Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Quando o dinheiro fala, a verdade cala.



É absolutamente de lamentar, a existência da corrupção por parte de todos, (mesmo de todos sem excepção), a que a ela se verguem. Não poderá haver divisa que compre a nossa cumplicidade em algo que se considera… estar errado. E sobretudo que compre ou determine o nosso silêncio (atendendo às circunstâncias) de verdadeiras mercenárias/os empedernidas/os. Acredito que nada de bom decorrerá no nosso país, nem no mundo, se continuarmos a tolerar os actos condenatórios, cúmplices e corruptos, por parte dos nossos políticos. E a dizer, por exemplo, que os mesmos poderiam ser realizados por nós, se nós por lá também andássemos. E que quem é que nunca ouviu ou disse mesmo a frase: “Se eu lá estivesse? Pois faria a mesma coisa”.
Ora com tal postura, perdemos imediatamente a razão. E podemos ser considerados cúmplices da corrupção que vai acontecendo. A corrupção é assim facilitada, porque é entendida. Nós ainda não sabemos o futuro, nem aonde ainda iremos cair. Temos só uma vaga ideia. Mas não se configura que a coisa vá melhorar grandemente a breve trecho. A corrupção deverá assim continuar. E depois a corrupção pode ser estendida às mais diversas escalas de valor, realizada por membros de todas as classes ou grupos sociais. Mas não pode haver desculpas para ninguém.
Já passaram alguns anos, desde a minha visita ao Egipto. E como eu adorei lá ter estado! Trata-se efectivamente de um país interessantíssimo. Recheado de História por todos os cantos. E que belos gatos eu também lá vi!
Mas foi em Abu Simbel, quando eu, pacatamente me encontrava a visualizar os seus impressionantes monumentos, que se deu, o que era para mim absolutamente… impensável. Pois andava eu por ali, compenetrada e segura, mas não na verdura, porque a terra estava seca, quando a dada altura, eu verifiquei que um elemento das forças policiais, reparava em mim. Mas reparava mesmo em mim. E com muita determinação. Eu era mais nova, claro está. Mas a sua atenção não se deveria à minha exuberância física. Nem à minha estonteante beleza. E muito menos à minha capacidade intelectual superior, e muito acima da média geral. Que é muito visível, até aos olhos dos gatos. Sim, vocês bem podem lá ir ver no meu perfil: a modéstia é algo que não me assiste. Nem nunca assistiu. E não era assim, porque se a minha enorme beleza fosse o isco, o homem teria no mínimo, um ar simpático e amistoso. O que não era definitivamente o caso. E depois, o homem não desviava mesmo o olhar. Como já referi, o seu ar não era nada cativante, muito antes pelo contrário. O homem tinha a sua fácies muito fechada. E o seu olhar era sobranceiro e algo furioso. E estava assim ele, a olhar para mim. Quase com um ar ameaçador. Oh Deus do Céu!
E perante as circunstâncias aqui reveladas, o mais espectável, seria eu sair dali “bem de fininho”, e procurar outros olhares bem mais simpáticos. Mas não foi nada assim, amiguinhos. O que eu fiz foi pôr-me também a olhar para o homem, e directamente. Ora pois, somos ou não somos todos iguais? E então naqueles sítios!? Olhar directamente, que é coisa que muito me têm avisado para não fazer, quando eu visito outros países. Mas eu tenho-me recusado a aceitar tais recomendações. Que de alguma maneira até têm razão de ser. É que há tantos costumes. Há tantas formas diferentes de se comunicar. Os gestos que têm entendimentos diversos nos diferentes locais do globo. Alguns com significados diametralmente opostos aos que são do nosso conhecimento.
Pois, eu fiquei também ali a olhar para o policial. Mas, e decorrido algum tempo, e como a coisa não atava, nem desatava, eu aproximei-me um pouco mais do homem, e sempre sorrindo quis, (porque quis), tirar uma fotografia com ele. É que o raio das máquinas retrateiras, estão sempre ali tão presentes, e a quererem ser sempre manipuladas! Às vezes nem eu mesmo lhes resisto. E… foi assim que mais uma fotografia nasceu.
Contrariamente a tudo o que eu pudesse esperar, atendendo às circunstâncias, o homem acedeu à minha pretensão. E pôs-se ele ali também ao meu lado, mas sempre com aquele seu ar sobranceiro, só que já não estava era a olhar para mim. Olhava era para uma máquina fotográfica muito imponente, transportada (e com muita dificuldade) por uma pessoa amiga.
