Quem nunca viajou para os países árabes perdeu certamente, ou melhor está a perder uma experiência única de vida. É que lá quem se presta a andar pacatamente nas ruas fica-se somente... com essa intenção, já que é bombardeado a todo o momento com sugestões para comprar tudo. E quando falo em tudo, é mesmo tudo aquilo que imaginar se possa. É no passeio, que os mais diversificados vendedores nos colocam literalmente toda a carga em cima. Em cima do meu couro eu posso afirmar que já equilibrei: uma série numerosa de camisolas, muitos tapetes, outros acessórios vários e até quase que posso jurar que já segurei à cabeça uma pesadíssima manta. Eu que por definição sou algo avessa a compras. É ponto assente que adoro viajar, adoro visualizar novas paisagens, gosto muito de conversar com... quem nunca conversei (se bem que por vezes a comunicação não é fácil pois existe a barreira linguística). Mas eu acredito que com o conhecimento de algumas frases básicas (em inglês, claro) até se pode conquistar o mundo.
Não gosto pois nada de gastar dinheiro em coisas de que não necessito. Tenho inclusivamente a ideia de que se conseguia viver (e muito bem), com muito menos coisas. Já fizeram a experiência de olhar para a vossa casa, especialmente quando se dedicam às limpezas e verificarem que têm tanta tralha inútil? Eu já. Prefiro gastar o dinheiro na viagem e a imaginação e a vontade de viver novas experiências, fazem o resto.
Há uns anos eu viajei para o Egipto com uma amiga, que há cerca de trinta e muitos, foi baptizada com o pomposo nome de Pancrácia Sofia. Pancrácia, ao contrário de mim, adora fazer compras. E como compra aquela mulher!!! Ora, na altura em que desfrutávamos de um muito interessante cruzeiro pelo Rio Nilo acima, parámos numa terreola. Ali o objectivo único daquela paragem era comprar. Eu explico: É que à noite iria decorrer um baile (e já todos sabem da minha adoração pelos bailes!!!). No baile os participantes envergariam trajes típicos daquela zona. Achei lindo tudo aquilo. Eu comprei uma grande túnica salmão, com uns berloques dourados e mais umas lantejoulas que brilham muito quando lhes dá o Sol. E tive toda a noite assim vestida, sentadinha numa cadeira e a observar. Mas houve muito senhor que quis dançar comigo, ah pois foi! Eu é que como prezo muito pela segurança alheia, recusei-lhes a minha dança ou o algo que se lhe poderia assemelhar.
Depois disso, eu já usei aquele lindo traje, na minha casa (quando andava a regar as flores no pátio). Só fui vista pelo meu vizinho da frente mas foi o que bastou. É que o mesmo ao avistar-me ele afirmou, que: "a sua vizinha... estava muito sexy". Imaginem lá se eu tivesse comprado um traje daqueles que se usam para dançar a dança do ventre? O sucesso que não seria? Com filas e filas de gente à minha porta, para... me verem dançar.
Ora justamente no acto da compra, compra única que eu fiz naquela terra e ao sair de uma tenda dos Núbios, eu sou literalmente disputada pelos mais variados vendedores. Tenho a afirmar que naquele momento, eu e a Pancrácia, já havíamos entrado em muitas tendas similares àquela em que comercializamos as belas das roupas. Conversámos gostosamente com uma série de senhores de tez muito escura, sobre as possibilidades infinitas de se comprarem coisas. E como eu me ri com um, que quis ficar comigo por trezentos camelos. A ideia era eu ficar lá a viver com ele, e o meu pai receber aqui os animais. Até parece que já estou a ver. O meu pai primeiro tinha que ir à Alfândega resgatar os bichinhos. E depois o que faria? Bem se calhar ir vendê-los para a feira de Carcavelos. Ou para a feira da Malveira. Envergaria um traje preto, seguraria uma beata apagada na boca (pois ele não fuma. Era só para dar estilo). Só por um instante ele pensaria em mim e na minha nova vida. Mas depois concluiria que eu é que havia escolhido mudar de rumo (afinal ninguém me mandara ir para o Egipto e aceitar a troca). Depois sorriria ante-visando o belo lucro que iria conseguir com... aquela transacção comercial. Com o dinheiro conseguido ele conseguiria ter uma velhice tranquila e confortável mais a sua Patroa. Quem sabe irem todos os anos passar férias a uma ilha das Caraíbas.
