Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Foi a um Domingo...



 


O dia prometia. No ar havia a promessa de que iria acontecer… um grande “combibio”. Isto porque as pessoas, muito contentes por terem participado numa excursão organizada, e com destino à Asia Central, acharam por bem rever-se novamente. Mas essas pessoas excursionistas, muito agradadas que estavam com a companhia umas das outras, não chegavam para ocupar um autocarro. Só que naquela manhã ensolarada de Outubro, contudo havia a presença de tanta gente... que ocupavam... mais um outro autocarro. Mas de onde é que viera tanta gente? E iria comemora-se exactamente mais o quê?

Salette Sampaio mais o seu pai recém-viúvo também acederam ao convite. Salette, uma tal que também havia viajado na outra excursão. A mesma que também lhe havia deixado gratas e inesquecíveis recordações. O pai, esse ia mais como penetra. Sempre era uma forma de sair de casa e conhecer gente nova. Ou nem tão nova assim, mas que ele ainda lhe desconhecesse a existência.

E para além de Salette ia também a Engrácia Maria, também ela quarentona, e a pedir meças à condição de novas e muito gratificantes aventuras.

No dia anterior contudo, Rodolfo José, o organizador daquele programa de festas, telefonara a Salette. “Pois”, dissera-lhe ele, “que lamentava muito, mas as coisas não podiam acontecer como haviam sido previamente combinadas”. Os motoristas afinal não seriam os que eram para ser, pelo que assim... lhes desconhecia o contacto. Pelo que os mesmos, iriam somente a duas ou três das quatro paragens que estavam previamente combinadas. Pois que a Salette tivesse paciência e que viesse ter com os outros todos, à povoação de Alguidares de Cima e Capela. Lá estariam todos de braços e de garras muito abertas para a receber. Salette torceu logo ali o nariz. Ela detestava que lhe trocassem as voltas. Ainda mais depois de um desgosto tão grande. O pai, coitadito, lá continuava a carpir as mágoas. “A sua santinha fizera-lhe tanta falta!” Ainda para mais, agora tinha forçosamente que ir de "rojo" com a filha até à povoação dos Alguidares, que até ficara destituída da sua rica Junta de Freguesia.

Só que Rodolfo José não se desmarcou. Se tivessem assim tantos problemas, ele próprio os iria ali buscar. Nada de mais, atendendo à circunstância de que fora justamente o Rodolfo José quem se metera em tais assados. E se se metera em tal, ele teria que ter mais alguns ganhos, é que trabalhar para aquecer, não era agora nem nunca. E começou a telefonar aos outros excursionistas, dizendo-lhes que tivessem paciência, e que fossem buscar Salette Maria mais o seu pai ainda tão choroso e magoado.

No dia da festa, reúnem-se as hostes. Salette Maria mais o seu pai ainda conheciam alguns dos que não haviam estado na Ásia Menor e na Ásia Maior. Contudo Engrácia Maria só conhecia um ou outro e alto lá. Depois de visitadas as outras duas capelinhas previamente aceites pelos motoristas, lá se reúne todo um excelente conjunto. E que belo conjunto ali se reuniu! A próxima paragem prometia. Era exactamente a Terra dos Piços. Mais concretamente aquela que tem umas termas medicinais, tornadas famosas pela tal rainha que estava de passagem e se encantara realmente pelos efeitos benéficos prometidos por aquelas águas termais. E que belas canecas por ali existem! Com objectos perfuradores colocados erectamente lá dentro. Conforme se bebe, assim pinga no nariz.

