Porque tristezas não pagam dividas.
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

As sogras que encontrei na vida.


 

Tenho a felicidade de achar que tenho tido uma vida cheia de acontecimentos fantásticos e inusitados para contar. Se calhar e para muita gente, estarei enganada, mas são precisamente esses momentos, que me têm preenchido a vida de uma forma muito positiva. É que, como já ficou expresso através de alguns posts que eu aqui coloquei, aconteceram na minha vida episódios, que ainda hoje me conseguem facilmente levar às lágrimas de tanto rir.
E saibam que… na minha vida, eu tive muitas “sogras”. E olhem só, não me casei uma única vez. Amo a liberdade, e os livres movimentos. A teoria de que ninguém é de ninguém, faz para mim todo o sentido. Para além disso gosto de actividades lúdicas e de aventuras variadas, nas quais destaco as viagens. Gastando para isso e prazerosamente parte substancial do meu rendimento financeiro. Pelo que dificilmente me veria acomodada num qualquer casamento convencional. Como dizia com graça o meu progenitor: “teria que ser "alguém"... feito a regra e esquadro.” Contudo… hoje vamos falar de algumas das minhas “sogras”.
Quando eu tinha pouco mais de vinte anos, conheci e fiquei muito amiga de uma senhora já septuagenária. Gosto muito de falar com pessoas mais velhas, que por definição têm muita coisa para contar. Aquela também tinha. Era simpática, cordial e amiga. E não demorou muito tempo, até me apresentar o seu único filho, cinquentenário e solteirão empedernido e muito íntimo e adorador da sua querida mamã. E foi com muita alegria (e já sem ser na presença do filho), que a senhora me comunicou do prazer que sentiria, se eu lhe entrasse para a família. Era como se me estivesse a dar o seu bem mais precioso. E convenhamos, para ela o filho era efectivamente a sua maior riqueza. Eu fiquei sem palavras, mas com uma vontade muito grande de me rir. Depois e para não magoar muito a idosa, lá lhe disse que: “o futuro a Deus pertencia”, tralali, tralalá, mas eu acho que ela ficou, como que diria… algo esperançada.
Passado pouco tempo, fez-me uma verdadeira doação. Doou-me toda a sua parafernália (dentro de duas ou três enormes latas de biscoitos, das antigas), de linhas de coser, lãs de muitas cores, agulhas para as mais variadas funções, amostras de tecidos e amostras de peças de tricot e de crochet. E eu fiquei com aquilo tudo, é que não ia magoar a senhora, não é? Mas ainda hoje, parece que ouço as gargalhadas da minha mãe, quando eu lhe comuniquei a proveniências de tais oferendas e qual fora a sua real motivação. É evidente que jamais me passaria pela cabeça consorciar-me com aquele “menino (de outras eras), de sua mãe”.
O episódio termina no momento em que eu me sento na sala da minha casa, com o objectivo de pregar um botão numa peça de roupa e ouso usar as linhas que haviam sido, da minha “sogra”. Enfiar a agulha, eu ainda consegui, mas não dei um único ponto, por mais que me esforçasse. É que a linha quebrava-se com a maior das facilidades, e porquê? Ah pois era! É que quando eu olhei para o retró, eu vejo que o prazo de validade das linhas havia terminado no último dia útil, à tarde da Primavera de 1917.
Ainda hoje quando falo com a senhora, actualmente nonagenária, ela ainda me diz: “Mas que bom que seria se se casasse com o meu filho. Estarmos os três ao serão. Nós as duas a fazer crochet e ele connosco e a ver um qualquer programa de televisão.” Seria lindo, não concordam? Bonita e muito inspiradora imagem. É que o meu “sogro” entretanto já faleceu. E já não vamos a tempo… para jogar à sueca.
Tive outra “sogra” que ainda fez pior. Despudoradamente, ela foi ao meu local de trabalho com a sua “cria”. E eu chefio uma equipa de dez pessoas. Ora num belo dia e já lá vão alguns anos, a dita senhora entra-me no meu espaço de trabalho, que é também um lugar público. Sem perder tempo, ela decidiu proceder ali, às devidas apresentações. E os meus colaboradores ali tão à mão de semear e a ouvirem aquilo tudo, estão a ver a cena, não estão?
