Porque tristezas não pagam dividas.
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sábado, 5 de janeiro de 2013

O carrapato.


Antes de começar este texto tenho que pedir a possibilidade de um momento para defender a minha honra: é que eu gosto de bichos, apoio-os e até os estimo. Mas não creio ter nenhum carrapato. Pelo menos é o que eu acho. Este texto é totalmente dedicado àqueles senhores, muito distintos, casados e com filhos, mas… carrapatos.
Eu explico melhor: esta espécie regra geral tem mais de cinquenta anos.
Tem ainda muito pouco tempo de evolução, mas de certeza absoluta que não surgiu como geração espontânea. Aparentemente esses tipos são seres absolutamente normais e acima de qualquer suspeita. Contudo acontece (e sabe-se lá bem porquê), que eles gostam de ter… uma vida dupla. Aparentemente eles conseguem controlar mais do que uma situação em simultâneo (o que parece que é algo muito improvável de ser conseguido pelos membros do sexo masculino, pelo menos é o que dizem), mas os mesmos seres (e vistos mais de perto) aparentam ser… muito esquizofrénicos. Mas tomem bem nota, é claro que eu não estou a generalizar. A grande maioria dos homens que eu conheço não é… carrapato. Mas conheço de perto alguns desses seres. Sim senhores…
Esses homens "carrapateiros", também à noite e no recato dos seus lares, procuram nas redes sociais… another’s ladies. E lá vão eles todos contentes… para a fantasia. Num outro lado da casa… estará a legitima. Às vezes estas, até têm rolos na cabeça e aventais colocados. Outras contudo são muito mais modernaças. Já que também têm os seus computadores e vão também elas procurar nas redes aquilo, que não encontram no lar. E os homens, Deus Meu… com os teclados nas unhas… e falando para o lado de lá, muito apaixonados eles dizem estar. Falam muito em “flores”, em “fofas” e em “queridas senhoras”. Outros carrapatos são bem mais práticos e decididos, já que prometem chegar a vias de facto, utilizando técnicas que serão só do seu conhecimento. E conseguem desafiar... a própria Lei da Gravidade. E dizem mesmo chegar dos zero aos cem… em somente 3 segundos. Estes carrapatos, apresentam-se sempre como seres muito másculos! E são também... muito desafiantes e compulsivos. Mas eu creio que quase posso apostar na repetição ad eternum da seguinte cena:
O homem dedilha no teclado, com os dedos (mas somente com os dedos indicadores) até à exaustão. Do outro lado, ele acredita piamente estar uma "matulona" que o fará muito feliz, só de imaginar as próximas cenas. Crê mesmo que a "matulona" será mesmo muito ingénua. Andará na vida, a dar os primeiros passo, é o que ele pensa. A “matulona”, como também não deverá ter muito mais que fazer, presta-se a dar alguma conversa ao cavalheiro. O mesmo que devido à emoção, e em simultâneo, sente uma comichão na nádega esquerda e põe-se de lado para se coçar. Depois usa a unhaca crescida do dedo mindinho para limpar “as paredes” do orifício auricular. Em seguida, ele limpa o "destroço" na calcinha. E lá continua com as promessas de uma vida de aventura e cheia de glória. Só que de repente e da cozinha, lá grita a sua Amélia:
“Oh home! Tu sai mazé do raio do computador! Vai mazé levar o lixo! E depois lava mazé esta loiça! E depois disso verifica mazé o grau de limpeza do c- do cão!”
Reposta pronta do home:
“Já vou, já vou, meu bem. Estava só aqui a ler o último Salmo da página do Padre Zézinho. É só um momento. Eu já te vou fazer todas as vontades. E mais, eu não vou ver só o c- ao cão. Mal chegue da rua, vou inspeccionar também o grau de limpeza... do c- dos gatos”. E lá vai continuando a teclar p’rá outra ,mas agora em modo de despedida…
“Amore do meu corasão. Agora tenho que ir. Vou para o ginaçio. Vou exercitarme para te faser felis mê dose de coco, minha fofa. Nem sabes o que te fasia se estiveçes aqui na minha beira!” E sai velozmente da sessão assumindo rapidamente a sua outra personalidade. Perspectivar-se que ele continuará a levar a vida nos mesmos moldes. Como se estivesse tudo na maior das calmas.
Se na rede social, ocorreu a troca de números de telefone, de certeza que os sms se vão sucedendo. Depois serão trocados, mais um ou outro email. A conversa versará sempre a mesma temática, o amor livre. Ninguém é de ninguém, etc. etc. Eles que até compartilham a vida com um outro alguém, a quem deveriam amar em condições. Estão para ali agrilhoados a uma situação que no fim até desejaram e continuam a desejar. Mas têm aquele escape. É que há que manter as aparências. A sua condição civil foi devidamente formalizada perante toda a sociedade. Estes são efectivamente os sinais dos tempos. Mas como eu já tenho alguma idade e até já vi um porco a andar de bicicleta…
Um dia destes, eu conheci pessoalmente um desses carrapatos. Já teria os seus quarenta e sete anos. Deu-se a conhecer à minha pessoa, convencido que estava, que eu nem tinha blogue, nem vontade de comunicar com todo aquele que me queira ler. Disse-me ter esposa e mais dois filhos. Tanto ele como a mulher têm os seus empregos, e os filhos que ainda são menores dedicam-se a tempo inteiro ao estudo. E mais me disse aquele enigmático senhor. Antigamente lá em casa eles viam televisão. Agora o televisor é objecto do passado, que quase nunca é ligado. E como é que ele se diverte? Pois fica para ali nas redes sociais até às desoras. E a sua mulher? Pois a mulher joga on line, num outro canto da casa. E os filhos? Bem esses jogam nos quartos, mas cada um deles em seu computador. E aqui eu pergunto: Que diferença efectiva existe entre cada uma daquelas pessoa e aquela pessoa que vive sozinha na sua habitação? Bem, pelo menos aqueles comem juntos à mesa. Mas será mesmo isso que acontece? Não levará cada um deles o fast food para o seu canto do lar?
Tenho conhecimento de pessoas que sem compromisso fixo, se compromissaram até à medula óssea com esses seres bem falantes, mas mal intencionados carrapatos. Sei que as mesmas sonham com uma realidade que eu duvido em absoluto que alguma vez seja efectiva. Pois quem “gala” uma para além daquela que já lá tem em casa, “gala” uma centena ou mesmo um milhar. O importante é ter lábia e algum tempo disponível. Conheço pois alguns desses casos. E torço para que nenhuma dessas minhas amigas, não sucumba um dia destes, com uma qualquer “febre da carraça”.
Sugestão de leitura para esta semana: “Psicopata Americano” de Bret Easton Ellis.
DIVIRTAMSEMAZÉ! Mas não andem para aí a cilindrar pessoas. Para mim não há bem mais precioso que o divertimento. Mas há limites… não há?


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