Amo-te e tenho a certeza que já deste conta disso. Mas, e se na eventualidade remota de ainda não teres feito esta descoberta, eu aqui e mais uma vez te digo: Amo-te.
Não sei quando é que tudo isto começou. Se calhar eu amo-te desde sempre, que é como quem diz, desde aquele primeiro momento em que os meus olhos te vislumbraram. Agora sou um ser gloriosamente arrastado aos teus pés, que se alimenta do ar que tu respiras e que te cerca de mil cuidados. A ti, mais à tua sombra.
Contigo fui viajar na companhia das tuas trinta e três amigas. E como aquilo tudo foi tão divertido. Mas tinha que ser: tu estavas lá. Vê só a imensidão daquilo que eu sou capaz de fazer por ti. Durante a minha vida eu tenho ouvido dizer, que mais que cinco mulheres juntas e a viajar, pode ser bem mais perigoso, que o dia mais complicado da Faixa de Gaza. E no entanto eu estive lá, com toda a minha determinação. Com todo o meu bom humor e com todo o meu charme. Assim como demonstrando toda a minha esmerada educação, modéstia à parte. De certeza que já deste conta, mas se não deste eu comunico-te: eu definitivamente sou um "gajo porreiro, pá! "
Por algumas vezes eu passei por treinador de uma equipa de voleibol feminino, onde nem todas as jogadoras estavam na sua melhor condição física. Mas tu estavas lá, minha querida. Estavas lá e eras a mais bela de todas. Tu que estás sempre na melhor das formas, pelo menos para mim.
Só que por vezes, eu não te consigo compreender, mas o que é que se passa? Eu que me esforço tanto. Mas depois penso: Sim, tudo indica que pertencemos a mundos diferentes: eu e os meus colegas detentores de penduricalho, somos de Marte. Tu mais as tuas trinta e três amigas são de Vénus. Bem, algumas delas e por alguns momentos, mais pareciam pertencer a uma outra constelação qualquer.
E no entanto tu viste, és testemunha, eu estive sempre lá e em todos as situações. Ajudei a serenar o ambiente quando foi necessário, fotografei-te muito, apesar de tu e incompreensivelmente apagares parte dos registos, alegando que estavas feia. Mas onde é que tu alguma vez estás feia? Tu que para mim és só a mulher mais bela do mundo. Afirmares tu que alguma vez estiveste feia é tão verdade como afirmares que a Coreia do Norte vive em plena democracia. Apagaste-me algumas fotografias é um facto, mas eu tirei-te muitas mais e tu nem sequer deste conta. E guardo milhares de fotografias tuas, mas para mim todas são poucas. E por isso vou tirando mais uma, sempre mais uma, e como eu levito quando me sorris para a câmara.
Também te filmo, quando tu estás distraída ou a dormir. E como és bela a dormir! És tão delicada... Sabes minha querida, o que eu não consigo mesmo fotografar é o teu mundo interior, não consigo entrar lá e inebriar-me naquele teu espaço, por enquanto inacessível para mim. Como eu gostaria de fotografar todos os teus sonhos e os teus pensamentos. E gosto de alimentar a ideia de que tu e por alguns instantes pensas em mim ou sonhas comigo. Lá como cá, eu poderia bem ser o teu herói. O teu "cavaleiro andante".
Fui então viajar contigo e com as tuas trinta e três amigas. Foi divertido. Mas teria sido muito melhor se tivéssemos ido só nós os dois. Só nós os dois a percorrer e de mão dada, aquelas maravilhosas ruas de uma das mais emblemáticas capitais europeias. Sem pressa nós andaríamos. Desfrutando com toda a calma, daquela cultura. Daquela música. Andaríamos depois, e só nós dois, naquela enegrecida roda gigante. E quem sabe se ao vermos a cidade lá de cima, não fosse o impulso para dar-mos um beijo, mais um beijo. Um beijo profundo e muito mais sentimental, que o daquele casal de velhos que apanhámos na rua.
Sabes, isto pode parecer pretensioso, mas eu acho que é muito fácil gostar-se de mim. E nisto modéstia à parte eu tenho a dizer em minha defesa que: sou um ser inteligente, bem humorado e muito bem falante. Não sei se deste conta, mas todas as tuas trinta e três amigas se riram muito das piadas que eu ia contando. E também com o facto de eu me dar ao trabalho de carregar comigo objectos pessoais de importância tão elevada, como toalhas e fronhas. E ainda quando referi que nunca me esqueço dos meus importantíssimos chinelinhos de banho. Não vá um homem contagiar-se com uma moléstia qualquer.
E depois quando eu comia por vocês todas, vocês trinta e quatro mulheres. A risota que não foi.
Sabes meu amor, permite-me que eu te trate assim. Eu amo-te. Se calhar e actualmente o mais natural é amar-te por ti e por mim. Mas algo me diz, bem cá no fundo do meu intelecto, que de alguma maneira tu também já me amas. Só que ainda não deste conta disso.
Sugestão de leitura para esta semana: "A Bela do Senhor" de Albert Cohen.
DIVIRTAMSEMAZÉ. E jamais virem as costas ao amor. Ele é precioso e muito raro.

1 comentário:
Isto escapou-me!!!
;)
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