A senhora ao apresentar-me o filho, não foi de modas, e ali disse (também ela), do gosto que seria para ela, eu entrar-lhe para a sua prole. Eu fiquei algo envergonhada! E olhem que não é fácil apanharem-me assim desprevenida. É mesmo muitíssimo difícil… verem-me corar. Mas uma coisa era eu estar mais liberta de encargos e num outro espaço, num espaço neutro. Poder dissuadir a senhora com calma e com algum sentido de humor, daquela sua tão inconveniente pretensão… Outra bem diferente era estarmos ali, no lugar onde eu ganho o meu pãozinho. Como calculam (e atendendo às circunstâncias), eu tive de usar de alguns cuidados redobrados. Não podia zangar-me como é óbvio, pois também não me parecia que fosse motivo para tal… Pelo, que lá lhe disse, num tom muito baixinho, que o filho dela tinha a sua vida, eu tinha a minha, e pelo que me constava, dificilmente seriamos compatíveis um com o outro… Enfim, lá atalhei o problema da melhor maneira que pude.
A parte melhor veio a seguir, quando ela me disse que o seu dileto descendente, até já vivia com alguém. Bonito, não é? Uma cena digna de um estimulante “Conto do Imprevisto”. Soube, porque ela me contou naquele bela e muito disparatada conversa, que o rapaz vivia com uma moça brasileira. Davam-se era mal. Mas, e o que é que eu tinha a ver com isso? Pensava eu para os meus botões, também eles já muito envergonhados e a querem desabotoar-se.
E a narração lá continuava: Pois o moço brigava muito com a sua compagnon de route. Eram inclusivamente a vergonha lá do prédio. Às vezes (e no acalorado da discussão), punham-se a lançar os mais variados objectos pela janela fora. Até quase que já haviam acertado com uma pesada jarra de loiça, na cabeça do vizinho do rés-do-chão. E eu ali a ouvir. O rapaz também ele já muito envergonhado. Chegou a piscar-me o olho roborizando, como quem pede desculpa, ou julga compreender muito bem a minha muito difícil posição. Afinal, eu nada tinha a ver com o caso, nem quisera alguma vez vir a ter. Aquela conversa só terminou, quando o rapaz, usando a sua imponente voz (e num tom mais alto do que o habitual), disse: “Acabemos já com isto. É que isto é ridículo”. E olhando para a mãe ele rematou: “Quer queiras quer não, eu gosto é dela!” Da brasileira, como é evidente. E foi com um grande alívio, que eu lhes vi as costas.
Sim senhor! Bonita e muito sentida declaração. E acabou assim e ali a “minha saia justa”. O amor só é bem compreendido… por quem o sente. E acontece, pronto! Eu ali quase que fiquei com a certeza, de que são aquelas lutas, constantes ou não, que acabam por dar um certo frissom à coisa. Aqueles dois vivem ao seu ritmo e como mais gostam. É certo que de vez em quando espalhafatam com um telemóvel no lancil. Acho que com a fúria, já conseguiram arrancar um bidé do seu respectivo lugar. E foi puro acaso, não o terem também mandado pela janela abaixo. Mas depois dos ânimos devidamente serenados, eu acredito que virá uma calorosa e muito escaldante reconciliação.
Quanto às senhoras mamãs, que procuram sempre encontrar o melhor para os filhos e que por isso se tentam infiltrar nas suas decisões, procurando arranjar-lhe… uma esposa, aqui fica o meu conselho: “Não se metam em tais assuntos, amiguinhas! Os vossos filhos saberão o que é melhor para eles. E se errarem, azar. Eles, tal qual como as senhoras e eu, estamos aqui num processo de aprendizagem. É que se formos a ver, todos nós erramos. É legítimo e compreensível. E aprendemos também (e muito) com os erros. Quantas vezes é que achamos que as nossas escolhas foram as mais acertadas, quando afinal não o foram? Mas só damos pelo erro à posteriori, quando finalmente nos conseguimos aperceber da verdadeira dimensão da coisa.
E agora aqui fica um último aviso para esta minha última candidata a“sogra”: “Pois tenha muito cuidado consigo, senhora! E não vá a casa do seu rebento quando ele estiver a brigar com a sua muito amada nora. Essa sim é que é a sua verdadeira nora. É que corre um sério risco, de também a senhora ser lançada fora… de uma janela qualquer… ”.
Sugestão de leitura para esta semana: “A Lei do Amor” de Laura Esquível. 
DIVIRTAMSEMAZÉ!


1 comentário:

Patrícia disse...

Esse casal se calhar mora aqui!É que um belo dia eu e o Nuno também vimos um sofá a voar, agora já entendemos porquê!!! Bem também um sofá é algo leve não aleija ninguém não é?