A viagem começou com muita e saudável (duvidosa) animação. Primeiro a excursionista mais velhota, começou para ali a cantar uns salmos. Depois disso, uma só um pouquito mais nova, que era também uma forte adepta do Sporting, começou para ali a cantar a plenos pulmões o hino do seu clube do coração. Só que pouco ou nada tinha da Maria José Valério. E muito menos com a Maria Callas, que ela insistiu também ali em ofender a memória. E como ela insistia, senhores! E vai de dar agudos para trás e para a frente e com muitíssima determinação. Salette, a tal que estava danada desde o dia anterior, franzia a cara em dezassete. Engrácia, coitada pressionava os tímpanos e maldizia a sua sorte. O pobre viúvo, também já não sabia de que terra era. Depois foi a vez da tal sportinguista insistir nas anedotas, que levava diligentemente escritas num caderninho a rigor. E de "graça" em "graça", ela lá ia arrancando um ou outro bocejo, ou então um ou outro sorriso amarelo canário. Às tantas ela arriscou: “Sabem mesmo o que é um cigarro, queridos convivas?” “Ninguém sabe”, continuou ela para ali a dizer até ao limite do impossível. “Pois é um cilindro, que tem lume numa ponta e um idiota na outra”. E depois disso, ela ficou para ali a rir sozinha numa cor muito escarlate devido a tanta emoção.

Mais para o meio do autocarro ia Clementina na companhia do seu "rico" esposo. Eles que fumavam mais ou menos desde a pré-primária. E prefiguraram os dois ali, a personificação de dois dos idiotas. E isto, sem querem ou terem sequer solicitado tal classificação. “A coisa prometia mesmo”, pensava assim toda a gente.

Na cidade das Caldas, da tal Rainha, parou-se numa igreja muito antiga. Só que ninguém estava minimamente preparado nem para rezar, nem para fornecer ali qualquer informação suplementar. Mas mesmo assim saíram todos, depois de manifesto esforço por parte daqueles que eram mais coxos e inevitavelmente menos ligeiros. E lá foram eles todos para a igreja. Onde também andavam pendurados, uns dois ou três restauradores, que viram assim aquele “seu” espaço invadido, por hordas de gente que procurava tudo, menos aquilo que fazer.

Saídos do espaço, voltam uma vez mais bem enfileirados para o autocarro. Com as mesmas pressas do costume. E a volta seguinte era andar por ali, de autocarro a ver o mar e mais três ou quatro árvores. Com a sportinguista a gingar as ancas em perfusão e a continuar a dar azo ao seu ego tão inflamado.

E depois visto que estava o mar, mais as três ou quatro árvores, seguir-se-ia o restaurante. Que estava inserido numa enorme quinta e sem que tivesse mais nada à volta. E aquilo nem sequer era uma excursão de vendas, senhores! Porquê então um tão grande isolamento?

Na quinta iniciaram-se depois as hostilidades. Ali os grupos eram mais do que muitos. Todos à espera de vez. E conforme se iam despachando do “rissou e do cocrete”, e do espumante nacional, passavam para uma sala imensa, cheia de mesas de doze lugares. Pois aquilo teria que ser tudo cheio, claro estava.

Salette ficou com o pai e a sua amiga Engrácia. Ao lado de mais dois ou três conhecidos. E os outros? Haviam de se conhecer futuramente. Assim houvesse para tal... disposição.

O viúvo rezava pela alminha da que já lá tinha. Salette e a amiga esperavam uma sopa de peixe, que se fizera anunciar. Nada má, mas também nada de excepcional. É que era tanta gente. Como é que se consegue cozinhar com esmero para tanta, mas tanta, alminha exuberante?

Depois vieram outros peixes. E depois as carnes. A sobremesa. E o vinho de fraca qualidade também por ali circulava. Na mesa do lado, contrariamente ao espectável, circulava um mui sofrível vinho verde. Naturalmente ao contento da sportinguista, que quando se lembrava, se levantava do seu sítio e se punha a dançar de pernas bem abertas, de mãos no ar e a cantar: “Rapaziada, oiçam bem o que eu vos digo, e digam todos comigo: Viva o Sporting!” Cantava ela rejubilantemente, só que sempre sozinha. Mas porque seria?

Na mesa do outro lado, os ocupantes riam a bom rir, depois dos segredos de um empregado de mesa, muito pequenino e com um farfalhudo bigode. Sorrateiramente ele lá se lhes ia dirigindo. E atempadamente, os convivas tiveram oportunidade de se inteirarem de informações tão importantes como: “Arroz é de que género? Masculino ou feminino?” Pois… também ali ninguém sabia. Resposta pronta daquele muito impetuoso ser de avental preto: “Pois depende, meus amigos: se for de tomate, é menino. Mas se for de grelos”… vocês já sabem qual é a resposta, não é verdade?

