Este post em particular, exige de mim uma declaração de honra. Considero a pedofilia a coisa mais execrável do mundo. Não concebo a ideia sequer. Acho que a castração química era mesmo, a melhor solução para esses casos. E depois disso, eu considero que os atentados perpetrados a animais assim como a sua exploração, é também algo absolutamente perverso e contra natura. E que deveria ser condenado pelas instâncias máximas.
Pelo exposto, eu considero que o tema pedofilia, não é absolutamente nada divertido. Como é evidente. E mais, tal conceito nem sequer deveria de ser pronunciado neste meu modesto cantinho. E no entanto…
Este tema surge como a necessidade de discutir algo, que em maior ou em menor escala, todos nós nos podemos aperceber um dia, enquanto pequenos. Todos, no sentido de que (uma vez ou outra), formos “presenteados” com algumas palavras menos próprias, que tiveram o condão de nos incomodar. E penso que tal ocorreu um pouco com toda a gente. Falo assim no pouco cuidado que algumas vezes, algumas pessoas se dirigiram a nós, achando estarem a ser, muitíssimo divertidas. Todos nós, e a dada altura, demos com verdadeiros homúnculos e mulheres grunhas, que foram tudo, menos as mais adequadas e bem-intencionadas. Que tiveram as saídas mais infelizes. E nós enquanto crianças, algo crédulas e inocentes, tivemos que usar de alguma destreza, para conseguir ultrapassar esse momento de verdadeiro mal-estar.
Mas eu explico melhor. Lembro-me de ser menina e moça (cerca de 10/11 anos) e permanecer durante grande parte das minhas férias escolares no meio rural. E aquilo era adorável. Marcou-me para sempre. Contudo e apesar dos pesares, houve por essa altura uma pergunta que me inquietou e que me transtornou (à época) a existência de alguma forma. É que a dada altura, quer fossem homens, quer fossem mulheres, deram em perguntar-me: “Ouve lá. Mas tu já pintas?”
Eu que me iniciei na escolaridade aos seis anos de vida, sem ter tido oportunidade de frequentar qualquer pré-primária, entendia, que aquilo que eles me estavam a perguntar, era sobre o facto de eu já fazer e pintar… desenhos. E isso, eu já fazia desde os meus dois, três anos, através do impulso e sugestão dos meus próprios progenitores e outros familiares. Mas o que é que essa actividade em particular, poderia interessar assim tanto os meus conterrâneos à época? Só se eles quisessem que eu lhes pintasse algum quadro. Ou então mesmo, alguma parte da casa.
Depois, e com o passar do tempo, apercebi-me, que o que as pessoas queriam saber era, se eu já era fornecida de pelos púbicos. Mas com franqueza… o que é que isso lhes poderia interessar? É manifestamente algo susceptível de ser bem menos interessante, do que as minhas próprias capacidades no que concerne às artes visuais? Ou não será? Mas não. Ao que parecia, e naquela aldeia específica, tal temática era de superior importância.
Depois e com o passar do tempo, e já adulta, conheci alguém que tinha uma relação algo complicada com todos os velhinhos e com todas as velhinhas. E por mais que lhe repetisse, que os velhinhos, já são seres muito débeis, alguns deles já sem condição de se susterem sozinhos… Que muitos deles até são simpáticos. Que devem pois ser alvo dos nossos carinhos e da nossa atenção, ela torcia sempre o nariz. E em última instância lá referenciava, que muitas vezes as pessoas, não são bem aquilo que aparentam ser. Eu ouvia aquilo e tendia a concordar. Mas daí à generalização apresentada, eu confesso, achava que era um bocado forçada.
Com o continuar do convívio, e uma vez que a sua antipatia pelos velhos em geral, prosseguia, de vento em popa, ela finalmente esclareceu-me daquilo que vivera.
Quando era muito criança, ela vivera com a sua família nuclear, num bairro típico da capital. Aquele bairro era habitado por inúmeras famílias, que entre cruzavam os laços entre si. E que funcionavam muitas vezes como uma verdadeira família alargada. Una e indivisível. A minha amiga teria na altura, dois ou três anos. Ora lá no bairro, vivia um casal de velhinhos, muito velhinhos, sem descendência. Que eram alvo de toda a preocupação por parte dos vizinhos. E eram considerados insuspeitos aos olhos de toda aquela micro-comunidade. Ora e de uma forma geral, todos concorriam para que a vida dos anciãos fosse o mais confortável possível. Pelo que os vizinhos não mediam esforços. E realizavam-lhes pequenas reparações, iam às compras por eles, iam-lhe à farmácia e chamavam-lhes o médico, quando necessário.
E a minha amiga lá estava sempre e por perto. Só que uma vez e estando sozinha com o muito envelhecido casal, ela passou por uma horripilante experiência: é que o velhaças puxou para fora da sua braguilha, o seu muito flácido pénis. E solicitou à gaiata que lhe mexesse. E a velha? Como é que reagiu ao sucedido? Pois riu-se a bandeiras despregadas. Não senhores. Isto não é nada divertido. A velha não tinha qualquer motivo para se rir. Mesmo que já tivesse sido visitada pelo senhor Alzheimer!
