Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sempre contactável.


Há uns anos atrás, o escritor Carlos Machado, ganhou o Prémio Literário Alves Redol. E faça-se justiça, é imperioso: ganhou-o muito bem. O livro premiado tinha o sugestivo titulo de: "O Homem que Viveu Duas Vezes", e trata de temática que aconteceu efectivamente. O que comprovadamente alicia ainda mais a sua leitura. E mais não digo.
Ora fora no momento da atribuição do prémio, altura solene e própria de outros casos similares, em que o autor agraciado agradeceu reconhecidamente a deferência prestada, que aproveitou para contar em breves palavras, a história contida no seu livro. É óbvio que não contou muita coisa, porque não quis tirar antecipadamente todo o prazer da leitura. Nem frustrar a vontade de toda uma audiência que ali estava para o ouvir, e que sairia dali (era essa exactamente a expectativa), com uma vontade imensa de o ler. Caso ainda o não tivesse feito. E a sala estava cheia de gente.
Depois abriu-se a possibilidade do público ali presente fazer perguntas ao premiado. E assim foi-nos dado a conhecer quem já houvera feito a leitura prévia, e quem ainda não o havia feito, mas que depois daquela apresentação ficara com muita vontade de o fazer. E o escritor, muito simpaticamente lá ia respondendo a todos.
Só que passado algum tempo, um telemóvel insiste em tocar. E o seu dono, (cinquentão já entradote), fez questão de o atender ali mesmo e à frente de toda a gente. E mais: era muito natural que o mesmo já tivesse algumas dificuldades auditivas, já que respondia diligentemente a um aparelho que até estava em alta voz. E foi desta maneira que alguns de nós, (os que estavam ali mais perto do dito senhor) se apercebessem comovidamente de toda a sua real tragédia. É que o distinto cinquentão havia estacionado mal o seu carro. E tudo indicava que a sua dedicada mãezinha havia recebido uma chamada de uma pessoa que quisera sair com o seu veiculo. Pessoa que não podera ainda sair, porque tinha o carro do leitor cinquentão a impedir-lhe esse seu tão legitimo desejo.
E o homem que tudo ouvia, respondia em parcas palavras e desligava! E nada de sair dali para resolver o seu problema. Passado pouco tempo, outra chamada. Mais uma vez era a mãe angustiada que suplicava ao filho que fosse tirar o carro, pois o "impedido" já estava danado. Além do mais, e se não fosse tirar o carro, o mais certo era arriscava-se a apanhar uma multa e ver o seu carro rebocado para a localidade de Alguidares de Baixo e Bacio. Só que o transgressor... nada. É que nada o demovia de ali ficar a ouvir. E já lá para o fim da sétima ou da oitava chamada, e sempre com os mesmos procedimentos, o homem olha para mim, e solicita-me que no final da sessão... eu o leve a sua casa. Mas levá-lo a casa porquê? Ele que até tinha ali o carro e tudo. Só tinha era que o ir tirar do local onde nunca deveria de ter estacionado. Será que preferia ver o seu veiculo rebocado?
Mistério! Mas a páginas tantas, lá se decide e sai intempestivamente do espaço. Pressupostamente para resolver aquela sua estranha e vil problemática, aumentada ao máximo devido a toda uma inexistência de movimentos correctos.
O autor do livro, e que ali palestrava, viu-se dessa maneira, interrompido a todo o momento. E cheio de boa vontade lá ia completando o raciocínio que lhe fora barrado, pelo toque irritativo daquele exemplar, mas muito intrometido meio de comunicação. No fim, e à saída do tal cinquentão, o celebrado autor aproveitou ainda para nos informar, que enquanto engenheiro ele havia sido parte muito activa na introdução do sistema do telefone móvel no território nacional. Havia até já alguns anos que isso fora. E aqui meus amigos, eu tive mesmo que intervir, mas a minha intervenção foi muito rápida: Eu disse-lhe apenas: "Mas seja franco connosco: ainda não está arrependido?"
Sugestão de leitura para esta semana: "O Homem que Viveu Duas Vezes" de Carlos Machado.
Boas Leituras e DIVIRTAMSEMAZÉ!


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