“E as viagens senhor! Porque me dais tanta dor! E me fazes sofrer assim!”
Desabafo dirigido a Vítor Gaspar. Esse grande mago da alta finança. Aquele que tem o condão de conseguir adivinhar, mas… sempre ao lado.
Eu gosto de viajar. Ponto. Eu
gosto muito de viajar. Ponto. Eu gosto muito de viagens que incluam o avião.
Ponto. Eu gosto de viagens que incluam países localizados noutros continentes.
Ponto. Eu tinha direito subsídios (de férias e de Natal) que já não tenho!
Ponto. E tenho comigo, somente duodécimos e promessas. Ponto. Que são dividendos,
que as companhias aéreas, e as de viagens se recusam a receber. Ponto final.
Mas tenho cabeça, inteligência e
memória. Ainda tenho. E com a graça do Senhor, (do Divino, e não do lamentável mago
ministerial) E como não posso zarpar fronteiras fora, viajo através do meu
pensamento e das boas recordações que felizmente eu guardo. Estás a ver Gaspar?
Se bem que eu tenho a certeza que te estás a marimbar para as minhas angústias
assim como para as angústias da grande maioria dos meus conterrâneos. E muitos
dos lusitanos, que infelizmente estão a viver muitíssimas privações. E de forma
muito mais angustiada do que eu. Lamentavelmente.
Quando eu fui ao Brasil, há já
alguns anos, eu fui uma pessoa muito feliz. O Brasil (e até ao momento) é só o
país que eu mais gostei de visitar de todos os que conheci; cerca de trinta e
cinco. E para mim, só existe a excepção, deste rectângulo à beira mar plantado.
Que é um belíssimo país, mas que está muito mal governado.
É já forçado referenciar que o
Brasil é quase um continente, cheio de biodiversidade, com gente amigável e
muito simpática. Existe lá o crime e a violência, é verdade. Mas também existe por
cá. E infelizmente cada vez em maior número. E não existem mesmo, desacatos em
toda a parte? É que é muito injusto avaliar-se todo um país, só porque alguns
elementos se portam… menos bem.
E Deus meu: haverá maravilha que
se compare às Cascatas de Iguaçu? Único local de nota e passível de ser palco para
uma fantástica Lua-de-Mel. É só a minha opinião, claro está. E vale o que vale.
E como eu gostava de ver de novo, os inigualáveis e atrevidos quatis. Que são uns
animaizinhos que estão mesmo, mesmo convencidos… que são pessoas. E o que a
minha mãe se teve que debater com um deles, que queria à força ficar-lhe com a sua
malinha de mão? Se calhar, combinava mesmo com o seu modelito.
Esse local tem só as mais belas e fantásticas borboletas que eu já vi até aos dias de hoje. De todas as cores, tamanhos e feitios. Muito mais bonitas que as da Costa Rica. Que são gigantóides e azuis. E todas muito parecidas… umas com as outras. Nas Cascatas também ocorrem magníficos e incontáveis arco-íris. E é da praxe não é? Existe humidade em perfusão. O Sol a bater. E temos ali garantido, um belíssimo espectáculo natural. Absolutamente inesquecível!
Esse local tem só as mais belas e fantásticas borboletas que eu já vi até aos dias de hoje. De todas as cores, tamanhos e feitios. Muito mais bonitas que as da Costa Rica. Que são gigantóides e azuis. E todas muito parecidas… umas com as outras. Nas Cascatas também ocorrem magníficos e incontáveis arco-íris. E é da praxe não é? Existe humidade em perfusão. O Sol a bater. E temos ali garantido, um belíssimo espectáculo natural. Absolutamente inesquecível!
Das gentes brasileiras, lembro
algumas com saudade. E que belas conversas, eu por lá entabulei. Recordo-me particularmente
de um simpático porteiro, que laborava num hotel em Curitiba. Esse profissional
“perdia-se” literalmente a falar connosco. Informou-nos que ele tinha familiares
oriundos do país lusitano. E não queria que nos viéssemos embora. Convidava-nos
reiteradamente a permanecer por lá… mais tempo. E por mais que lhe disséssemos
que tínhamos data fixada para o regresso, ele achava que podíamos sempre fazer
um esforço suplementar e ficar por lá… só mais uns dias. Quem me dera!
Recordo que o grupo com que
viajei, foi para terras de Vera Cruz, com roupas apropriadas para no máximo, meia
estação. Ora ao irem para paragens localizadas a sul do Brasil e no mês de
Agosto, verificaram que o calor não era por lá muito abundante. Muito antes
pelo contrário. Pois. E a roupa tornou-se manifestamente insuficiente para o
frio que por ali se fazia sentir. Só que aquele porteiro, contudo estava prevenido.
E no meio de uma conversa em que nos aconselhava a ir visitar e consumir, num
determinado restaurante que era propriedade de um descendente de portugueses, e
ao ver-nos a massajar os braços, para nos aquecermos um pouco mais, ele disse-nos:
“Sabem, antigamente, eu também
passava aqui muito frio. Mas agora não.” E subindo as suas calças até aos
joelhos, ele deixou-nos observar as suas complexas ceroulas, que incluíam até
uns atilhos. Era desta maneira que ele se conseguia ali manter bem quentinho. E
muito conversador.
