Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Um kit de sobrevivência para 2013.


Recebi um email, com os votos de um Bom-Ano. Vocês também recebem muitas destas coisas, disso eu tenho a certeza. Ora muito reconhecida eu fiquei, e li o email na sua totalidade. Depois disso, eu fiquei para ali a fazer figas, para que o ano de 2013 seja efectivamente um Ano Excepcional. Isto é, só para contrariar todas as espectativas tidas e havidas a esse respeito. Depois desses procedimentos todos, onde proliferou mesmo alguma superstição, eu achei que poderia ir um pouco mais longe e estabelecer os meus próprios votos, tendo como base os votos que eu recebera. E agora, considero adequado apresentar aqui o resultado que obtive. A intensão foi só uma, foi a de melhorá-los, eu juro! E para concluir, eu tomei a liberdade de vos incluir a todos vocês, nestas minhas modestíssimas linhas assim como nestes meus mui singelos desejos. Eis o resultado:
1.Bebam muita água; e divirtamsemazé! Se bem que o meu avô sempre dizia, que beber muita água podia fazer crescer rãs no estômago. Não se conhece contudo é qualquer contra-indicação… na acção do divertimento. Pelo menos se não vos der, para andar a saltar de arranha-céus em arranha-céus. Ou ir de encontro a um comboio, quando o mesmo já estiver na sua máxima velocidade. E diria mais, não é ainda aconselhável ir verificar se os carris do metropolitano se encontram ligados... à ficha.
2. Comam mais daquilo que nasce em árvores e plantas, e menos comida produzida em fábricas: Mas, e se ainda lhes for restando algum dinheirinho, vão de vez em quando à marisqueira.
3. Vivam alegremente com os três… E’s, (pensavam que eram os outros… três? Ah maganos!) E os tais E’s são: Energia, Entusiasmo e Empatia.
4. Arranjem tempo para orar; E eu aqui estou mesmo a falar a sério! É que entrámos numa nova era. Na era da introspecção. E na era da consciencialização do ser humano, como alguém capaz de conseguir grandes coisas, através da sua própria acção. Dá para acreditar? É que dito assim a frio e neste lugar, ninguém acredita. É pois muito conveniente orar. Pedir inspiração. E agradeçam também muito, o facto de o mundo ainda não ter acabado: IUPI!!!!!
5. Façam actividades que activem o vosso cérebro; como é o caso de se dedicarem às Palavras Cruzadas e ao Sudoku. Mas também é muito aconselhável, apagarem a vossa televisão quando o Primeiro-ministro estiver a falar. Mas podem continuar a vir cá. É que ainda não foi registado qualquer risco (acrescido) com a frequência assídua a este modestíssimo blogue. Mas meus amigos,  todo o cuidado é pouco!
6. Leiam mais livros, do que aqueles que leram em 2012; E as Bibliotecas Públicas estão aí para contribuir (e muito), para a vossa (total) felicidade.
7. Sentem-se em silêncio pelo menos dez minutos por dia; E de seguida dêem uma gargalhada que dure… outros dez minutos. É que rapidamente vão descobrir que só estiveram p'ra ali calados… porque não havia mesmo, ninguém por perto para falar convosco.
8. Durmam oito horas por dia; mas ao Fim-de-Semana e se quiserem… podem dormir mais.
9. Façam caminhadas de 20-60 minutos por dia; É que os passeios ribeirinhos/citadinos/pedonais aguardam ansiosamente… esse vosso tão gracioso desfilar.
10. Não comparem a vossa vida à dos outros. É que ninguém faz ideia do que é a caminhada dos outros; E às vezes, o melhor mesmo… é ficar-se na ignorância.
11. Não tenham pensamentos negativos, nem alimentem demasiadamente as coisas de que não têm controle; pode até ser que a vida se encarregue de nos reservar a todos… a melhor parte.
