Quando os viciados em viagens como eu, se iniciam nessas aventuras, acham que todos os materiais são susceptíveis de vir a fazer falta. Eu explico. Queremos trazer connosco tudo, mas tudo aquilo que possa ser capaz de nos trazer boas recordações. Era como se trouxéssemos connosco um pedaço do país visitado. Depois e com o passar do tempo, verificávamos que esses objectos ficam lá por casa a ganhar pó. Com a continuidade da sua visualização quase que já não lhe reconhemos o mérito que inicialmente lhe havíamos projectado. A propósito desse assunto, tenho uma colega de trabalho que me diz que nas viagens, ela quase que já não compra nada, pois está farta de ver as suas gavetas cheias de tralha. Eu cada vez tendo a concordar mais com ela, mas claro está, "não há regra sem excepção".
Hoje o meu pensamento vai para aqueles "bens", que são gratuitos, ou seja, foram-nos graciosamente oferecidos pela "mãe natureza". Ou então aqueles partículas de objectos, surripiados às construções humanas. Mas acontecem situações absolutamente condenáveis.
Lembro-me de, há uns anos andar no jardim da casa do Chopin, em Varsóvia, placidamente a ... apanhar bolotas. Não queridos amigos, não se tratava do meu almocinho, se bem que com a crise... até pode vir a ser a base da minha alimentação. O que eu mais temo depois é ficar com uma aparência porcina. Mas... a Miss Piggy era muito sensual e determinada.
Ainda hoje um familiar meu, guarda religiosamente essas bolotas, que já estão um bocado para o ressequido.
Lembro-me ainda com saudade de umas pedrinhas que apanhei em Roma, nos acessos para as Catacumbas. Essas pedrinhas ainda hoje vivem em agradável convívio com as bolotas. Existe também por lá uma pedrinha trazida de uma praia do Pacífico.
Mas não sou só eu que tenho estas lindas ideias, claro está! Um dia um colaborador meu, jovem adulto e surfista, pediu-me que eu lhe trouxesse uma pedrinha de Machu Picchu. Já no recinto arqueológico e preparando-me para o resgate, falo com um senhor que estava a meu lado sobre a necessidade de levar a pedra. O homem abre-me muito os olhos e avisa-me que, eu não poderia retirar nenhuma pedra daquelas construções. Mas é claro que não! Pensei eu. Então aquelas pedras pesam toneladas! Bem, avaliando bem a coisa, eu também não tinha ali nenhuma grua à mão. Hoje sei que o surfista quando vai surfar, leva sempre aquela pedrinha que eu lhe trouxe. Leva-a enfiada dentro daquele fato de borracha.
Na mesma ordem de acções condenáveis, consegui umas folhinhas de oliveira, placidamente apanhadas no Monte das Oliveiras em Jerusalém. E aí eu confesso, estranhei muito aquilo. É que eu pensava que à frente de cada uma das oliveiras estava um jovem judeu, munido de uma metralhadora e disposto a abater o primeiro surripiador. Mas não. Há que ter cuidado é certo, mas consegue-se... (sempre existem aqueles raminhos na base das árvores). Depois e já em Portugal, vi o brilho presente nos olhos daqueles a quem eu ofertei as folhas. Muito religiosos na sua grande maioria. Hoje acredito que as folhinhas, permaneçam muito sossegadas em finas caixinhas, junto a imagens de santos e demais objectos de culto. E junto a elas devem-se rezar muitas orações para os mais variados motivos. Agora o motivo principal deve de ser o fim da crise.
Sei também de um senhor que trouxe do Japão uma mala cheia de garrafas vazias, pois o seu genro fazia colecção.
Mas houve algo que me marcou pela negativa, numa tentativa de resgate de "objecto de recordação". Há uns anos valentes fui à Polónia na companhia de 35 padres. Aquilo era uma espécie de Peregrinação. Havia um que se auto-intitulava de Monsenhor Qualquer Coisa. Era quem visivelmente mandava nos outros 34. Eu mesma assisti impávida ao facto de que, quando os outros padres queriam dançar, tinham que ir pedir autorização a esse tal de Monsenhor. Ora da viagem fazia parte uma visita ao Campo de Concentração de Auschwitz. A experiência vivida com a visita ao referido Campo foi marcante para todos, obviamente. A visualização de todos aqueles edifícios tão numerosos e sempre iguais. O local parece ainda hoje, ressoar todas as angústias de um passado absolutamente lamentável. Ora fora justamente ao pé da cela, onde havia estado aprisionado um padre chamado Maximiliano Maria Kolbe (hoje considerado santo), que o tal Monsenhor pediu uma navalha à assistência para (e pasme-se!), retirar para ele uma lasquinha da porta! Espantosa a lata do religioso homem!!! Eu, não me contive e desatei a ralhar com ele. Afinal ele não era o meu chefe. E disse-lhe: "Com a distinta lata que lhe é tão natural, se eu fosse a si, levava logo a porta toda!" O homem ficou a olhar para mim, como se eu fosse a gémea da Maria Madalena antes de ser santa e quando ainda tinha aquela profissão. Mas reflectiu, reflectiu e felizmente achou que o melhor era ficar "mais ou menos bem na fotografia". Desistiu assim do seu intento.
Diga-se que nenhum dos outros padres, lhe passou para a mão nenhuma navalha. Ali acharia estranho, ministros de Deus, andarem armados de objectos cortantes e perfuradores (Bem desses últimos, deve de ter, cada um o seu!). Contudo eu confesso: se alguém tivesse tido a ousadia de lhe fornecer tal navalha, eu própria lha retirava da mão e era bem capaz de lhe cortar os "penduricalhos". Obviamente que não ficaria com os ditos, para recordação. Sem apelo nem agravo atiraria os mesmos ou para o caixote do lixo, ou para o forno crematório. Acredito que tratando-se de um Padre Católico, esses "penduricalhos" não lhe deveriam de fazer muita falta. Ou estarei enganada?
Sugestão de leitura de hoje: "A Relíquia" de Eça de Queirós.
Divirtamsemazé... E não levem nada que não seja vosso.
Nota: Os meus favoritos, são os padres de Fevereiro e de Agosto (se bem que o de Maio também não está mesmo nada mal!). E que pena tenho eu destas "verdadeiras preciosidades" não terem ido à mesma excursão que eu fui? É que se fossem eu garanto que: quem traria as "relíquias" era eu. Bem, pelo menos tentava, não é?
DIVIRTAMSEMAZÉ!!!
Nota: Os meus favoritos, são os padres de Fevereiro e de Agosto (se bem que o de Maio também não está mesmo nada mal!). E que pena tenho eu destas "verdadeiras preciosidades" não terem ido à mesma excursão que eu fui? É que se fossem eu garanto que: quem traria as "relíquias" era eu. Bem, pelo menos tentava, não é?
DIVIRTAMSEMAZÉ!!!

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