“E o peixe mais forte que existe no mar?” Continuava o tal descarado. Seria o Tubarão. A Baleia Esbranquiçada? Ou a Orca? “Pois que não”, respondia o tal senhor estouvado. “É o bacalhau, porque depois de morto, ainda lhe fazem uma punhet@. Esclarecidos assim ficaram todos aqueles convivas. Esclarecida fiquei também eu. Assim como os meus riquíssimos leitores. E quem é que é amiguinho, quem é?

E ao repasto de fraca qualidade seguir-se-ia o baile da praxe. Num canto estavam os visitantes da Asia. Nada estava a ser como o que lhes havia sido prometido. Mas o que é que era aquilo, senhores? O Baile do Entrudo? Mas estava-se ainda no mês da República Desconsiderada.

No palco, um senhor obeso, estava repimpadamente sentado atrás de um pequenito órgão. E depois de iniciados três ou quatro acordes, começou a cantar, com uma voz de falsete, grande parte das músicas pimba da actualidade. E também as do antigamente. Todas as músicas pimba da actualidade. Todas as músicas pimba… do antigamente. O importante mesmo, era por todo aquela gente a dançar. Ainda por cima, logo após tão substancial repasto…

Ao largo ouvia-se ainda uma voz velhinha, desditosa e persistente que gritava: “Só eu sei, porque não fico em casa!” Pois. Tivessem uns e outros… toda essa certeza!?

Cá fora ainda se juntaram os tais “asiáticos” algo frustrados. Conviveriam ali. Era o que lhes restava. E falaram das agruras da vida e do preço excessivo do pitroil. E de uma e outra temática igualmente aliciante.

E depois de bastante tempo passado, também já estava o baile acabado. Seguir-se-ia o lanche ajantarado. Revelando os convivas uma voracidade já algo mediana. E da recolha sumária por parte de alguns, de bolos e de pão que fazia muita falta lá em casa. É que comer sempre se come todos os dias. Pelo menos é o que desejavelmente deve acontecer. E depois de muitos beijos e abraços, que regressaram mais uma vez… ao meio de transporte colectivo.

Engrácia para terminar ainda perguntou ao senhor Cinzento, seu colega no banco da camioneta, se ele havia gostado do convívio. “Sim!”, foi a resposta imediata e satisfeita que ela obteve. “Isto corre sempre tudo muito bem. Logo a mim, que já sofri tanto na vida. Que já tive que fingir tantas vezes… que estava tudo bem!”. Perante isto, Engrácia ficou convencida que existem pessoas que procuram na desventura, uma explicação determinada para o destino que lhes coube em sorte. Efectivamente seria muito pior, se o senhor Cinzento fosse acometido… por uma trombose qualquer.

E finalmente… e finalmente senhores, veio o regresso à casinha. E à boa vida efectiva.

Sugestão de leitura para esta semana: “A Doida do Candal” de Camilo Castelo Branco.
DIVIRTAMSEMAZÉ!

 
 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Sonha sem medida, alongarás a vida.