12. Não se excedam, mantenham-se nos vossos limites; Mas (e só de vez em quando) bebam um copito a mais. Só que depois têm é que pedir à/o vossa/o partner, que vos conduza a casa. Mas cuidado, só na condição de que a vossa/o partner beba somente… Água da Pedras.
13. Não se tornem demasiadamente sérios; isso pode tornar-vos doentinhos.
14. Não desperdicem a vossa energia preciosa em “fofocas”; mas por favor, se descobrirem alguma coisa realmente interessante, não percam tempo e mandem-me um email a relatar-me tudinho.
15. Sonhem mais; e transcrevam para vocês mesmos, tudo aquilo com que sonharam. É que são impressionantes, todas as temáticas que nós vamos buscar, quando adormecidos. E sonhem também acordados. Tenham contudo cuidado é ao atravessar a estrada, não vá vir do outro lado, um "pesadelo" qualquer.
16. Inveja é uma perca de tempo, pois temos tudo aquilo que necessitamos; mas se a vossa entidade laboral vos proporcionar um aumento, por favor não o recusem.
17. Esqueçam questões do passado. Não lembrem aos vossos parceiros, erros do passado. Isso destruirá a vossa felicidade presente; mas olhem, não se esqueçam de tudo. Porque depois podem não saber onde é que habitam, nem qual é que é mesmo… o vosso restaurante favorito.
18. A vida é curta demais para odiar. Não odeiem ninguém. Isso é mesmo, uma grande perca de tempo. A melhor coisa a fazer é mesmo… ignorar.
19.Façam as pazes com o vosso passado para não estragarem o vosso presente; pois o presente é mesmo tudo o que temos. E não nos deixemos contaminar pela tristeza do discurso (nem pelas olheiras) do Gaspar. Ele não nos poderá tirar do sério. Por mais que ele se esforce para isso. E porque é que será que quando eu olho para ele, eu me lembro sempre de um crocodilo que acabou de enviuvar?
20. Ninguém comanda a vossa felicidade sem serem vocês próprios. E dá muito jeito reunir uns cobres para gastos variados, ou viagens de sonho. Oh sorte malvada! Porque é que esta última possibilidade se transformou tão rapidamente, numa tão grande miragem?
21. Tenham consciência que a vida é uma escola que se frequenta para se aprender (não são pois, uns cábulas). Problemas são apenas parte do processo, que aparecem e se desvanecem como uma aula de álgebra. Mas as lições que se aprendem duram uma vida inteira; Só que às vezes temos que começar tudo da estaca zero, não é? Temos que recapitular algumas das lições do passado... à força. Mas tal como dizia o outro que foi para as Nações Unidas, (sim, esse mesmo que tinha muitas dificuldades em fazer as contas): “É a vida!”
22. Sorriam e gargalhem mais. Acho que essa tarefa (pelo menos para mim) é sempre difícil de superar. Mas eu tenho-me esforçado muito para que (e progressivamente,) consiga bater sempre… novos recordes.
23. Prescindam de ganhar todas as discussões. Aceitem também a discordância; Fundamentem sempre as vossas opiniões. Mas retenham sempre alguma coisa para vocês.
24. Estejam mais em contacto com a vossa família; E nunca se esqueçam também dos vossos amigos e animais de estimação.
25. Dêem sempre algo de bom aos outros, diariamente; E quando me virem, podem ter para comigo sempre essa mesma atenção. Eu agradecerei… compulsivamente.
26. Perdoem a todos por tudo; esta às vezes é difícil. Mas pelo menos há que tentar, não é?
27. Passem mais tempo com pessoas acima dos setenta anos e abaixo dos seis; E pode até ser mesmo muito recomendável passar a visitar muitos Lares de Terceira Idade, assim como Infantários. E como isso pode até representar, um tempo tão bem passado!... E além disso, é barato, senhores!
