Eu não sou do Benfica. Fico-me mais pelo outro lado, da Segunda Circular. Consequentemente, eu não aprecio lá muito o clube encarnado. Nem aquele seu estádio, que mais parece que nunca foi acabado. Mas quando é que eles vão pintar o resto?
Só que eu… simpatizo (e muito) com o seu líder. Com Jorge Jesus, E o que é que se há-de fazer? O amor tem destas coisas. É misterioso e absolutamente inexplicável.
Sinto que existe naquele homem, muita criatividade. Ele que só pode ser, bem ousado e lutador. E é também, um fazedor efectivo de toda uma nova linguística. Ele que até pode ser considerado, a correspondência máxima de um Mia Couto. Mas do futebol. Eu confesso, até nem percebo lá grande coisa do jogo. Fico-me somente pelo básico. Só que é para mim um verdadeiro prazer, poder ouvir falar Jorge Jesus. É que ele é mesmo um senhor, carago!
E hoje proponho-me apreciar aqui, alguns dos seus mais apreciados e célebres vocábulos. Que foram criados por ele, mas que talvez tenham sido mal interpretados. Pois, perante a novidade, a primeira reacção que se tem, é logo a de se dizer mal. Quando se calhar, as verdadeiras intenções do mister ao proferir tais sábias palavras, não tenham sido devidamente compreendidas pela plebe. É que o sentido das mesmas pode muito bem ter sido, muitíssimo mais abrangente:
Apresento pois, um brevíssimo dicionário “do meu tão apreciado” Jesus:
Empulgam: Pode efectivamente tratar-se da referência àquelas pessoas que ficando muito contentes com algo, o aumentam propositadamente. Desformam assim, e em consequência, a real dimensão da coisa. Ou que pelo contrário, de tão tristes que ficam, aumentam até ao infinito, uma desgraça. Ou ainda, todos aqueles que aumentam coisas mínimas, sem qualquer valor. Contudo pode tratar-se também de algo bem diferente. Lembrem-se de que os tempos estão difíceis. É-nos pois, cada vez mais difícil comprar aquilo que é necessário. E devido ao facto, acabemos mesmo por descurar o básico da nossa higiene. É que pode muito bem acontecer, que alguns de nós, já andem para aí a empulgar tudo. E as coleiras dos gatos que não nos servem! E Jorge Jesus, que nunca se engana!
Ganda: Esta palavra, poderá ser confundida com a palavra que prevê, um enorme número de coisas. Muitas coisas mesmo. Ou uma coisa muito extensa. Grande. Mas não poderá ser também, a forma do mister falar daquele país africano. Quando fala num tal de Um Ganda?
Morecer: Poder-se-á tratar efectivamente, de uma nova forma de se falar da atitude de ter merecimento de algo. Lutar para… e ser justo obter. Contudo, ninguém nos garante que esta palavra não possa ter sido proferida noutras situações. Tais como aquela vez em que Jorge Jesus, muito apaixonado e agradecido à vida, e após uma lânguida e perfeita noite de amor, tenha dito à esposa, num jeito de uma perfeita recitação muito sentida: “Mor ser a coisa mais linda e mais bela…Mas só muito depois do Eusébio, que é coisa linda, sem paralelo!”
Padrada: Os mais incautos e precipitados, tendem a dizer que, e mais uma vez, o Jorge Jesus se enganou, ao proferir a intenção de arremessar com um qualquer calhau. Atirar com uma pedra, num alvo odiado e que se quis abater. Mas não poderá ser também, a palavra que ele usou, quando certo dia, lhe entraram pelo estádio adentro, aquele conjunto numeroso de… sacerdotes? Que tenham lá ido por exemplo, para benzer a Capela da Luz? Ou então, quando foram baptizar o passarinho?