A sorte foi que uma vizinha assistiu e tirou de lá rapidamente a menina. Avisando depois os pais da mesma sobre o ocorrido. É claro que os pais (e em revolta absoluta) quiseram limpar o sebo ao velho. Mas, ficou tudo por ali, com a certeza de que o convívio entre aqueles três elementos, não fosse de forma alguma continuado. E não foi mesmo.
A minha amiga retém imagens difusas. Alega lembrar-se de alguns cheiros, mas não se lembra efectivamente… de ter tocado. E quer acreditar, para a tranquilidade de seu espírito, que parte dessas muito desagradáveis sensações, possam ser devidas à sua própria imaginação. E ao facto de ser uma criança muito pequena, que ainda não sabia distinguir devidamente as coisas. Mas o asco ficou lá. E para sempre. E a menina, hoje mulher, torce o nariz a situações a que mais ninguém torce. Uma vez que… e felizmente, a grande maioria de nós, escapou a tão nojenta e horrível experiência.
Mas quando eu era menina, e com outras meninas da minha idade, tivemos oportunidade de conhecer também um grunho miserável. A sua alcunha era o Mangueiras. Mas o seu nome real era Sousa. A alcunha Mangueiras era devida a algo. Mas nós nem sequer imaginávamos.
Ora inicialmente, nós achamos que o Mangueiras, (que era o homem que para ali estava a vender casas), pudesse ser alvo da nossa simpatia e confiança. É que afinal o homem estava sempre ali. Cumprimentava os nossos pais e vizinhos. E à partida, não tivemos de facto, necessidade de desconfiar ou mesmo de temer o homem. Mas depois, e com o continuar do convívio, ele começou por abordar temas, que mesmo aos nossos olhos de crianças inocentes, nos pareceram ser absolutamente inconvenientes. E à defesa, começámos mesmo por evitar o sujeito. É que nós éramos crianças mas não éramos parvas. Pelo que conjuntamente, jamais permitimos que qualquer uma de nós, ficasse alguma vez sozinha com o estafermo. E recusámos-lhe sempre a oferta dos "rájas", que ele permanentemente nos oferecia. Eu até já tenho alguma idade, mas não sou propriamente do tempo “dos "rájas”. Fora através da conversa com aquele homem, que soubemos efectivamente que os gelados tiveram aquela designação em tempos de outrora. E nós felizmente recusámos-lhe sempre as suas ofertas. É que apesar de gulosas e lambareiras, nós contámos sempre com as gulodices oferecidos por familiares e amigos. Que são por definição, pessoas de confiança. Pelo menos têm a obrigação disso. E como depois começamos por sentir pelo homem, um verdadeiro asco, começamos ali a gozar com ele. E a chamar a todo o momento à atenção, para a sua tão indesejável presença. Eu nunca aqui afirmei que tivesse sido sempre… politicamente correcta.
Na altura estava muito em voga aquela canção que fala de um camelo, que se chamava Areias. Camelo que teve muita aceitação por toda a comunidade. E enquanto a Suzy Paula cantava: “O Areias é um Camelo!”, nós adaptávamos a dita e berrávamos: “O Mangueiras é um atropelo”. Mas de onde é que nós tirámos tal nomenclatura, céus?
Devido a esse procedimento, muito a minha mãe me ralhou. E dizia-me. "Se nós não gostávamos do homem, porque raio é que lhe dávamos tanta atenção? Deixássemos pois o homem em paz." E que fossemos sempre… muito educadas. Mas tanto eu como as outras, lá continuávamos com aquela verdadeira… “pouca vergonha”. É que se eu informasse a minha mãe (ou mesmo algum vizinho), sobre as minhas suspeitas, era mais que certo que ficaria proibida de brincar na rua. E isso era algo, que eu não conseguia sequer congeminar.
Com aquela tão desagradável cantoria, o homem ficava possesso. O que não era nada de admirar. E ficava muito hirto e revoltado com o continuar daquele nosso tão estranho comportamento. Mas não se queixava dele a ninguém. Nem sequer aos nossos pais. Mistério!
Um pouco mais tarde, e devido a toda aquela agitação, soubemos que o Mangueiras, se chamava assim, porque havia sido sovado por um pai, em defesa da sua filha. E qual o objecto que serviu para o efeito? Pois fora uma enorme e colorida mangueira. O “atropelo do Mangueiras”, foi-se assim embora passado muito pouco tempo. E consta que não deixou saudades a ninguém. Quanto a nós e sem sabermos, safamo-nos bem, devido à simples referência da sua tão inusitada alcunha. A do tal homúnculo. O tal que foi bem sovado. E tenho a dizer que, com toda a certeza, ainda foram poucas.
Foi desta maneira, que constatamos que: “Ao menino e ao borracho, põe-lhes Deus as mãos por baixo”. Muito lamentável é mesmo… as vezes em que tal não sucede.
Sugestão de Leitura para esta semana: “A Sexualidade Traída: Abuso Sexual Infantil e Pedofilia” de Francisco Allen Gomes.
Ajudemos pois a combater esta gigantesca perversidade. A este enorme e verdadeiro atentado à condição humana. É que todo o cuidado é pouco. Não usemos pois de qualquer disfarce, artifício ou antídoto para escamotear o problema.
Mas depois de tudo bem resolvido e ultrapassado:
DIVIRTAMSEMAZÉ!

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