Tenho a felicidade de achar
que tenho tido uma vida cheia de acontecimentos fantásticos e inusitados para
contar. Se calhar e para muita gente, estarei enganada, mas são precisamente esses
momentos, que me têm preenchido a vida de uma forma muito positiva. É que, como
já ficou expresso através de alguns posts que eu aqui coloquei, aconteceram na
minha vida episódios, que ainda hoje me conseguem facilmente levar às lágrimas
de tanto rir.
E saibam que… na minha
vida, eu tive muitas “sogras”. E olhem só, não me casei uma única vez. Amo a
liberdade, e os livres movimentos. A teoria de que ninguém é de ninguém, faz
para mim todo o sentido. Para além disso gosto de actividades lúdicas e de
aventuras variadas, nas quais destaco as viagens. Gastando para isso e prazerosamente parte substancial do meu
rendimento financeiro. Pelo que dificilmente me veria acomodada num qualquer
casamento convencional. Como dizia com graça o meu progenitor: “teria que ser
"alguém"... feito a regra e esquadro.” Contudo… hoje vamos falar de algumas das minhas
“sogras”.
Quando eu tinha pouco
mais de vinte anos, conheci e fiquei muito amiga de uma senhora já septuagenária.
Gosto muito de falar com pessoas mais velhas, que por definição têm muita coisa
para contar. Aquela também tinha. Era simpática, cordial e amiga. E não demorou
muito tempo, até me apresentar o seu único filho, cinquentenário e solteirão
empedernido e muito íntimo e adorador da sua querida mamã. E foi com muita alegria
(e já sem ser na presença do filho), que a senhora me comunicou do prazer que
sentiria, se eu lhe entrasse para a família. Era como se me estivesse a dar o
seu bem mais precioso. E convenhamos, para ela o filho era efectivamente a sua
maior riqueza. Eu fiquei sem palavras, mas com uma vontade muito grande de me rir.
Depois e para não magoar muito a idosa, lá lhe disse que: “o futuro a Deus
pertencia”, tralali, tralalá, mas eu acho que ela ficou, como que diria… algo esperançada.
Passado pouco tempo,
fez-me uma verdadeira doação. Doou-me toda a sua parafernália (dentro de duas
ou três enormes latas de biscoitos, das antigas), de linhas de coser, lãs de
muitas cores, agulhas para as mais variadas funções, amostras de tecidos e
amostras de peças de tricot e de crochet. E eu fiquei com aquilo tudo, é que não
ia magoar a senhora, não é? Mas ainda hoje, parece que ouço as gargalhadas da
minha mãe, quando eu lhe comuniquei a proveniências de tais oferendas e qual fora
a sua real motivação. É evidente que jamais me passaria pela cabeça
consorciar-me com aquele “menino (de outras eras), de sua mãe”.
O episódio termina no
momento em que eu me sento na sala da minha casa, com o objectivo de pregar um
botão numa peça de roupa e ouso usar as linhas que haviam sido, da minha
“sogra”. Enfiar a agulha, eu ainda consegui, mas não dei um único ponto, por
mais que me esforçasse. É que a linha quebrava-se com a maior das facilidades,
e porquê? Ah pois era! É que quando eu olhei para o retró, eu vejo que o prazo de
validade das linhas havia terminado no último dia útil, à tarde da Primavera de
1917.
Ainda hoje quando falo
com a senhora, actualmente nonagenária, ela ainda me diz: “Mas que bom que
seria se se casasse com o meu filho. Estarmos os três ao serão. Nós as duas a fazer
crochet e ele connosco e a ver um qualquer programa de televisão.” Seria lindo,
não concordam? Bonita e muito inspiradora imagem. É que o meu “sogro”
entretanto já faleceu. E já não vamos a tempo… para jogar à sueca.
Tive outra “sogra” que
ainda fez pior. Despudoradamente, ela foi ao meu local de trabalho com a sua
“cria”. E eu chefio uma equipa de dez pessoas. Ora num belo dia e já lá vão
alguns anos, a dita senhora entra-me no meu espaço de trabalho, que é também um
lugar público. Sem perder tempo, ela decidiu proceder ali, às devidas
apresentações. E os meus colaboradores ali tão à mão de semear e a ouvirem
aquilo tudo, estão a ver a cena, não estão?
A senhora ao
apresentar-me o filho, não foi de modas, e ali disse (também ela), do gosto que
seria para ela, eu entrar-lhe para a sua prole. Eu fiquei algo envergonhada! E
olhem que não é fácil apanharem-me assim desprevenida. É mesmo muitíssimo difícil…
verem-me corar. Mas uma coisa era eu estar mais liberta de encargos e num outro
espaço, num espaço neutro. Poder dissuadir a senhora com calma e com algum
sentido de humor, daquela sua tão inconveniente pretensão… Outra bem diferente
era estarmos ali, no lugar onde eu ganho o meu pãozinho. Como calculam (e
atendendo às circunstâncias), eu tive de usar de alguns cuidados redobrados.
Não podia zangar-me como é óbvio, pois também não me parecia que fosse motivo
para tal… Pelo, que lá lhe disse, num tom muito baixinho, que o filho dela
tinha a sua vida, eu tinha a minha, e pelo que me constava, dificilmente
seriamos compatíveis um com o outro… Enfim, lá atalhei o problema da melhor
maneira que pude.
A parte melhor veio a
seguir, quando ela me disse que o seu dileto descendente, até já vivia com
alguém. Bonito, não é? Uma cena digna de um estimulante “Conto do Imprevisto”.
Soube, porque ela me contou naquele bela e muito disparatada conversa, que o rapaz
vivia com uma moça brasileira. Davam-se era mal. Mas, e o que é que eu tinha a
ver com isso? Pensava eu para os meus botões, também eles já muito
envergonhados e a querem desabotoar-se.
E a narração lá
continuava: Pois o moço brigava muito com a sua compagnon de route. Eram inclusivamente a vergonha lá do prédio. Às
vezes (e no acalorado da discussão), punham-se a lançar os mais variados
objectos pela janela fora. Até quase que já haviam acertado com uma pesada jarra
de loiça, na cabeça do vizinho do rés-do-chão. E eu ali a ouvir. O rapaz também
ele já muito envergonhado. Chegou a piscar-me o olho roborizando, como quem
pede desculpa, ou julga compreender muito bem a minha muito difícil posição.
Afinal, eu nada tinha a ver com o caso, nem quisera alguma vez vir a ter.
Aquela conversa só terminou, quando o rapaz, usando a sua imponente voz (e num
tom mais alto do que o habitual), disse: “Acabemos já com isto. É que isto é
ridículo”. E olhando para a mãe ele rematou: “Quer queiras quer não, eu gosto é
dela!” Da brasileira, como é evidente. E foi com um grande alívio, que eu lhes
vi as costas.
Sim senhor! Bonita e muito
sentida declaração. E acabou assim e ali a “minha saia justa”. O amor só é bem compreendido…
por quem o sente. E acontece, pronto! Eu ali quase que fiquei com a certeza, de
que são aquelas lutas, constantes ou não, que acabam por dar um certo frissom à coisa. Aqueles dois vivem ao
seu ritmo e como mais gostam. É certo que de vez em quando espalhafatam com um
telemóvel no lancil. Acho que com a fúria, já conseguiram arrancar um bidé do
seu respectivo lugar. E foi puro acaso, não o terem também mandado pela janela abaixo.
Mas depois dos ânimos devidamente serenados, eu acredito que virá uma calorosa
e muito escaldante reconciliação.
Quanto às senhoras
mamãs, que procuram sempre encontrar o melhor para os filhos e que por isso se tentam
infiltrar nas suas decisões, procurando arranjar-lhe… uma esposa, aqui fica o
meu conselho: “Não se metam em tais assuntos, amiguinhas! Os vossos filhos saberão o que é
melhor para eles. E se errarem, azar. Eles, tal qual como as senhoras e eu, estamos
aqui num processo de aprendizagem. É que se formos a ver, todos nós erramos. É
legítimo e compreensível. E aprendemos também (e muito) com os erros. Quantas
vezes é que achamos que as nossas escolhas foram as mais acertadas, quando
afinal não o foram? Mas só damos pelo erro à
posteriori, quando finalmente nos conseguimos aperceber da verdadeira
dimensão da coisa.
E agora aqui fica um último
aviso para esta minha última candidata a“sogra”: “Pois tenha muito cuidado
consigo, senhora! E não vá a casa do seu rebento quando ele estiver a brigar
com a sua muito amada nora. Essa sim é que é a sua verdadeira nora. É que corre
um sério risco, de também a senhora ser lançada fora… de uma janela qualquer… ”.
Sugestão de leitura
para esta semana: “A Lei do Amor” de Laura Esquível.
DIVIRTAMSEMAZÉ!
DIVIRTAMSEMAZÉ!

1 comentário:
Esse casal se calhar mora aqui!É que um belo dia eu e o Nuno também vimos um sofá a voar, agora já entendemos porquê!!! Bem também um sofá é algo leve não aleija ninguém não é?
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