A tomada de consciência das diferenças é uma das grandes mais valias de quem viaja. Se quiséssemos ver sempre a mesma coisa, não nos dávamos ao trabalho de sair do mesmo sítio. E ficávamos sempre no nosso país. Ao sairmos daqui, uma das coisas mais intrigantes, mas mais risíveis de apurar, tem a ver com as diferentes formas de se fazer a higiene intima.
É comum nós mulheres, sentirmos umas grandes saudades do nosso "querido bidé". E pensamos: "Como é possível poder sobreviver-se sem ele? Como é que é possível não se sentir a falta da sua presença sossegada e tranquilizadora? Situado bem naquele cantinho do WC? É que o bidé nem sequer ocupa assim tanto espaço. E é tão engraçadinho e útil!...
Mas hoje a minha atenção primeira, vai para um sistema de limpeza automática incrustado na própria sanita. É claro que tal mecanismo é conhecido por muita gente, mas... eu quero aqui falar um pouco da primeira impressão que tive ao ver aquele "simpático e tão elaborado sistema".
Quando eu fui ao Japão, eu fui na companhia de uma querida amiga, a Diocleciana. E como nós nos rimos com aquilo da sanita! Aquilo era composto por verdadeiros repuxos que se esguichavam do interior do vaso sanitário. Para quem não sabe, aquilo funciona assim: A pessoa depois de fazer a sua necessidade fisiológica, tem a oportunidade de accionar um mecanismo muito elaborado. Há pelo menos três variações de repuxos, que são direccionados ou mais para a frente, ou mais para trás. Faço-me entender, não é? A pessoa é que decide. Até pode, se quiser, accionar os três repuxos em simultâneo e ter assim uma grande alegria. Poderá assemelhar-se um pouco à magnificência de um vistoso fogo de artifício, só que... com água entenda-se. E um bocado parecido àquilo que acontecia na Expo mas sem as luzes.
Eu como pessoa curiosa e algo saloia (assumo), fotografei e filmei toda aquela actuação. Às vezes a olhar para aquilo, lembrava-me também de uma rotunda aonde eu passo todos os dias quando vou para o trabalho. É evidente que eu não me filmei nem fotografei enquanto estava lá sentada, claro! Eu sou pessoa muito decente e recatada! Contudo e já a descansar no quarto, ouvia as altíssimas gargalhadas da minha amiga. Não lhe perguntei depois o que é que ela havia estado a fazer, é claro. Mas estou convencida que a mesma se estava a divertir muito a lavar as miudezas, ou a "boca do corpo" como dizia a minha tia Alcina. E depois aquilo ainda tinha um sistema de secagem para todas aquelas partes que haviam sido lavadas. Aquilo é um bocado parecido com um sistema de lavagem automática de carros, mas em pequena escala. Só não lança é o shampoo. Eu poderia aqui falar disto durante muito tempo, mas acho que para o efeito, são dispensáveis mais pormenores.
Eu como pessoa curiosa e algo saloia (assumo), fotografei e filmei toda aquela actuação. Às vezes a olhar para aquilo, lembrava-me também de uma rotunda aonde eu passo todos os dias quando vou para o trabalho. É evidente que eu não me filmei nem fotografei enquanto estava lá sentada, claro! Eu sou pessoa muito decente e recatada! Contudo e já a descansar no quarto, ouvia as altíssimas gargalhadas da minha amiga. Não lhe perguntei depois o que é que ela havia estado a fazer, é claro. Mas estou convencida que a mesma se estava a divertir muito a lavar as miudezas, ou a "boca do corpo" como dizia a minha tia Alcina. E depois aquilo ainda tinha um sistema de secagem para todas aquelas partes que haviam sido lavadas. Aquilo é um bocado parecido com um sistema de lavagem automática de carros, mas em pequena escala. Só não lança é o shampoo. Eu poderia aqui falar disto durante muito tempo, mas acho que para o efeito, são dispensáveis mais pormenores.
Ouvi pela primeira vez a expressão: "boca do corpo", da boca da minha tia Alcina. Quando eu ficava a dormir na casa dela, ela fazia questão de anunciar a todos (e mais ou menos quando chegava a altura de ir para a cama dormir), que... ela ia lavar a "boca do corpo". Tal como a sobrinha, a minha tia era uma mulher recatada e limpa. Tinha também um belo bidé e três penicos. Ela tinha W.C, contudo não dispensava a presença de um penico de barro, muito pesado por debaixo da sua cama.
Eu inicialmente não percebia patavina daquela conversa (da tal da "boca do corpo"). Em primeiro lugar, que necessidade tinha ela de notificar a todos aqueles que ali estavam, do que é que ela ia fazer para a Casa de Banho? O que é que nós tínhamos a ver com isso? Além do mais, ela fechava sempre a porta, pelo que... Bem. E se como eu no inicio pensava, se era só para ela ir lavar a boca (ou seja lavar os dentes), que necessidade tinha ela de se trancar lá dentro e de se demorar tanto? É que eu havia aprendido que o corpo humano, só tem uma boca. Que corresponde aquela abertura, que tem dentes ou dentadura lá dentro.Tem também lá dentro uma língua que poderá ou não ser afiada. E encontra-se localizada na cabeça. Mais ou menos entre o nariz e o queixo. Mas eu era uma rapariga muito inocente. E também não havia ainda a Internet para me tirar qualquer dúvida que eu tivesse.
Contudo e com a repetição de toda aquele ritual, eu fiquei a saber, que afinal a "boca do corpo" da minha tia ficava lá mais para baixo. Ficava situada numa encruzilhada. E também se encontrava geralmente muito escondida.
