Porque é que nós
temos vícios, senhores? Uns roem as unhas até ao sabugo. Outros fumam com a mesma intensidade de a chaminé da CUF? Outros adoram roubar o parceiro? E outros ainda têm que
ter sexo todos os dias, se não entram em falência técnica e ficam p'rá ali prostrados
cheinhos de dores de cabeça?
O vício terá que
nos compensar das agruras da vida. Será essa a sua intenção. E no entanto… A
amargura é o que mais existe. Mas uma coisa é indiscutível, todos nós temos
vícios. Ah pois temos!
Recebi um dia
destes um email de alguém de alguém de quem gosto muito. E o email rezava mais ou menos o
seguinte: “antigamente era bonito fumar e era muito feio (mesmo) levar no c-.
Hoje em dia dá-se precisamente o contrário”. Sei que esta conversa de hoje roça
a boçalidade. Mais, está enterrada no lameiro até às pontas “espigadas” do
cabelo. Não deveria sequer ter tido entrada neste modesto, porém muito bem-intencionado
blogue. E apesar disso... E a coerência, amigos? Muitas das vezes ela é apenas
só uma miragem.
Vem esta
conversa a propósito da mudança de paradigmas que têm acontecido com o decorrer da
história da humanidade. E este meu amigo, sendo um senhor do passado é ao
passado que vai buscar todas as suas orientações. Mas não teremos todos nós
esse tipo de procedimento? O que é afinal o passado, senão o segundo que acabou
mesmo agora… de acontecer? E convenhamos, cada um gosta daquilo que gosta. Só que
o meu amigo… esse, prefere continuar a fumar.
O objecto
colocado acima deste post, foi visualizado por mim e com muito interesse, numa
viagem que eu certo dia fiz a Amesterdão. Está patente num lindo Museu de
temática marota. E esta peça senhores, parece reunir as duas ideias expressas
no email do meu dilecto amigo. É que aquilo ali, pareceu-me mesmo um cinzeiro. Gigante
é certo, mas arraçado a cinzeiro.
O objecto como
verificam, aparece rodeado pela representação de objectos perfuradores e
susceptíveis de catalisarem em si, muitos desejos secretos. No meio dos mesmos,
até se pode por a repousar uma pacata beata. Das de fumar, não das outras. Mas que
tristíssima associação de ideias eu tive aqui agora. E que Deus Nosso Senhor me
perdoe.
E se assim
fosse, quando a pessoa fumava, podia regozijar-se a olhar para a peça, sem
recear nunca poluir com cinzas o espaço à volta com o seu tabaco. Essa foi a minha interpretação,
quando vi o objecto. Baseei-me na minha observação visual, mas também no senso
comum. E estava eu triunfante, intimamente a congratular-me não só pelo facto
de poder viajar, como de poder chegar a tão elucidativas conclusões, quando logo
ali alguém teve a desdita de me desmentir. E como proliferam aqueles que gostam
de nos estar sempre a desmentir. Credo! Mais parece uma praga. E dissera-me que
aquilo nunca poderia ser um cinzeiro. Comunicando-me depois, sobre a total falta de
necessidade de se ter um cinzeiro de dimensões tão avassaladoras. Mas que
falácia! Existirem assim pessoas que tendencialmente tendem a visualizar a
realidade em dimensões tão reduzidas. E a manter um olhar… tão liliputiano.
Afinal ninguém me garante que aquilo não possa ter sido, a representação do
cinzeiro do gigante, que vivia lá em cima, no Castelo das Nuvens. E que num
certo dia, foi incomodado pelo rapaz João. O semeador de feijões e muito
aventuroso ser.
E a pessoa que
me desmentiu (ser demonstrar qualquer dó nem piedade), assegurou-me que aquilo era… uma
pia Baptismal. Crédula e simples pessoa que sou tendencialmente, quando penso
num baptismo, alicerço a ideia, à iniciação numa religião. Num procedimento
mais ou menos sacro. Ou então na iniciação numa qualquer ordem secreta. Entrar para uma
crença irrefutável. Na promessa de que aquele acto será o início de uma vida
ligada a uma representação onde o divino conviva. Ou o superior àquilo que é
comum. Que religue de alguma maneira os indivíduos, que demonstrem ter
similares objectivos. Existe também o baptismo das praxes académicas. Mas aí
usa-se mais um penico, ou não é? Agora aquilo que vi? Para que raio de
cerimónias baptismais, aquele “piçório” é adequado. E logo assim com tantos pénis…
Seria então próprio
para jovens e menos jovens, que se iniciassem finalmente em práticas
libidinosas? De desfrute e de gozo tão em desacordo com normas vivenciais das
pessoas mais ligadas à religião e que por definição são também as que são
mais baptizadas?
Seria também
própria para enlaces matrimoniais, que agora ocorrem cada vez menos? Onde os
felizes noivos, inclinassem suas cabecinhas para a peça artística aqui postada?
E fossem depois profusamente regados com água de rosas com travo a pimenta
caiene? E prometessem depois muita actividade e desfrute, contando com a
complacência e cumplicidade do sacro sacerdote? Mas não será perigoso
comprometerem-se desta maneira? Quem é que pode falar no desempenho a ter em
tempos futuros? É que infelizmente existem tantas vicissitudes.
Será ainda
própria para se lavarem cabeças tresloucadas e ansiosas (senhoras e senhores)
para verem de perto o objecto representado, mas em carne? Porque osso parece não
ter?
De concreto, eu nada
soube. É que tenho muita dificuldade em embarcar logo em explicações vagas que visam
somente atropelar as minhas verificações. E lamentavelmente eu fiquei sem
nenhuma resposta válida. Contudo há que convir. Trata-se de uma peça muito bela
e de finíssimo recorte. Pensada por alguém genial e muito bem inspirado. Pena
foi não ter deixado, um livrinho de instruções.
Sugestão de
leitura para esta semana: “O Pénis e a
Desmoralização do Ocidente” de Paul
Aron e Roger Kompf.
DIVIRTAMSEMAZÉ!

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