No que concerne às viagens tenho a dizer que: certo dia, enquanto ia no avião, para fazer uma enorme viagem de doze horas na companhia de uma grande amiga, a caminho do Japão, conhecemos um senhor muito sui generis. No primeiro avião que tomamos, e que fazia escala em Munique eu ia no lugar situado à janela. Tenho aqui que confessar que: já tenho viajado alguma coisa, contudo e por mais que o tempo passe, o que eu gosto de ir à janela! Eu sei que a janela é minúscula. Sei que a paisagem é repetitiva mas... eu gosto de ir ali a ver as nuvens. Por vezes, gosto de olhar cá para baixo e ter a visualização de pequenos aglomerados residenciais em minúsculos pontos. Ou então de minúsculas luzes, quando se viaja à noite. Gosto de imaginar toda a vida fervilhante que acontece cá em baixo, enquanto eu junto às nuvens observo sobranceiramente todo o horizonte. Também gosto de olhar o rastro de outros aviões. Gosto de pensar nas pessoas que ali viajam e que vão para destinos necessariamente diferentes do meu. De imaginar por exemplo, qual é que é a verdadeira motivação das pessoas? O que é que as leva a viajar? Será que procuram no estrangeiro melhores condições de vida, daquelas que conseguem no seu país de origem? Ou vão finalmente às suas terras natais para verem familiares e amigos? Pessoas queridas que já não vêm há muito tempo? Será que vão por lazer? Ou será que vão passear só pelo simples prazer de encontrarem realidades diferentes das suas?
Ora então, nessa grande viagem eu ia assim no lugar situado à janela do avião. Ao meu lado ia a minha cara amiga. E do outro lado ia um senhor cinquentão, algo anafado e que comercializava aço. Com o continuar da conversa, aquele senhor explicou-nos que o aço, poderia ser usado nas mais variadas formas. E nos mais distintos objectos. E a titulo de exemplo, ele explicou-nos que o aço é muitas vezes utilizado em próteses dentárias. Conversa puxa conversa e o senhor lá nos vai informando (como se nós ainda não tivéssemos dado conta), do estado calamitoso do nosso pequenito Portugal. E mais fez aquele mui informado senhor: aconselhou-nos a que nos divertíssemos enquanto nos fosse possível. Íamos estar fora daqui, sensivelmente quinze dias. Mas aquele senhor prognosticou-nos o pior dos cenários. Tal qual como um competente visionário. Assegurou-nos ali que, quando nós regressássemos à Lusitânia Pátria iríamos encontrá-la completamente diferente. Nada seria como antes. Eu pensei (e eu sei que por vezes é muito perigoso eu pensar), que o país ia piorar porque nós as duas; que somos amigas desde sempre, iríamos estar ausentes de cá. É que era aquele homem que estava a dizê-lo. E ele parecia estar muito bem informado. Disse-nos assim, que quando nós regressássemos iríamos encontrar tudo num caos. Eu não quero aqui parecer pretensiosa, mas depois disto o que é que vocês pensavam? Mais parecia que éramos nós as duas que garantíamos o equilíbrio deste país. E como nos íamos embora... Por causa disso e durante breves instantes eu fiquei como que um peso na consciência, temi o pior. Contudo acalmei-me, respirei lenta e pausadamente e o meu mau-estar passou-me logo, como que por milagre. Pois o que eu queria mesmo era "entupir-me" de sushi e sushimi.
E a conversa lá foi seguindo o seu curso. Os benefícios do aço foram ali muito evidenciados. É que com o aço podia-se fazer mesmo muita coisa. E ali ele dispôs-se a aceitar todas as nossas sugestões. Eu aqui tenho que confessar uma coisa. É urgente. É que eu sou uma moça muito inocente. Apesar de ter sido criada num meio rural, onde eu ajudava os vizinhos a levarem os animais para o seu/deles acasalamento, eu não tenho maldade. Pelo que sou muito benemérita e nada maldosa. Por alguns momentos pus-me a referenciar possíveis utilizações para o aço. Pensei em pernas e braços por exemplo. Ou então partes de um osso. Que são coisas que fazem muita falta. Pelo que em voz baixa, segredei à minha amiga que o senhor bem podia variar no uso do aço. É certo que os dentes (mesmo postiços), fazem muito jeito, mas há tanta coisa que também faz falta, não é? A minha amiga ouviu e sem que eu me apercebesse porquê, ela desatou ali a rir. Fê-lo contudo o mais silenciosamente que pode. Só que não foi muito bem sucedida em todo aquele processo. E não é que o magano homem deu conta daquela risota?
Como quem não quer a coisa e visivelmente afectado, o homem dá em perguntar sobre qual a motivação que levara à supra citada gargalhada quase silenciosa. A minha amiga ao invés de ter dito um simples: "Que não era nada!". Vai de informar o homem. Como se aquele homem fosse um padre que ali estivesse a confessar. Refere-se ao facto de eu lhe ter dito que: o aço poderia ser utilizado para objectos que fazem muita falta. Sem espinhas! Ela colocou-se assim em pose de provocadora. E veja-se a vergonha que aquela minha inconveniente amiga ali me fez passar. Eu estava a falar só com ela. Por que raio é que ela tinha que ser tão comunicativa e disponível para com aquele homem? Ainda mais um homem que nós havíamos acabado de conhecer.
Depois dessa informação o homem riu-se muito, mas depois... ele ficou a pensar. Pelo que passados breves instantes ele disse-nos que, de facto poderia pensar em outros objectos, como os tais que fazem muita falta. Tinham era que ser... suficientemente flexíveis. Para não aleijarem. Pareceu-me muito esquisita toda aquela conversa. Mesmo para alguém que como eu, é muito inocente.
Sugestão de leitura: (desta vez um livro bem light), mas originário da terra da Senhora Merkle. "Mulher Procura Homem Impotente para Relacionamento Sério" de Gaby Hauptmann.
DIVIRTAMSEMAZÉ!!!
As coisas estão difíceis, nós sabemos. Mas deveríamos de receber os Senhores da Troika a cantar vigorosamente toda esta ária do Karl Orff (em Carmina Burana). E só nos calaríamos quando os víssemos a regressar pelo mesmo caminho. Em direcção às suas casinhas. Lá é que eles estavam bem.
E depois de uma viagem a Viena de Áustria informam-me que todo aquele meu sonho de ir aos Estados Unidos já não tem razão de ser. Rais'parta.
E alguém me pode informar sobre o significado do provérbio brasileiro, que serve de titulo a este Post?

3 comentários:
Já não vais aos "estates"!? ohhh
essa é uma daquelas viagens que gostava de fazer. Talvez aos 50!! eheheh
Anabela
Segue-se Panamá e Costa Rica. Como prémio de consolação.
Bem esta conversa toda do aço lembra-me alguma coisa ou melhor alguém que já possui o que faz falta em aço, é assim há gente com sorte, nasce com coisas de aço e tudo.
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