Ao chegarmos a uma determinada etapa da nossa vida começamos a fazer balanços e a pensar no que passou. Com alguma contenção começamos a imaginar sobre o que é que ainda há-de vir. Isto se tivermos oportunidade de ainda vir a viver muito mais.
O meu pensamento de hoje vai para a época sagrada da nossa infância. Para os "Verdes Anos". Hoje é comummente aceite por nós, de que não existiram tempos melhores. Quanto éramos crianças, já ouvíamos isso da boca daqueles que (como nós actualmente), já se encontravam numa etapa diria, média da vida. Assim considera-se que a infância/juventude é justamente a melhor fase da vida.
Na altura este facto custava-nos um pouco a acreditar mas, e depois com a vivência... É certo que é bom ter o controle (ou pensar que se tem), sobre a totalidade dos nossos actos. Ter a capacidade de se subsistir sem ter que contar com um qualquer financiamento paternal ou estatal. Pelo menos no que concerne à parte monetária. Pois no que toca aos afectos somos sempre devedores em alguma coisa. E também é muito conveniente (e no que toca a afectividade), sermos credores. Precisamos sempre de assumir novas dívidas. Assim como ceder a novos e indiscutíveis créditos. E neste campo é muito provável que jamais regularizemos efectivamente a nossa condição. O mais normal é ficarmos devedores e credores até à hora da morte. Se calhar, corremos o risco de jamais pagarmos nem sermos amplamente ressarcidos do total daquilo que recebemos e daquilo que financiámos.
Na altura este facto custava-nos um pouco a acreditar mas, e depois com a vivência... É certo que é bom ter o controle (ou pensar que se tem), sobre a totalidade dos nossos actos. Ter a capacidade de se subsistir sem ter que contar com um qualquer financiamento paternal ou estatal. Pelo menos no que concerne à parte monetária. Pois no que toca aos afectos somos sempre devedores em alguma coisa. E também é muito conveniente (e no que toca a afectividade), sermos credores. Precisamos sempre de assumir novas dívidas. Assim como ceder a novos e indiscutíveis créditos. E neste campo é muito provável que jamais regularizemos efectivamente a nossa condição. O mais normal é ficarmos devedores e credores até à hora da morte. Se calhar, corremos o risco de jamais pagarmos nem sermos amplamente ressarcidos do total daquilo que recebemos e daquilo que financiámos.
Hoje o meu pensamento vai para um interessante jogo que se fazia nos tempos idos da infância. O Bate-Pé. E quem é que ao nascer nos já longínquos anos setenta e até mesmo nos anos oitenta, não jogou a este interessante jogo? Um jogo que tinha a função de nos preparar para a vida.
O jogo, e para quem não sabe, consistia no seguinte: de um lado ficavam as meninas e do outro os meninos. Formavam-se assim duas filas paralelas de crianças e/ou adolescentes separadas pelo sexo a que pertenciam. O objectivo final da coisa era trocar-se beijos, muitos beijos. Mas em todo aquele processo não havia só lugar para beijos. Havia também lugar para outros tipos de cumprimentos como os já fora de moda apertos-de-mão. E às vezes havia mesmo lugar à ocorrência de recusas ao solene cumprimento.
O intrépido jogador, fosse menino ou menina, quando chegava a sua vez, dirigia-se à pessoa por quem nutria alguma simpatia (convinha, não era?). Depois batia palmas. Uma palma batida, queria dizer que estava a solicitar ao seu interlocutor, um aperto-de-mão. Se fossem duas palmas, era um beijo na testa (eu acho que este é sempre o cumprimento mais adequado para se ter entre sogras/os e noras/genros). Se fossem três palmas, ocorreria um muito conveniente beijo no rosto. Quando se batessem quatro palmas, era a vez de um vulgar beijo na boca, mas só de lábios. As cinco palmas era o êxtase, ou seja, envolvia um ardente e complexo beijo, que até incluía "escalope".