Quando Ela o vira pela primeira vez, ficara-lhe indiferente. Pouco lhe tocara o facto dele se apresentar sempre de cara franzida e com roupa irrepreensivelmente engomada. Ainda menos lhe cativara o facto de o mesmo pouco falar. Ora se não falava era porque não queria, claro está. Ou seria também ele um sofredor de Mutismo Selectivo? Pois, num primeiro momento Ela não soubera nada disso, nem nada quisera saber.
Só que inexplicavelmente, ele lá lhe foi procurando a companhia. Buscava-lhe o olhar no silêncio da inevitabilidade dos dias que passavam. E por fim, mas no fim mesmo, ele lá lhe procurara, a palavra. E Ela ficou também a calcular que ele também lhe procurava o consolo. Erradamente, pois muitas são as vezes em que o coração de uma mulher tenta percorrer caminhos jamais idealizados pelo outro diabo. E, foi quase sem dar conta, que ela já estava na dele. E perdidamente exaltada.
Não que os olhos dele, olhos castanhos, cansados e tristes, lhe tivessem feito ver novas e prometedoras realidades. Não que as parcas e pobres palavras por ele proferidas tivessem nela um efeito de tal forma estimulante, que lhe melhorassem de forma significativa toda a sua existência. Não. O que contava é que ele estava ali. E sem aviso prévio, ele ia por ali estando, preenchendo-lhe depois e inexplicavelmente, todas as vagas do seu pensamento.
E, fora a partir dali, que ela sonhara em lhe poder mostrar que as noites de Estio são tão belas! Apascentara igualmente a ideia, de que, e numa noite qualquer, Ela lhe daria a mão e levá-lo-ia a ver as estrelas. E com isto, ela não se estava a referir a um despótico e pouco propositado orgasmo. Nem a outras cenas refractárias, retiradas à sorte de um qualquer Kama Sutra. Não! Ela quisera somente mostrar-lhe… as estrelas. Só isso. E se se deitassem e olhassem para cima, eles veriam juntos, constelações e constelações infinitas. Daria depois para imaginar vidas que, a existirem ou não, em planetas longínquos, também na direcção deles pudessem estar a olhar. Ao olharem para cima, eles perderiam a consciência de que estavam para ali amarrados à terra. E por poucos instantes até poderiam imaginar que estavam a voar. Finalmente livres de quaisquer amarras. E entrariam finalmente em toda aquela imensidão. Pois, todos esses exercícios, haviam sido já experienciados por Ela.
Em outras ocasiões, eles poderiam contar as vezes que o vento ondeava a seara madura. Ouvir-lhes a música que daí resultasse. E fazer jogos com perguntas engraçadas de fazer, em que a resposta era obtida através do número de vagas obtidas. Ou então através da contagem das ondas do mar. Verem os barcos que passavam no mar alto.
Quisera Ela também mostrar-lhe as maravilhas que constituem os dias de Outono. Mostrar-lhe todas as cambiantes florestais. Procurar com ele as paletas de cores, até ali desconhecidas. Para Ela era tudo tão simples, tão diáfano e infantil! Quisera pois Ela amá-lo na simplicidade suprema.
Houve uma altura em que para ele olhara e se enchera finalmente de coragem E quisera chegar a ele. Tentara emociona-lo. Pretender assim levá-lo finalmente com Ela? Tarefa desditosa. Mas, e… contra todas as expectativas, convidara-o a sair. Mandou-lhe uma carta. E depois ficou para ali à espera da volta do correio.
Contudo o tempo veio a confirmar que de nada valera aquele convite. Já que a vontade, se alguma vez existiu, aparentemente se perdera por essas ondas hertzianas afora. Se calhar a mensagem foi ter com as outras mensagens mortas à partida por não serem absolutamente necessárias. Quem sabe se estão todas no além a conversar, ainda meio tontas, sobre aquilo que lhes havia acontecido. Ou melhor: a falar daquilo que não havia acontecido.
Mas para Ela, a raiva se a houve, morrera quase à nascença. E a mágoa, se a houve não chegou sequer ao acto de contrição. Para sempre contudo, ficaram todas as expectativas criadas. E os cenários por ela (e por outros) imaginados, são bem capazes de habitar numa outra dimensão qualquer.