Mas vamos lá reflectir um pouco. Não serão as duas partes anatómicas distintas pertencentes ao corpo? Ao mesmo corpo? Eu estou convencida que para a minha tia, não. A debaixo era do corpo, enquanto que a de cima, era da cabeça. E acredito que para ela, isso havia de fazer toda a diferença. Seriam mesmo quase independentes uma da outra. Com vida própria e autónoma.
Mas vai na volta ela até tinha razão. É ou não é verdade que se diz que: "Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga?" Pois... O corpo como a grande vítima dos desajustes da cabeça. Mas se fossemos a falar das acções da "boca do corpo" então... cala-te boca!!! Parece-me que neste jogo poderá não haver lugar para partes... muito inocentes. Mas a minha tia era uma mulher muito religiosa, muito devota à causa do Vaticano. À causa do Santo Padre. Pelo que quando a temática da conversa evoluía e versava tais "desajustes", a minha querida tia fazia uma cruz na boca, (mas na boca de cima), e rezava uma Avé-Maria. Eu nunca vi a minha tia fazer uma cruz... na sua "boca do corpo". rsrs.
Pena foi a minha tia não ter vivido o suficiente para ter uma destas maravilhas da técnica (destas sanitas japonesas) lá na casa dela. Até poderia ter sido muito útil ao Senhor Prior quando ele a visitava por alturas do Domingo de Ramos. Era o momento em que o padre nos dava a todos uma singela amêndoa. E eu que sempre lhe pedia uma... amêndoa cor-de-rosa! Bem, mas eu estou mesmo em crer que se o Senhor Padre tivesse conhecimento daquela maravilha da técnica (a tal da sanita dos repuxos), poderia querer guardar as suas "vontades naturais" para quando estivesse... na casa da minha tia.
Por outra altura e quando eu tive oportunidade de ir ao Egipto, eu conheci outro "sistema de rega", das partes que estão mais escondidas por definição. Só que o mecanismo (e num fino Hotel situado na cidade do Cairo), funcionava num magnifico e muito brilhante bidé. Mas os repuxos ali, eram mesmo muito vigorosos. Também os vi e também os documentei detalhadamente. Os repuxos verticais tinham necessariamente a mesma funcionalidade que os mecanismos das sanitas do Japão. Só que mais uma vez tinham que se tomar alguns cuidados, não é? Para tudo na vida tem que haver sempre muito cuidado. Sempre muita precaução. Pelo que depois de tomadas todas as atenções devidas e mais uma vez retendo na mente os novos conhecimentos ali adquiridos, eu vesti-me convenientemente e desci para tomar a refeição da noite.
E foi quando eu me deliciava com um opíparo jantar, que o Sr. Mário (que era um senhor já com os seus cinquenta e tal anos), me segreda ao ouvido. E pergunta-me: "Olhe, nem sei bem como é que eu hei-de abordar isto, mas... a menina já teve oportunidade de experimentar o bidé?"
Eu, fiquei levemente ruborizada com o atrevimento do homem. Mas o que é que ele tinha a ver com isso? Estaria ele a imaginar-me naquela situação? Quereria ele revelar-me algum pormenor? Alguma recomendação? Algum cuidado especial? Mas mesmo assim, eu respondi. E a medo disse que: "Não!..." E aqui confesso, eu esperei o pior. E muito temerosa eu aguardei. O que é que mais dali poderia advir? É que eu não lhe havia dado assim tanta confiança. Mas de todo.
Eu, fiquei levemente ruborizada com o atrevimento do homem. Mas o que é que ele tinha a ver com isso? Estaria ele a imaginar-me naquela situação? Quereria ele revelar-me algum pormenor? Alguma recomendação? Algum cuidado especial? Mas mesmo assim, eu respondi. E a medo disse que: "Não!..." E aqui confesso, eu esperei o pior. E muito temerosa eu aguardei. O que é que mais dali poderia advir? É que eu não lhe havia dado assim tanta confiança. Mas de todo.
Mas o Sr. Mário deu conta da minha real atrapalhação, pelo que me revela a coisa mais inusitada, que me fez expulsar alimentos pelo nariz do tanto que eu me ri. É que positivamente, aquele senhor havia sido muito descuidado. Pelo que aproveitou para me informar que: "Olhe, então nesse caso tenha cuidado, tenha muito cuidado. É que eu já experimentei e estou aqui todo queimadinho. Até me custa a andar. E o que me está a custar estar aqui sentado! Se a menina utilizar aquilo por favor, verifique previamente... a temperatura".
Tenho a dizer que ri mais naquela noite, que muita gente durante toda uma vida e até mais. Cuidado eu tive, pois sempre tenho. Mas na minha cabeça o Sr. Mário adquiriu para sempre o cognome de: O senhor d'Os Tomates Pelados.
A propósito desta temática a minha sugestão de leitura para esta semana vai para o livro: "A História do Pudor" de Jean-Claude Bologne.
DIVIRTAMSEMAZÉ e lavem-se bem. Mesmo por entre os refêgos. (Este também era um dos múltiplos e muito úteis conselhos da minha tia).
PS: Peço desculpa pela brejeirice, mas hoje apeteceu-me. E o sucesso que este homem fazia na Queima das Fitas? Pelo menos no meu tempo era assim.
Boas Leituras e Feliz Dia do Livro: (23 de Abril ou seja, na próxima Segunda-Feira).
BOAS LEITURAS!!!
Boas Leituras e Feliz Dia do Livro: (23 de Abril ou seja, na próxima Segunda-Feira).
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