impressão? Quem sou eu para refutar? E desculpem-me até mesmo, esta minha ousadia.
Depois vem também aquela ideia, de que só é bom chefe de família, quem é benfiquista. Mas onde é que isso ficou provado? Quais é que foram os estudos realizados, que de tão precisos e científicos, não poderão nunca desmentir tal teoria? Para além disso, é mais ou menos do conhecimento geral, que essa coisa dos cargos das chefias familiares, já se foi atenuando com a passagem dos anos. É que as famílias (e felizmente) têm cada vez mais, responsabilidades repartidas. Pois eu “apreveito” assim e desta maneira, para chegar a algumas considerações. E não as coloco nas mãos de “tarceiros”. É que eu “dou-les” mesmo aqui, todas estas minhas teorias possidónias… E gratuitamente. Para bem da continuidade da pacífica convivência entre todos. Devemos pois, continuar a… “acarditar” nisso. Nem que para isso, tenham que vir, os “Motocards” da Amadora.
E depois todos dizem que o Benfica detém uma enorme massa associativa. Desse clube tomam acento, personalidades de grande relevância. E de todos os quadrantes do panorama nacional. Das quais eu destaco o Manuel Alegre. O Poeta Alegre. E destaco-o porque é por inerência, aquele que me diz mais. Fala-me... e como dizer? Assim, mais ao coração. E são da sua criação, poesias inspiradíssimas, que nos fazem vibrar de emoção. Ajudam-nos mesmo a sentir, muito orgulho do nosso país e da nossa cultura.
Contudo, lá está, existe também uma coisita de muito pouca relevância… E vocês desculpem-me mais uma vez eu entrar assim em seara alheia. Prometo-vos é que vou ter cuidado especial com as papoilas… Mas continuando, é que o poeta Alegre, a dada altura da sua vida, andou a perguntar ao vento, quais é que eram, as notícias do país. Saber por exemplo, se estivera a chover? Ou se caíra geada? Entre (e naturalmente), muitas outras inquirições. Deve de ter querido saber, se o seu Benfica havia triunfado…? Nesse tempo, o Poeta Alegre estava “fora de portas”. E forçadamente, pois a sua presença, não era nada tolerada por cá. Fora pressionado a sair pelos líderes portugueses da altura. Que eram reconhecidamente, muito repressores e reacionários. Nada recomendáveis, mesmo.
Está tudo muito bem. Ou melhor, estava tudo muito mal. Mas… convenhamos… andar assim a perguntar ao vento...? E depois disso, tentar ainda chegar à conversa com os rios? Pois... Não teria sido melhor ideia, ligar a rádio ou mesmo esperar pelas notícias da televisão. Ou então, telefonar a alguém da sua confiança. Agora questionar o vento? E depois de tudo isso, ele ficar para ali muito admirado e constrangido, porque nem o vento, nem os rios… lhe responderam? Mas meus amigos, alguma vez, tal fora espectável? Alguém pensou que a comunicação entre aqueles elementos, fosse possível? Pois… eu não sei.


Quanto a mim, foi já na longínqua década de noventa, que um grupo de amigos benfiquistas me resolveram brindar com duas quadras, que guardo religiosamente e que hoje quero aqui partilhar convosco. As quadras tinham mesmo como ilustração a figura de um leão, aparentemente já na reforma e a convalescer (mas com muita dificuldade), a uma moléstia qualquer. Estávamos mais concretamente, no ano de 1999. E as quadras eram as seguintes:

“Dezoito anos de espera,
Sinto-me velho e cansado.
Deixei de ser uma fera,
Sou um gatinho amestrado.

E neste campeonato agreste,
Danço tango, danço swing,
Chamo-me Maria Celeste,
E sou fã do Sporting!”

Não é necessário fazer um grande esforço para verificar que uma coisa ressalta logo à vista: Os meus amigos não são lá muito bons poetas. Incontestavelmente, o poeta Alegre, é muitíssimo melhor. E aqueles verdadeiros “poetas de pacotilha”, os que me ofertaram as acima apresentadas “pérolas linguísticas”, deviam de repensar muito bem, a continuidade da sua condição, enquanto trovadores. É que convenhamos, as rimas, são forçadíssimas até mais não. E onde é que “swing”, rima com “Sporting”? Mas… alguma vez? É que para isso acontecer, nós tínhamos que dizer: Sportíííííng. E... ora, tentem lá. E depois, ninguém fala assim. Nem mesmo o Jorge Jesus, senhores!
Após aquela tão triste declamação, eles ficaram a achar, que foi coisa mesmo linda de acontecer. A de poderem-me “poemar” assim. E depois desse tão grande dislate, ficaram para ali a rir-se, até lhes faltar o ar. E eu, coitadinha, ali só e tão desprotegida! Já com uma cara de caso, e a ficar até um bocadinho p’ró esverdeado… Ah pois foi!
Só que eu não sou rapariga de ressentimentos. Nunca fui. Que Deus dê pois, muita saúde, juízo e venturas a todos os meus amigos lampiões. E já agora, aproveito a deixa, e peço à Divina Entidade, que a mim, me dê também, muita paciência e algum espirito de abnegação. É que vendo bem, a crise das vitórias já leva onze anos. E qualquer dia, aqueles maganos, poem-se para ali, a versejar-me, outra vez. Livra!
Sugestão de leitura para esta semana: 100 anos 1907-2007 Benfica-Sporting x Sporting-Benfica... Pior do que Inimigos, Eram Irmãosde Afonso Melo.
DIVIRTAMSEMAZÉ!