A língua. Ah a língua que serve tantas vezes como barreira intransponível e susceptível de desencorajar os menos afoitos (mas que viajam!). Tem-se como conhecimento um pouco de inglês e... vamos-nos safando. O pior surge quando do outro lado nem um pouco de inglês se sabe. Isso aconteceu-me no Japão. Japão, esse país tão desconhecido. Eu pensava que já tinha alguns conhecimento sobre tal país, antes de lá ter ido. Havia lido Mishima, Murakami... E também já tinha visualizado alguma animação nipónica, assim como alguns documentários. Mas a verdade é só uma: chega-se lá e aquilo é mesmo um outro mundo. E ficamos a entender tão bem o filme da Sofia Copolla...
Em primeiro lugar, as pessoas fazem vénias, fazem mesmo muitas vénias. Eu a dada altura pensei que deveria de fazer o mesmo, como moeda de troca. Achei que deveria ser o comportamento que eles esperavam de mim. Pelo que também eu comecei a fazer vénias, muitas vénias. Fiz tantas que acabei por dar um jeito nas costas que me limitou os movimentos e me fez falar "mais fininho".
Depois foi a vez de se ir a um Pagode. Fomos assistir a um cerimonial que envolvia uma degustação de chá. (Eu só havia ido a uma degustação de vinhos. Meu Deus, como eu sou saloia!). A tal da cerimónia durou para aí hora e meia. Mas houve muita coisa antes da degustação do chá propriamente dita.
Havia por lá um monge budista já velho mas dotado de muita energia. O cerimonial começou com uma predica do tal senhor que demorou para aí uns 10 minutos. O homem falou, falou, falou mas nós... não entendemos nada. Depois de toda aquela conversa, e muito revoltado o monge avistou um sujeito, já velho que também ali estava e que tinha muito excesso de peso. O monge tinha um grande pau na mão. Muito rapidamente, o monge dirigiu-se para o local onde estava o velho e obeso homem. E ralhou-lhe tanto... (claro que continuamos a não entender nada, mas ele estava com cara de poucos amigos). Por uns momentos, nós tememos o pior. Toda a gente pensou que o monge ia começar ali a bater no homem. Mas não, o que o monge fez, foi encostar o pau no sentido das costas do gordinho e continuar para ali a falar. Depois veio o momento da meditação, meditação essa que durou para aí uns 30 minutos. Ficou toda a gente ali muito sossegada e caladinha. (Eu estava muito temerosa). Já aqui tenho falado. Para mim é muito difícil estar muito sossegada e proibida de falar, mas... O monge tinha nas mãos um pau, um grande pau. (Bem, se calhar até tinha dois, não é?)
Depois fomos todos passear para um "Jardim Seco", que era composto unicamente por areia, terra e por pedras colocadas ali em profusão e estrategicamente. Tudo aquilo era muito Zen! Que gratificante foi para todos, deambular por ali, no meio daquela natureza tão acinzentada!
E eis que finalmente veio a degustação do chá. E que belo chá nos seria servido. Ficámos todos ali, sentados "à chinês", numa grande roda. Sem pressas foi-nos servido um muito delicioso chá!!! E eu ali concluí: "Está certo. Fora com a relva que eles não usaram no jardim que eles haviam feito o cházinho". A relva assim toda migada muito miudinha, tal como se faz com o Caldo Verde.
Depois foi a vez de se ir a um Pagode. Fomos assistir a um cerimonial que envolvia uma degustação de chá. (Eu só havia ido a uma degustação de vinhos. Meu Deus, como eu sou saloia!). A tal da cerimónia durou para aí hora e meia. Mas houve muita coisa antes da degustação do chá propriamente dita.