28. Tentem fazer sorrir pelo menos… três pessoas por dia; e nisso, (modéstia à parte) eu às vezes chego a conseguir mais. Às vezes atinjo a proeza e fazer rir… quatro pessoas. E mais aos meus gatos, que sem serem pessoas, andam lá muito perto. Sim eu sei. Conto com este “talento natural”, que já me acompanha… desde 1970.
29. Não vos diz respeito, aquilo que os outros pensam de vocês; se bem que é muito aconselhável dar-mos atenção a tudo o que os nossos chefes pensam de nós. Pelo menos é o que eu acho! E isso e-me bastante mais presente, desde a implementação do... SIADAP.
30. O vosso trabalho não tomará conta de vocês quando estiverem doentes. Os vossos amigos, sim. Mantenham então o contacto com eles; contudo, deixem de estimar o vosso trabalho, deixem. E vejam só o que acontece. É que é devido a esta arte secular do trabalho, que nós conseguimos (pelo menos era assim até há um tempo atrás), viver em condições condignas.
31. Façam sempre o que é correcto; mesmo que às vezes… tenham muitas dúvidas.
32. Desfaçam-se do que não é útil, bonito ou alegre; mas por favor nunca abandonem, aquele vosso parente mais idoso. Nem o Medina Carreira
33. Deus cura tudo; mas nós também podemos dar… uma ajudinha.
34. Por muito boa ou má que a situação seja… ela mudará; isso é a mais pura verdade. Desconfio mesmo que daqui a uns oitenta anos, ninguém se vá lembrar muito… de nós.
35. Não interessa como se sentem: levantem-se, arrumem-se, ponham um sorriso rasgado na cara… e apareçam. Assim, serão sempre bem recepcionados para onde quer que vão. Contudo se tiverem que ir a um funeral, tentem lá disfarçar o sorriso. Riam-se depois, mais tarde em casa. É que ainda não foi a vossa vez. O defunto compreenderá.
36. O melhor ainda está para vir: ah pois está! Em Fevereiro ao que parece, bem podemos contar… com mais medidas de austeridade.
37. Quando acordarem vivos de manhã, agradeçam a Deus pela graça; bem, não será muito fácil acordarem… mortos. Mas se por acaso o conseguirem, que seja daqui a muitos anos, mesmo!
38. Mantenham o vosso coração sempre feliz; E de preferência, livre de gorduras desnecessárias assim como de outros padecimentos vãos. É que como dizia a minha querida tia, uma tal que já há uns anos (coitadita!) foi morar para a “terra da verdade”: - As tristezas não pagam dívidas. E nem previnem (muito antes pelos contrário) os ataques cardíacos.
Sugestão de leitura para esta semana: “A Herança de Eszter” de Sandor Márai.
DIVIRTAMSEMAZÉ e tenham um excelente ano 2013. Com muita saúde, sorte, amor assim como alguns cobres para os gastos. E… coleccionem ainda, muitas histórias (divertidas) para contar.
 

Uma nota muito importante: reparem na cara do cidadão da fotografia que está no topo. Não vos parece que ele está prontinho, prontinho para nos pregar mais uma rasteira?
DIVIRTAMSEMAZÉ!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

É Natal! E eu ainda estou a tremer de emoção.


E mais uma época festiva se aproxima. É Natal! Mas de frases feitas e espectáveis, estamos todos nós fartos. O desejo de Bom-Natal é-nos matraqueado a todas as horas aos ouvidos, mas será que o mesmo desejo é sempre sentido?
Tenho um colega de trabalho que é comunista. Nada contra como é óbvio. Contudo ele é um daqueles comunistas fundamentalistas. Ou seja, não perde uma oportunidade para nos fazer crer a todos, que o remédio para todos os males se encontra na prática da doutrina marxista/leninista. É alguém muito honesto e excelente profissional. Muito distinto e integro. E é comunista. E convenhamos, aqui não há lugar a qualquer contradição.