E depois daquela transacção, quem sabe se ter um camelo, não viraria moda? O camelo até se poderia transformar num eficiente e barato meio de transporte (logo agora que se fala tanto na Crise Energética)? Conseguir-se assim transportar toda uma família para o trabalho? Acabar de vez com as filas de trânsito no IC 19? Fazer depois criação de camelos neste país que se está a transformar num deserto. Com bandos de gente a sair dele todos os dias. Com os nossos eficientes governantes a apelarem à emigração. E para piorar tudo isso, nem sequer chove. Bem...
E depois daquela transacção, quem sabe se ter um camelo, não viraria moda? O camelo até se poderia transformar num eficiente e barato meio de transporte (logo agora que se fala tanto na Crise Energética)? Conseguir-se assim transportar toda uma família para o trabalho? Acabar de vez com as filas de trânsito no IC 19? Fazer depois criação de camelos neste país que se está a transformar num deserto. Com bandos de gente a sair dele todos os dias. Com os nossos eficientes governantes a apelarem à emigração. E para piorar tudo isso, nem sequer chove. Bem...
Mas retomemos a nossa história de hoje. Ora já na rua e para me libertar de tanto assédio por parte dos vendedores, eu usei uma táctica que me pareceu na altura absolutamente infalível. Quando eles me carregaram com as suas coisas eu, disse que nada poderia comprar. E com o ar mais constrangido do mundo eu revelei: "I'm a poor widow". Eles olharam fixamente para mim. Observaram a minha robustês natural. A minha cara pálida de papel. Sempre pronta para rir, e... ficaram confundidos. E para rematar aquilo tudo, eu afirmo que nada posso comprar pois por tudo, eu só poderia oferecer... um euro. Após isso, eles ficaram muito revoltados. É que eu estava a desvalorizar ao máximo os seus produtos, não é? Se eu estivesse no lugar deles, eu também ficaria triste. Contudo quem os mandara insistir! Após isso, um deles, olha para mim ainda com mais insistência que os outros. E depois ele não se conteve. Abriu as goelas o máximo que pode e desatou a chamar-me aos gritos de CATALANA!!! Mas "catalana" porquê? Perguntei. Mas ninguém me respondeu. Passados instantes ouvi uma data de vendedores também aos gritos, a apontar para mim e a chamarem-me outra vez de "catalana". Homens que olhavam para mim, para a minha figura e para a minha aqui confessada... desfaçatez. Pois...
E eu que fiquei a pensar naquilo! Porque é que eu era "catalana"? Eu que sou portuguesa. Segui os passos de milhões de lusitanos e fui nascer na Maternidade Alfredo da Costa. Será que "Catalana" ali, tem alguma coisa a ver com os residentes da Catalunha? Mas esses são espanhóis. Ou são mais ou menos espanhóis. Mas sempre são mais espanhóis que eu. Será que os catalães são por definição os mais semíticos dos espanhóis? Os mais bota-de-elástico?
Eu de concreto e ali nada soube. Ninguém teve a coragem de me explicar. Mas eu também posso aqui afirmar que se eu fosse espanhola, o mais natural era torcer pelo Futebol Clube de Barcelona. Sim senhora. Era até capaz de ter um poster em tamanho natural do grande Messi, que ao que parece, até é pequeno. O poster ocuparia assim uma pequena parte da parede do meu escritório ou mesmo do meu quarto. Ficaria desta maneira com um grande motivo de inspiração, de alguém que concretiza, de alguém que marca golos. De alguém que persegue sempre um objectivo e não... chuta para canto, como tantos outros.