Para que os cumprimentos se dessem, a pessoa a quem o serviço fora solicitado, tinha que aceitar. Era imperioso. Mas tudo poderia cair por terra, se do outro lado e, furiosamente... se batesse com o pé no chão. Aí não havia nada a fazer. O batedor de pé, nada dizia, mas a sua facies parecia estar a dizer que: "Ah querias beijos não era? Pois vai ter com outro/a que tos dê!"
Porém, desde cedo que a vida nos ensina que o êxito pertence a quem ousa. A quem não têm assim muito medo de perder. A quem não pensa muito no insucesso. Resumindo, a glória mais facilmente vai para... quem é mais corajoso. Em todo aquele processo, convinha ter alguma prudência, mas... uma coisa era certa: as cachopas que eram mais belas, eram também, as mais ousadas. E não é que aquelas maganas tinham sempre direito aos abraços e aos beijos mais demorados?
O intrépido jogador, fosse menino ou menina, quando chegava a sua vez, dirigia-se à pessoa por quem nutria alguma simpatia (convinha, não era?). Depois batia palmas. Uma palma batida, queria dizer que estava a solicitar ao seu interlocutor, um aperto-de-mão. Se fossem duas palmas, era um beijo na testa (eu acho que este é sempre o cumprimento mais adequado para se ter entre sogras/os e noras/genros). Se fossem três palmas, ocorreria um muito conveniente beijo no rosto. Quando se batessem quatro palmas, era a vez de um vulgar beijo na boca, mas só de lábios. As cinco palmas era o êxtase, ou seja, envolvia um ardente e complexo beijo, que até incluía "escalope".
Para que os cumprimentos se dessem, a pessoa a quem o serviço fora solicitado, tinha que aceitar. Era imperioso. Mas tudo poderia cair por terra, se do outro lado e, furiosamente... se batesse com o pé no chão. Aí não havia nada a fazer. O batedor de pé, nada dizia, mas a sua facies parecia estar a dizer que: "Ah querias beijos não era? Pois vai ter com outro/a que tos dê!"
Porém, desde cedo que a vida nos ensina que o êxito pertence a quem ousa. A quem não têm assim muito medo de perder. A quem não pensa muito no insucesso. Resumindo, a glória mais facilmente vai para... quem é mais corajoso. Em todo aquele processo, convinha ter alguma prudência, mas... uma coisa era certa: as cachopas que eram mais belas, eram também, as mais ousadas. E não é que aquelas maganas tinham sempre direito aos abraços e aos beijos mais demorados?
A Carina tinha uns belos caracóis loiros e uns expressivos olhos azuis. Tinha ainda um belo e perfurador par de mamas. E estava em todas, com os rapazes mais belos e apetecíveis do pedaço. Ela própria se queixava de que naquele jogo, teriam que existir regras básicas. (Porém eu positivamente não me recordo de que no mesmo tenha havido alguma vez, lugar para um qualquer árbitro ou juiz. Alguém que controlasse toda aquela dinâmica). Pelo que abrindo muito aqueles espantosos olhos azuis e sacudindo firmemente o peito para a frente, a Carina insurgia-se contra o facto, de que alguns dos seus beijoqueiros amigos serem muito abusadores. É que os rapazes atreviam-se a fazer verdadeiros "ralis" nos dentes dela. Era ela que assim o dizia. E isso, claro está, era absolutamente contrário a tudo o que estava estabelecido. Sempre gostaria de saber onde é que as regras do jogo do Bate-Pé estão escritas? E onde é que as mesmas estão devidamente assinadas e firmadas pelas entidades mais competentes?
O João e a Vanessa sendo de aparência um pouco menos vistosa, preferiam fazer-se passar por palhacitos. Ou seja, uma vez que duvidavam que conseguissem obter os afectos que as suas mãos escaldavam por solicitar, preferiam fazer piadas e deixar assim passar a sua vez. Por vezes gesticulavam, fingindo que estavam a filmar toda aquela situação.