Contudo este meu colega A. não acredita em nada que seja extra-terreno. Ou seja, para ele não há lugar à possibilidade da existência de alguma entidade superior a nós, que regulamente ou simplesmente testemunhe... todo este nosso caos. Para ele, e para muitos dos seus pares, todas as explicações para a funcionalidade daquilo que presenciamos, está em nós, assim como nas nossas vontades e acções. O que existe, está somente posicionado no aqui e no agora. E a igreja para ele é mesmo: "o ópio do povo". E para todo aquele que o quiser ouvir, ele lá vai desenvolvendo essas suas teorias. Mas é de tal maneira convicto, que por vezes nos chega a enfadar com as suas prédicas. Mas como também tem um excelente sentido de humor, no fim o ambiente nunca se deteriora. E assim ele lá vai falando mais uma vez de: Marx, Engels, Cunhal, Jerónimo de Sousa... assim como nas lutas de classes. E na Festa do Avante.
Mas A. deve de festejar o Natal, é claro. Só que se calhar no seu presépio em vez de se celebrar o nascimento do Menino Jesus, pode-se celebrar o nascimento do Lenine. Que naturalmente não se deve de ter dado num estábulo, nem em Belém da Palestina, nem sob o signo de Capricórnio... Mas que à sua escala também foi um acontecimento importante e motivo de celebração. Era assim que eu pensava, quando o via a sair do meu local de trabalho, por alturas natalícias, quando A. me desejava... um "Feliz Natal."
Ora o Natal deve de ser vivido por todos, mas de forma diferenciada. Só pode. É que eu confesso, a mim, faz-me muita confusão todas aquelas enchentes nos Centros Comerciais. Quando todos se entre-chocam na busca da prenda mais adequada. Pessoas que não se importam de empurrar o seu semelhante na luta pela perspectiva de uma simples compra. Ou fazem mesmo um pé-de-vento quando o outro (inadvertidamente), lhes passa à frente na fila para o pagamento. Ou então quando se briga na luta pela compra da última filhós, ou bolo-rei. Tudo isso me faz muita confusão. E para esse "peditório", perdoem-me, mas eu recuso-me a contribuir.
Para mim o espírito de Natal  não é esse. Ainda mais tendo uma família muito reduzida, não sinto em mim nenhum espírito de Natal muito evidenciado. Mas lembro-me muito bem dos Natais passados. Sem ser ainda muito velha, mas ultrapassando já a barreira dos trinta, eu ainda sou do tempo em que o Natal não era nada do que foi até aqui. Lembro-me de ser pequena e de estar à lareira na companhia da minha avó e de mais parentes. A minha avó que tinha uma grande diferença de idade de mim, pois havia sido mãe já muito tarde. Ela cantava para nós salmos, e outras modinhas de Natal do tempo dela. E não havia ali lugar a grandes e numerosas prendas. Recordo com muita saudade estar à lareira enquanto ela fritava os doces típicos, que eram somente de uma qualidade e que duravam até à altura dos Reis. Lembro-me muito bem da sua voz grave evidenciada nas cantorias, assim como o seu jeito severo de ser. Jeito esculpido pela forma de vida dura e campestre, em que os agricultores (como era o caso dela), se entregavam às "vontades do Divino". E se a lavoura se fizesse com situações climatéricas agrestes que a definiriam como fraca ou inexistente, não passava pela cabeça de ninguém pedir nenhum subsídio. Recordo-me também muito bem, dos "sermões" que essas pessoas simples me davam na altura. Alturas em que me pediam encarecidamente que respeitasse toda a gente, mas muito especialmente as autoridades locais, como era o caso do Presidente da Junta. Que era ali tido quase como um rei. E como eu era rebelde, Deus meu! Até com esse eu andei às turras num certo dia! Mas contarei essa história mais tarde.
Nas frituras dos filhós, a minha avó aproveitava ainda para me contar histórias vividas por ela na sua meninice. E ela era matreira, a diacha! E como foram deliciosos esses tempos!
