Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

sexta-feira, 16 de março de 2012

Sonhos.


É lugar comum afirmar que o sonho comanda a vida. Mas é que comanda mesmo. É no exercício de se dormir cerca de sete horas por noite (uns um pouco mais, outros bem menos), que encontramos algum do equilíbrio que perdemos durante o dia. Mas há sonhos terríveis. Tenho um sonho recorrente que me tira do sério. Muitas vezes eu sonho que perco dentes, perco a totalidade dos meus dentes. Dizem que a ocorrência de tal sonho é prenúncio de morte de parentes próximos. Mas até hoje tal situação (e felizmente) tem-se verificado falsa. E ainda bem. No sonho, os dentes são perdidos sem nenhum motivo aparente. Nem é preciso trincar nenhuma broa muito dura fabricada em Góis. Parte de um dos meus dentes ficou sepultado numa urna desse pão produzido naquela cidade localizada no centro do país. Foi  já há alguns meses atrás. Paz à sua (ínfima) alma!
Quando me acontece sonhar com a perca de dentes, eu durante alguns dias ando muito receosa. A disfarçar, eu lá vou perguntando aos meus entes queridos se se sentem bem. Se não têm sintomas de nenhum resfriado. De nenhuma pneumonia. Fazendo-me de sonsa, eu lá lhes vou sugerindo a necessidade de eles irem medindo a febre... Depois e passados alguns dias, eu verifico que os meus parentes ainda se mexem e falam. E continuam a comer uma sopinha. Então e com mais calma eu começo a respirar melhor. E começo a andar um bocado mais aliviada. Era o que faltava eles lembrarem-se assim de morrer (só por causa do sonho dos dentes). Deixarem-me aqui só e numa grande agonia. A ter que ir alguém, que vá eu primeiro.
Depois há os sonhos absolutamente dementes e estapafúrdios. Aqueles em que por exemplo se sonha com o vizinho do andar cima. No sonho o homem aparece muito novo e musculado. Aparece também todo cheio de atenções e de diplomacias. Ora, o que se passa é que o meu vizinho, para além de já ter cento e tal anos, já conheceu melhores dias. E não é mesmo nada diplomata, muito antes pelo contrário. Vendo bem as coisas e durante o dia eu não lhe dedico um minuto que seja da minha atenção. Contudo e a dormir... ele pode facilmente virar o meu herói. Nos meus sonhos, o meu vizinho surge trajado como o Brad Pitt, no filme "Tróia". Todo ele é músculos e sensualidade. Acordada e ao olhar para o homem, eu verifico que o mesmo pode muito bem ter sido colega de carteira do próprio Sidónio Pais. E mais, no meu sonho, o meu vizinho também não é casado com a D. Glória, que para além de ser muito idosa também, dedica grande parte da sua atenção, ao apuramento das características da vida secreta dos seus/nossos outros vizinhos. E depois durante a noite, ela insiste em ir à casa de banho, calçando umas daquelas socas de madeira, que como muito bem sabemos, são oriundas da Holanda. E como ela vai à casa de banho, senhores!