E os anos passaram. Muitos anos aliás. Ela já envelhecida, e munida de um saco, circulava com vagar por um Centro Comercial muito na berra. E das montras, ela via coisas a brilhar. Muitas coisas a brilhar. Depois ela vislumbrava também, roupas coleantes e de cores infinitas. E peles que haviam habitado em outros corpos, que depois seriam sacrificados à vaidade humana. Seguiam-se também lojas com muitos bolos e chocolates. E gelados e gomas em perfusão. Isto apesar da palavra “dieta”, fazer sempre parte da ordem do dia de uma comunidade amorfa.
E Ela, girava por lá. Não que aquele espaço fosse para Ela, o mais apetecido. Dos objectos que Ela por ali via, pouco ou mesmo nada tinha. A sua reforma era pequena, e não dava para muito. Mas também, disso não tinha assim tanta pena. As roupas, não era ali que Ela as comprava. Os chineses eram simpáticos e pediam-lhe poucos ”eulos”. Os ciganos da feira, também eram engraçados de ouvir. E depois disso, as vestimentas nela, duravam-lhe eternidades. E fora por mais do que uma vez, que ela se pusera a remendar. E conseguia fazê-lo com tal arte, que ninguém, mas mesmo ninguém, lhe havia notado a reparação.
O que ela gostava ali de ver, era o movimento das pessoas. Todo aquele frenesi. Umas pessoas, uma grande maioria, estavam sempre muito agitadas. Carregavam sacos e sacolas, que à primeira oportunidade lhes escorregavam das mãos. Outras mais como ela, olhavam somente e tomariam mentalmente nota daquilo que por ali estava exposto. “Quem sabe se lhes viria um dia um Euromilhões no sapatinho? Quem sabe se não iria acontecer uma dádiva (era mais fácil mesmo ganhar o Euromilhões), qualquer governamental? E passeavam-se assim mais calmas, alisando desta feita a espuma dos seus dias.
Ela, também gostava de ver a interacção entre os jovens, carregando com eles as suas inúmeras “maquinetas” modernas. Enquanto que os mais velhos, levavam os seus sacos de plástico, recheados de jornais e de outras demais recordações. E depois, Ela ainda tinha tempo para sorrir a quem por ela passava. Mas a maior parte nem lhe ligava. Achá-la-iam louca? “Olha o Raio da Velha! Mas que petulância!” Quase que pareciam dizer. Mas sempre existia um ou outro que lhe sorria também e com ela assim também interagia. Conseguindo-se à partida uma sinalética que recordava vagamente que mais do que as posses monetária que se guardavam nos bancos, pesava um pouco mais o facto de pertencerem ambos à condição humana.
E foi já perto da saída, que Ela olhou para um casal. Ele de fato elegante, unhas bem cuidadas e com a cara a rigor. Ela bem mais nova, também muito elegante e extremamente bem maquilhada. E os anéis dela refulgiam brilhos em todas as direcções possíveis. E foi por um brevíssimo instante, que Ela pareceu recordar uns tais de uns olhos castanhos. Que um dia no seu passado ela achara tristes. Ele, e por um momento também, pareceu também tê-la reconhecido. Pelo que a olhou mais um pouco, franziu o sobrolho… E, resolutamente, lá deu o braço à sua tão distinta madame, entrando logo em seguida em mais uma loja.
Dos sacos que eles levavam, saiam publicitações várias. Ela ainda teve a oportunidade de ver referências às Canetas Monte Alpinas. E também aos melhores relógios, que dizem ser os rolantes. E num ápice ela vislumbrou ainda outras publicidades a demais roupas das marcas mais luxuosas, que permanecem impolutas de tão desejadas no cimo desta côdea terrestre. Assim e com tanta coisa, seria de prever, que ninguém pudesse ficar levemente decepcionado. “Mas… e seria mesmo, ele?”
“Não”, pensa finalmente Ela. “Não podia ser!”, “Ou então até podia, só que não me reconheceu, no meio de tanta ruga... Ou então, ele não me quis reconhecer”.
Mas, e depois? Pois já nada disso importava. É que para trás das costas tudo fora jogado. Agora ficara-lhe somente alguma nostalgia de alguns dos tempos passados. Em que ela era mais jovem e ligeira. Em que via com muito melhores olhos, o nascer e o por do sol. Em que tinha os seus olhos verdes, ainda carregadinhos de esperança. Em que tinha ainda, a sua querida mãezinha. Em que tinha…
E por fim lá foi Ela. Lá foi prosseguindo o seu caminho. Sem muitas pressas, ou ânsias desnecessárias. Ela que levava com Ela, um único saco. Um saco somente. Que ia cheio de sonhos, polvilhadinhos de açúcar. E isso, bastava-lhe. Como aliás, sempre lhe havia bastado.
Sugestão de Leitura: O Imaginário Medieval de Jacques Le Goff.



DIVIRTAMSEMAZÉ!