Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Relações virtualmente desconexas.


Há uns anos atrás, li algures que uma pessoa se encontra afastada de outra pessoa qualquer do mundo, por apenas sete contactos, ou seja basta falar com sete pessoas diferentes para se encontrar... quem se quer encontrar. Já li isto há bastante tempo. Acredito que hoje em dia é tudo muito mais fácil. Estamos no tempo da Internet em "velocidade cruzeiro". Das Redes Sociais. Temos os mais diferenciados contactos generalizados e em grande escala. Mas serão estes (e na sua maioria), absolutamente compensadores?
Arménio trabalha numa Junta de Freguesia situada a sul do país. Tem 57 anos, de altura mediana, moreno, calvo, de olhos castanhos escuros e de farto bigode. Ele é um homem divorciado. Tem a seu cargo uma filha quase quase a ultrapassar a barreira dos dezoito anos. A filha está assim a atingir a maioridade mas não necessariamente a independência monetária. Isso ficará naturalmente para muito mais tarde como é costume da sociedade actual. Como hobbies, Arménio tem um pombal onde residem cerca de 200 pombos. Cria também galinhas pedreses. E também percebe muito de jardinagem. Tem ainda uma pequena horta.
Há noite Arménio costuma divertir-se com os seus numerosos amigos, vai a tabernas, pubs, discotecas etc. Ás vezes vai a um ou outro salão erótico (assim como que para lavar a vista). 
Porém também passa parte do seu tempo na Internet, nas chamadas Redes Sociais. Ai convive com muitos/as, amigos/as virtuais. Como perfil, ele usas-se de um nickname inconfessável e de uma fotografia de um jovem modelo, muito belo, porém algo desconhecido para a maioria das pessoas. O uso dessa fotografia e regra geral, cria alguma confusão. 
Muitas vezes, as conversas mantidas naquela plataforma por ele, versam motivos tão importantes como a: criação de pombos, a situação económico/social do país, o Poder Local... Mas o que ele verifica mais é que as "suas amigas internautas" perdem mesmo muito mais tempo no engate. Ora como amiga virtual, o nosso herói de hoje tem a "Maria Repimpada", que é um nick que uma certa senhora usa para formalizar e dignificar os seus contactos. A Repimpada auto-define-se como uma trintona enxuta, decidida porém muito amorosa e capaz. À primeira vista esta "vitoriosa" encantou-se com a fotografia do tal modelo que o Arménio usa. Mas este fez logo questão de dizer que aquela fotografia não o retrata a ele, muito antes pelo contrário. Contudo a Repimpada logo se fez de coquete e lhe disse que poderia até não ser ele, mas que tinha a certeza que o Arménio possuía os seus "bons atributos" e as suas "belíssimas qualidades próprias", o que não deixa de ser uma grande verdade. Arménio aqui nada respondia. Impedia-o a modéstia e a educação que tivera. E a Repimpada continuava, fazendo-lhe as mais variadas perguntas: "Quantos anos tinha?", "De que cor eram os seus olhos?", "Se era comprometido?", "Se tinha namorada ou amiga colorida?", "De que cor eram os seus mamilos?". E o Arménio não se fazia rogado e respondia mais ou menos a tudo. Um dia destes a Repimpada até lhe perguntou qual é que era o perímetro do seu testículo esquerdo. Arménio ficou varado. Para que raio é que a mulher queria ter tal informação? Seria para colmatar uma estranha e inapropriada curiosidade? Ou seria para a elaboração de uma complexa equação que determinasse a correspondência efectiva entre a funcionalidade e o tempo em que a mesma decorre? Acho que para a obtenção desse resultado, ela também teria que perguntar qual é que era a temperatura atmosférica e o nível de precipitação. (lol) Mas Arménio, pensou, pensou e depois foi à Casa de Banho para medir. 
Com o decorrer das conversações, Arménio apercebia-se que a sua amiga, parecia ter desenvolvido um estranho e continuado fascínio pelo retrato do tal moço bem parecido. E por mais que desviasse a conversa, a Repimpada só queria uma coisa: conhecer o aspecto do Arménio. Mas este foi adiando a "revelação" enquanto pôde.
Por muitas vezes, o Arménio ficou farto de tanta insistência. Apetecia-lhe era falar dos pombos, das flores, das galinhas. Da educação dos jovens... Mas a Repimpada não desistia assim facilmente dos seus intentos. Arménio foi repetindo (quase até à exaustão) que a fotografia exposta não correspondia à sua pessoa. Ele era muito mais trigueiro e idoso do que aquele jovem. Além do mais não tinha os músculos tão definidos nem desenvolvidos como os do referido modelo. E mais, até já possuía uma crescente barriguinha. A Repimpada sorria (usava até ao exagero, de uma série de sinais gráficos que correspondiam directamente à sua risada). E dizia que acreditava que o Arménio deveria ser um homem muito interessante e detentor de muita beleza, principalmente de beleza interna (?). Mas continuava, dizendo que um dia o queria conhecer de facto. Arménio receava  muito essa "exposição".
Mas as conversas entre os dois lá se iam mantendo e a temática lá ia continuando quase sempre a mesma. Ao fim de muitas horas de paleio escrito, os dois finalmente decidiram conhecer as respectivas facies, pelo que decidiram ligar as Web Camera ao mesmo tempo. Conheceram assim o aspecto visual um do outro. Arménio olhou para a Maria Repimpada. A Maria Repimpada olhou para o Arménio e... começou logo e imediatamente a gritar. Depois chamou-lhe todos os nomes. Amaldiçoou-o até à sua sexta geração. E mais, abriu muito os olhos e ficou sem cor. Depois colocou os seus dois dedos indicadores em cruz e começou a dizer em voz alta e grave o: "Vai de Retro Satanás". E desligou imediatamente a câmara e a conversa, a tal que já durava havia tanto tempo. 
Arménio inicialmente não teve qualquer tipo de reacção. Ficou abismado. Ele não havia conseguido prever uma reacção tão radical por parte da mulher. É que vendo bem as coisas ele jamais lhe havia mentido. Sempre lhe dissera toda a verdade. Porque é que a Maria reagira assim? Foi um comportamento muito despropositado. 
Mas depois Arménio pensa melhor. Afinal ele também vira a Repimpada. Ela também não era assim tão dotada como... à partida queria fazer crer. E além disso ele continuava a ter muitos motivos para sorrir. Afinal sempre tinha uma vida própria que ele considera muito gratificante. Tinha uma filha feliz, tinha duas centenas de pombos ordeiros, umas galinhas muito poedeiras e graciosas e um coração aberto a novas experiências, mas tranquilo. E já agora ele ficara com uma certeza: Na sua vida ele não quer mais incluir nenhuma outra "Maria Desarvorada".
Sugestão de leitura para esta semana: "Destino de um Homem" de Somerset Maugham.
DIVIRTAMSEMAZÉ e votos de "Bons Encontros", patrocinados ou não por um Cupido Qualquer!


E o que aquela se deve de ter divertido! Ali no chão, deitada e aos beijos ao Bono!!!
DIVIRTAMSEMAZÉ!!!

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