Maria Vitalina foi visitar a Escandinávia. Maria Inês também. Maria Vitalina tinha oitenta anos. A Maria Inês ainda não tinha chegado aos... quarenta. Naquele grupo composto por mais gente viajadeira, iam muito mais Marias Vitalinas, do que Marias Ineses. E tudo se processava de acordo com o esperado.
Só que Maria Vitalina tinha energia para dar e vender. Era muito mais dinâmica... que as outras todas. Certa vez e na Suécia, por altura de um baile, foi a Maria Vitalina a única a ser convidada por um natural de lá, para com ele bailar. E Maria Vitalina bailou com tal convicção, que acabou por descoser toda a camisa daquele cavalheiro dançante e corajoso. E como como foi bom de ver, as caras invejosas de todas as outras viajantes! Ali a olharem para a pista, ou então a terem que ir dançar umas com as outras!...
Mas Maria Vitalina, não se fica só pela dança. Ela inventa histórias, começa a cantar, dança sozinha no autocarro, conta piadas ligeiras e algumas até já com muitas barbas... Mas está sempre, sempre bem disposta.
Ora quando aquele simpático e unico grupo chegou a Oslo, foi visitar o Vigelandparken. E este parque não é mais do que um imenso jardim de belíssimas flores, com roseiras e rosas em profusão. E estátuas, muitas estátuas de gente nua, representantes de todas as faixas etárias. No fundo o que aquilo pretende documentar devidamente, é todo o percurso da vida humana, desde a sua génese, até ao seu culminar. Representando assim acções vivenciadas, em todos os estádios da existência humana. E a autoria de tão importantes trabalhos é de Gustav Vigeland.
E naturalmente que tudo aquilo ali, resulta muito bem. A água é também ali, um elemento muito presente. É que sem água, a vida não é possível, não é?
E o grupo lá ia indo. Coeso e interessado. Sempre a ouvir as explicações de uma guia cota, determinada e exaustiva. E Maria Vitalina? Também tinha que ali ir, não é? Só que... todas aquelas explicações já não lhe estavam assim a interessar muito. Ela via? É claro que via, ela estava ali. E era bem capaz, de tirar as suas próprias conclusões. Afinal e vendo bem as coisas, nunca aquela conhecedora guia, esteve alguma vez na cabeça do escultor, para ter assim tanta certeza de que a explicação para a tudo aquilo, fosse exactamente como ela estava para ali a explanar. Pois... o que Maria Vitalina queria era mesmo... curtir, brincar e tirar fotografias. Muitas fotografias.
Maria Inês por seu turno também já estava algo aborrecida. Às vezes é muito bom descobrir as coisas por nós próprios. Ao estar para ali a ouvir a guia, estava também a perder a oportunidade de ver o cenário, usando-se dos seus próprios critérios e chegando às suas próprias conclusões. Pelo que, resolveu aliar-se a "endiabrada" Maria Vitalina.
A explicação lá continuou, mas sem que ninguém reparasse, as duas saíram ligeiras do grupo e desataram logo a divertir-se. E como? Pois foram tirar retratos.
A Maria Inês é algo alérgica aos mesmos. Ou melhor, de constar nos mesmos. Não gosta muito de perpectar a sua imagem em cenários do passado. A vida é água corrente, que nunca pára, então para quê deixar tantas ancoras? Mas a Maria Vitalina não pensa nada assim. Afinal o que ela quer mesmo... é brilhar. No fundo e quem sabe se ela não estaria destinada à profissão de modelo? Ou então de artista de Revista?
E lá foram aquelas duas, a correr jardim fora em busca de aventuras e de diversão. Tiram uma foto aqui. Outra foto ali. E lá no meio, estava uma estátua. que representava um homem na posição de agachado. E o que é que estava dependurado, e mais ou menos ao nível daquelas duas mulheres? Bem, estão lá uns enormes órgãos genitais, absolutamente desproporcionados. Tal visão deixou as duas, absolutamente boqueabertas. Vitalina olhou p'ra aquilo. Maria Inês também. Aqueles orgãos genitais eram... claramente exagerados. É que as duas já tinham visto coisa parecida em outras circunstâncias. Mas como aqueles ali?... NÃO! E Maria Inês resolve declarar: "Isto tem que constar para memória futura!"
E... resolveram ali aquelas duas perpectuar o momento. Mas para que a coisa ficasse mesmo bem retratada, não era possível constarem na foto ao mesmo tempo. Pelo que resolveram ali, que quem pousaria, seria justamente... a Maria Vitalina. E Maria Inês colocou-se a jeito para retratar. Vitalina foi colocar-se ao lado da estátua. Só que era necessário mais! Era necessário, muito mais! E Inês sugere que a anciã deveria de colocar a sua mão já engelhadita, por debaixo da monumental genitália da estatuária. Assim como se a sopesasse. Coisa que Vitalina aceitou no imediato. Como é evidente.
Por fim, o restante grupo, já muito mais documentado devido a todas aquelas explicações, vem para o pé das duas rebeldes. A Vitalina em jeito de graça, lá lhes disse sobre as fotografias que acabara de tirar. Falou-lhes especialmente sobre aquela última. E as pessoas olham todas (e pesarosas) para ela. Criticam-lhe depois a sua atitude dizendo-lhe: "Mas Vitalina, sinceramente! A senhora consegue estar cada vez pior!"
Quanto a Maria Inês? Bem, esta quando ouviu aquilo, ficou com medo. Ficou com muito medo, mesmo! E desatou a correr, saindo dali para fora. É que aquela ideia original e "transviante" havia sido dela. E ela não queria também ser, "diagnosticada" por todas aquelas pessoas. Está provado que ninguém consegue compreender, quem já nasceu picado, pela "mosca" da Diversão Permanente.
Sugestão de Leitura para esta semana: "Os Europeus" de Henry James.
DIVIRTAMSEMAZÉ!

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