Porque tristezas não pagam dividas.
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Carta aberta de uma gordinha, à “Guiduxa “qu’é munta gira”!!!


Reza a decência, de que quem tem uns quilitos a mais como eu, não se devia de meter nestes assuntos. Afinal o que sei eu sobre o que se passa na cabeça da Guiduxa? Na célebre cabeça de tão esforçada escrevinhadora de livros? Mas vou, pois como eu sou “gordinha”, eu não tenho mesmo… vergonha nenhuma.
A Guiduxa escreveu, vai para dois anos uma crónica sobre mim e sobre as que pertencem à minha espécie: espécie essa, que a Guiduxa nem se deu ao trabalho de definir. Nós as “gordinhas”, ficamos pois numa espécie de limbo, ou seja, mais ou menos entre a inexistência… e entre coisa nenhuma. Mas sendo assim, como é que a Senhora Escritora deu por nós? Como é que nos viu? E depois, porque é que esta celeuma toda, só veio a lume e gerou controvérsia passados dois anos sobre esse seu verdadeiro momento de inspiração? A que se deveu todo este atraso? Se calhar, foi porque, com o passar do tempo nós “gordinhas”, tornámo-nos ainda maiores e mais visíveis, pois engordámos alarvemente... Ai que horror!…
A crónica chamava-se: “As gordinhas e as outras”, e nela se elaboraram profundas teses de forte pendor científico. Com verdades absolutamente inquestionáveis, pois provieram da cabeça enxameada de ideias de tão celebre escritora da nossa diminuta praça. E se ainda não leram tal crónica, pois leiam porque aquilo dá muito que pensar! E assistam também a esta sua prestimosa explicação:


Eu sou pois uma das gordinhas. Segundo a opinião de alguns homens mais tolerantes (e se calhar já bem bebidos), eu terei mais espaço para amar. Contudo a Guiduxa é que nos avisa, a nós “gorduchas” de que não devemos nunca acreditar em tais opiniões. Pois essa é a maneira mais fácil que os homens têm, de nos ludibriarem para conseguirem fazer “coisas feias” connosco, ou seja, com as da nossa híbrida e lamentável espécie. Segundo a opinião da Escritora a que hoje humildemente me dirijo, nós servimos unicamente, para quando os homens estão bêbados e não têm as mais giraças à mão. Conformemo-nos pois, amigas e colegas de peso. E cantemos todas e a plenos pulmões o fado sofrido da saudosa Amália: “Que destino, ou maldição!”
Como verifica, Guiduxa (e eu estou aqui a falar para o vento, pois tenho a certeza de que nunca irá ler estas minhas tão sentidas palavras, mas se o fizesse…) inexplicavelmente eu não sofro de nenhum drama por ter quilos a mais. Se calhar e se sofresse, era capaz de fazer dietas permanentes, fazer muitos pillings ou lá o que é, viver num ginásio e só sair da lá à noite (como os vampiros), e mais outros funestos quejandos. E depois ficava à espera de me tornar mais parecida com a Guiduxa, “qu’é munta gira”. Mas para longe vá o agouro. Eu era lá capaz disso? Fazer-lhe tal, logo “a si e às outras” que também são tão giras? E tirar-vos assim todo o vosso protagonismo?!
Pois, diz a Senhora, que nós que pertencemos à espécie adiposa, somos as grandes amigas dos homens. Pois no meu caso, eu posso dizer que sou tão amiga de homens como de mulheres. É que há gente boa em todas as espécies, credos, religiões, etnias, situações académicas e (imagine lá) preferências sexuais. Os homens que fazem o favor de serem meus amigos, só esperam de mim aquilo que eu sou. Ou seja, eles gostam de mim porque eu sei estar à minha maneira, tenho o meu próprio sentido de humor, sei ter as minhas próprias conversas e sei rir e como, Deus do Céu. É que nada me condiciona, nem sequer o medo de rebentar um qualquer botox ou uma prótese labial. Agora eu confesso, só não me lembro é de que alguma vez, me tenha mijado pelas pernas abaixo. Para ser engraçada?! Nunca tal me passou pela cabeça. E nem mesmo se a Senhora se mijasse, eu achava graça...
Falar de sexo à mesa? Pois qual é o problema se tal assunto vier à baila. Deve-se é ser suficientemente discreto se se estiver na presença de crianças. Ou então de idosos, que são pessoas de outros tempos e de outras educações. Ou de pessoas mais sensíveis, como é o caso presente da Guiduxa (que também já não vai para nova, não é)? Mas escusa de temer. Eu não creio que alguma vez, tenha o prazer de tomar uma refeição, na sua ilustríssima companhia!
E depois para quê todos esses seus cuidados? De não se poder falar de sexo? Saberá a Senhora pouco sobre o assunto? Quererá obter algum esclarecimento de uma qualquer “gordinha”, mas tem vergonha de pedir? Se é isso, não tema. Acredite, nós estamos cá para a ajudar. Disponha sempre.
Pois, como compreenderá (com muita dificuldade, eu acredito), nós as “gordinhas”, gostamos dos prazeres da vida. Alimentação da melhor e rir até perder o folego. Como já referi podemos rir, sem medo. Já o mesmo não se pode dizer de algumas das suas colegas giras, que ao sorrirem fazem somente um esgar silencioso e medonho. Algumas delas chegam mesmo a levantar um pé, visto que a pele já se encontra muito esticada. Outras giras existem, que devem de colecionar “rodos de pelancas”, por detrás das orelhas. Nós não. Temos é quilos a mais, que são visíveis. Não temos nada a esconder.
Depois é muito difícil arranjarmos namorados? Isso é! Ainda mais nos dias de hoje. Parece que o “raio” dos homens até fogem de nós. Às vezes até penso que lhes metemos medo. Sim… de facto, eu tenho ouvido muitas queixas sobre esse assunto. É algo recorrente. Mas, as queixas vêm invariavelmente… de gordas, mas também de… magras, calcule!
Diz a Guiduxa que os homens se pelam por estar na vossa companhia, das “munta giras”. Pois eu acredito. Acredito em tudo o que sai da sua proverbial boquinha. Eles convosco até devem de ficar, como diria? Anestesiados, não é? Contudo, há uma coisa que me faz alguma confusão. É que muitas vezes, algumas das minhas amigas “gordinhas”, aparecem a namorar com cada homem mais lindo, interessante e tão apetecível ao toque…! Porque será? A que se deverá tal ocorrência aparentemente inexplicável? Bem, se calhar elas conseguiram a tal “fêvera” na altura em que tanto a Guiduxa como todas as suas amigas giras, estavam indisponíveis? Se calhar estavam com dores de cabeça? Ou andavam com o período? Com o TPM? Ou então com os estertores de uma menopausa anunciada e a abanarem-se muito com um leque? Pois, poderá acontecer. É que a menopausa acontece a todas, mais cedo ou mais tarde, sejam elas giras e boas, sejam elas “gordinhas” e disformes, segundo a sua “sábia” e muito avalisada classificação.
Agora e desculpe-me o atrevimento, mas deixo-lhe aqui um reparo de uma coisa que me parece óbvia: A Guiduxa escusa de se ralar muito com as “gordinhas”. Nós não lhe podemos fazer sombra, e veja lá, até somos maiores que a Senhora. Porque vendo bem as coisas, a Senhora até deveria era ficar muito contente com o facto de sermos… “gordinhas”. Quanto mais “gordinhas” e em maior número, melhor. É que assim, sobram muitos mais homens para si e para as suas amigas boazonas. Isto segundo a sua proverbial sapiência. Que sai, ou da sua carismática boca ou então da sua pena de ganso.
Já imaginou Guiduxa, reunir um número incrível de homens, no Estádio da Luz por exemplo, que é o Estádio que em Portugal abarca mais gente? Devido à sua beleza e perfeita forma, os homens segui-la-iam mais ou menos como os ratos em Hamelin. No centro do Estádio do Benfica (que deve de ser o seu clube, eu tenho cá uma certa desconfiança), a Guiduxa poderia falar-lhes assim ao coração. Explicar-lhes através do recurso a um simples Power Point, sobre aquilo que é o mais conveniente para eles. Com uma apresentação das regras elementares de etiqueta. Dizer-lhes por exemplo, sobre aquilo que eles podem falar à mesa. Quais os talheres que são mais indicados? Dizer-lhes que eles não deverão de maneira nenhuma urinar para uma parede, por mais aflitinhos e amarelos que estejam. Mostrar-lhe num mapa da cidade, quais os locais onde lhes é permitido e aconselhado… coçar os tomates. E sobretudo, proibi-los de olhar para as “gordinhas” que são seres miseráveis e pouco estéticos…
Acredito que eles iriam adorar todas as suas explicações e tornavam-se irremediavelmente, seus fãs. Depois e de rajada falava-lhes dos seus livros: de um Pássaro que tinha uma Alma. Ou que Não Há Coincidências, só nós apertadinhos e esquematizados. Não lhes fale muito é em “Sei Lá”, porque isso pode confundi-los. E isso poderia pô-la a perder. É que tendo a Senhora, tanta ciência e uma filosofia de vida tão elaborada, os homens poderiam achá-la parecida com uma “Maria Vai Com as Outras”. Com uma mulher indecisa e sem certezas. O que convenhamos, não é verdade. A Senhora sabe muito. Só não sei é de onde é que lhe terá vindo… tanta sabedoria.
Disse também a Senhora, e numa outra sua inspiradíssima croniqueta, de que uma vez e numa praia, estava rodeada de mulheres obesas. E eram muitas, a Senhora não sabe (lá está), mas dá um número que poderia variar entra as 300 e as 80. E esta sua incerteza, diga lá? Ela não será devida ao Sol que apanhou na cabeça? É que o Sol quando é muito… faz muito mal.
Depois fala que as mesmas obesas estavam felicíssimas. Isso é bom, não é? Em que é que isso a poderia incomodar? Mas seguindo a sua inquestionável teoria e a sua linha de raciocínio, na prática só lá estava a Guiduxa mais os maridos das gordas. É que como a Senhora (e de mote próprio) se diz tão gira e boazona, consequentemente conseguiu ofuscar todas as indistintas adiposas.
E depois, falou que as “gordinhas” tinham todas umas geleiras, e estavam sempre a comer e a falar sobre comida. E que envergavam uns biquínis reduzidíssimos. Pois, Guiduxa sabe o que é que eu acho? E vai-me perdoar este meu atrevimento. Mas eu acho que foi muito difícil para a Senhora, não lhes pedir uma bucha, ou um “coche”, como se dizia no meu tempo de Escola Secundária. É porque a Senhora para ser como é (muito bela e boazona), deve de ter muitos dias em que não come nada, por mais que diga que não. Naquele dia, se calhar até sentiu o apelo de pedir-lhes algum mantimento, mas teve vergonha, não foi? Confesse lá. Nós as “gordinhas” somos pessoas generosas e não lhe levamos a mal essa sua fraqueza. Mas se eu lá estivesse, era pessoa para partilhar consigo, uma sandes de torresmos e mais um copo de vinho tinto generoso. No fim acabaríamos a degustar uma talhada de melão. Só que, também não seria fácil esse nosso encontro. É que eu não gosto de praia, localize-se o areal no Algarve ou nas Caraíbas. Pelo que a poupo assim, ao desgosto de poder olhar para mim, a envergar um qualquer biquíni, muito revelador. Eu, “gordinha” me confesso, olho muito pelo seu bem-estar assim como pelo bem-estar “das outras munta giras”. Já viu se essa minha funesta exposição lhe provocasse, um ataque cardíaco. Como é que o mundo ia sobreviver sem os seus tão valiosos ensinamentos? Que nos devem de servir como um verdadeiro… manual de instruções.
Agora e para concluir, penso que os Bibliotecários é que lhe devem de estar muito agradecidos. E sabe porquê? Sei que algumas Bibliotecas têm o conjunto, de toda a sua importante “obra literária”. Contudo, as mesmas instituições não gastaram um único “chavo” com tal aquisição. E sabe qual é a razão? É que as suas leitoras vão lá oferecer os seus livros. Acredite, em algumas bibliotecas até já existem livros seus para a troca. Muitos deles são mesmo autografados por Si e dedicados às suas admiradoras, que regra geral são mulheres. Parece que no que toca a apreciações literárias, não há assim tanta unanimidade. Os homens serão mais arredios à leitura? Pelo menos serão no que toca à Sua admirável obra? Não sei, mas se calhar e por isso mesmo, os homens que menos leem em geral, são os que a preferem em exclusivo, a si e às suas amigas boazonas.
E depois é uma verdadeira comoção, ver escrito na página de rosto dos livros, com a sua belíssima caligrafia palavras tais, como: P’ra Xareca, p’rá Pachacha, p’ra Xarifa, p’ra Rateca, p’ra Buceta… e para mais outras tantas, giras e “levezinhas de ideias” que por aí abundam. Mas... e as suas admiradoras? Elas livraram-se assim de algumas das suas mais emblemáticas obras? Mesmo marcadas com o seu cunho tão pessoal? Mas isso será, devido a quê?
Eu gosto de acreditar que ainda há esperança num mundo melhor. E na Teoria da Evolução da Espécie.
Sugestão de Leitura para esta semana: “Uma Aventura Inquietante” de José Rodrigues Miguéis.
DIVIRTAMSEMAZÉ!!!


PS 1: Mas soube esta semana, que se acabaram as suas crónicas no semanário solar. OOH!!! E como é que nós vamos conseguir sobreviver? Bem, considere que devido a tal desgosto, nós já estamos todas a empanturrarmo-nos em “Bolas de Berlim com Creme”.

PS 2: Meus amigos, eu sei perfeitamente que a situação deste país é catastrófica. As medidas previstas e a realizar, só vão acelerar o “funeral” já há muito anunciado. Mas há que reagir, é um facto. E no fim, nós vamos sobreviver acreditem. Nem que seja através do processo da “terra queimada”, que é muito pouco recomendável atendendo às circunstâncias. É que já lá dizia (muito sabiamente alguém, e não era  a Guiduxa) que: “atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir”!!!
Mas aqui e agora, eu achei (e no meio de toda esta tragédia), que a Guiduxa também deveria ter o seu lugar cativo e de destaque. Ela merece.
DIVIRTAMSEMAZÉ, nem que seja a protestar.