Eu de concreto e ali nada soube. Ninguém teve a coragem de me explicar. Mas eu também posso aqui afirmar que se eu fosse espanhola, o mais natural era torcer pelo Futebol Clube de Barcelona. Sim senhora. Era até capaz de ter um poster em tamanho natural do grande Messi, que ao que parece, até é pequeno. O poster ocuparia assim uma pequena parte da parede do meu escritório ou mesmo do meu quarto. Ficaria desta maneira com um grande motivo de inspiração, de alguém que concretiza, de alguém que marca golos. De alguém que persegue sempre um objectivo e não... chuta para canto, como tantos outros.
E depois honra se lhes faça, eu tiro-lhes daqui a minha boina anarquista. Foi na Catalunha que se acabou primeiro, com aquele deprimente e horroroso espectáculo das Touradas. E só por isso eu digo: "Deus abençoe e para sempre a... Catalunha". Agora eu ser "Catalana"? Bem, isso nem lembraria ao diabo, não é?
E a Pancrácia? Bem, ela olhava para mim e para estas minhas interrogações várias e ria que tombava (eu mesma tive que a segurar, porque senão caía). E Deus meu, como aquela mulher se riu. E as comprinhas foram assim prosseguindo por seculo seculorum.
Entretanto o tempo disponível para as transacções comerciais, já há muito que havia terminado. E era altura de regressarmos ao barco. E o que é que aconteceu? Pois o barco já não estava no mesmo sítio. Ai ai, os nossos problemas tiveram ali o seu inicio. Nós as duas, sozinhas, em terreno hostil e desfavorável a liberdades femininas. Andarmos assim à cata do nosso "barco seguro" que se recusava a aparecer no horizonte. E como andámos naquele dia. Entrámos para aí em duzentos barcos, que eram todos iguais uns aos outros. Mas o que era facto é que estava a ser muito difícil... encontrar o nosso. No fim e já sentindo um certo nervosismo nos ossos, tanto eu como a minha amiga Pancrácia que é uma competente compradora profissional, lá encontrámos o bote, mas não foi nada fácil. Ah pois não!
Entretanto o tempo disponível para as transacções comerciais, já há muito que havia terminado. E era altura de regressarmos ao barco. E o que é que aconteceu? Pois o barco já não estava no mesmo sítio. Ai ai, os nossos problemas tiveram ali o seu inicio. Nós as duas, sozinhas, em terreno hostil e desfavorável a liberdades femininas. Andarmos assim à cata do nosso "barco seguro" que se recusava a aparecer no horizonte. E como andámos naquele dia. Entrámos para aí em duzentos barcos, que eram todos iguais uns aos outros. Mas o que era facto é que estava a ser muito difícil... encontrar o nosso. No fim e já sentindo um certo nervosismo nos ossos, tanto eu como a minha amiga Pancrácia que é uma competente compradora profissional, lá encontrámos o bote, mas não foi nada fácil. Ah pois não!
Para sempre eu vou recordar o merecidíssimo "responsolo" que ouvimos, por parte de uma jovem e competente guia. Ela ali, transmitindo-nos (com cara de poucos amigos), uma "catrefa" de perigos que duas mulheres corriam se se perdessem ali naqueles locais. Naquele lugar compusemos uma estranha dupla, composta por uma gastadora compulsiva, detentora de um belíssimo nome e por mim, que assumi um papel de falsa e ardilosa criatura, que se pareceu um pouco com uma mulher muito desgostosa com a partida antes de tempo de um Falecido Qualquer. Falecido esse que é o contrário da pescada, ou seja, nunca o foi. Regressámos depois a este belo e agora atormentado país. Do Egipto, trouxe belas recordações, algumas histórias para contar. E não fiquei lá, ninguém me raptou. Mas acredito que se tal tivesse acontecido, eles a esta hora já estariam... muitíssimo arrependidos. Na volta eu já seria uma líder e dirigente sindical num... harém qualquer. Exigir novas e melhores condições laborais. Mais respeito pelas...hierarquias. Promoções profissionais, baseadas em factores como a... maior produtividade. Redefinição de objectivos... Ai Credo!
A sugestão de leitura para esta semana é: "A Via Sinuosa" de Aquilino Ribeiro.
DIVIRTAMSEMAZÉ!

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