Mas antes dessa noite magica, havia uma série de procedimentos a realizar. Dias antes (mas não muitos), a criançada ia cortar um pequeno pinheiro à serra. Bem sei que tal atitude é muito pouco ecológica, mas era assim que se fazia nesse tempo. Mas não a decorávamos com os enfeites feitos em série e muito brilhantes da actualidade, nada disso. A árvore era decorada com pedaços de algodão que imitavam neve, e bogalhos enrolados em papel de prata. Daqueles que servem para envolver chocolates. Sim, ainda havia dinheiro para a compra de um ou outro chocolate, mas também aproveitávamos os papéis que encontrávamos na rua. E a iluminação? Bem uma pequena lanterna, dava um certo ambiente assim como... todo um colorido monocromático. Faziamos também o presépio, usando como base o musgo que também era conseguido, na ida à serra. E as personagens? Bem, as figuras originais conviviam alegremente com as da actualidade. Recordo por exemplo que uma vez, o Pato Donald ocupou mesmo o lugar do Menino Jesus, porque a figura do Menino Jesus se havia partido. Nesses presépios até a Maga Patalógica tomava acento. E como nós ficávamos radiantes com o resultado!
Hoje mulher adulta e despojada de subsídios, assim como também de parte considerável do meu salário, vejo-me bastante mais atenta a tudo o que me rodeia. Mas foi já há alguns anos, que eu decidi estabelecer prioridades para esta época festiva, para a continuidade da minha sanidade mental. É que eu considero ter mais que o suficiente para ser feliz. E os que me rodeiam também. E além disso, eu não tenho vocação para correrias em shoppings nem em outras superfícies comerciais. Por isso, eu decidi presentear somente, aquele que é mais despojado do que eu. Mas não o faço abertamente. Eu explico melhor: É que eu compro somente prendas para quatro crianças que eu não conheço. Só lhes sei o nome, assim como da sua condição de carenciadas economicamente. Ora eu, atempadamente sou informada dos desejos dos petizes, compro-lhes (dentro das minhas possibilidades), as prendas ambicionadas. E depois disso eu levo-as a um local pré-estabelecido. A partir desse ponto, já não é nada comigo. Ou seja, alguém recepciona os presentes e fará com que os mesmos sejam entregues aos pais das referidas crianças. Serão exactamente esses pais, que darão as referidas lembranças aos seus rebentos na noite de Natal. Resumindo: eu sou a parte menos importante do processo pois só as comprei. Sirvo somente como fio condutor. E depois desse procedimento, eu fico muito feliz. E fico mesmo com a convicção de dever cumprido. Só desta maneira eu consigo dar algum valor ao Natal. E envolver-me um pouquinho no "tal do espírito".
Devido a isso, aos meus familiares e amigos, eu não dou prenda nenhuma. Dou-lhes somente um envelope informando-os que a prenda deles, foi terem dado uma prenda ao menino Pedro, ou à menina Sara. E os meus familiares também acham alguma piada a esse seu envolvimento forçado.
E em relação ao consumismo natalício, eu fico-me por aqui. Só que nestas alturas eu gosto muito de ouvir coros a cantar. É que eu aprecio imenso, as melodias natalícias. Pelo que, e uma vez que não ando em Centros Comerciais, tenho tempo para assistir às actuações que desejo presenciar. Tenho inclusivamente uma agenda onde coloco toda a programação. E senhores! Como este ano foi pródigo em actuações de coros, na cidade onde eu resido! Pelo que não resisti e fui ouvi-los: ao Museu, à Quinta Municipal, à Igreja Paroquial... E deleitei-me bastante com algumas das referidas actuações.
