Educar uma criança será tarefa bem complexa. Os pais tendem
a informar-se e a inteirar-se sobre os melhores métodos pedagógicos. E após isso
tendem a agir em conformidade. Acontece que existe toda uma série de teorias,
que pretenderam (e pretendem), prostrar por terra sobre tudo aquilo que foi
feito até aqui, sobre o que à educação implica. Também sabemos disso. Depois se
calhar existem aqueles, que não querem assim saber das teorizações para nada.
Acreditam bastar-lhes estar presente e educar. E usarem-se de algum instinto,
bem misturado com uma dose generosa de bom senso. Há aqueles que devem recorrer
à célebre “palmadinha pedagógica”, e depois não devem sentir lá grandes remorsos com
isso. Existirão também os que defendem até à exaustão o valor do bom exemplo...
Pois meus amigos… este blogue não é de todo, vocacionado para tais questões. Essas serão mais da conta daqueles que são pais e/ou educadores. E têm dotes reconhecidos e a demonstrar, sobre tais problemáticas. Mas como aqui também se fala de tudo... E fala-se principalmente de Bibliotecas e do gosto pela leitura…
Pois meus amigos… este blogue não é de todo, vocacionado para tais questões. Essas serão mais da conta daqueles que são pais e/ou educadores. E têm dotes reconhecidos e a demonstrar, sobre tais problemáticas. Mas como aqui também se fala de tudo... E fala-se principalmente de Bibliotecas e do gosto pela leitura…
Vem
todo este arrazoado de ideias (quiçá pouco fundamentadas), a propósito de algo
que por vezes se depara na minha actividade profissional. Estabelecer quais as
ideias base que devem de estar presentes, no Plano de Actividades a executar para
o Publico mais novo. O livro, no meu entender terá que estar sempre presente.
Faz sentido, não faz? Contudo as ideias devem de ser sempre as mais abrangentes
possíveis. Capazes de abarcar o maior número possível de crianças. Não me
parece que seja boa política, entrar em assuntos que são mais da
responsabilidade dos pais e dos educadores. E entrar despudoradamente na sua
esfera privada. Estar para ali a informar de que será conveniente, o menino
tomar banho todos os dias, lavar os seus dentinhos após as refeições e ser
sempre muito limpinho, será mais tarefa para outros que não nós, técnicos de
biblioteca.
É evidente que tais assuntos estão muitas vezes presentes nos livros. Mas ainda bem que assim é. A mãezinha quando quer, chega até nós e leva-os emprestados lá para a sua casa. E depois usa-se daquela informação, da forma como ela bem entender. Nós na Biblioteca poderemos (e deveremos a meu ver) falar mais do prazer que se consegue obter através da leitura. Assim como referir aspectos tão unificantes e de valor primordial, como o valor da solidariedade entre todos. Da necessidade imperiosa de se preservar o meio ambiente. De se respeitar a vida animal. Aceitar a diferença. É que a palavra de ordem terá que ser sempre “inclusão”. Jamais “exclusão” em qualquer sentido.
É evidente que tais assuntos estão muitas vezes presentes nos livros. Mas ainda bem que assim é. A mãezinha quando quer, chega até nós e leva-os emprestados lá para a sua casa. E depois usa-se daquela informação, da forma como ela bem entender. Nós na Biblioteca poderemos (e deveremos a meu ver) falar mais do prazer que se consegue obter através da leitura. Assim como referir aspectos tão unificantes e de valor primordial, como o valor da solidariedade entre todos. Da necessidade imperiosa de se preservar o meio ambiente. De se respeitar a vida animal. Aceitar a diferença. É que a palavra de ordem terá que ser sempre “inclusão”. Jamais “exclusão” em qualquer sentido.
É
que se entrarmos por aquilo que se passa, (ou se deve de passar lá por casa),
estamos a assumir uma postura muito desagradável. Estamos a usar a vestimenta
de coscuvilheiros. É que necessariamente, cada família terá os seus hábitos. E defenderá as ideias que
recebeu, que adquiriu e que considera mais importantes de acordo com a sua própria
situação. Se entrarmos por esses caminhos, sem querermos ou termos essa
intenção, podemos estar a excluir e a fazer uso de uma série de preceitos que
lamentavelmente poderão vir a tornar-se… preconceitos.
A
esse propósito, lembro-me de uma situação, em que entrou um menino reguila com
os seus quatro anos. Ele estava perfeitamente integrado do seu meio. Contava com
a atenção permanente dos seus pais. Frequentava uma boa escola e tinha acesso
aos meios necessários e considerados indispensáveis aos dias da actualidade. E o
menino foi assistir com a mãe, numa biblioteca pública, a uma iniciativa que visava documenta-lo até à exaustão, sobre tudo aquilo que dele era esperado, no que concerne
à sua higiene pessoal. Lá vinha a conversa do banho, da pasta dentífrica, da
roupinha mudada todos os dias… E o menino escutava tudo aquilo e pensava.
Já
cá fora ele, algo aflito perguntou à sua mãe:
“Olha
mãe, nós estamos mal. Não fazemos o que a senhora da biblioteca aqui nos disse. É
que eu tomo banho dia sim, dia não. E aqueles meninos que nem têm assim tanta
roupa? E aqueles outros que lamentavelmente nem comem em casa a primeira
refeição, (porque não a têm), quanto mais lavarem os dentes?” Pois…
A
mãe? Essa ficou sem qualquer vontade de ali regressar. Mas não ficou foi com
qualquer espécie de peso de consciência em relação aos seus hábitos de higiene.
Nem ao seu papel de mãe. Afinal os seus filhos andam limpos. Sempre andaram. E
felizmente também estão muito bem alimentados. E perfeitamente documentados, atendendo às circunstâncias. E quem é que no
seu perfeito juízo, poderá afirmar o contrário?
Da
mesma forma certa vez soube, de uma mãe que andava a tentar implementar os mais
elementares hábitos de higiene ao seu catraio, também de quatro anos. E dizia:
“Lava as mãos Rui! Tu tens que comer sempre com as mãos muito limpinhas. Se
assim o não fizeres, além de ficares doente, serás um… cascão.”
Noutra
altura: “Vai lavar os dentes Rui! Se o não fizeres, para além de ficares com os
dentes todos podres e a cair, serás para sempre… um cascão.” E a coisa lá
continuava em idênticos moldes. Presume-se que tal referência tenha a ver com a
personagem da Turma da Mónica, com o mesmo nome, que ajudou a abrilhantar gloriosamente,
as nossas boas mas já algo longínquas infâncias.
Só
que o pior deu-se certo dia, quando aqueles dois esperavam pacientemente para
pagar as suas compras, numa fila do supermercado. E à frente deles, (bem na sua
frente) estava um senhor que sofria de Vitiligo. Foi então que Rui, arregalando
desmesuradamente os seus olhitos juvenis e abrindo plenamente umas goelas muito
saudáveis de não fumador, parlamentou:
“Olha
mãe. Este senhor aqui… é cascão!” É evidente, que se tivesse por ali havido uma
passagem subterrânea, aquela muito bem-intencionada mãe, teria ido para lá,
passar uma temporada.
Sugestão de leitura para esta semana: “O Príncipe” de Nicolau Maquiavel.
E beijemos todos, as nossas Mãezinhas. Se tivermos ainda a suprema ventura, de contar com a sua companhia e mimos.
DIVIRTAMSEMAZÉ!

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