E as brilhantes frases:
Bode Respiratório: Os mais anti-tudo, criticam logo, dizendo que ele nem sabe referir-se ao Bode Expiatório. E que nem sabe fazer a devida correlação com o costume ocorrido no passado. E que deu real sentido à designação. Mas eu sou mais previdente. E nem é costume. É que alguém já viu algum bode? Esteve ali mesmo, mesmo… ao pé de um? Alguém já viu a fúria do animal, quando as coisas não lhe correm de feição? Não é a sua respiração agitada e ameaçadora, o que mais se faz ouvir? Acreditem em mim. Eu já vivi no campo. Sei do que estou a falar. E já vi muita gente a correr à frente de um bode. Que em consequência também fica com a respiração muitíssimo alterada. E o mister lembrou-se da fera. É que naquele estádio, podem não ter só entrada, as pacificadas com a vida e muito orgulhosas, Águias Vitória.
Forno Interno: É muito natural, chegarmos à conclusão precipitada de que o Jorge se queria mesmo, referir ao “foro interno”. À intimidade de cada um. Ao que tem que ser reservado, do conhecimento geral. Mas pode muito bem não ser isso, senhores! É que as pessoas que não têm que contar os cêntimos como nós, têm jardins floridos e muito bem apetrechados. Com muito animais de barro espalhados por todo o lado. E com mais duas águia altivas, com as asas abertas (mas em pedra), à entrada da porta. Além disso, também têm no jardim, fornos em cerâmica onde costumam assar os couratos e os pimentos. E depois, têm também, lá dentro de casa, um outro forno, (o tal do forno interno), onde costumam cozinhar o Arroz de Pato. E o Bacalhau à Zé do Pipo.
E quem é que vos garante, que essa não possa ser efectivamente, a realidade, de Jorge Jesus? E lá na conferência de imprensa, ele pode muito bem ter sofrido, de um autêntico e verdadeiro, lapsus linguae?
Vocês quatro, formem aí um triângulo: Aqui é que se vê, a verdadeira genialidade do homem. É que isto não é para todos. Ele consegue formar um triângulo perfeito, com quatro jogadores! É por versatilidades como esta e como outras tantas, que os lampiões tiveram quase, quase o campeonato ganho. E consequentemente, muitos outros ficaram bem longe desse objectivo, e a chuchar no dedo. É que aquele homem (o meu querido J.J.), é mesmo muito bem capaz, de formar um octógono perfeito, só com cinco cidadãos. E em cuecas, está bem?
Jorge Jesus teve o pendor de fazer com que os benfiquistas pudessem sonhar com o título. Que foi sonhado, bem até ao fim. Usou para isso, de toda a sua força anímica. Com o seu apurado, complexo e muito criativo linguajar. Mas e afinal? Não ganharam? Pois acontece. Mas pelo menos não ficaram em sétimo lugar como alguns que eu conheço e que até aprecio, não é? E aqueles “jesuístas” tiveram lá tão perto!… Posso afirmar que foi desta vez, que eu desejei mesmo que eles ganhassem. Mas depois, veio aquela derrota com o Chelsea. E que mau que foi… perder nos descontos… Para sempre ficou comprovado: Béla Guttmann era efectivamente um grande feiticeiro. Com um poder muito abrangente e de longo alcance. Apre!
Mas... e o que é que se passa comigo? É que sendo eu tão verde, por dentro e por fora, (e com tudo o que isso possa implicar, em meu prejuízo), porque raio é que eu gosto assim tanto de tal mister? E que até desejei que o Benfica ganhasse? Pela primeiríssima vez na minha vida? Credo!
Ah já sei. Só pode ser. É que olhando bem para ele, eu só me consigo lembrar de uma coisa. É que eu confesso, fico completamente “derretida” e absolutamente extasiada quando me ponho a olhar… para aquela sua tão monumental e fantástica... juba.
Sugestão de leitura para esta semana: “A Luz Não se Apaga - O Livro de Ouro” de Luís Miguel Pereira.
Perder e ganhar é desporto. E a sorte é tal e qual os alcatruzes da nora. Não anda sempre… por cima.
DIVIRTAMSEMAZÉ!

1 comentário:
Já me ri e bem.
Podes acrescentar: acarditar, o Chelse, a Champ, o Michel Platine, jogar em Amesterda, ....
Anabela
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