Assumidamente
geek eu me reconheço. E croma sem qualquer problema acrescido em me assumir como tal. E no alto das minhas quatro décadas de vida, eu afirmo que esta
geração de agora, já nasceu com a escola toda. É que eu não sei mesmo onde é que aprenderam tanto. Possivelmente ainda
dentro da barriga das mãezinhas. A usarem-se lá de um iphone qualquer.
E ao que me parece, até já foi há
muito tempo, que se acabaram com as conversas deprimentes das cegonhas que traziam os bebézinhos
de Paris. Mas essa não fora definitivamente, a minha versão. Quando eu era nova, bem nova mesmo, aprendi por parte daqueles que
comigo privavam (e que também tinham a incumbência de me dar educação), que a perpectuação da espécie
era devida à acção conjunta realizada por um homem e uma mulher. E nunca, mas nunca mesmo, me transmitiam uma história
que envolvesse pássaros gigantes, que teriam como função única, transportar seres humanos ainda
imberbes, em carregos de fraldas presas com nós-cegos.
E então eu lembro-me
muito bem, de algumas conversas algo incomodas (que não me deixavam mesmo nada
à vontade), em que o meu querido progenitor me comunicava que eu havia nascido,
porque ele havia colocado uma sementinha na senhora minha mãe. E ficava dito. O magano, depois disso não entrava em
mais detalhes. Hoje até acho compreensível tal falta de informação, mas na altura... É que nós sempre tivemos vasos em casa. Via muita vez a minha mãe muito
embevecida a plantar a sua salsa. Ou seja, ela revolvia convenientemente a terra, e toca de espalhar para
ali uma réstia de sementes enegrecidas. Depois ajeitava muito bem tudo aquilo. Regava. E passado pouco tempo, começava
a vislumbrar-se umas penugens verdejantes. Agora em relação ao meu pai, eu nunca o
havia visto transplantar qualquer semente. E ele era pessoa que passava bem ao largo dos vasos das flores.
Nem sequer as regava, quanto mais... Só que ele havia-me garantido, que a minha mãe havia sido fecundada por ele. Ora mas como? Se ela não transportava no
corpo qualquer vaso? Pelo menos que se visse. Ainda menos um recipiente onde eu pudesse caber. Mas como
é que tal havia sido possível? Mas depois eu pensava e concluía. É que não havia maneira de eu ter mais nenhum
mano. Eles pelo menos nunca me falavam disso. Além do mais, eu também não mostrava qualquer vontade em dividir o meu espaço sagrado. Que era somente meu. Então eu achava que a explicação poderia ser essa mesma. Seria possível, (e uma vez que os paizinhos não pareciam mostrar ter mais
vontade em duplicar a descendência), que a minha mãe pudesse ter
decidido doar o seu vaso. Se calhar dera-o mesmo à vizinha do lado que tinha um filho
mais novo do que eu. A inocência presente nesses meus “verdes anos” iliba-me da
acção danosa e punível de achar, que o meu próprio pai pudesse andar a espalhar
a sua semente… pelas outras casas da vizinhança. Resta ainda dizer que estávamos nos anos
setenta. Altura em que os bebés ainda nasciam com os olhos fechados.
Mais tarde e
numa conversa entre "compinchas", teríamos na altura nove ou dez anos, uma amiga
particularmente “arrabiteza” transmitiu-me aquilo que ela já havia descoberto. O
enigma causador da continuidade da nossa presença neste mundo. E fez-nos ali logo, a
possível explicação (usando necessariamente alguns detalhes toscos), do que havia finalmente
compreendido. Eu desconfiei logo daquilo. É que eu já sabia que os animais funcionavam
um bocado como ela ali nos estava a dizer. Mas ora bolas! Eram animais, que não falavam nem pensavam. Nem tinham que se portar bem. Pelo menos que eu desse conta.
