Porque tristezas não pagam dividas.
Só mesmo os sacrifícios dos Funcionários Públicos...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Num táxi peruano.


Este meio de transporte é de importância máxima nas comunidades actuais e, em Portugal, regra geral são os carros de gama alta e necessariamente mais confortáveis que mais são usados para este serviço, mas não é assim em toda a parte.
Um ano destes, cinco pessoas decidiram ir fazer Sandboard de noite para o deserto peruano. Sandboard ok? Não estou aqui a utilizar qualquer metáfora, para uma outra qualquer actividade, era mesmo praticar aquele desporto radical. Pelo que alugaram um táxi. Eu era uma das participantes.
Em Portugal, cinco pessoas mais o motorista não poderiam viajar no mesmo táxi, pelo menos nos táxis que são para transportar cinco pessoas, contando com o motorista. Mas ali não houve qualquer problema. Afirmo ainda que os táxis peruanos são de dimensões bem mais pequenas, que os convencionais táxis portugueses. Não era nenhum Audi ou Mercedes. Eu confesso, já não me lembro da marca, mas garantidamente que não era maior que um Renault Clio. 
À ida para o deserto, ia um jovem cavalheiro à frente e atrás iam os restantes quatro passageiros, eu a uma ponta, um pai e um filho no meio e na outra ponta uma jovem rapariga. Íamos ali para o "apertadito" não é, mas a vontade de "desertar" era tão grande... Eu ia literalmente "esborrachada" contra a porta. Depois de uma viagem interminável de sensivelmente trinta minutos eu advogo que, uma vez que eu era a pessoa mais larguinha de anca, o melhor a fazer era, no regresso eu ir à frente ao lado do senhor motorista, assegurando desta maneira um maior conforto para todos, exceptuando talvez um pouco a comodidade do cavalheiro que viajava à frente. Contudo o mesmo foi compreensivo e simpático como é, logo acedeu a que assim fosse. E lá fomos nós praticar a sublime arte de descer em considerável velocidade em cima de uma "tábua" pelas colinas abaixo...
No regresso e ao pé do táxi, eu ocupei o lugar da frente, os três homens o lugar de trás e a outra moça teria que se sentar atrás e junto a uma janela... Esta seria a última a entrar. Antes que ela desse o passo definitivo e ocupasse efectivamente o seu lugar, o senhor mais velho, com cinquenta e tal anos, diz a pérola seguinte: "Anda para aqui anda, deitas-te ao nosso colo e terás seis mãos a fazerem-te massagens..." Sublime! A moça ficou ali a olhar cheia de medo, olhou para mim sem saber o que decidir. O que havia ocupado o lugar da frente na viagem de ida, ainda sossegou a jovem dizendo, que ele não iria fazer massagens a ninguém, mas o pai e o filho não pareceram demarcar-se dessa sua/deles mui  benemérita intenção. A jovem sentiu medo, sentiu muito MEDOOOOOOO. 
Como não podíamos ficar ali toda a noite, a moça pensa, pensa e no fim reage. Nada diz, mas em menos de um momento tenho a rapariga sentada no meu colo enquanto eu ocupava... o banco da frente... 
Foi assim desta maneira e todas tortas, que viajamos por mais trinta minutos. Eu não tenho mesmo sorte nenhuma. Queria conforto, há pois queria!!! Mas as leis do Universo não estavam para aí viradas. Eu viajara anteriormente "esborrachada" contra o vidro, mas agora tinha uma mulher feita sentada ao meu colo. A desgraçada viajou todo o tempo com a "espinha" dobrada, que mais parecia um triste e lazarento cisne. Eu viajei novamente "esborrachada", mas desta vez... contra o taxista, com a minha perna a pressionar fortemente... o manipulo das mudanças. Eu ainda sugeri ao profissional da condução: "O senhor avise-me quando quiser pôr a mudança, que eu faço esse serviço por si, de forma a que o senhor não me esteja consecutivamente a "apalpar" a perna. Mas o homem estranhamente não foi na conversa, pelo que ficou por momentos a olhar para mim com cara de caso, com um sorriso "monalísico" a sair-lhe de um generoso bigode.
Naquela noite ficou provado que as boas intenções das pessoas, nem sempre são entendidas devidamente pelos seus semelhantes. Afinal aqueles dois senhores; pai e filho só queriam praticar a boa acção do dia: fazer umas reconfortantes massagens na pequena. Tinham assim a certeza de lhe melhorar o estado anímico. Ela porém não entendeu assim. E assim viajamos em sofrimento, os que seguiam nos lugares da frente, e muito regalados os três homens que ocupavam o banco de trás. Por essa e por outras é que eu cada vez mais, me vou abstraindo de dar sugestões, é porque, como dizem os mais velhos e experientes: "De boas intenções, está o Inferno cheio!"
A propósito deste episódio por mim vivido e aqui recordado, sugiro a leitura do livro: "Histórias do Deserto" de Carlos Teixeira Luís.
Divirtam-se muito e massagem o cérebro com boas e GRATIFICANTES LEITURAS.


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