A frase: “olha o passarinho”, teve ali oportunidade. Eu sorri. Mas o policia não. E tudo fazia crer que o nosso fugidio e muito pouco prazeroso relacionamento, havia cessado naquele instante. Mas nada mais errado, meus amigos. Eu afastei-me lentamente, sempre a sorrir para ele, numa tentativa vã de o reconciliar com a vida. Só que o homem (sempre de ar revoltado) desatou ali aos gritos, utilizando uma linguagem que eu não conseguia perceber de maneira nenhuma. Depois, e ante a minha aparente apatia começa por gritar. “Tip, tip…” E mais “Tip, tip, tip, tip e tip”. No que me recordou à altura, o barulho que faziam, as antigas máquinas de escrever.
Pois era uma gorjeta. O que o magano queria, era mesmo uma gorjeta. Eu, mas no meu lusitano linguajar, lá lhe comuniquei, a minha total indignação perante aquela inusitadíssima situação. Que era uma coisa, muito contra os meus princípios, etc, etc. Só que o entendimento entre as duas partes foi absolutamente… nulo. Aquilo mais parecia o linguajar das duas pessoas, que chegaram primeiro ao cimo da Torre de Babel. Eu a tentar comunicar com muita determinação. Ele a fazer-me muitos gestos, dizendo-me que queria dinheiro. É que convenhamos, eu estava muito longe de pensar, que dar uma moeda a um polícia fosse uma coisa bem vista. Ou necessária. Pelo menos naquele tempo, onde os ordenados na lusa pátria eram mais ou menos condignos. E recebíamos os subsídios a que tínhamos direito. E na hora devida. Mas, e como é que seria a situação ali naquele país árabe? Eu fui ao Egipto, em data bem anterior ao deflagrar da célebre Primavera Árabe. Num ambiente considerado pacificado.
Mas se ele queria uma gorjeta, ou melhor se ele exigia mesmo uma gorjeta e… enquanto carregava no seu corpinho, uma enorme metralhadora… Bem, eu tinha razões para temer. Nunca confiando. Pelo que, quezilenta e revoltada, eu lá abri a minha pequenita carteira, (que nunca teve muito dinheiro), e tirei de lá uma moeda. Tirei a primeira moeda que me veio à mão. E era uma moeda de vinte cêntimos. Não era o suficiente, claro está, mas se o policial juntasse aquela às outras, que outras pessoas lhe haveriam de dar… Pessoas, que eventualmente também abrissem os seus cordões à bolsa, ao fim do dia…
Foi ai que coisa piorou mesmo. É que o homem olhou fixamente para mim, depois olhou muito compenetradamente… para a moeda… Depois olhou outra vez para mim. E as suas bochechas ficaram mesmo da cor das papoilas saltitantes. Tal qual como se o homem tivesse feito uso, de um poderoso blush. Depois disso, ele dá em aumentar o tom dos seus gritos, e de uma forma mesmo muito ameaçadora. Ele, (que como já disse), carregava consigo a tal arma. Se calhar até tinha duas. Estando com certeza, uma… mais escondidinha. Eu é que não sabia disso. E ainda bem para mim.
Só sei, que sai dali sem dizer mais nada. E muito, mas muito, rapidamente. Ele, evidentemente não me perseguiu. Também era só o que me faltava. Mas continuou com o seu vociferar. E a agitar vigorosamente um braço no ar. Desconfio que me deve de ter rogado duas ou três pragas. E também deve de ter colocado em causa, toda a dignidade e o bom nome, da senhora minha mãe.
E foi assim que decorreu o meu único contacto com a pérfida corrupção. Pelo menos que eu me lembre. Mas eu tenho boa memória.
Refiro que para todo o sempre, eu fiquei com uma dúvida existencial muito grande. Quanto dinheiro é que eu tinha que dar, para satisfazer amplamente aquele elemento das forças policiais? Afinal o que eu estava a pagar era um serviço e não sabia. Só podia ser. E depois, será que havia por ali alguma tabulação de preços? Livre de impostos? Existirão por exemplo, policias que façam a sua pose, mas requeiram um preço mais baixo? E que apareçam somente em perfil. Ou que avaliem por exemplo, a devida proporção do custo/benefício.
Eu, é que não sabia nada disso. É que ninguém me havia informado. Pelo que lhe cedi, a quantia que me pareceu “justa” atendendo à circunstância. E a minha intenção jamais fora a de ofender o elemento das forças de segurança. Afinal, e para que é que ele esteve sempre ali a olhar para mim? E com tanta determinação, senhores? A minha intenção sempre foi a melhor. Só que o homem não entendeu assim. E… levou toda aquela minha elementar actuação, muito a peito.
Para concluir, registo que na minha cabeça ficou também (e para sempre) uma certeza: jamais tornarei a tirar fotografias com um polícia. Nem que o mesmo me assedie muito, para que tal aconteça. Pois como facilmente adivinham, é coisa que me está permanentemente a acontecer. :-D
Sugestão de leitura para esta semana: “O Carteirista que Fugiu a Tempo” de Francisco Moita Flores.
DIVIRTAMSEMAZÉ!


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