Ora foi justamente na cerimónia realizada na Igreja Paroquial a que mais foi do meu agrado. A finalidade da mesma era a solidariedade para com as organizações filantrópicas locais. E os coros ali eram mesmo bastantes. As actuações sucediam-se assim umas às outras. Primeiro o coro das crianças, depois o coro da Freguesia A, depois o coro da colectividade B, e assim sucessivamente. Os membros do coros, chegavam-se ao altar, passeando-se pela ala central. E como eles iam todos garbosos! As senhoras, vestindo túnicas e lenços bonitos. Os homens também muito elegantes e com gravatas a condizer. E depois já lá no altar, ocupavam os seus devidos lugares, abriam as suas canoras gargantas e punham cá para fora melodiosas canções da melhor maneira que conseguiam. E foram nisso (e na sua grande maioria), muito bem sucedidos. Eu que até gostava também muito de cantar num coro... Só que ainda não tive a coragem necessária para dar esse passo. E era com muita admiração, que eu lá ia vendo, a passagem de toda aquela gente bem intencionada, solidária e cantante.
E os minutos iam-se assim passando. Mas de repente eu vejo alguém que se parece muito, com uma pessoa que eu conheço muito bem. Só que rapidamente tirei daí a ideia, porque essa pessoa não poderia nunca estar ali, naquele ambiente. E espero pacientemente que todos ocupem os seus lugares e comecem dali a cantar. E foi só, no momento em que todos já estão no altar, prontos para a cantoria, que eu o reconheço efectivamente. Mas seria possível? Meus amigos, a minha boca não se conseguia fechar tal era a admiração por mim sentida. Perguntei-me inclusivamente a mim própria, se não estaria porventura a sofrer de algum tipo de alucinação? Pois não estava. É que os meus olhos fieis, não me estavam a enganar.
O meu colega, admirador máximo da teoria marxista e leninista estava ali. Mas agora estava a adorar o nascimento do Menino Deus. Cantava e maneava os ombros em simultâneo, para dar mais ênfase a todo o ocorrido. E chegou mesmo a cantar um... "Aleluia".
Meus amigos e com todo o respeito, mas eu ali... vi a Luz. Senti mesmo... a Presença Divina. E fiquei absolutamente convencida que tudo, mas mesmo tudo é possível de acontecer nesta vida. Basta acreditar! Só que eu tenho aqui que dar também, a minha mão à palmatória. É imperioso. É que eu confesso: também ali... eu me fartei de rir.
Sugestão de leitura  para esta semana: "Jesus Cristo Bebia Cerveja" de Afonso Cruz.
Bom Natal para todos, com saúde, paz, amor, alegria e cobres para os gastos. Mas por favor não se esqueçam: DIVIRTAMSEMAZÉ!
 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sempre contactável.


Há uns anos atrás, o escritor Carlos Machado, ganhou o Prémio Literário Alves Redol. E faça-se justiça, é imperioso: ganhou-o muito bem. O livro premiado tinha o sugestivo titulo de: "O Homem que Viveu Duas Vezes", e trata de temática que aconteceu efectivamente. O que comprovadamente alicia ainda mais a sua leitura. E mais não digo.
Ora fora no momento da atribuição do prémio, altura solene e própria de outros casos similares, em que o autor agraciado agradeceu reconhecidamente a deferência prestada, que aproveitou para contar em breves palavras, a história contida no seu livro. É óbvio que não contou muita coisa, porque não quis tirar antecipadamente todo o prazer da leitura. Nem frustrar a vontade de toda uma audiência que ali estava para o ouvir, e que sairia dali (era essa exactamente a expectativa), com uma vontade imensa de o ler. Caso ainda o não tivesse feito. E a sala estava cheia de gente.
Depois abriu-se a possibilidade do público ali presente fazer perguntas ao premiado. E assim foi-nos dado a conhecer quem já houvera feito a leitura prévia, e quem ainda não o havia feito, mas que depois daquela apresentação ficara com muita vontade de o fazer. E o escritor, muito simpaticamente lá ia respondendo a todos.