Havia por lá um monge budista já velho mas dotado de muita energia. O cerimonial começou com uma predica do tal senhor que demorou para aí uns 10 minutos. O homem falou, falou, falou mas nós... não entendemos nada. Depois de toda aquela conversa, e muito revoltado o monge avistou um sujeito, já velho que também ali estava e que tinha muito excesso de peso. O monge tinha um grande pau na mão. Muito rapidamente, o monge dirigiu-se para o local onde estava o velho e obeso homem. E ralhou-lhe tanto... (claro que continuamos a não entender nada, mas ele estava com cara de poucos amigos). Por uns momentos, nós tememos o pior. Toda a gente pensou que o monge ia começar ali a bater no homem. Mas não, o que o monge fez, foi encostar o pau no sentido das costas do gordinho e continuar para ali a falar. Depois veio o momento da meditação, meditação essa que durou para aí uns 30 minutos. Ficou toda a gente ali muito sossegada e caladinha. (Eu estava muito temerosa). Já aqui tenho falado. Para mim é muito difícil estar muito sossegada e proibida de falar, mas... O monge tinha nas mãos um pau, um grande pau. (Bem, se calhar até tinha dois, não é?)
Depois fomos todos passear para um "Jardim Seco", que era composto unicamente por areia, terra e por pedras colocadas ali em profusão e estrategicamente. Tudo aquilo era muito Zen! Que gratificante foi para todos, deambular por ali, no meio daquela natureza tão acinzentada!
E eis que finalmente veio a degustação do chá. E que belo chá nos seria servido. Ficámos todos ali, sentados "à chinês", numa grande roda. Sem pressas foi-nos servido um muito delicioso chá!!! E eu ali concluí: "Está certo. Fora com a relva que eles não usaram no jardim que eles haviam feito o cházinho". A relva assim toda migada muito miudinha, tal como se faz com o Caldo Verde.
Mas o cumulo surgiria num outro momento em que eu e um respeitável senhor perguntámos a uma guia local, como é que se dizia: "amo-te" em japonês. A guia um bocado temerosa, citou-nos a tal palavra. Muito contentes, eu e o tal senhor ficámos. E para que memorizássemos bem tal sentimento, fomos repetindo a palavra. E aquilo foi emocionante. Nós os dois, a olharmos-nos nos olhos muito emocionados. Quase que já ouvíamos no ar o "Stranger's In The Night". Só com a expressão de olhar e a nossa pronúncia brilhante, quase que nos apaixonámos ali, um pelo outro. Mas eis senão quando, a tal guia com ar de muito poucos amigos, começa a ralhar ferozmente connosco. Afirmando que nós não tínhamos vergonha nenhuma. Que também não mostrávamos nenhum respeito pelos outros. E mais fez a danada: Obrigou-nos ali a calar o sentimento. É que segundo ela, estávamos a escandalizar toda a gente. Foi o que fizemos imediatamente. Tivemos medo, muito medo. É que a mulher já tinha uns sessenta anos e ainda corria a maratona.
Depois olhamos para as pessoas que estavam ao nosso lado, as tais passiveis de estarem escandalizadas com a nossa actuação. E quem eram? Bem, grupos e grupos de estudantes adolescentes que passavam por nós, sem nos ligarem importância absolutamente nenhuma.
Sugestão de leitura para hoje: "A Instrução dos Amantes" de Inês Pedrosa.
Divirtamsemazé e votos de um Bom Ano.

1 comentário:
Para quem como eu não gosta de rótulos, a simples ideia de impor regras a sentimentos e emoções faz-me arrepiar! Mas cada cultura tem as suas regras e existem anda muitos que seguem sem perguntas.
Trabalhei 15 anos numa multinacional japonesa, o Presidente era japones e todos os dias contactava com mais uns quantos.
Aprendi muito. E também fiquei a saber que por exemplo, numa casa os pais e filhos nunca gritam uns com os outros, utilizam antes expressões e palavras duras e secas. Imaginei-me de imediato a viver no Japão: eu e as minhas 3 filhas em que por vezes acredito que a Segurança Social me vai bater à porta a qualquer momento, tal é a gritaria (delas e minha!).
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