Quando a minha vizinha vai à casa de banho (seja de noite ou de dia), ela vai sempre a dançar. Vai tal qual a senhora que aqui aparece neste vídeo. Tenho a certeza que a minha vizinha quer ganhar este festival. É muito legitimo ser ambiciosa. Mas quem se "estrepa" sou eu que vivo no andar debaixo. Mas temos que convir, é invejável a sua forma física. É que a minha vizinha já tem 84 anos.
 Por causa do barulho e no Natal passado, eu tive vontade de lhes oferecer... um penico. Um daqueles grandes que nos chegam aos joelhos. Ela que treine a dança de dia e, preferencialmente na rua. Até pode ser que haja gente que ao passar por ela, contribua com umas moedinhas. Sempre era uma ajuda para a sua viagem à Holanda...
Mas um dia destes, tive um sonho inesquecível: sonhei que andava a dar uma viagem maravilhosa aos Estados Unidos da América. Não, meus amigos, eu não me encontrava numa imensa lista de espera de doze pessoas. Não!!! Eu andava a viajar com um grupo restrito de pessoas. Todas elas muito simpáticas e divertidas. Lá não havia lugar para aquelas pessoas que coitadas, não têm bem a noção das coisas. Aquelas pessoas que não sabem que são chatas e que se "colam" ao parceiro, falando sempre, sempre da mesma coisa. Nem daquelas pessoas muito paternalistas. Nem das outras todas cheias de moral. Ou das que são muito religiosas e efusivas. As que são muito prestáveis e catequistas. Nem daquelas pessoas que estão sempre a fotografar e a pedir ao mais desprevenido, uma pose. Só mais uma pose. Credo!
Naquele meu grupo também não ia  nenhuma  daquelas velhinhas que têm um ar muito amoroso e muito frágil. Num primeiro momento até dá vontade de as acarinhar e de lhes dirigir uma palavrinha amiga. Só que passado algum tempo, vem-se a descobrir que as tais velhinhas, têm como hobbie, coleccionar daquelas vassouras que voam. Detêm também elas uma completa e vasta biblioteca, composta por muitos livros de poções mágicas. E profusamente ilustrados. Na minha biblioteca eu colocaria esses livrinhos, na secção do OCULTISMO (CDU 133). Muitas destas velhinhas também se dedicam (e com desvelo) à... criação de corvos.
Se se fizesse a "Árvore Genealógica" de tais velhinhas, verificava-se que as mesmas são as irmãs mais velhas da madrasta da Branca de Neve. E meus amigos, aqui fica um conselho: recusem-se sempre a dar dentadas em todas as maças que vos são (muito) calorosamente oferecidas. Por segurança, comprem sempre a vossa própria fruta. Se bem que as maçãs  que as tais velhotas vos possam oferecem  e por definição, já devem de ser muito engelhadas. Devem de ter... muito bicho. Têm bicho porque regra geral,  são produto de agricultura biológica.
No meu sonho eu e mais as tais pessoas simpáticas, participávamos depois num casamento de dois homens (um com o outro, claro está). O mais novinho era belíssimo. Tinha uns muito expressivos olhos azuis e era muito delicado, delicado mesmo. Ele falava muito pausadamente (por momentos fazia-me lembrar o Vítor Gaspar. Mas só no vagar com que falava, como é óbvio). E também não nos aumentava os impostos, nem nos tirava nenhum subsídio. Não. O tal noivo do meu sonho, tinha uma voz muito fina e delicodoce. Este sujeito estava a casar com uma figura muito conhecida da nossa praça (que eu aqui não irei revelar). É certo que o blogue não é tão lido assim, mas... nunca confiando).
E eu ali a sonhar. E como eu lamentava o facto daquele belo homem, ter preferido uma figura pública (muito feia e do seu próprio sexo),  ao invés de me ter escolhido a mim. Mas, e quem é que disse que o mundo é justo? Nem mesmo a sonhar, rais'parta!
Depois todos os participantes daquele casório, foram dançar, aquela dança em que todos andam em fila a imitar um comboio. Mas eu não fui, pois nem mesmo nos meus sonhos mais recônditos, eu sei dançar.
Mas os melhores sonhos mesmo, são aqueles que se têm em plena vigília. Esses são comandados inteiramente por nós. São o reflexo puro da nossa vontade. Têm a tonalidade dourada ou azulada, consoante aquilo que mais queremos vivenciar. As coisas assim sonhadas, têm o toque da magia da nossa capacidade criativa. São determinados por aquilo que estando condicionado à partida (e pelas mais variadas razões) nos parecem ser o que mais queremos viver. Aquilo que a cumprir-se nos faria inteiramente felizes. E acreditamos piamente que é o que nos falta para atingirmos o grau máximo de felicidade. Esses sonhos valem milhões.
Mas, esses sonhos cumprem-se efectivamente? Não. Quase nunca. Todos nós sabemos disso. Mas para todos os efeitos, foi muito importante tê-los tido.
Sugestão de leitura para esta semana: "Tão veloz como o desejo" de Laura Esquível.
DIVIRTAMSEMAZÉ e sonhem com dias melhores.


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