Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Contra os maus humores, grandes suores.




É uma grande maçada ficar doente. Diria mais, não deve de haver nada pior na vida. É que não é mesmo à toa que se diz: “Mal por mal, antes na prisão que no hospital.”
Mas a componente clínica é de primordial importância em qualquer sociedade dita evoluída. E o bom estado de saúde de uma sociedade significa quase sempre também o seu bem-estar social. E quanto às terapias que se apresentam? Essas por vezes é que me parecem algo antagónicas. É claro que eu não percebo nada disso (Graças a Deus!!!), mas aos meus olhos de leiga na matéria, as mesmas terapias mais parecem próprias para matar, do que para curar. E cumprindo-se então essa desdita, sempre é menos uma reforma que se paga. Ah pois é! Mas eu não sei mesmo nada disso. E ainda bem. Graças a Deus Nosso Senhor!
Mas vem esta conversa a propósito de algo que eu tomei conhecimento, já vai para alguns anos. Existiu em tempos que já lá vão, um certo administrador de um grande hospital localizado ali num País Qualquer. Ele era competente como ninguém. Mas também muito senhor do seu nariz! Além disso fazia-se sempre acompanhar do seu querido estetoscópio. Mas isso é da praxe, ou não é?
Ora o dito senhor, era casado e tinha também uma numerosa prole. Só que num belo dia, ele deu em se apaixonar perdidamente por uma administrativa que por ali também trabalhava. Grosso modo, era uma sua colaboradora directa. Ela era inequivocamente, muito jeitosa. E também muito competente, com especial ênfase para lidar com o aparelho do Fax e também para expedir Comunicações Internas. E a princípio, nada indicava que tão profícua colaboração se iria expandir para outras vertentes vivenciais para além da profissional. Só que o amor tem destas coisas. E acontece quando menos se espera, nada haverá a contradizer, é um facto. Sabe-se à partida que o Cupido anda sempre por aí. Com o seu conjunto de flechas infectadas. E consequentemente o amor surge quando o moço travesso, atravessa a voar por todo o globo e arredores, acertando indiscriminadamente em tudo o que mexe, independentemente das classes, géneros, idades ou étnicas. E também condição civil, ah pois é! E a seta “cupidesca” acertou naquela dupla, inicialmente circunscritos à sua área profissional.
Para culminar a já de si tão complicada situação, a administrativa já muito dengosa com a flechada contaminada, dera também em ficar doente. Estava já muito apaixonada era um facto, mas não fora propriamente a paixão, aquilo que a pusera mais para baixo. Fora mais a desgramada da sua vesícula. Aquela magana até ali sempre fora tão silenciosa!
Ora o competentíssimo administrador voraz e querido, apiedou-se da sua amada até à medula dos seus (até ali) também muito saudáveis ossos. E logo ali ele se ofereceu, para garantir à sua nova amada um poiso clínico seguro. Onde ela pudesse ter os melhores cuidados. E seria mesmo ali naquele hospital que se procederia à operação exigida, para conforto da doente. Mas também (é o que mais à frente se verificará) para a continuação do deleite por parte do seu amante.
Para a exigida intervenção cirúrgica colocaram-se todos apostos. Quase como para a partida de uma competição olímpica de uma corrida de fundo. E para a realização de uma operação (como todos nós sabemos), é necessário realizar inúmeros exames e outros procedimentos capazes de fornecer um diagnóstico indesmentível. Para que tudo possa correr pelo melhor, como é espectável.
Ora foi no dia e local em que estavam marcadas umas simples análises ao sangue, que a amada administrativa, encontra já sentado na cadeira onde a própria se sentaria… o seu grande amor! Iria ele também (e por solidariedade), ver-se livre de um dedal do seu rubro e muito clínico sangue? Oh que emoção, oh que alegria, oh que felicidade! O amor é tão lindo e tudo e tudo e tudo... É que aquele homem, estava mesmo pelo beicinho. E depois? Pois que ninguém pense, que o homem se levantou da cadeira. Qual quê? Só que a sua amada teria que se sentar, ou não era? Para tirar sangue. Pelo que para isso, nada foi mais fácil de conseguir. E prontamente, ela sentou-se ao colo do seu amor. É lindo ou não é? E assim se preparavam aqueles dois, para tirar somente um dedalzinho de sangue, muito rubro, feminino e saltitante.
