Surgiste na minha vida como um primeiro raio de sol surge após prolongada invernia. Procuraste-me e eu encontrei-te. Ou vice-versa. Eu já nem sei. Mas tenho a dizer-te que gostei logo muito daquilo que vi. Gostei particularmente do teu olhar, assim como do teu sorriso constante. E consequentemente do teu apurado e permanente sentido de humor. Oh rapaz, quanta energia tu tens! Quanta imaginação! Como é que tu consegues estar sempre (mas sempre mesmo), a dizer piadas? E o que eu me rio com elas, Santo Deus.
Sou por definição uma rapariga algo macambúzia. Há vida a mim? Pois... haver há, uma vez que ela vai-me correndo. Só que não me tem dado assim tantos motivos para gargalhar consecutivamente, tal como tu fazes o tempo todo. Sei, porque já me apercebi (e também porque já me têm dito), que é um desperdício de tempo, estar para aqui sempre tão triste. É que o estado da tristeza puxa mais tristeza ainda. E depois é como um circulo vicioso. É tal qual um tornado que destrói pela raiz, qualquer laivo de alegria. Mas tu na minha vida, fizeste a diferença. Só que se calhar, nem deste bem conta disso.
Tu foste como que uma réstia de esperança que eu já há muito tempo aguardava. Contigo eu parecia outra. Foi também contigo que eu ganhei uma nova disposição, novas cores assim como um indisfarçável novo brilho, no meu olhar francamente castanho. E a minha notória diferença, era-me comunicada permanentemente por todos aqueles que já me conheciam. Por todos aqueles que tinham alguma estima por mim. E como eu andava feliz. Vê tu, que até me deu para agradecer a todos os anjos e santos do céu, aquela tua vinda.
Achei (e romântica como sou), que o nosso encontro já estava marcado havia muito tempo. E tudo parecia indicar que as minhas preces, finalmente haviam sido atendidas. Eu, quase que acreditei que a hora da minha felicidade também havia chegado. Meu Deus, como eu gostava tanto de estar contigo!
Achei (e romântica como sou), que o nosso encontro já estava marcado havia muito tempo. E tudo parecia indicar que as minhas preces, finalmente haviam sido atendidas. Eu, quase que acreditei que a hora da minha felicidade também havia chegado. Meu Deus, como eu gostava tanto de estar contigo!
Trabalhamos na mesma empresa. E no dia da tua chegada, a chefe havia-me responsabilizado da tua integração naquele espaço. Fui eu quem te ajudou efectivamente e quem te apresentou todo o nosso Departamento. Assim como te deu a conhecer todos os nossos colegas. Fui eu quem te falou pela (diria segunda vez), dos teus conteúdos funcionais naquela empresa. Mas apesar de tu aprenderes tudo e muito rápido, as tuas dúvidas ultrapassavam tudo aquilo que era espectável em idênticas circunstâncias. Tu só querias inteirar-te de todo aquele complexo processo. Mas de todo aquele complexo processo, mesmo! E como eu agradecia para mim mesma, todas aquelas tuas infinitas inquietações. Era a forma que eu tinha de passar mais tempo na tua companhia. Informando-te sempre de mais e mais pormenores. Mas o curioso é que ao invés de estares para ali preocupado e receoso de não teres aceitação, tu fazias precisamente o contrário: perguntavas sim, e muito. Mas fazia-lo sempre com muito boa disposição e aproveitando qualquer deixa para fazer uma nova piada. E como nós nos conseguíamos rir daquilo tudo! A meu ver, tu forneceste ao Departamento, uma renovada frescura.
E tudo seguia o rumo do que se esperava. E ai de ti, se fosses buscar esclarecimentos junto a um outro colega qualquer. Esse serviço cabia-me somente a mim. Fora a própria chefe quem me havia encarregado disso. Não havia lugar a qualquer dúvida. E tu lá vinhas. Vinhas sempre ter comigo. Vinhas sempre e na minha direcção.
Devido a todas aquelas atenções e procedimentos, os nossos colegas começaram a fazer olhinhos e outras sinalécticas entre si, que eu bem via. Procuravam desta maneira, sinalizar uma cumplicidade emergente que começava a brotar entre nós. Mas de nada isso me importava. Nem a ti, quase que tenho a certeza. E quem dera que os colegas adivinhassem mesmo, um qualquer envolvimento, que eu tanto queria ter contigo!...
Depois e fora do expediente e das responsabilidades laborais, começamos a sair um com o outro. Íamos muitas vezes jantar fora. Algumas vezes fomos ao teatro. E ao cinema. Creio que o cinema era aquilo que nós os dois mais gostávamos. Eu pelo menos (e falando só por mim), era onde me sentia, mesmo em pleno contigo. Era o êxtase. Estarmos ali os dois, lado a lado e naquele escurinho... Com a minha mão quase, quase a tocar na tua. No cinema, recordo deliciada a quantidade imensa das pipocas que partilhávamos. E o escarcéu que fazíamos a comê-las!... Uma vez, chegámos mesmo a usar a mesma palhinha, que servia um copo gigantesco de Coca-Cola gelada. E depois, como nos ríamos baixinho, das advertências e dos amuos que as velhotas faziam, tentando ver, mas em vão, o filme para que tinham comprado o bilhete. Mas sem qualquer sucesso. É que os queixumes delas, ainda nos faziam rir mais. Pelo que desesperadas elas, apontavam-nos depois o dedo, declarando-nos assim a sua desaprovação total, àquela nossa "actuação tão indecente".
