Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

terça-feira, 10 de março de 2015

Considerando que...



Existe um dia que me “encaganita” verdadeiramente. É o Dia da Mulher! Mas porquê, senhores? Existir um dia em que se falam nas causas pertencente exclusivamente à condição feminina. Mas seremos nós assim tão exclusivistas? No dia em que os homens sorriem e oferecem flores. E falam nas virtudes de toda uma classe, que têm como denominador comum o facto de terem nascido com uma “pipi” localizada lá para o centro do corpo. Mas e os outros dias? Não serão eles igualmente dias das mulheres. Das mulheres e dos homens. Já para não falar dos cães, dos gatos, lagartixas, galinhas e outros seres vivos, que connosco dividem este nosso espaço terreno?
Por outro lado, ninguém me fale em conversas de cotas. Não das velhas, que a esse estádio eu vou pertencendo cada vez mais. Mas das percentagens de mulheres a “localizar” num determinado espaço. Com uma determinada função. Em locais de decisão. De projecção... Mas as coisas têm mesmo que funcionar assim? Acho que existem mulheres competentes e incompetentes, a coisa deve corresponder mais ou menos à escala do que sucede no masculino, onde o trabalhador não pode ser considerado muito válido, só pelo simples facto de vir munido à nascença, de um orgulhoso penduricalho.
As mulheres já mostraram, e continuam a mostrar, que são tão capazes como os homens. São as mais estudiosas (quando a isso se dedicam). São as mais competentes (quando para aí estão viradas). E são as mais determinadas, quanto se exige.
Não são as cotas que nos podem vir a dar confiança necessária ao nosso género. Onde é que alguém, minimamente inteligente poderá querer estar somente… por obrigação? A mulher destaca-se e é capaz. Só quer mesmo é ter as mesmas possibilidades que são facultadas à partida, ao seu parceiro masculino. E vamos de uma vez por todas alinhar em algo que considero indesmentível: as mulheres não são todas iguais. Nunca houve (e é bom que nunca exista), nenhuma forma mágica/aterrorizadora, que nos possa formatar todas ao mesmo molde.
Por isso, também não vi com grande apreciação, a invasão de mulheres à agora muito célebre barbearia lusitana. Pois, amigas invasoras, vocês fizeram precisamente aquilo que eles sempre quiseram ter. Publicidade. Passaram de uma barbearia igual a tantas outras, a uma barbearia onde deixam entrar homens e cães. E nós não entramos. Mas, e depois? Quem é que no nosso juízo perfeito lá quereria entrar? Permanecer? E para quê? Para aparar o buço? Definir a barba? Mudar o corte da nossa púbis? Se os homens querem efectivamente lá estar na companhia exclusiva dos seus pares e dos cães? Pois que fiquem. Eles lá saberão a gratificação que ali vão alcançar. Ou então ainda lá a irão descobrir. E depois, podem não só dedicar-se às suas conversas de eleição, sejam elas quais forem, não podemos aqui (nem nunca) ser preconceituosas, como também ao cuidado muito elaborado e prestimoso a ter com os seus canitos. Podem pentear os cães, dar-lhes banho (lembram-se daquele celebre frase, nada elogiosa do passado?). Podem ainda catar-lhes as pulgas, e fazer troca das carraça pois devem de existir várias tipologias. Devem... Wo cares?
Da mesma maneira que não achei qualquer sentido, àquela célebre campanha dos homens que se deixaram fotografar… de salto alto. Dizia-se à priori, que o objectivo da mesma, era fazer com que os mesmos se pusessem (por instantes) na condição das mulheres. Mas porquê de salto alto, senhores? Andaremos todas de salto? E convenhamos, quem é que obriga alguém a andar de saltos altos? Estará isto incluso da super-propagandeada condição feminina. Género: Se não usas saltos, és uma bardajona? Pois, coisas parecidas a essa, eu já tive oportunidade de ler neste mundo virtualmente blogosférico. Ou por outra: será alguma medida de austeridade ainda pertença ao desconhecimento geral? Para podermos andar a tropeçar umas nas outras (e nos homens que também tanto apreciam andar de saltos) e salvaguardar assim contusões variadas que nos poderão levar à morte?
E depois convenhamos: eles assim trajados representam quem? As que de nós têm que correr todo o dia. Da escola dos miúdos para o trabalho, do trabalho para a escola dos miúdos?...  Já para não falar da sua “natural” obrigação ao fim do dia, de confeccionar as refeições para a ganapada?
Ou aquelas, que tendo esse trabalho, ou não, passam o dia de pé, numa linha de montagem  de uma fábrica qualquer? Estarão eles a lembrar-se também daquelas que trabalham no campo, quase de sol a sol. Que tiram da terra o sustento para elas e para a família. As que trabalham nas unidades de produção intensiva? Andarão todas essas mulheres de salto alto agulha, ou o que raio é aquilo? Será depois que mesmo que elas quisessem, fizessem disso, assim muita questão?
Pois assim à partida tal não me parece. Quando muito os homens de salto, representarão um clube privativo de dondocas, muito bronzeadas e "celicóticas". Fingidoras assumidas do consumo do “cocrete” e do espumante cada vez mais nacional. As tais que morrem de medo de assumir proporções mais avantajadas lá para a zona “rabal”.
Agora se o caso é devido ao facto de terem aceite o o convite, usando para isso de toda a sua proverbial e inquestionável vontade de ser solidários com “causas”, e juntaram a isso também, o seu gosto “não confessado” de se fazerem apresentar em tais preparos… pois na minha modestíssima opinião, até podiam ir um pouquinho mais longe: e a começarem a andar sempre de salto alto. De trinta, quarenta ou mesmo cinquenta centímetros. E para completar o figurino, até poderiam adquirir umas malinhas, de mão ou mesmo de tiracolo, daquelas de marca (as vossas amigas dondocas explicam-vos melhor como adquiri-las) para fizerem pendant. Num primeiro momento seriam notados, pois claro. Mas depois, e como em tudo na vida, ocorreria o chamado fenómeno da habituação!
E se mesmo depois disso tudo, ainda se quisessem pôr mais no papel das mulheres, sentissem que ainda lhes faltava alguma coisa, podiam fazer à semelhança de um episódio que eu ouvi “à atrasado”:

Leonel e Genoveva estavam prestes a conhecer o seu Rebento Primeiro. Genoveva, larga e quase sem poder carregar consigo, estava já a ir para a Maternidade. Ela e Leonel levavam na mão já a malinha com as roupas e cremes que se exige em similares circunstâncias.
Já na sala dos partos, quando naturalmente o petiz já devia de ocupar a poll posicion para sair, é que o médico principal propôs ao parturiente:
-O senhor Leonel querendo, poderia participar na nossa grande inovação no que aos partos diz respeito. E nós ligávamos a si, que é o mais ansioso pai do momento, este pequenito cabo. Esta simples ligação, faria com que o senhor pudesse sentir (e em ex aequo com a sua patroa) também as dores do parto. E assim poderá haver uma unidade muito maior entre vocês todos. Com muito mais entendimento e solidariedade.
Leonel aceitou logo. Não podia ser de outra maneira. Afinal aquele empreendimento era dos dois… e quanto mais comungassem… Pelo que o médico prontamente, lá lhe ligou aquele mecanismo.
E disse o doutor:
“O senhor vai agora sentir, cinco por cento das dores que a “sua jóia mais sagrada e tão escolhida por si” está presentemente a sentir. Está preparado? Pronto… Como é que se sente, sr. Leonel?”

Resposta do homem:
-Olhe. Atendendo às circunstâncias eu acho que até estou relativamente bem. Sinto uma pequena dor nas cruzes, que aliás já trazia de casa. E uma dor de cabeça que me apanha os olhos e parte da testa, por assim dizer, mas… não sinto assim um grande, grande incómodo…

Disse o médico: Então agora vou-lhe aumentar-lhe o nível de dor para os dez por cento, se me permite. Para poder ficar com uma ideia mais clara sobre o que a sua “pimpinela mais brilhante” está a sentir neste momento preciso. (…) E agora senhor? Sente mais alguma coisa?

Respondeu o Leonel:
-Ah agora sinto, senhor doutor! É que para além da dor lombar e da dor de cabeça, sinto um pequeno formigueiro na ponta do dedo grande do pé direito. É algo muito incomodativo. De facto.

O Médico estava verdadeiramente impressionado. Aquele Leonel era muito valente. Outros homens naquelas circunstâncias, já se estariam a rebolar pelo chão com dores. E a chamarem aos gritos, pelo auxílio divino das suas mãezinhas. Mas aquele Leonel estava muito bem. A reagir como os heróis. E por momentos o médico pode acreditar um pouco mais, na (às vezes pouco evidente) valentia masculina. E ali, decidiu aumentar-lhe a dor para quinze por cento.

-E agora, - perguntou novamente o médico,- Já está mais desconfortável?

-Sim, - disse o Leonel.- Agora também sinto uma comichão ligeira na ponta do escroto. Se calhar tem a ver com uma micose herdada por mim desde os bancos do jardim-escola. Sim estou aqui muito “malzinho” mesmo, senhor doutor! Não existe qualquer dúvida. E só lhe posso dizer uma coisa: coitadinha da minha dama! E de todas as outras parturientes!

-Pronto, senhor Leonel. Estou esclarecido! E eu não lhe vou infligir mais sofrimento. E pode ficar com uma certeza: o senhor é o homem mais intrépido que algum dia me foi dado a conhecer. Vai figurar com toda a certeza, no topo do pódio de todos os participantes desta “enjorca” hospitalar. Parabéns, amigo! Mas agora temos que dar toda a atenção, à sua cônjuge, que coitadinha (e por causa deste exercício todo) está para ali já… que nem pode!

E o parto aconteceu, e o Leonelzinho Maria nasceu são e escorreito. E com muita força pulmonar.
Só que passados dois dias, quando a família feliz, chegou a casa é que foi informada do acontecimento de algo muito perturbador. É que o senhor Rui, jovem e a muito atlético carteiro, havia falecido havia dois dias atrás. Tolhidinho com muitas dores, de origem desconhecida. Enquanto tentava, sem sucesso, executar com muita dedicação, todo o exercício das suas funções.

Sugestão de leitura: Sempre Vivemos no Castelo de Shirley Jackson.

DIVIRTAMSEMAZÉ!


Nota: O grande Homem e Eminente escritor Mário de Carvalho dizia (e diz ainda felizmente): “que não se deve confundir Género Humano com Manel Germano” E é um facto. Ao que parece a receita de tais “papagaiadas” reverterá a favor da Associação Laço. Associação que merece toda a minha simpatia e solidariedade. Bem-haja a todas, e a todos, os que ali colaboram. Melhoras rápidas, efectivas e continuadas para as mulheres padecem de tão horrível e ardilosa maleita. E convenhamos, ninguém (mas ninguém mesmo) poderá estar a salvo de um dia ter que vir a recorrer à Laço.
Mas para concluir: Se as receitas do catálogo forem para a Associação (forem efectivamente para lá), pois não se perde tudo. Mais, quanto a mim essa é a única parte que se aproveita nesta verdadeira macacada revisteira.

DIVIRTAMSEMAZÉ!