Porque tristezas não pagam dividas.
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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Pelos Caminhos de Portugal - 2.




Depois o passeio continuou. Fui visitar (pela enésima vez) o Museu José Malhoa. Este Museu está localizado na formosa, mui erecta e varonil cidade das Caldas da Rainha. E nomes como Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro foram naquele Museu, muito eficientemente difundidos. Já para não falar do patrono do Museu. De José Malhoa. Do pintor. E não daquele anafadito que canta. E que gastou p'ra cima de um dinheirão em rosas.


E naquele Museu, meus amigos, há tanta coisa para ver! As formas de arte, representadas em multiplas peças. São amplas e exemplificam muito bem, dois ou três séculos do que é, (ou melhor do que foi), uma parte muito considerável da arte lusitana. Com óbvias referencias a importações estéticas vindas de outras paragens.
Houve ainda referencias ao facto, das mesmas se terem difundido por cá, um pouco tardiamente. Atendendo à nossa própria localização geográfica. Existe mesmo muita gente que acha que nós vivemos no "cu de Judas". E estávamos aqui tão bem, senhores! Tão sossegados! Sem o raio da Troika. Nem da Merquelina!
E uma vez que tais referencias chegaram aqui tão tarde, consequentemente elas também por cá ficaram mais tempo. Enquanto isso, os outros países mais centralizados ao próprio do Continente Europeu, já se refastelavam com outras modas. aqui o nosso conservadorismo imperava. E o nosso fado assentava assim os arraiais , pelos caminhos de terra batida do nosso (malogrado) Portugal. Sempre tão empobrecido. É a vida, como já lá dizia o outro.
E é com assombro que visualizamos ali, algumas das projecções artísticas, de factos bem presentes e também ocorridos no passado. A ideia ali presente era a de se retratarem até à exaustão, todos os detalhes inclusos nos ambientes directamente correlacionados com o meio rural. Num regresso a temáticas naturalistas. Daquilo que é simples e não compromete.
E são muitas as cenas em que os velhos são efectivamente velhos, cheios de mazelas e com muitas rugas. velhos que trabalharam "no duro", e muitas vezes até à altura da sua própria "partida definitiva!. Mas onde é que o nosso senhor primeiro-ministro se foi inspirar? Pois quais pensões, quais carapuça! Nós até já estamos tão habituadinhos a sofrer!...
E os mais jovens que ali também foram retratados? Pois em muitas situações, eles também estavam a executar as mais básicas tarefas agrícolas. E desde a sua mais tenra idade. Num mundo em que a regra era não lhes ser possibilitado qualquer grau de escolarização. E digam lá que isto da moda, não é de facto circular? Não se revêm cada vez mais, amigos portugueses, nessas realidades e gostos, que eram considerados há tão pouco tempo atrás, como direi... demodé? É que ter uma horta e mais uma dúzia de galinhas é algo cada vez mais a considerar.
Estão também ali muito presentes, as chamadas naturezas mortas. E as cenas onde abundam os animais domésticos e/ou de tracção. Circunscritas em ambientes sempre directamente ligados ao mundo rural. E na sua mais antiga forma. Onde se usavam somente os arados e a força bruta. É de notar, que aquele que reside temporariamente em Belém, também acha muito positivo que regressemos novamente aos campos. Às nossas origens. Sim, isso para ele, deve de significar uma possível fuga para a frente, em relação às dificuldades. Mas terá o tal senhor memória curta? Ter-se-á esquecido do seu brilhantíssimo desempenho no passado? Onde ficámos sem vestígios da lavoura? Quase que já nem sabemos o que é pecuária? Nem sabemos da pesca? Mas o que é isso? Logo num Portugal, que até nem tem significativa faixa marítima, não é? Pois agora?... Ele tarde pia... Mas se foi assim mesmo e comprovadamente... para que é que ele foi agora ter tal lembrança?