Só que passado algum tempo, um telemóvel insiste em tocar. E o seu dono, (cinquentão já entradote), fez questão de o atender ali mesmo e à frente de toda a gente. E mais: era muito natural que o mesmo já tivesse algumas dificuldades auditivas, já que respondia diligentemente a um aparelho que até estava em alta voz. E foi desta maneira que alguns de nós, (os que estavam ali mais perto do dito senhor) se apercebessem comovidamente de toda a sua real tragédia. É que o distinto cinquentão havia estacionado mal o seu carro. E tudo indicava que a sua dedicada mãezinha havia recebido uma chamada de uma pessoa que quisera sair com o seu veiculo. Pessoa que não podera ainda sair, porque tinha o carro do leitor cinquentão a impedir-lhe esse seu tão legitimo desejo.
E o homem que tudo ouvia, respondia em parcas palavras e desligava! E nada de sair dali para resolver o seu problema. Passado pouco tempo, outra chamada. Mais uma vez era a mãe angustiada que suplicava ao filho que fosse tirar o carro, pois o "impedido" já estava danado. Além do mais, e se não fosse tirar o carro, o mais certo era arriscava-se a apanhar uma multa e ver o seu carro rebocado para a localidade de Alguidares de Baixo e Bacio. Só que o transgressor... nada. É que nada o demovia de ali ficar a ouvir. E já lá para o fim da sétima ou da oitava chamada, e sempre com os mesmos procedimentos, o homem olha para mim, e solicita-me que no final da sessão... eu o leve a sua casa. Mas levá-lo a casa porquê? Ele que até tinha ali o carro e tudo. Só tinha era que o ir tirar do local onde nunca deveria de ter estacionado. Será que preferia ver o seu veiculo rebocado?
Mistério! Mas a páginas tantas, lá se decide e sai intempestivamente do espaço. Pressupostamente para resolver aquela sua estranha e vil problemática, aumentada ao máximo devido a toda uma inexistência de movimentos correctos.
O autor do livro, e que ali palestrava, viu-se dessa maneira, interrompido a todo o momento. E cheio de boa vontade lá ia completando o raciocínio que lhe fora barrado, pelo toque irritativo daquele exemplar, mas muito intrometido meio de comunicação. No fim, e à saída do tal cinquentão, o celebrado autor aproveitou ainda para nos informar, que enquanto engenheiro ele havia sido parte muito activa na introdução do sistema do telefone móvel no território nacional. Havia até já alguns anos que isso fora. E aqui meus amigos, eu tive mesmo que intervir, mas a minha intervenção foi muito rápida: Eu disse-lhe apenas: "Mas seja franco connosco: ainda não está arrependido?"
Sugestão de leitura para esta semana: "O Homem que Viveu Duas Vezes" de Carlos Machado.
Boas Leituras e DIVIRTAMSEMAZÉ!


sábado, 8 de dezembro de 2012

A questão é pertinente.


Tenho a graça de viver numa pequena casa de bairro, situada nas imediações da cidade de Lisboa. Coube-me contudo a sorte de ter como únicos vizinhos do edifício, um casal de idosos com 180 anos; ou seja, cada um conta com desvelo, noventa (graciosas) primaveras. Mas os maganos, contudo já são muito chatinhos, credo! Mas mantêm com eles, muita actividade e muito vigor. Como prova de tanta actividade é ouvi-los de noite, a irem com as suas socas para a casa de banho. É ouvi-los a arrastar os seus móveis, ao longo do dia, particularmente à hora das refeições. É ouvir-lhes as conversas por inteiro, que os séniores mantêm ao telefone com os seus inúmeros amiguinhos. Eu creio que eles falam assim e muito alto, pois já devem de ouvir um bocado mal. E em compensação a eles, irrita-lhes um bocado os meus inúmeros vasos que mantenho no pátio, onde os mesmos têm que passar. Incomoda-os sobremaneira, os meus lindíssimos brincos-de-princesa. E o velhinho, até já me advertiu que eu não posso as minhas "preciosas flores" assim tão grandes, pois as mesmas tocam-lhe e molham-no quando ele por ali passa. Coitadinho! Bem...