O Hugo, que usava óculos e tinha um bocadito de peso a mais, via-se muitas vezes limitado a apertar mãos. Em calorosos e sofríveis "Passou-Bens". Às vezes lá ficava com a cara corada de vergonha, ante a recusa do "beijo de alma", por parte de uma das moças mais jeitosas. Mas pelo menos ele tentava a sua sorte. Isso era de louvar. Às vezes a bela da Carina tinha acessos de solidariedade (aprendera isso na catequese. Dar aos mais desprovidos), pelo que, e muito de vez em quando, lá condescendia e beijava com o corpo e com a alma, os que eram mais feiotes. E estava convencida que essa sua actuação... agradaria a Jesus.
Rui era de todos o mais belo. Tinha o corpo muito desenvolvido para a sua idade. Tinha uns belíssimos olhos castanho-esverdeados, uma pele morena e uns dentes que projectavam brancura e brilho por todos os lados.
No que dizia respeito às raparigas, acho que poucas seriam as que não desejavam o beijo e o afecto do Rui. Contudo poucas eram também, as que tinham a coragem de se dirigirem a ele e de lhe fazerem uma "serenata" de cinco palmas. No máximo batiam três e ficavam regaladas. É que ele também não era muito adepto a recusar-se. A bater com os pés. O Rui tinha um bom coração. Mas depois, sempre havia a corajosa Carina, a tal loira e peituda rapariga. E também a Anabela, que tendo o seu peito muito parecido com o do seu pai, era suficientemente activa e filantropa, para se atrever (e conseguir coisas), de que ninguém acreditava. Se calhar o que agradava, era mesmo a sua figura andrógena. Vá-se lá saber.
Depois havia a Matilde, que não era nem feia nem bonita. Não era nem muito gorda, nem muito magra. E também tinha muito receio em dar um passo maior que as suas pernas. Pernas que eram ainda tortas e escanzeladas mas que com o tempo prometiam adquirir novas e vigorosas formas. A Matilde era adepta das três palmas. Ficava-se pelo respeitoso beijo no rosto. Era no fundo o beijo mais confiável. E era difícil para todos os efeitos, recusar-se um beijo de rosto (mas isso ainda chegava a acontecer. É que há sempre gente perversa desde a mais tenra idade). Matilde era muito amiga da Carina, a quem respeitava e admirava. Mas jamais lhe passara pela cabeça, vir um dia a competir com ela. Também, sabia que nisso, ela não teria a mínima hipótese.
As coisas estavam acertadas assim. As regras estavam claramente estabelecidas e aceites por todos. Não se perspectivava a ocorrência de uma qualquer discussão. E a Matilde lá ia a jogo, e batia as três palmas do costume. E dirigia-se ao Afonso, ao João, e às vezes até ao Hugo Caixa de Óculos. Muito de vez em quando, ela lá se arriscava... e conseguia beijar a pele morena do rosto do Rui. Mas...
No que dizia respeito às raparigas, acho que poucas seriam as que não desejavam o beijo e o afecto do Rui. Contudo poucas eram também, as que tinham a coragem de se dirigirem a ele e de lhe fazerem uma "serenata" de cinco palmas. No máximo batiam três e ficavam regaladas. É que ele também não era muito adepto a recusar-se. A bater com os pés. O Rui tinha um bom coração. Mas depois, sempre havia a corajosa Carina, a tal loira e peituda rapariga. E também a Anabela, que tendo o seu peito muito parecido com o do seu pai, era suficientemente activa e filantropa, para se atrever (e conseguir coisas), de que ninguém acreditava. Se calhar o que agradava, era mesmo a sua figura andrógena. Vá-se lá saber.
