Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Há, mas são verdes!



O que é que acontece, que faz de nós, admiradores de determinado Clube de Futebol? E francamente, o que é que se ganha com isso?
No meu caso, tudo começou quando o meu pai encontrou, um cromo de um antigo jogador do Sporting. Há já muitos anos atrás. Depois, ele olhou para o leão, já um bocado a desbotar-se, mas em pose agressiva e disse: “Este vai ser e para sempre, o clube de futebol da minha adoração.”
E eu (sem saber muito bem porquê) segui-lhe o rasto no que concerne a preferências clubísticas. E nasceu assim, uma curta tradição. Acresce dizer que, se o meu pai tivesse encontrado o retrato do Eusébio, mostrando os seus peitorais, se calhar eu hoje, posicionar-me-ia na classe dos lampiões. Mas, e registado que fica aqui o começo, eu acabaria por antipatizar de alguma maneira, com o clube vermelho e mais a sua águia. Não é que os odeie, muito longe disso. Os meus melhores amigos até são benfiquistas. Contudo, posiciono-me mais para o lado dos leões. E do estádio dos azulejos sanitários.
E quanto a simpatias clubisticas? Diz-se que é mais fácil mudar de partido politico ou mesmo de religião, do que de clube. Que é algo que ao assumir-se, nos acompanha (e para sempre), até à hora da morte.
Só que se eu pensar bem, até nem ligo lá grande coisa ao futebol. É certo que lhe conheço as regras básicas e vejo uma ou outra partida. Contudo o que eu aprecio mesmo, é assistir às intermináveis conversas sobre o jogo. Com todos aqueles senhores, doutores ou não, que se põe para ali a falar até à exaustão de um passe mal dado, ou da má decisão de um qualquer árbitro. E depois disso, eles vêm quinhentas e trinta e duas vezes, a repetição de um só lance. De seguida, eles falam das polémicas, como se a sua própria vida dependesse disso. Tenho a dizer que (e por causa disso), eu senti profundamente, a morte do Pôncio Monteiro. Eu que até nem alinho pelos portistas, mas que sinto por eles, também alguma simpatia. É que comprovadamente, o meu coração é bastante abrangente. E depois, era delicioso, assistir àquele senhor Pôncio ali a falar? E usar aquele seu modo tão particular de dialogar. Através de uma forma tão irónica e inteligente. Tenho a dizer que para mim, aquele programa televisivo onde ele participava, (e depois do seu lamentável desaparecimento), perdeu 75% da graça. E deixou mesmo de poder contar com a minha assistência. Consta até, que os responsáveis do programa ainda hoje lamentam esta minha tão radical decisão. E o que eles perderam com a minha desistência, Santo Deus? Nem os mesmos querem pensar!
Gosto então mais de ver comentários sobre o jogo, do que o jogo propriamente dito. Poderei assim ser considerada de adepta? Se calhar até não. Além do mais, ser sportinguista é ter uma triste sina. É sofrer, sofrer e… tornar a sofrer. Este ano ficámos em sétimo lugar. Parece que foi a classificação pior de todas. Mas, e nos anos transactos? Pois a coisa não foi muito melhor. E estamos em jejum desde o ano da capicua. Ou seja, desde 2002. E se a capicua for o alento, a repetição da glória só será conseguida lá para o ano de 2112. Parece-me que já por cá não estaremos… E que para longe vá o agouro!
Mas, e se falarmos do outro lado da Segunda Circular? E do azar com que os mesmos este ano foram acometidos? E aqueles meus amigos benfiquistas? O que eles choraram de tristeza? E depois o "meu queridíssimo” Jorge Jesus?… A ser ali tão empurrado, coitadinho?
Mas avaliando bem as coisas, eu acredito que mesmo que se o meu pai na sua já tão longínqua juventude, tivesse encontrado uma águia em pessoa e pedir boleia, eu parece-me que jamais poderia, alinhar pelo lado dos rubros. É que eu confesso, sempre achei muito estranhas, algumas das características daquele clube encarnado.
Por exemplo: Eu gosto muito de os ver, com a mão alapada no peito, a cantar (sem nunca se enganarem na letra), aquele celebre hino do Benfica. Hino esse, que de tão repetido que foi e ainda é, já se pode considerar do conhecimento geral e integral, de todos nós. Sejamos nós benfiquistas ou não. Contudo sempre achei curioso (e também sempre me deu muita vontade de rir), quando eles chegam àquela parte das “Papoilas Saltitantes”. Não acham que aquilo é um bocado esquisito? Estão para ali eles a cantar, a plenos pulmões, e de uma forma tão viril… mas uma letra um bocadito pró “rabicha”? Sim, compararem um exímio e destemido jogador de lances gloriosos a uma papoila…? É que.. já viram bem o que é uma papoila? Ainda se fosse uma alcachofra vermelha, ou mesmo uma árvore de jacarandá? Agora uma papoila? E ainda mais… saltitante? Sinceramente, o que é que isso vos leva a pensar? Eu lamento muito, mas no meu caso, esse pensamento é-me absolutamente involuntário. Além do mais, uma papoila desfaz-se logo. A papoila não consegue ter resistência nenhuma. E depois é sempre muito vaidosa. Pelo menos para mim, que levo sempre em linha de conta, uns versos que me ensinaram quando eu era ainda muito criança. E que rezavam assim:

“Estava a papoila, dizendo ao trigo:
-Como eu sou linda, oh meu amigo!
Mas nisto passa um lavrador,
E com a foice, corta a flor.
Filhos: é bom ter formusura
Mas ser vaidoso, não trás ventura.”

É óbvio que não vou entrar em grandes detalhes, pois a comparação é muito forçada e pode não dignificar a massa associativa benfiquista. Pelo menos à massa a que pertencem as pessoas de que eu gosto muito e a quem desejo as maiores felicidades. Mas vejam lá uma coisa: é que lá está (e mais uma vez), a papoila. Que detém em si, características muito pouco recomendáveis. E sempre com uma grande vulnerabilidade. Pois acaba por estar ali, à mão de semear, de todos lavradores, sejam eles do Chelsea, do Estoril ou mesmo do Guimarães. 


Mas meus queridos amigos benfiquistas, se o hino não vos faz impressão? Quem sou eu para refutar? E desculpem-me até mesmo, esta minha ousadia.
Depois vem também aquela ideia, de que só é bom chefe de família, quem é benfiquista. Mas onde é que isso ficou provado? Quais é que foram os estudos realizados, que de tão precisos e científicos, não poderão nunca desmentir tal teoria? Para além disso, é mais ou menos do conhecimento geral, que essa coisa dos cargos das chefias familiares, já se foi atenuando com a passagem dos anos. É que as famílias (e felizmente) têm cada vez mais, responsabilidades repartidas. Pois eu “apreveito” assim e desta maneira, para chegar a algumas considerações. E não as coloco nas mãos de “tarceiros”. É que eu “dou-les” mesmo aqui, todas estas minhas teorias possidónias… E gratuitamente. Para bem da continuidade da pacífica convivência entre todos. Devemos pois, continuar a… “acarditar” nisso. Nem que para isso, tenham que vir, os “Motocards” da Amadora.
E depois todos dizem que o Benfica detém uma enorme massa associativa. Desse clube tomam acento, personalidades de grande relevância. E de todos os quadrantes do panorama nacional. Das quais eu destaco o Manuel Alegre. O Poeta Alegre. E destaco-o porque é por inerência, aquele que me diz mais. Fala-me... e como dizer? Assim, mais ao coração. E são da sua criação, poesias inspiradíssimas, que nos fazem vibrar de emoção. Ajudam-nos mesmo a sentir, muito orgulho do nosso país e da nossa cultura.
Contudo, lá está, existe também uma coisita de muito pouca relevância… E vocês desculpem-me mais uma vez eu entrar assim em seara alheia. Prometo-vos é que vou ter cuidado especial com as papoilas… Mas continuando, é que o poeta Alegre, a dada altura da sua vida, andou a perguntar ao vento, quais é que eram, as notícias do país. Saber por exemplo, se estivera a chover? Ou se caíra geada? Entre (e naturalmente), muitas outras inquirições. Deve de ter querido saber, se o seu Benfica havia triunfado…? Nesse tempo, o Poeta Alegre estava “fora de portas”. E forçadamente, pois a sua presença, não era nada tolerada por cá. Fora pressionado a sair pelos líderes portugueses da altura. Que eram reconhecidamente, muito repressores e reacionários. Nada recomendáveis, mesmo.
Está tudo muito bem. Ou melhor, estava tudo muito mal. Mas… convenhamos… andar assim a perguntar ao vento...? E depois disso, tentar ainda chegar à conversa com os rios? Pois... Não teria sido melhor ideia, ligar a rádio ou mesmo esperar pelas notícias da televisão. Ou então, telefonar a alguém da sua confiança. Agora questionar o vento? E depois de tudo isso, ele ficar para ali muito admirado e constrangido, porque nem o vento, nem os rios… lhe responderam? Mas meus amigos, alguma vez, tal fora espectável? Alguém pensou que a comunicação entre aqueles elementos, fosse possível? Pois… eu não sei.