Mas foi numa dessas nossas saídas, que tu vieste até mim com um novo brilho no olhar que eu não reconheci. Vinhas também muitíssimo mais risonho. Mas como é que isso era possível? Será que havias consumido algum par de cogumelos mágicos e não me havias dito nada? O que é que poderia estar por detrás de toda aquela tua rápida e muito suspeita alteração. É que ficaste ainda, e muito mais... "palhacito"?
Eu contigo, havia começado a gostar de imaginar coisas boas. Diz quem entende muito destas temáticas, que grande parte do prazer da "festa", está exactamente na sua preparação. E ao ver-te assim, eu enchi-me também de uma incontida alegria. Por uns breves instantes, imaginei que tu finalmente tinhas tido a coragem de vir até mim, mas desta vez para ficares. Para ficares comigo. Eu vi-me em ti, como a um porto seguro, onde tu virias finalmente ancorar. E vi-te em mim, como um farol efectivo e muito luminoso à minha existência. Não só à minha existência presente como (e principalmente), à minha existência futura. Só que a vida já me havia ensinado, que estas formulações gratuitas e inconsequentes, são muitíssimo perigosas.
Passado aquilo que me pareceu ser uma eternidade, tu abriste ainda mais o teu sedutor sorriso e falaste-me de uma Carla. E por um momento, todo o meu cérebro pareceu bloquear. Mas Carla? Nós os dois, só conhecíamos uma Carla. Que era a rapariga que vendia os bilhetes no cinema. Seria essa? "Sim", disseste-me tu. Era essa mesmo. E ficaste ainda mais corado e a transpirar. Pelo menos foi o que me pareceu.
Havia já algum um tempo atrás, que nós os dois havíamos comentado, que a Carla, era muito diferente das outras pessoas, que como ela também vendiam os bilhetes para se assistir aos filmes. Ela era muito mais conversadora e muitíssimo mais divertida. Mantendo sempre esse tipo de actuação, ela nada se parecia importar, com o atraso evidente, que provocava no seu próprio trabalho. Garantia desta maneira, um aumento muito significativo da fila dos compradores de bilhetes. Mas também (e verdade seja dita), eu nunca vira ninguém a reclamar desse seu procedimento. É que ela falava sempre muito. Ria ainda muito mais. E com toda a gente, de forma indiscriminada.
E tu, lá continuaste o teu discurso, para mal dos meus pecados, Matavas assim, a linha ténue de esperança que há tão pouco tempo, havia nascido em mim. Soube assim, que tudo começou, num dia em que tu lá foste comprar os bilhetes com muita antecipação. Justamente naquele dia, em que receamos os dois, que se assim não procedêssemos, o mais certo seria não vermos o filme que tanto queríamos assistir. Nesse dia, assim me o contaste, ela sorriu só para ti. E piscou-te um olho gigante e de cor azul, repleto de brilho. Depois de um pequeno impasse, ela entregou-te os dois bilhetes, firmemente seguros numas mãos compridas e muito bem cuidadas. Mãos essas, que envergavam umas muito vistosas unhas de gel, de tonalidade azul clara. As "garras", tinham assim quase a mesma cor, dos seus expressivos e muito grandes olhos. Num bilhete (justamente naquele que tu guardaste para ti, claro está), tu verificaste que estava escrito um número de telefone. Era o número de telefone dela, soubeste tu quando mais tarde lhe ligaste. E ficara comprovado. Para mim fora exactamente o brilho dos seus olhos, o que mais te encadeara. Disso, eu tenho a certeza.
Pelo exposto e como compreendes, eu fiquei muito arrastada com tudo aquilo que estive para ali a ouvir. Era agora com ela que estava o teu pensamento. E o desespero que eu senti!... Agora o mais certo, era que as nossas muito divertidas saídas semanais, haveriam de passar à história. E tudo isso, parecia indiciar o teu olhar. Contudo e com alguma dignidade, eu lá consegui disfarçar o quanto pude, aquela minha muito repentina mal-disposição. Afinal e objectivamente, tu não havias tido culpa de nada. Só seguiste o teu coração e aqueles gigantes faróis de cor azulada. É que a Carla é reconhecida por todos os homens (e por algumas mulheres, estou em crer), como um "bom pedaço de mau caminho".
Olha, quanto a mim, eu estarei por perto. Tu sabes bem onde me encontrar. Aproveito para te desejar tudo de bom. Que a vida te sorria sempre. Pois tu bem mereces. E se a Carla for a pessoa que te vai fazer feliz, aposta nisso e com determinação, todas as "tuas fichas". Eu por mim, continuarei a estar aqui. No lugar do costume. E acredita meu muito risonho amigo, eu estarei aqui a "torcer" por ti.
Mas ao mesmo tempo, também estou a usar uma pomadinha em gel, que é muito boa. E também estou, a tomar uns analgésicos, para ver se curo a desgraçada, desta dor-de-cotovelo. Demora um certo tempo, é verdade. Mas depois disso... virá a cura total. Disso, é fundamental que eu tenha também ... muita certeza.
Mas ao mesmo tempo, também estou a usar uma pomadinha em gel, que é muito boa. E também estou, a tomar uns analgésicos, para ver se curo a desgraçada, desta dor-de-cotovelo. Demora um certo tempo, é verdade. Mas depois disso... virá a cura total. Disso, é fundamental que eu tenha também ... muita certeza.
Sugestão de leitura para esta semana: "Sábado à tarde e Domingo de manhã" de Alan Sillitoe.
DIVIRTAMSEMAZÉ!!!

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