Não se pode deixar de referenciar, o facto de que naqueles tempos, (mais ou menos até ao terceiro quartel do século XX), grande parte da população (uma imensa maioria), viver ou melhor, sobreviver da agricultura. que era por definição muito primitiva e pouco evoluída. Conforme aliás eu já referi. Mas para tal cenário, nós vamos todos outra vez caminhando. Quase todos. Pois sempre vai haver um ou outro que se safa, Que passa pelos intervalos da chuva.
Houve também naquela visita, oportunas referências a outros tempos de crise. Em que a dívida externa era também gigantesca e crescente. Se calhar ainda é a mesma! Tempos em que também se tiveram que procurar ajudas externas, para poder suprir essas mesmas dificuldades. Mas os resultados foram quase sempre os mesmos. Ou seja, foram quase nulos. Ponto assente foi o arrepio colectivo que começou exactamente pela muito eficiente guia. Arrepio que se passou depois para todos nós. Que foi exactamente sentido na altura em que nos comunicou, das imensas similaridades dos tempos de outrora (ali retratados), com os tempos da actualidade. Eu também fiquei muito arrepiada. E mesmo com um cubo de gelo no nariz. Todos os velhinhos também ficaram ali muito incomodados.
Arriscámo-nos assim (e todos) a contrair uma muito perigosa pneumonia . E eu juro. Reparei mesmo muito bem. Não estava nenhuma porta ou janela aberta.
E se formos a analisar bem, temos que concluir, que nós também nunca saímos da cepa torta. E foi com elevado gosto, que tornei a ver a pintura da D. Leonor. A rainha que foi a banhos e recomendou a todos, os benefícios daí decorrentes. Não é por acaso que aquela bela povoação se chama exactamente: Caldas da Rainha. Mas foi também a rainha D. Leonor que iniciou o processo da fundação das Misericórdias. Ao que parece, as necessidades e as carências de subsistência do imenso povaréu português, têm-se assim sucedendo ao 9longo do tempo. E naturalmente que, a acção da rainha, no que concerne à implementação da ajuda social a quem dela mais necessitasse, não deve de ter tido como base, a verificação do facto, de que as pessoas viveram muito acima das suas próprias possibilidades. Ah pois não! E a viverem à conta dos "facilitismos" promovidos pelo acesso aos cartões de crédito. Ou então de estarem p'rá ali todos à espera dos subsídios "oferecidos" pela "bondosa" da Comunidade Europeia. Não me parece. É que toda a gente sabe, ou deveria de saber, que não existem almoços grátis.
O problema da nossa pelintrice, deve de ter pois... outras origens. Infelizmente já seculares. E a tal necessidade de auxiliar o próximo, deu-se justamente num tempo de alguma riqueza. Durante a existência de uma rainha que vivenciou um dos momentos mais gloriosos da História de Portugal. Que infelizmente se revelaram ser, Sol de (muitíssimo) pouca dura.
E a D. Leonor? Como é que ela está ali representada? Pois... aparece com um ar muito confiante e quase galanteador. Glamourosa mesmo. Só que sendo ainda... praticamente uma menina. Foi representada assim e a envergar roupas coleantes, quase sexy's. O que deverá contrastar (e muito), com os usos e os costumes próprios do século XVI.
Mas não nos podemos esquecer de uma coisa: Aquela é efectivamente uma interpretação, feita por alguém que viveu alguns séculos após a existência da tão bem intencionada monarca. é que a tal prestimosa pintura, surgiu pelas mãos, engenho e arte do tal tão consagrado pintor, José Malhoa. E no ano da Graça de 1926*.
O que atendendo às circunstâncias históricas, não me parece ter sido, lá muito bom augúrio




*Nota: O ano de 1926, foi justamente o ano, em que o Professor de Santa Comba, (o tal que tinha a voz sibilante), ascendeu ao cargo de Ministro das Finanças. Nessa altura, só teve no poleiro treze dias. Pois findo esse tempo, ele regressou amuado para Coimbra. É que nessa altura, ainda não lhe haviam feito, todas as vontades. Ainda não lhe haviam vergado a mola. Regressaria já refeitinho, dois anos depois. Com a sua criada. E depois com o clérigo das cerejas. Viria para ficar. Tal qual os automóveis japoneses.
Sugestão de leitura para esta semana:"Viver e Resistir no Tempo de Salazar" de Raquel Henrique.
DIVIRTAMSEMAZÉ!
Só que esta semana, têm muito para ler. ;-D

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