Maria do Rosário tem cinquenta e
tal anos e muitas histórias para contar. Algo que geralmente acontece a quem
tem já… cinquenta e tal anos.
E teve uma vida igual a tantas
outras. Estudou até ao 7º ano do liceu, numa escolaridade antiga e que deixou
memória. Casou relativamente cedo, muito mais cedo do que actualmente se costuma fazer. Melhor.
Fez algo, que é muito pouco repetido nos dias da actualidade.
Teve os seus filhos e é muito bem
capaz, de um dia vir a ter netos. E do homem com quem casou? Pois ele seguiu a
sua vidinha a partir do momento em que acharam que a sua vida conjunta, já não
fazia sentido.
Só que Rosário disse sim às
tecnologias de ponta, que sem serem novas juraram juntar a ela, personalidades
de características muito diversas da sua. E descobriu também (e adorou)… o sexo virtual.
Maria do Rosário é de estatura baixa,
com cerca de metro e meio. Tem também uns vinte quilitos acima do que deveria.
Acima do peso que os médicos e seus possíveis amados aconselham. Contudo ela
continua a ser, uma presença assídua na loja das sandes de courato e da cerveja
à pressão. E os bolos e os salgadinhos? Esses também lhe acenavam com muita
regularidade. E ela sem qualquer culpa, beija-os a todos com muita sofreguidão. Por uma vez ou
outra, lá pensa na dieta. Mas o regime começará sempre e somente, no dia de amanhã.
É que depois, ela pode sempre contar... com o sexo
virtual. Que é por definição mais confiável e seguro. Pelo menos é o que ela
pensa. Procura no ecrã do seu personal
computer outras pessoas, que tal como ela, também se resguardam. Contudo também gemem com voracidade,
através de outros tantos écrans de computador.
E qual é a melhor altura dos
contactos a efectuar? Pois é quando se presta a ingerir uma sopa, umas sandes de carne
fria. E mais uns refrigerantes. Justamente quando ingere o almoço e ainda faltam
uns quarenta e cinco minutos para o início da sua rotina laboral. É isso mesmo! Ela
entra para essas conversações nos computadores localizados no seu local de trabalho. Vai
é comendo em simultâneo, física e virtualmente.
Um dia destes, uma sua colega
quase desmaiou quando viu a Rosário numa foto em poses muito provocantes. Quem
observasse bem, via aquilo que muito provavelmente… jamais quisera ver. A
Rosário estava completamente nua. E em cima de um atapetado muito felpudo e
cor-de-rosa.
E para dar mais efeito à conversação picante, ela
vai utilizando frases tipo: “Eu fazia-te isto. Eu fazia-te aquilo”. Numa clara atitude
de grande voluntarismo. E quando do lado de lá se apresentam mancebos que juram
ter vinte e seis centímetros de membro, quando aquele ainda está a descansar,
ela insinua-se dizendo: “Pois com esta conversa toda, eu já para aqui estou toda a tremer de emoção.
E com a passarinha aos saltos”. É de crer que (e em consequência) o membro em descanso, o tal
gigante, se levante e num repente… faça uma vénia.
E a Rosário lá continua naquilo.
Acha que o pode fazer no seu local de trabalho. É que para todos os efeitos, ela está na sua hora de
descanso. Como o tal membro. Alimenta a convicção de que ninguém se apercebe
daquela sua tão funesta libertação. Acredita que nenhum informático vá ver o histórico
das sessões, de todos os colaboradores daquela empresa. A Maria do Rosário deixou-se
assim iludir, por todo um sistema que lhe parece inoperante, por irresponsabilizar
os seus funcionários. Oh doce ilusão!
Mas a melhor delas todas foi
feita um dia, quando a Rosário já se encontrava na sua residência. E
encontrava-se já muitíssimo entusiasmada. Pelo que resolveu mandar uma mensagem a um seu
querido amiguinho de deleite. Só que o seu dedinho de panda foi traiçoeiro. E erradamente, ele foi digitar
o número… do seu chefe directo. Na mensagem, lia-se o seguinte: “Estou nua.
Não tenho cuecas. E estou p’ra aqui languidamente, deitada na minha cama king size e redonda. O que
é que isso te faz sentir?”
Bem. O seu chefe estava
justamente numa reunião com o seu superior hierárquico. Pelo que o maioral supremo também ele leu, aquela tão inoportuna inquirição de desejos. E foi ali mesmo, que ele prometeu vir a tomar
medidas. Ai Jasus!!!
Não há ninguém mais defensor da
diversão do que esta vossa amiga. A “diversão” é para mim uma autêntica premissa
de vida. Contudo eu questiono. Valerá a pena, e por tão pouco, colocar assim a
cabeça no cepo?
Sugestão de leitura para esta
semana: “Nem Tudo Começa Com Um Beijo” de Jorge Araújo e Pedro Sousa Pereira.
DIVIRTAMSEMAZÉ!

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