Depois havia a Matilde, que não era nem feia nem bonita. Não era nem muito gorda, nem muito magra. E também tinha muito receio em dar um passo maior que as suas pernas. Pernas que eram ainda tortas e escanzeladas mas que com o tempo prometiam adquirir novas e vigorosas formas. A Matilde era adepta das três palmas. Ficava-se pelo respeitoso beijo no rosto. Era no fundo o beijo mais confiável. E era difícil para todos os efeitos, recusar-se um beijo de rosto (mas isso ainda chegava a acontecer. É que há sempre gente perversa desde a mais tenra idade). Matilde era muito amiga da Carina, a quem respeitava e admirava. Mas jamais lhe passara pela cabeça, vir um dia a competir com ela. Também, sabia que nisso, ela não teria a mínima hipótese.
As coisas estavam acertadas assim. As regras estavam claramente estabelecidas e aceites por todos. Não se perspectivava a ocorrência de uma qualquer discussão. E a Matilde lá ia a jogo, e batia as três palmas do costume. E dirigia-se ao Afonso, ao João, e às vezes até ao Hugo Caixa de Óculos. Muito de vez em quando, ela lá se arriscava... e conseguia beijar a pele morena do rosto do Rui. Mas...
Um dia Carina, que era a tal "boazona", intrépida e desejável rapariga decidiu intervir. Já aqui disse que ela era por vezes muito solidária com os mais carenciados, pelo que em certo dia ela disse à Matilde: "Mas tu não passas disso? Tanto beijo da cara, Credo! Já está na altura de arriscares um pouco mais!"
Era só o que faltava! A Matilde ficou mais corada do que as camisolas do Glorioso. Pelo menos como as camisolas do antigamente (já que agora eles têm umas camisinhas cor-de-rosa!). Mas, era a Carina que estava a falar e era urgente ouvi-la. Afinal era a Carina que ganhava todos os campeonatos locais. Ela e o Rui.
E... passado pouco tempo, vem a Carina com o Rui, (que era a tal beleza da Praceta), agarrado pelo braço. Coloca o Rui à frente da Matilde e ordena-lhe: "Vamos lá! Não és mulher nem és nada se não bateres aqui e agora, cinco palmas. Estás a ouvir. CINCO palmas!!!"
E... passado pouco tempo, vem a Carina com o Rui, (que era a tal beleza da Praceta), agarrado pelo braço. Coloca o Rui à frente da Matilde e ordena-lhe: "Vamos lá! Não és mulher nem és nada se não bateres aqui e agora, cinco palmas. Estás a ouvir. CINCO palmas!!!"
Matilde ficou sem saber o que dizer. Todo o seu corpo tremia. No fundo ela sempre desejara aquilo. E não é que o Rui continuava ali? Não dissera nada em contrário? Tudo indicava que ele estava de acordo com as clausulas daquele empreendimento. E estava disposto a assinar um contrato que envolvia (através de uma elaboradíssima troca de sinais), a aprendizagem de se beijar e profundamente a boca do outro. No caso concreto, a boca da Matilde. E esta sem dar conta, pôs as mãos a jeito, para começar o doce aplauso das cinco palmas.
Mas depois pensou melhor. E como a Matilde era muito adepta do "Desporto do Pensamento"! Era exactamente esse, o seu jogo favorito. Pelo que... decidiu bater somente uma palma. Depois disso, ela agarrou a mão de Rui e ficou com a mesma e por momentos, entre as suas mãos. Acariciou-lhe assim a mão, num tocante e delicado aperto da mesma. Depois, olhou-o nos olhos. E viu-lhe aquele sorriso radioso. Sim. Para ela isso bastava-lhe. E ali, ela decidira guardar os seus beijos, para alguém com quem ela não tivesse que fazer qualquer negócio. Até poderia ser com o Rui, quem lhe dera! Mas numa outra altura, sem palmas e preferencialmente... sem testemunhas.
Não consta que ela alguma vez, se tenha arrependido daquela sua decisão.
Não consta que ela alguma vez, se tenha arrependido daquela sua decisão.
Sugestão de leitura para esta semana:"Pára-quedas e Beijos" de Erica Jong.
DIVIRTAMSEMAZÉ!!! e... Boas Leituras.
DIVIRTAMSEMAZÉ!!! e... Boas Leituras.

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