Recordo que na cidade de Belo
Horizonte, capital de Minas Gerais, um vendedor/fazedor de peças com pedras
semipreciosas, se abeirou de nós e nos mostrou o seu trabalho. Estávamos já
alojados no hotel. E eram peças magníficas. E fê-lo de forma tão amigável, que
a conversa decorreu prazerosa e demorada. De entre tantos assuntos, recordo que
ele falou do quanto apreciava a gastronomia portuguesa. Apreciando
particularmente o facto de cozinharmos com vinho. O que ajuda a tornar a comida
portuguesa, particularmente deliciosa. E isso é a mais pura verdade, não é? A
conversa foi de tal forma proveitosa, que fizemos com que o senhor vendesse
parte substancial do seu trabalho a outras pessoas, que por ali também
permaneciam. No fim, e como fizemos boa e justa publicidade à sua habilidade (e
o ajudámos nas vendas), ele presenteou-nos com algumas das suas maravilhosas peças.
E não eram das peças mais pequenas, não senhor! É que pudemos escolher de entre
todas, aquelas de que mais gostávamos. Recordo esse serão, com muita alegria e
alguma nostalgia.
Relembro ainda, que ao andarmos
pelas ruas, termos sido abordados pelas mais variadas pessoas. Tínhamos sido
advertidos, para que não déssemos grandes confianças, pois corríamos o permanente
risco de sermos assaltados. Eu, inicialmente fiz integralmente o que me havia
sido recomendado. Mas o meu pai, não! E lá conversava ele com toda a gente,
perguntava direcções, a localização de monumentos… e depois, o papi fazia conversa
de tudo…
E, eu (e muito receosa), lá o
acompanhava. Sei que não tivemos qualquer problema. Conhecemos muita gente que
nos dizia ter ainda familiares, nas mais variadas zonas de Portugal. E ainda
bem que o meu pai não é pessoa lá muito crédula, nem particularmente temerosa.
Da experiência, gostei de ouvir e ressalvo, a resposta de uma brasileira de
cepa, a uma Portuguesa convencida. Que se estava ali a armar em importante.
Estávamos nuns sanitários públicos, ao final de um dia. As condições de higiene
eram as possíveis, atendendo à circunstância do mesmo espaço estar a ser usado
por muita gente e ao mesmo tempo. E a portuguesa queixava-se “de toda a
porcaria que ali existia, credo!”. Então a referida brasileira, ao ouvir tal
impropério clamou: “Mas o que é isso, de virem para aqui falar mal do meu país?
Há porcaria, há? E lá em Portugal, não é a mesma coisa? É que eu já tive
oportunidade de visitar o vosso país, e tenho a dizer que também vi lá muito
lixo. Igual ou superior ao que aqui está presente, nesta toilete”. E foi a resposta mais adequada e merecida, para aquela triste
e inconveniente lusitana, armada aos cucos.
E o Rio de Janeiro? Meu Deus, mas
que bela cidade! À frente dela, eu só coloco a minha Lisboa. Que foi a cidade
que me viu nascer. E é também uma cidade muito bonita. Mas o Rio de Janeiro,
senhores! É efectivamente uma das mais maravilhosas cidades do mundo… E a
extensão e a beleza que se enxerga, ao caminhar por toda aquela Avenida
Atlântica! E o percurso que se têm que fazer, para chegar ao Corcovado, Meu
Deus! Todo aquele verde, e a biodiversidade! E a vista maravilhosa que se tem
lá de cima! Adorei também ir ao Pão de Açúcar. Deus do Céu! Mas quando é que eu
poderei lá voltar, oh Gaspar! Pensando bem, o governo quer que emigremos. Que
são oportunidades. Bem!...
Há noite, e já quase na altura da
partida, tivemos oportunidade de degustar um magnífico jantar no hotel. Hotel
que ficava localizado mesmo à beira do mar. Atrás de nós, estava localizada a
Favela da Rocinha. O jantar fora regado a champanhe, que pudemos repetir até ter
vontade. E os empregados do Hotel sempre tão simpáticos. E ali tão disponíveis,
para conversar connosco! Todos, mesmo todos, diziam viver na Favela
supracitada. E lá nos iam informando dos passos que tinham que dar, para chegar
a casa. Uns conseguiam ter transporte até bem perto da sua habitação. Outros
tinham que subir ainda mais alguns metros. Mas havia lá um, que depois de
abandonar o transporte que tinha que apanhar, ainda tinha que subir, mais de
trezentos degraus. Trezentos degraus!
Mas eu estou convencida, que
depois de todo aquele grande esforço, e após um esforçado dia de trabalho, ele
tenha acesso privativo, a uma maravilhosa, porém única paisagem.
Sugestão de leitura para esta
semana: “Viva o Povo Brasileiro” de João Ubaldo Ribeiro.
DIVIRTAMSEMAZÉ!