Mas depois, algo impressionada (e quiçá também invejosa), eu fico-me já para aqui a imaginar: Qual é que terá sida a reacção da enfermeira, a quem coube executar tal tarefa? É que não deve dar mesmo jeito nenhum, tirar o sangue a uma cidadã, que está sentada ao colo de uma outra pessoa. Muito competente e clínica é um facto, mas ali claramente na situação de "emplastra". E a coisa pode tornar-se, como direi, algo inconstante. E susceptível de poder fazer rolar para o chão, a pobre doente. Que com tal emoção, é bem capaz de permanecer para ali com pouco firmeza. Pelo menos é o que eu acho. É que tem que haver em similar acto, alguma segurança. E muito poucas emoções à mistura. E ninguém me garante que a enfermeira, em tal situação, não se possa ter enervado. E com a atrapalhação ela até poderia ter furado um olho a um. Os perigos que se correm, quando é o amor o que impera! E se calhar… até não. É que não é mesmo nada bom tirar sangue. E se é feito ao colo de alguém… a coisa até se pode tornar muito mais agradável e encorajadora. O outro, o que serve de suporte, haverá de segurar bem. E desde que a picada se fique só pela seringa…
Mas nada ali aconteceu que pudesse prejudicar a segurança e o bem-estar daquela dupla verdadeiramente apaixonada. E depois a paciente, já muito confortada com tanta atenção, foi para o seu quarto repousar. A sua operação estaria à distância de muito poucas horas. E antes da cirurgia, aquela importante paciente, partilharia o quarto com outras duas senhoras. E de um lado estava uma que não falava nem andava, devido a um acidente vascular cerebral grave e incapacitante. Do outro lado estava uma outra, pacatamente a restabelecer-se de uma operação bem-sucedida ao colo do fémur.
E aquela muito amada administrativa para ali estava. Muito tolhidita e algo apreensiva… era um facto. Mas contando sempre com o grande apoio do seu amor. Mesmo à distância. E telepaticamente.
Mas mais ou menos, lá pela meia-noite deu-se uma inusitada visita. E naquele quarto de restabelecimento, entrou alguém que não foi nem o D. Sebastião, nem a Nossa Senhora dos Comprimidos Tardios. Nem foi mesmo o Pai Natal. Ora naquele espaço, deu entrada nada mais nada menos, que o tal Casaca lá do sitio. E foi com muita desenvoltura que ele localizou a profissional moça. Que era também a sua amada mais recente. E avistada que estava, o homem logo depois, lhe entrou para a cama. E com muita rapidez foram fechadas as cortinas, tal qual como quando o freguês está para ali a utilizar uma arrastadeira. Ou na pior das hipóteses, é transferido lá para o Andar de Cima. E “ósdespois” amigos? As frases lânguidas e os suspiros que por ali se deram foram mais que muitos, Santo Deus! Entrecortados por um doce abanar do leito camuflado, em harmonia com um fino sacolejar dos reposteiros. Fora tal qual como… se um sismo do amor de média magnitude, ali tivesse ocorrido.
E a ladear tal acto? Pois ao lado estava uma mulher que não falava. Sofrera de um acidente vascular cerebral. Podia até estar assustada, só que não reproduzia oralmente o seu (possível) enorme estado de inquietude. E do outro lado, estava quem? Adivinharam! Estava a do fémur restaurado? E… oh como essa diz ter sofrido, ao ter assistido ali tão perto a tais delírios. É que o esforçado casal estava ali tão junto a si. Logo ali ao lado e tão à mão de semear. E tão ao pé dela, que estava para ali tão paralisada, sem hipóteses de se levantar para afastar os cortinados…
Mas depois ela pensou. Se calhar tudo aquilo correspondia a alguma terapia das mais modernas. Daquelas que são descobertas pelas equipas médicas dos Estados Unidos ou do Reino Unido. Que estão sempre a descobrir coisas, nos mais importantes Centros Hospitalares de Investigação. E quem sabe se ela também (tomando cuidados especiais para não magoar o fémur) não fosse também ter direito a usufruir do mesmo tipo de tratamento? Só que à frente dela, era bem capaz de estar a da trombose. É que muito calada estava ela. Mas também, sempre lá estava há mais tempo. Já devia de ter tirado a senha há muito. Podia até ser. Mas uma coisa é certa, e razão tem o adágio popular quando refere que: (Aparentemente ali) fora mesmo no meio, que se encontrara a virtude.
Mas há ainda outra coisa em que eu aposto: aqueles quatro (e momentaneamente, mas por razões diversas) ali deviam ter sofrido, de uma enorme falta de ar.
Sugestão de leitura para esta semana: “Manual dos Novos Médicos: Guia Introdutória às Terapias Vibratórias” de Ted Andrews. Estão a ver? E não é que existem mesmo terapias, de todas as maneiras e feitios.



 

DIVIRTAMSEMAZÉ!
 

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