Agora os meus pais... Aqueles que me forçavam a ir com eles à missa. Ná... Eu fiquei muito desconfiava daquilo tudo. Por outro lado eu sabia que a Vanda adorava inventar
patranhas. E aquelas suas descrições torpes, à primeira vista, pareciam-me ser
TÃO RIDÍCULAS! Não podia de todo conceber que os meus sacrossantos pais, um dia
pudessem ter-se dedicado a semelhantes enclaves. Só que a Vanda jurava. E continuava a jurar: “Pois é assim
mesmo!” Dizia ela naquela sua imponência já distante, daquela original década de vida. E para obter o quorum necessário e justificar assim aqueles "seus sábios ensinamentos" passado
pouco tempo, ela trouxe-nos uma revista que tinha o mesmo nome da minha querida
amiga Gina. Eh lá!!! Aquela revista (dizia-nos Vanda), fora esquecida por um sujeito no
carro do pai. O pai dela era viajante e disponibilizava-se sempre a dar boleias. E era também um
pouco descuidado com o lugar onde deveria guardar aquela informação descritiva e impressa em revistas. Deixando pois tal manancial
informativo/descritivo assim... muito à mão de semear. E passados mais alguns meses... a Vanda teve um irmão.
Bem! Se calhar aquilo que ela nos transmitira... era verdade. Seria a revista um incentivo? Depois daquela suspeita, eu ficara algo perturbada. E tinha que rever tudo aquilo, que até aquela altura eu tinha dado como certo. Afinal o mundo podia reger-se por
outras forças gravitacionais, dispares daquelas que eu achava possíveis, para
não dizer únicas. E o meu mundo infantil, sofreu logo ali um vendaval.
Não contente e a querer saber mais, sobre aquele tão estranho fenómeno, ainda perguntei ao meu pai, se ele não teria também lá por casa, uma ou outra Revista Gina. Eu juro! É que eu sempre o vi, a arquivar tudo o que era jornais e revistas. E de certeza que aquela tão ímpar publicação, poderia bem ser motivo do seu particular interesse. O meu pai ouviu aquilo com a serenidade possível. E depois, abriu-me uma cara muito façanhuda. Arregalou-me muito (e em simultâneo) os seus olhos de progenitor dedicado. E contrariamente ao que era espectável, a coisa não me correu nada bem. Só faltou mesmo, ele pôr os seus dedos em cruz e declarar-me possuída por uma força demoníaca qualquer. “Não!", respondeu-me ele: "Cá em casa não temos nada disso”. Continuou ele de rajada. "Pois eu que lesse a Bíblia e o Missal", concluiria ele já lá mais para o fim. É que lá explicava tudo aquilo que me poderia interessar. In extremis. E depois prometeu-me também ali mesmo, que iria ter uma conversinha… com o pai da Vanda. A malta tinha mesmo um radar. Funcionava ainda era a turbinas.
Não contente e a querer saber mais, sobre aquele tão estranho fenómeno, ainda perguntei ao meu pai, se ele não teria também lá por casa, uma ou outra Revista Gina. Eu juro! É que eu sempre o vi, a arquivar tudo o que era jornais e revistas. E de certeza que aquela tão ímpar publicação, poderia bem ser motivo do seu particular interesse. O meu pai ouviu aquilo com a serenidade possível. E depois, abriu-me uma cara muito façanhuda. Arregalou-me muito (e em simultâneo) os seus olhos de progenitor dedicado. E contrariamente ao que era espectável, a coisa não me correu nada bem. Só faltou mesmo, ele pôr os seus dedos em cruz e declarar-me possuída por uma força demoníaca qualquer. “Não!", respondeu-me ele: "Cá em casa não temos nada disso”. Continuou ele de rajada. "Pois eu que lesse a Bíblia e o Missal", concluiria ele já lá mais para o fim. É que lá explicava tudo aquilo que me poderia interessar. In extremis. E depois prometeu-me também ali mesmo, que iria ter uma conversinha… com o pai da Vanda. A malta tinha mesmo um radar. Funcionava ainda era a turbinas.
Sugestão de
leitura para esta semana: "A Casa dos Amores Impossíveis” de Cristina
Lopez Barrio.
DIVIRTAMSEMAZÉ!

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