«Mohammed el-Magrebi morava no Cairo, numa casinha que tinha um jardim
com uma figueira e um fontanário. Era pobre. Adormeceu e sonhou com um homem
todo encharcado que tirava uma moeda de ouro da boca e lhe dizia: “A tua sorte
está na Pérsia, em Isfahan… encontrarás um tesouro… vai!”
Mohammed acordou e apressou-se a partir. Através de mil perigos, chegou
a Isfahan. Enquanto procurava comida, morto de cansaço, confundiram-no com um
ladrão.
Bateram-lhe com canas de bambu e quase o mataram. Até que o capitão lhe
perguntou: “Quem és, donde vens, porque é que estás aqui?” Ele disse-lhe a
verdade: “Sonhei com um homem encharcado que me ordenou que viesse para cá,
porque encontraria um tesouro. Que grande tesouro, pauladas!”
O capitão desatou a rir e disse-lhe: “Seu parvo, tu acreditas em
sonhos? Olha… eu sonhei três vezes com uma pobre casa do Cairo, que tinha um
jardim e, além do jardim, uma figueira e, além da figueira, um fontanário e
debaixo do fontanário um tesouro enorme! Mas nunca saí daqui, seu parvo! Vai-te
embora, palerma!”
O homem regressou a casa e, cavando por debaixo do fontanário do seu
jardim, desenterrou o tesouro!»
Porque é que as coisas mais belas
do mundo são também as mais simples? E porque é que aquilo que nos é mais
precioso, regra geral está logo ali, mesmo por baixo do nosso nariz? E nós,
quase sempre tão acometidos, por uma cegueira formal?
Sugestão de leitura para esta
semana: “Branca Como a Neve, Vermelha
Como o Sangue” de Alessandro
D’Avenia. Que foi justamente o livro de onde eu retirei, a singela porém
extraordinária narrativa acima postada.
DIVIRTAMSEMAZÉ!

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