Mas o que os irrita mesmo muito os referidos velhinhos, é quando os outros vizinhos, que não eu, se põem a grelhar peixe. É que a mim, nunca me deu para assar peixe na rua. Eu que sou a única vizinha deles no prédio, mas há volta existem muitas outras habitações. E o que é que os velhinhos mais temem? Pois receiam ficar com as suas roupas e adereços a cheirar a sardinhas ad eternum. E mais, eles têm a capacidade olfactiva de reconhecer que os vizinhos que moram a 300 metros se preparam para assar um qualquer peixinho na brasa. E como ficam danados! E depois de dizerem dois ou três impropérios, eles lá vêm e recolhem com parcimónia, toda a sua roupinha. Estende-la-ao mais tarde, quando já não houver perigo de impregnação de cheiros na mesma.
Ora, num dia de Verão, andava eu toda contente a regar as minhas lindas flores. Envergava na altura um trajo egípcio. À cintura trazia um lenço com latinhas, que faz um barulho muito interessante mal eu me desloco. Mais parece que ando para ali... a tocar ferrinhos. É tão lindo! Acho mesmo que essa é a indumentária mais adequada para a realização da rega das minhas flores. Em tais ocasiões, eu consigo despertar o interesse e a atenção dos meus vizinhos. Mas com a repetição da indumentária, alguns até já se habituaram. Ora, andava eu naquela tarefa, quando entabuo conversa com a minha vizinha das traseiras. A mesma estava toda contente pois ia receber a visita dos seus filhos. Estava contudo e em simultâneo algo apreensiva, pois preparava-se para assar uma boa dúzia de carapaus. E logo na altura em que os meus vizinhos tinham a roupa a secar!... Eu, simpática como graças a Deus sou, prontifiquei-me a ir avisar os anciãos para que recolhessem a roupa. Mas tal não foi preciso, porque a vizinha ouviu toda a nossa conversada, naturalmente que se interessou pela mesma e fez ali aquilo a que ela própria se exigia. Ou seja recolheu a  roupa que estava estendida, em três tempos.
Eu confesso, mantenho em mim um bocadito da rapariga rural e coscuvilheira que sou (características  que recebi dos genes herdados dos meus preciosos antepassados), pelo continuei à conversa com a vizinha dos carapaus. E a conversa foi seguindo ao sabor do vagar, mas também da circunstância de haver boa vizinhança entre nós. Só que passados alguns minutos, a vizinha lá acaba por acender o fogareiro. E depois começa a abanar vigorosamente as labaredas. E eu curiosa, olho para o estendal dos vizinhos de cima. Mas o que é que eu vejo, Santo Deus? Pois, a roupa tinha sido toda apanhada... com a excepção das cuecas da vizinha. E porquê?
Perguntei-me a mim própria, mas também e aos gritos para a vizinha de trás. Ao que ela me respondeu a rir, que "já era costume ser assim".
Meus amigos, mas o que é isto? Bem, é capaz de tal facto, ter uma explicação muito lógica e incontornável. Se calhar é permitido (e até mesmo aconselhado), que as cuecas fiquem a cheirar a peixe. Tal até pode ser considerado muito sexy e até encorajador. Quem sabe se à noite e no calor da paixão, o meu vizinho não se chega à esposa e lhe suplica: "Alzira, amor, chega-te p'ra cá! Anda cá "melher"! E deixa-me cheirar o teu "carapau"? O problema é, se no melhor da festa, ele p'ra lá deixa agarrada... a sua dentadura!
Sugestão de leitura para esta semana: "A Sala das Perguntas" de Fernando Campos.
DIVIRTAMSEMAZÉ!