Quanto a mim, foi já na longínqua década de noventa, que um grupo de amigos benfiquistas me resolveram brindar com duas quadras, que guardo religiosamente e que hoje quero aqui partilhar convosco. As quadras tinham mesmo como ilustração a figura de um leão, aparentemente já na reforma e a convalescer (mas com muita dificuldade), a uma moléstia qualquer. Estávamos mais concretamente, no ano de 1999. E as quadras eram as seguintes:

“Dezoito anos de espera,
Sinto-me velho e cansado.
Deixei de ser uma fera,
Sou um gatinho amestrado.

E neste campeonato agreste,
Danço tango, danço swing,
Chamo-me Maria Celeste,
E sou fã do Sporting!”

Não é necessário fazer um grande esforço para verificar que uma coisa ressalta logo à vista: Os meus amigos não são lá muito bons poetas. Incontestavelmente, o poeta Alegre, é muitíssimo melhor. E aqueles verdadeiros “poetas de pacotilha”, os que me ofertaram as acima apresentadas “pérolas linguísticas”, deviam de repensar muito bem, a continuidade da sua condição, enquanto trovadores. É que convenhamos, as rimas, são forçadíssimas até mais não. E onde é que “swing”, rima com “Sporting”? Mas… alguma vez? É que para isso acontecer, nós tínhamos que dizer: Sportíííííng. E... ora, tentem lá. E depois, ninguém fala assim. Nem mesmo o Jorge Jesus, senhores!
Após aquela tão triste declamação, eles ficaram a achar, que foi coisa mesmo linda de acontecer. A de poderem-me “poemar” assim. E depois desse tão grande dislate, ficaram para ali a rir-se, até lhes faltar o ar. E eu, coitadinha, ali só e tão desprotegida! Já com uma cara de caso, e a ficar até um bocadinho p’ró esverdeado… Ah pois foi!
Só que eu não sou rapariga de ressentimentos. Nunca fui. Que Deus dê pois, muita saúde, juízo e venturas a todos os meus amigos lampiões. E já agora, aproveito a deixa, e peço à Divina Entidade, que a mim, me dê também, muita paciência e algum espirito de abnegação. É que vendo bem, a crise das vitórias já leva onze anos. E qualquer dia, aqueles maganos, poem-se para ali, a versejar-me, outra vez. Livra!
Sugestão de leitura para esta semana: 100 anos 1907-2007 Benfica-Sporting x Sporting-Benfica... Pior do que Inimigos, Eram Irmãosde Afonso Melo.
DIVIRTAMSEMAZÉ!


Sem comentários: